{"id":3731,"date":"2007-10-09T21:25:02","date_gmt":"2007-10-09T18:25:02","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/2007\/10\/09\/pequeno-polegar\/"},"modified":"2007-10-09T21:25:02","modified_gmt":"2007-10-09T18:25:02","slug":"pequeno-polegar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/2007\/10\/09\/pequeno-polegar\/","title":{"rendered":"PEQUENO POLEGAR"},"content":{"rendered":"<p>\u00a0\u00a0<\/p>\n<p>O texto a seguir foi extra\u00eddo de trechos do artigo publicado sob o t\u00edtulo \u201cO Princ\u00edpio do Ser Humano\u201d, em Laissez-les vivre, Ed. Pierre Lethhielleux, Paris, 1975, p\u00e1gs. 17-29 por Jer\u00f4me Lejeune, m\u00e9dico-cientista, pai da gen\u00e9tica moderna e descobridor da S\u00edndrome de Down (mongolismo). Foi o primeiro presidente da Pontif\u00edcia Academia para a Fam\u00edlia e Vida, mais um dentre os grandes Defensores da Vida Humana, falecido em 1994 e com seu processo de beatifica\u00e7\u00e3o em andamento. \u00a0<\/p>\n<p>\u201cA transmiss\u00e3o da vida \u00e9 um fato paradoxal, pois \u00f3vulo e espermatoz\u00f3ide embora sejam mat\u00e9ria dos pais, sabemos com igual certeza que nenhuma das mol\u00e9culas, nenhum dos \u00e1tomos que constituem a c\u00e9lula origin\u00e1ria tem a menor possibilidade de ser transmitido, tal qual \u00e9, \u00e0 gera\u00e7\u00e3o seguinte. Torna-se \u00f3bvio, portanto, que o que se transmite n\u00e3o \u00e9 a mat\u00e9ria dos pais, mas um determinada modifica\u00e7\u00e3o desta; ou, mais exatamente, uma forma.\u201d\u00a0<\/p>\n<p>\u201cUm exemplo: Na fita cassete \u00e9 poss\u00edvel gravar, por meio de min\u00fasculas modifica\u00e7\u00f5es de imanta\u00e7\u00e3o, uma s\u00e9rie de sinais que correspondem, por exemplo, \u00e0 execu\u00e7\u00e3o de uma sinfonia. Esta fita, colocada num aparelho, reproduzir\u00e1 a sinfonia, embora nem o gravador nem a fita contenham os instrumentos ou mesmo a partitura.\u201d\u00a0<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 de uma maneira semelhante que se reproduz o organismo vivo. A fita de grava\u00e7\u00e3o \u00e9 incrivelmente t\u00eanue, pois est\u00e1 representada pela mol\u00e9cula de DNA, cuja pequenez confunde a intelig\u00eancia. Para fazermos uma id\u00e9ia, se se reunisse num mesmo ponto o conjunto das mol\u00e9culas de DNA que especificassem todas e cada uma das qualidades f\u00edsicas dos seis bilh\u00f5es de homens que existem neste planeta, essa quantidade de mat\u00e9ria caberia facilmente dentro de um dedal de costura.\u201d\u00a0<\/p>\n<p>\u201cA c\u00e9lula original do ser humano \u00e9 semelhante ao gravador com a fita. Mal o mecanismo se p\u00f5e em funcionamento, a vida humana desenvolve-se de acordo com o seu pr\u00f3prio programa, e se o nosso organismo \u00e9 efetivamente um aglomerado de mat\u00e9ria animado por uma natureza humana, isso se deve a esta informa\u00e7\u00e3o primitiva, e somente a ela. O fato de o novo ser humano dever desenvolver-se no seio do organismo da m\u00e3e durante os seus primeiros nove meses n\u00e3o modifica em nada este fato.\u201d\u00a0<\/p>\n<p>\u201cSendo um ser humano, diferente de seu pai e de sua m\u00e3e, aninhado no \u00fatero:\u00a0<\/p>\n<p>No 6\u00b0 ou 7\u00ba dia de sua vida (medindo um mil\u00edmetro e meio) preside o seu pr\u00f3prio destino: Envia uma mensagem qu\u00edmica o est\u00edmulo do corpo amarelo do ov\u00e1rio e suspende o ciclo menstrual da sua m\u00e3e.\u00a0<\/p>\n<p>Entre o 18\u00b0 e 20\u00ba dia de sua vida: Seu min\u00fasculo cora\u00e7\u00e3o palpita.\u00a0<\/p>\n<p>Com 30 dias de vida, medindo quatro mil\u00edmetros e meio: Est\u00e3o esbo\u00e7ados os seus bra\u00e7os, p\u00e9s, cabe\u00e7a e c\u00e9rebro.\u00a0<\/p>\n<p>Aos 60 dias de vida, mede, da cabe\u00e7a \u00e0s n\u00e1degas, uns tr\u00eas cent\u00edmetros: Caberia, dobrado, numa casca de noz. Est\u00e1 quase terminado m\u00e3os, p\u00e9s, cabe\u00e7a, \u00f3rg\u00e3os tudo est\u00e1 no seu lugar e s\u00f3 tem que desenvolver-se. J\u00e1 se l\u00eaem as linhas da m\u00e3o e com um microsc\u00f3pio comum, decifram-se suas impress\u00f5es digitais. Se \u00e9 menino, a gl\u00e2ndula genital evolui como test\u00edculo, ou se menina, como ov\u00e1rio.\u00a0<\/p>\n<p>J\u00e1 aos dois meses de vida: Seu sistema nervoso est\u00e1 em funcionamento.\u00a0<\/p>\n<p>Aos tr\u00eas meses de vida: Se lhe tocarmos o l\u00e1bio superior, volta a cabe\u00e7a, pestaneja, franze as sobrancelhas, aperta os punhos e os l\u00e1bios; depois sorri, abre a boca e consola-se com um trago de l\u00edquido amini\u00f3tico. Nada vigorosamente na sua bolsa e revira- se num segundo.\u00a0<\/p>\n<p>Aos quatro meses de vida: Mexe-se com tanta vivacidade que a m\u00e3e sente os seus movimentos. Gra\u00e7as \u00e0 aus\u00eancia quase total de gravidade na sua c\u00e1psula de cosmonauta, d\u00e1 numerosas voltas.\u00a0<\/p>\n<p>Aos cinco meses de vida: Agarra fortemente o min\u00fasculo bastonete que se lhe p\u00f5e na m\u00e3o e come\u00e7a a chupar o polegar esperando a liberta\u00e7\u00e3o aos nove meses.\u00a0<\/p>\n<p>A cada dia a ci\u00eancia nos descobre um pouco mais acerca desta maravilha da exist\u00eancia oculta, deste mundo formigante de vida dos homens min\u00fasculos, mais encantador ainda que o conto de fadas.\u00a0<\/p>\n<p>Pois os contos foram inventados com base nesta hist\u00f3ria verdadeira, e se as aventura do Pequeno Polegar encantaram sempre a inf\u00e2ncia, \u00e9 porque todas as crian\u00e7as, e todos os adultos em que elas se converteram, foram um dia um Pequeno Polegar no seio de sua m\u00e3e.\u201d\u00a0<\/p>\n<p>(Texto publicado no seman\u00e1rio lit\u00fargico Nova Alian\u00e7a &#8211;\u00a0 Ano XIV &#8211; N\u00ba 46 &#8211; 07-10-2007 &#8211; Diocese de S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos \u2013 SP)\u00a0<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0\u00a0 O texto a seguir foi extra\u00eddo de trechos do artigo publicado sob o t\u00edtulo \u201cO Princ\u00edpio do Ser Humano\u201d, em Laissez-les vivre, Ed. 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