{"id":19949,"date":"2020-07-22T10:37:34","date_gmt":"2020-07-22T13:37:34","guid":{"rendered":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/?p=19949"},"modified":"2020-07-20T11:20:51","modified_gmt":"2020-07-20T14:20:51","slug":"maria-madalena-nos-evangelhos-e-nos-apocrifos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/2020\/07\/22\/maria-madalena-nos-evangelhos-e-nos-apocrifos\/","title":{"rendered":"Maria Madalena nos Evangelhos e nos Ap\u00f3crifos"},"content":{"rendered":"<p><em><strong><a href=\"https:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/files\/2019\/07\/Pietro_Perugino_cat56-207x300.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-19950 alignleft\" src=\"https:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/files\/2019\/07\/Pietro_Perugino_cat56-207x300-207x300.jpg\" alt=\"\" width=\"207\" height=\"300\" \/><\/a>Maria Madalena \u00e9 citada cinco vezes nos Evangelhos; n\u00e3o h\u00e1 porqu\u00ea a identificar com uma prostituta. Ocorrem nos Evangelhos quatro mulheres distintas: a pecadora an\u00f4nima de Lc 7, 36-50, a mulher que acompanhava Jesus e lhe servia com as suas posses (Lc 8, 1-3), a irm\u00e3 de Marta e L\u00e1zaro (Jo 12, 1-12) e a mulher ad\u00faltera de Jo 8, 1-11. Nos ap\u00f3crifos de origem gn\u00f3stica e maniqueia (n\u00e3o crist\u00e3, porque dualista) aparece Madalena como confidente de Jesus. \u00c9 desta fonte que alguns autores modernos pretendem desenvolver a figura de Jesus descrita pelos evangelistas. Esta tend\u00eancia carece de todo fundamento, pois a tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3 \u00e9 diversa no tocante a Madalena ap\u00f3s a ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus.<\/strong><\/em><\/p>\n<p>O romancista Dan Brown, em seu &#8220;O C\u00f3digo da Vinci&#8221;, focalizou Maria Madalena como pretensa esposa de Jesus e antepassada de uma dinastia de reis da Fran\u00e7a. Esta not\u00edcia, por mais estranha que seja, despertou a curiosidade de muitos leitores, sugerindo assim o aprofundamento de tal tem\u00e1tica. \u00c9 o que ser\u00e1 feito nas p\u00e1ginas subsequentes.<!--more--><\/p>\n<p><strong>1. Maria Madalena nos Evangelhos<\/strong><\/p>\n<p>A Madalena dos Evangelhos costuma ser identificada, desde o s\u00e9culo VII com a pecadora que lavou os p\u00e9s de Jesus com suas l\u00e1grimas, e com a irm\u00e3 de Marta e L\u00e1zaro, pois esta ungiu os p\u00e9s de Jesus com b\u00e1lsamo. Ver Lc 7, 36-50; Lc 8, 1-3 e Jo 12, 1-11.<\/p>\n<p>Esta identifica\u00e7\u00e3o que faz de tr\u00eas mulheres uma s\u00f3, hoje em dia n\u00e3o \u00e9 aceita pelos melhores exegetas. Vejamos por qu\u00ea.<\/p>\n<p><strong><em>1.1. A identifica\u00e7\u00e3o da mulher de m\u00e1 vida (Lc 7, 36-50) com Madalena (Lc 8, 1-3) carece de base s\u00f3lida<\/em><\/strong><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/loja.cleofas.com.br\/escola-da-fe-vol-i-a-sagrada-tradicao\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-62471 alignright\" src=\"https:\/\/cleofas.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/escola_da_fe_I.png\" alt=\"escola_da_fe_I\" width=\"190\" height=\"190\" \/><\/a>Eis o que se l\u00ea em Lc 8, 2s: &#8220;Acompanhavam Jesus os doze e algumas mulheres que ele havia curado de esp\u00edritos imundos e de enfermidades: Maria Madalena, da qual haviam sa\u00eddo sete dem\u00f4nios, Joana, mulher de Cuza, mordomo de Herodes, Suzana e muitas outras, que lhe ministravam com seus bens&#8221;.<\/p>\n<p>Detenhamo-nos sobre Maria Madalena.<\/p>\n<p>O nome &#8220;Maria&#8221; era muito comum no povo de Israel; tenha-se em visto Jo 19, 25, onde se l\u00ea que, dentre quatro mulheres, tr\u00eas se chamavam Maria. A predile\u00e7\u00e3o por tal nome talvez se deva ao fato de que a irm\u00e3 de Mois\u00e9s se chamava Maria (cf. Ex 15, 20), tornando c\u00e9lebre o respectivo nome.<\/p>\n<p>Da\u00ed o uso de um aposto para diferenciar as Marias; esse aposto podia ser o lugar de origem, que, no caso, era M\u00e1gdala, povoado situado \u00e0 margem ocidental do lago da Galil\u00e9ia, 5 km ao norte da cidade de Tiber\u00edades. \u00c9 assim que se explica o nome &#8220;Maria Madalena&#8221;.<\/p>\n<p>O fato de ter sido possu\u00edda por sete dem\u00f4nios n\u00e3o quer dizer que fosse necessariamente uma grande pecadora. Nos Evangelhos, a filha da mulher siro-fen\u00edcia em Mc 7, 29s era possessa, mas pode-se crer, pelo contexto, que era doente; o mesmo se diga do jovem possesso &#8220;desde a inf\u00e2ncia&#8221; (Mc 9, 21): a crian\u00e7a n\u00e3o tem a responsabilidade necess\u00e1ria para cometer pecado grave (como se cr\u00ea). Sabe-se, de outro lado, que as doen\u00e7as eram atribu\u00eddas aos dem\u00f4nios (cf. 2Cr 16, 12); &#8220;sete dem\u00f4nios&#8221; (n\u00famero de plenitude) significariam doen\u00e7a muito grave. Na base destas considera\u00e7\u00f5es pode-se dizer que Maria Madalena n\u00e3o era a pecadora que a posteridade imaginou.<\/p>\n<p><strong><em>1.2. As demais ocorr\u00eancias de Maria Madalena nos Evangelhos<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Em quatro outras passagens aparece Maria Madalena nos Evangelhos, a saber:<\/p>\n<p>Mc 15,40: Madalena, com outras mulheres, contemplava Jesus atormentado na Cruz.<\/p>\n<p>Mc 15,47: &#8220;Maria de M\u00e1gdala e Maria, m\u00e3e de Jos\u00e9, observavam onde depositaram Jesus descido da Cruz&#8221;.<\/p>\n<p>Mc 16,1: &#8220;Passado o s\u00e1bado, Maria de M\u00e1gdala, Maria, m\u00e3e de Tiago, e Salom\u00e9 compraram perfumes para embalsamar Jesus&#8221;.<\/p>\n<p>Jo 20, 1-18: No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ao t\u00famulo logo de manh\u00e3. Recebeu ent\u00e3o de Jesus a ordem de ir anunciar aos Ap\u00f3stolos a Boa-Nova da Ressurrei\u00e7\u00e3o. &#8220;Maria Madalena foi e anunciou aos disc\u00edpulos: &#8216;Vi o Senhor'&#8221;.<\/p>\n<p>Como se percebe, Madalena aparece nos Evangelhos em situa\u00e7\u00f5es que lhe merecem honra. Como ent\u00e3o p\u00f4de ser desfigurada em prostituta?<\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong>&nbsp;<a href=\"https:\/\/cleofas.com.br\/qual-a-importancia-dos-evangelhos-apocrifos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Qual a import\u00e2ncia dos evangelhos ap\u00f3crifos?<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/cleofas.com.br\/que-diferenca-ha-entre-os-evangelhos-canonicos-e-os-evangelhos-apocrifos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Que diferen\u00e7a h\u00e1 entre os Evangelhos can\u00f4nicos e os Evangelhos ap\u00f3crifos?<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/cleofas.com.br\/os-evangelhos-sao-autenticos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Os Evangelhos s\u00e3o aut\u00eanticos?<\/a><\/p>\n<p><strong><em>1.3. Os Equ\u00edvocos<\/em><\/strong><\/p>\n<p>O aviltamento da figura de Maria Madalena come\u00e7a pela falsa identifica\u00e7\u00e3o com a mulher de m\u00e1 vida apresentada em Lc 7, 36-50. Ter sete dem\u00f4nios parecia indicar grave situa\u00e7\u00e3o de pecadora. Quando Jesus a ter\u00e1 libertado desses maus esp\u00edritos? &#8211; A resposta parecia estar em Lc 7: a mulher caiu em prantos aos p\u00e9s de Jesus, arrependida de seus pecados e recebeu do Senhor o perd\u00e3o; este epis\u00f3dio ocorrido em casa de Sim\u00e3o o fariseu \u00e9 colocado por Lucas logo antes da apresenta\u00e7\u00e3o de Madalena em Lc 8; da\u00ed a fus\u00e3o das duas mulheres na imagem de uma pecadora agraciada chamada Maria Madalena.<\/p>\n<p>Ora tal fus\u00e3o \u00e9 gratuita S. Lucas fez quest\u00e3o de guardar o anonimato da mulher de m\u00e1 vida. Seja respeitada a delicadeza do evangelista!<\/p>\n<p>A seguir, visto que em Jo 12, 1-12 aparece uma mulher chamada Maria a ungir os p\u00e9s de Jesus com b\u00e1lsamo, identificaram-na com Maria Madalena, de modo que a irm\u00e3 de Marta e L\u00e1zaro passou a ser a pecadora convertida Maria de M\u00e1gdala. Todavia verifica-se que tal identifica\u00e7\u00e3o \u00e9 artificial, pois a pecadora de Lc 7 banha os p\u00e9s de Jesus com l\u00e1grimas e s\u00f3 depois disto os unge com b\u00e1lsamo, ao passo que a irm\u00e3 de L\u00e1zaro n\u00e3o chora, mas aplica diretamente os seus perfumes.<\/p>\n<p>Por n\u00e3o levar em conta tais pormenores, v\u00e1rios autores chegaram a identificar Madalena ainda com uma terceira mulher, ou seja, com a pecadora ad\u00faltera de Jo 7, 53 e mais&#8230; com a samaritana de seis maridos ocorrente em 4, 17s&#8230;!<\/p>\n<p>Por conseguinte tem raz\u00e3o a moderna exegese ao reabilitar Maria Madalena, isentando-a da n\u00f3doa de prostituta.<\/p>\n<p>Passemos agora ao estudo da tradi\u00e7\u00e3o relativa a Maria Madalena.<\/p>\n<p><strong>2. Maria Madalena na Tradi\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Distinguiremos a tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3 e a tradi\u00e7\u00e3o gn\u00f3stica.<\/p>\n<p><strong><em>2.1. Tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Eis o que refere o famoso hagi\u00f3grafo Butler em sua obra &#8220;Vida dos Santos&#8221;, t, VII (22 de julho):<\/p>\n<p>&#8220;Segundo a tradi\u00e7\u00e3o oriental, Maria Madalena, depois de Pentecostes, acompanhou Nossa Senhora e S. Jo\u00e3o at\u00e9 \u00c9feso, onde veio a falecer e foi enterrada. O peregrino ingl\u00eas S. Vilibaldo teve a oportunidade de ver, l\u00e1, o seu t\u00famulo, em meados do s\u00e9culo VIII. Todavia, de acordo com a tradi\u00e7\u00e3o da Fran\u00e7a, no Martirol\u00f3gio Romano, e conforme a concess\u00e3o de diversas festas locais, ela, junto com L\u00e1zaro, Marta e outros, evangelizaram a Proven\u00e7a. Os \u00faltimos trinta anos de sua vida, segundo se afirma, ela os passou numa gruta formada por rochas, La Sainte Baume, no alto dos Alpes Mar\u00edtimos, sendo transportada milagrosamente, instantes antes da morte, para a capela de S. Maximino. Ela recebeu os \u00faltimos sacramentos das m\u00e3os deste santo, sendo por ele enterrada&#8221;.<\/p>\n<p>A refer\u00eancia mais antiga que se conhece a respeito da vinda desses crist\u00e3os orientais at\u00e9 a Fran\u00e7a \u00e9 do s\u00e9culo XI, em conex\u00e3o com as rel\u00edquias de S. Maria Madalena, reivindicadas pela abadia de V\u00e9zelay, na Burg\u00fandia. A formula\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria parece ter-se espalhado pela Proven\u00e7a somente durante o s\u00e9culo XIII. A partir de 1279, as rel\u00edquias de Maria Madalena, segundo consta, est\u00e3o sob a cust\u00f3dia dos monges de V\u00e9zelay e dos frades dominicanos de Saint-Maximin, sendo ainda muito popular a peregrina\u00e7\u00e3o que se faz at\u00e9 o t\u00famulo da Igreja desses \u00faltimos e \u00e0 gruta de La Sainte Baume. Todavia, a pesquisa, especialmente por parte de Mons. Duchesne, demonstra, cada vez mais claramente, que nem as rel\u00edquias nem a hist\u00f3ria da viagem dos amigos de Nosso Senhor at\u00e9 Marselha podem ser consideradas aut\u00eanticas. Apesar da defesa que fazem os que est\u00e3o piedosamente interessados em favor da cren\u00e7a local, n\u00e3o se pode p\u00f4r em duvida que toda a hist\u00f3ria n\u00e3o passa de pura fic\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Entre os outros contos curiosos e sem fundamento sobre a santa, existentes na Idade M\u00e9dia, est\u00e1 aquele que afirma que ela era noiva de S. Jo\u00e3o Evangelista, quando Cristo o chamou para ser seu disc\u00edpulo. &#8220;Com isso, ela ficou indignada por ver seu noivo arrebatado dela e partiu entregando-se a toda sorte de deleites. Mas, porque n\u00e3o convinha que o chamamento de S. Jo\u00e3o servisse de ocasi\u00e3o para a sua condena\u00e7\u00e3o, Nosso Senhor, em miseric\u00f3rdia, a converteu \u00e0 penit\u00eancia, e, por t\u00ea-la privado do supremo deleite da carne, recompensou-a com o supremo deleite espiritual, acima de todos os demais, isto \u00e9, o amor a Deus (Legenda \u00c1urea)&#8221;.<\/p>\n<p><strong><em>2.2. Tradi\u00e7\u00e3o gn\u00f3stica<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Em PR tem sido publicadas algumas explana\u00e7\u00f5es do que \u00e9 o gnosticismo. \u00c9 um sistema dualista n\u00e3o crist\u00e3o, pois repudia a mat\u00e9ria, que, segundo o Cristianismo, foi criada por Deus. Propagava suas id\u00e9ias por meio de escritos semelhantes aos livros da B\u00edblia, de modo que s\u00e3o chamados escritos ap\u00f3crifos gn\u00f3sticos.<\/p>\n<p>Dentre esses escritos destaca-se, no nosso caso, a Pistis Sophia (F\u00e9 Sabedoria), obra na qual Madalena desempenha papel importante. Com efeito, de 46 quest\u00f5es 39 d\u00e3o o predom\u00ednio \u00e0s perguntas e aos dizeres de Madalena. \u00c9 a interlocutora privilegiada do Senhor, dita &#8220;bem-aventurada, herdeira da luz, Maria pura e cheia do Esp\u00edrito&#8230;&#8221;. Interroga Jesus com firmeza e seguran\u00e7a, levando Jesus a responder-lhe com grande alegria. Prostra-se aos p\u00e9s de Jesus, que ela adora e oscula. Jesus proclama: &#8220;Maria Madalena e Jo\u00e3o o Virgem ser\u00e3o superiores a todos os disc\u00edpulos&#8221;.<\/p>\n<p>O fil\u00f3sofo Celso (s\u00e9culo II) fala dos &#8220;disc\u00edpulos de Mariamme&#8221;, tal \u00e9 a import\u00e2ncia que a ela cabe.<\/p>\n<p>No Evangelho segundo Filipe (s\u00e9c. III\/IV &#8220;Madalena \u00e9 a mais importante das tr\u00eas mulheres&#8221; que caminhavam sempre com Ele: Maria, a m\u00e3e de Jesus, outra Maria, irm\u00e3 de Maria Ssma., e Madalena, pois esta \u00e9, para Jesus, irm\u00e3, m\u00e3e e companheira).<\/p>\n<p>Existe o Evangelho de Maria (Madalena) datado provavelmente do s\u00e9culo II. A\u00ed Madalena incentiva os Ap\u00f3stolos a p\u00f4r em pr\u00e1tica as palavras do Senhor e lembra-lhes a assist\u00eancia permanente que Ele lhes prometeu, Pedro pede-lhe que d\u00ea a conhecer aos Ap\u00f3stolos as palavras de Cristo. Ent\u00e3o relata ela uma longa vis\u00e3o de Jesus, que lhe disse: &#8220;Bendita \u00e9s tu, porque n\u00e3o hesitaste quando me viste&#8221;. Perante Andr\u00e9 e Pedro, pouco dispostos a crer, Levi toma a defesa de Madalena: &#8220;Se o Senhor a julgou digna, quem somos n\u00f3s para rejeitar? O Salvador, sem d\u00favida, a conheceu muito bem. Eis por que Ele amou a ela mais do que a n\u00f3s&#8221;. Maria Madalena aparece assim como a mediadora e mensageira da doutrina gn\u00f3stica: ela \u00e9 colocada acima dos Ap\u00f3stolos.<\/p>\n<p>Como se v\u00ea, o ponto de vista \u00e9 totalmente diverso do da literatura ap\u00f3crifa crist\u00e3, que conserva a hierarquia &#8220;Jesus &#8211; Ap\u00f3stolos&#8221;, como tamb\u00e9m difere das est\u00f3rias que se contavam sobre Madalena ap\u00f3s a ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus.<\/p>\n<p><strong><em>2.3. Tradi\u00e7\u00e3o maniqueia<\/em><\/strong><\/p>\n<p>O manique\u00edsmo \u00e9 outro sistema dualista, que os crist\u00e3os tiveram de enfrentar nos seus primeiros s\u00e9culos.<\/p>\n<p>Apresenta o Salmo de Her\u00e1clito, coment\u00e1rio po\u00e9tico de Jo 20, 17:<\/p>\n<p>&#8220;Maria, Maria, reconhece-me e n\u00e3o me detenhas. Prende as l\u00e1grimas dos teus olhos e reconhece que eu sou o teu Mestre. S\u00f3 te pe\u00e7o que n\u00e3o me detenhas, pois ainda n\u00e3o vi a face do meu Pai&#8221;. Jesus confia-lhe a miss\u00e3o de reunir seus Ap\u00f3stolos, &#8220;\u00f3rf\u00e3os errantes&#8221;. Ao que Maria respondeu: &#8220;Rabi, meu Mestre, cumprirei tuas ordens com alegria e de todo o meu cora\u00e7\u00e3o&#8221;. Gl\u00f3ria e vit\u00f3ria \u00e0 alma da bem-aventurada Maria. &#8220;O esp\u00edrito da Sabedoria escolheu Maria&#8221;.<\/p>\n<p>Numerosos outros salmos maniqueus aparecem dedicados a Madalena.<\/p>\n<p>Resta investigar as raz\u00f5es pelas quais Maria Madalena desempenhou papel t\u00e3o saliente nesses ambientes gn\u00f3sticos e maniqueus. Ser\u00e1 tarefa \u00e1rdua, pois n\u00e3o h\u00e1 muitos pontos de refer\u00eancia para o pesquisador nesse campo de trabalho.<\/p>\n<p><strong><em>2.4. Outras lendas<br \/>\n<\/em><\/strong><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/loja.cleofas.com.br\/escola-da-fe-vol-ii-a-sagrada-escritura\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-62472 alignright\" src=\"https:\/\/cleofas.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/escola_da_fe_II.png\" alt=\"\" width=\"190\" height=\"190\" \/><\/a>Existem outras lendas que desenvolveram o pensamento gn\u00f3stico a respeito de Jesus e Maria Madalena.<\/p>\n<p>Com efeito, uma dessas lendas afirma que Jesus se casou com Madalena por ocasi\u00e3o das bodas de Cana (cf. Jo 2, 1-12), quando Jesus transformou a \u00e1gua em vinho &#8211; o que \u00e9 inaceit\u00e1vel, visto que Jesus e o noivo se distinguem claramente um do outro nesse epis\u00f3dio.<\/p>\n<p>A insist\u00eancia dessa corrente inspirada pelo gnosticismo na tese de que Jesus era casado, se explica, segundo autores modernos, pelo fato de que os judeus n\u00e3o podiam conceber que um homem sadio e normal n\u00e3o se casasse; por conseguinte ter\u00e3o feito de Jesus o esposo de Madalena aos trinta anos ou no come\u00e7o de sua vida p\u00fablica. N\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio demonstrar longamente qu\u00e3o inconsistentes s\u00e3o tais proposi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Mais ainda: a lenda diz que Madalena se retirou para o Sul da Fran\u00e7a levando consigo dois preciosos valores:<\/p>\n<p>&#8211; o Santo Graal ou o c\u00e1lice que Jesus ter\u00e1 usado na \u00faltima ceia ou, segundo outra vers\u00e3o, o c\u00e1lice que recolheu as gotas de sangue de Jesus pendente da Cruz. As diverg\u00eancias dessas est\u00f3rias j\u00e1 contribuem para insinuar o seu car\u00e1ter lend\u00e1rio;<\/p>\n<p>&#8211; o filho que Madalena ter\u00e1 tido com Jesus e que se ter\u00e1 tornado o fundador de uma dinastia de reis da Fran\u00e7a. &#8211; Vale aqui mais uma vez registrar o car\u00e1ter fantasioso e irreal dessa narrativa.<\/p>\n<p><strong>D. Estev\u00e3o Bettencourt, osb<br \/>\n<\/strong><strong>Revista: &#8220;PERGUNTE E RESPONDEREMOS&#8221;<\/strong><br \/>\n<strong>N\u00ba 530 &#8211; Ano 2006 &#8211; p. 341<\/strong><\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Maria Madalena \u00e9 citada cinco vezes nos Evangelhos; n\u00e3o h\u00e1 porqu\u00ea a identificar com uma prostituta. 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