{"id":3911,"date":"2013-02-19T17:00:57","date_gmt":"2013-02-19T19:00:57","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/2007\/10\/24\/a-igreja-nao-acreditava-que-o-escravo-tivesse-alma\/"},"modified":"2014-01-23T15:53:46","modified_gmt":"2014-01-23T17:53:46","slug":"a-igreja-nao-acreditava-que-o-escravo-tivesse-alma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/2013\/02\/19\/a-igreja-nao-acreditava-que-o-escravo-tivesse-alma\/","title":{"rendered":"A Igreja n\u00e3o acreditava que o escravo tivesse alma?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\"><a href=\"http:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/files\/2007\/10\/escravidao.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-13682 alignleft\" style=\"margin: 5px\" alt=\"\" src=\"http:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/files\/2007\/10\/escravidao-262x300.jpg\" width=\"262\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/files\/2007\/10\/escravidao-262x300.jpg 262w, https:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/files\/2007\/10\/escravidao.jpg 283w\" sizes=\"(max-width: 262px) 100vw, 262px\" \/><\/a>No Programa \u201cFant\u00e1stico\u201d da Rede Globo, de domingo 21 outubro 2007, foi dito que a Igreja aceitava a escravid\u00e3o porque acreditava que os escravos n\u00e3o tinham alma. Ora, isto n\u00e3o \u00e9 verdade, pelo que mostraremos adiante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A escravid\u00e3o \u00e9 t\u00e3o antiga quanto o ser humano. Em principio, estava associada \u00e0s guerras em quase todos os povos; os vencidos eram feitos escravos, na Gr\u00e9cia, em Roma, mas tamb\u00e9m entre os incas e astecas do M\u00e9xico antigo. O guerreiro vencido ser tornava propriedade do vencedor. Entre muitos povos tamb\u00e9m se tornava escravo do credor quem n\u00e3o pudesse pagar as suas d\u00edvidas, vendia a sua pessoa ou os seus filhos e familiares ao credor. Na Gr\u00e9cia praticava-se o rapto, especialmente de crian\u00e7as, e as crian\u00e7as abandonadas pelos pais podiam ser recolhidas como escravos. No per\u00edodo \u00e1ureo de Atenas, havia na Gr\u00e9cia 15% de homens livres e 85% de escravos. Na Mesopot\u00e2mia havia escravos de certo n\u00edvel cultural, eram prisioneiros de guerra, como muitos judeus deportados para a Babil\u00f4nia no ano 570 a.C.. No Imp\u00e9rio Romano, os escravos faziam trabalhos dom\u00e9sticos, e podiam ter fun\u00e7\u00f5es administrativas e burocr\u00e1ticas e at\u00e9 em altos cargos.<!--moreContinue lendo...-->Em alguns lugares os escravos podiam trabalhar por conta pr\u00f3pria, pagando ao patr\u00e3o uma parte do que ganhavam e juntar algum dinheiro para comprar a sua liberdade. Nos s\u00e9culos II-I a.C. em Roma a escravatura atingiu o auge.\u00a0 Todas as atividades como agricultura, ind\u00fastria, com\u00e9rcio, constru\u00e7\u00e3o civil e outras atividades da civiliza\u00e7\u00e3o antiga dependiam da escravatura; sem isto \u00a0nem a vida p\u00fablica nem a dom\u00e9stica se sustentariam no Imp\u00e9rio Romano, pode-se dizer que a sociedade romana se baseava sobre o trabalho escravo. Querer abolir a escravid\u00e3o na Antiguidade equivaleria a querer acabar com o trabalho assalariado de nossos dias; a sociedade pararia de funcionar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Isto explica porque o Cristianismo, embora ensinasse a igualdade de todos os homens (cf. Gl 3,28; Rm 10, 12; Cl 3,11; 1Cor 12, 13), n\u00e3o tenha podido e conseguido acabar de imediato com a escravatura no Imp\u00e9rio Romano.\u00a0 \u00c9 bom lembrar que a pr\u00f3pria B\u00edblia no Antigo Testamento, dentro do contexto da moral do tempo, \u00a0reconhecia a escravid\u00e3o de estrangeiros (cf. Lv 25, 44-55).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Tudo isso constitu\u00eda uma mentalidade de peso, um forte tra\u00e7o da cultura da \u00e9poca. Note que entre certos povos a escravid\u00e3o existiu at\u00e9 o s\u00e9culo XX; por exemplo, somente em 1962 foi oficialmente abolida na Ar\u00e1bia Saudita. Um relat\u00f3rio apresentado em 1955 em sess\u00e3o da ONU asseverava a exist\u00eancia de ind\u00edcios de escravid\u00e3o e pr\u00e1ticas semelhantes ainda em determinadas regi\u00f5es, como a pen\u00ednsula ar\u00e1bica, o Sudeste asi\u00e1tico, a \u00c1frica e a Am\u00e9rica do Seul.\u00a0 Recentemente espalharam-se not\u00edcias de que o Sud\u00e3o (\u00c1frica) tem plena vig\u00eancia a escravatura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O Ap\u00f3stolo S\u00e3o Paulo dava instru\u00e7\u00f5es a senhores e escravos a fim de que convivessem em harmonia. (cf; Ef 6, 5-9; Cl 3, 22-41; 1Cor 7, 21-23; Tt 2,9s); o escravo On\u00e9simo, fugitivo do seu senhor Filemon, e depois batizado por S\u00e3o Paulo, foi devolvido pelo Ap\u00f3stolo a seu patr\u00e3o com uma Carta, que pedia desse um tratamento fraterno para o escravo crist\u00e3o. Nas palavras de S\u00e3o Paulo a Filemon se v\u00ea com facilidade que ele amava o escravo como um ser humano, e n\u00e3o como algu\u00e9m que n\u00e3o tivesse alma; e isto j\u00e1 por volta do ano 50.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O Conc\u00edlio de Nic\u00e9ia (ano 325), o primeiro que a Igreja realizou, afirma que escravos haviam sido admitidos ao sacerd\u00f3cio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O Papa S. Calisto, do ano 217, por exemplo,\u00a0 foi um escravo liberto. Ora, como a Igreja poderia ter acreditado, ent\u00e3o, que o escravo n\u00e3o tinha alma? Muitos fatos hist\u00f3ricos mostram que a Igreja sempre defendeu e protegeu os\u00a0 escravos, exatamente por ver neles filhos de Deus dotados de alma imortal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Existia na Igreja a Ordem da SS. Trindade, desde 1198, e a dos Merced\u00e1rios ou Nolascos desde 1222, destinadas a redimir os cativos detidos pelos Sarracenos. (cf. Hist\u00f3ria de Portugal, vol. IV, Dami\u00e3o Peres (Dir.) Barcellos, Portucalense Editora 1932, p. 565).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Por acaso S\u00e3o Benedito (1526-1589), o santo negro, o Mouro, n\u00e3o foi\u00a0 descendente de escravos? Como a Igreja poderia canonizar um santo negro se n\u00e3o acreditasse que ele tem alma?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Em uma Carta do Papa Jo\u00e3o VIII, datada de setembro de 873 e dirigida aos Pr\u00edncipes da Sardenha, ele diz:\u201cH\u00e1 uma coisa a respeito da qual desejamos admoestar-vos em tom paterno; se n\u00e3o vos emendardes, cometereis grande pecado, e, em vez do lucro que esperais, vereis multiplicadas as vossas desgra\u00e7as. Com efeito; por institui\u00e7\u00e3o dos gregos, muitos homens feitos cativos pelos pag\u00e3os s\u00e3o vendidos nas vossas terras e comprados por vossos cidad\u00e3os, que os mant\u00eam em servid\u00e3o. Ora consta ser piedoso e santo, como conv\u00e9m a crist\u00e3os, que, uma vez comprados, esses escravos sejam postos em liberdade por amor a Cristo; a quem assim proceda, a recompensa ser\u00e1 dada n\u00e3o pelos homens, mas pelo mesmo Nosso Senhor Jesus Cristo. Por isto exortamo-vos e com paterno amor vos mandamos que compreis dos pag\u00e3os alguns cativos e os deixeis partir para o bem de vossas almas\u201d (Denzinger-Sch\u00f6nmetzer, Enquir\u00eddio dos S\u00edmbolos e Defini\u00e7\u00f5es n\u00ba 668).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O Papa Pio II, em 7 de outubro de 1462, condenou o com\u00e9rcio de escravos como magnum scelus<strong> <\/strong>(grande crime).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O Papa Pio VII (1800-1823) enviou uma Carta ao Imperador Napole\u00e3o Bonaparte da Fran\u00e7a, em protesto contra os maus tratos a homens vendidos como animais, onde dizia:\u00a0\u201cProibimos a todo eclesi\u00e1stico ou leigo apoiar como leg\u00edtimo, sob qualquer pretexto, este com\u00e9rcio de negros ou pregar ou ensinar em p\u00fablico ou em particular, de qualquer forma, algo contr\u00e1rio a esta Carta Apost\u00f3lica\u201d (citado por L. Conti<strong>, \u201c<\/strong>A Igreja Cat\u00f3lica e o Tr\u00e1fico Negreiro\u201d, em \u2018O Tr\u00e1fico dos Escravos Negros nos s\u00e9culos XV-XIX\u201d. Lisboa 1979, p. 337).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O mesmo Sumo Pont\u00edfice se dirigiu a D. Jo\u00e3o VI de Portugal nos seguintes termos:\u201cDirigimos este of\u00edcio paterno \u00e0 Vossa Majestade, cuja boa vontade nos \u00e9 planamente conhecida, e de cora\u00e7\u00e3o a exortamos e solicitamos no Senhor, para que, conforme o conselho de sua prud\u00eancia, n\u00e3o poupe esfor\u00e7os para que&#8230; o vergonhoso com\u00e9rcio de negros seja extirpado para o bem da religi\u00e3o e do g\u00eanero humano\u201d.Pio VII tamb\u00e9m muito se empenhou para que no Congresso Internacional de Viena (1814-15) a institui\u00e7\u00e3o da escravatura fosse condenada e abolida<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O famoso bispo de Chiapa, na Am\u00e9rica, \u00a0Frei Bartolomeu de las Casas (1474-1566), levantou-se em defesa dos \u00edndios contra sua escravid\u00e3o. No in\u00edcio do s\u00e9culo XVI o dominicano Domingos de Minaja viajou da Am\u00e9rica Espanhola a Roma, a fim de relatar ao Papa Paulo III (1534-1549) os abusos ocorrentes com rela\u00e7\u00e3o aos \u00edndios. Em conseq\u00fc\u00eancia, o Pont\u00edfice escreveu a Bula \u201cVeritas Ipsa\u201d (1537), onde condena a escravid\u00e3o:\u201cO comum inimigo do g\u00eanero humano, que sempre se op\u00f5e as boas obras para que pere\u00e7am, inventou um modo, nunca dantes ouvido, para estorvar que a Palavra de Deus n\u00e3o se pregasse as gentes, nem elas se salvassem.<strong><em><\/em><\/strong>Para isso moveu alguns ministros seus que, desejosos de satisfazer as suas cobi\u00e7as, presumem afirmar a cada passo que os \u00edndios das partes ocidentais e meridionais e as mais gentes que nestes nossos tempos tem chegado \u00e0 nossa not\u00edcia, h\u00e3o de ser tratados e reduzidos a nosso servi\u00e7o como animais brutos, a t\u00edtulo de que s\u00e3o in\u00e1beis para a F\u00e9 cat\u00f3lica, e, com pretexto de que s\u00e3o incapazes de recebe-la, os p\u00f5em em dura servid\u00e3o em que t\u00eam suas bestas, apenas \u00e9 t\u00e3o grande como aquela com que afligem a esta gente. Pelo teor das presentes determinamos e declaramos que os ditos \u00edndios a todas as mais gentes que aqui em diante vierem a noticia dos crist\u00e3os, ainda que estejam fora da f\u00e9 crist\u00e3, n\u00e3o est\u00e3o privados, nem devem s\u00ea-lo, de sua liberdade, nem do dom\u00ednio de seus bens, e n\u00e3o devem ser reduzidos a servid\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Neste texto merece aten\u00e7\u00e3o especial a men\u00e7\u00e3o de \u00edndios e \u201cdas mais gentes\u201d, que s\u00e3o os africanos. A uns e outros Paulo III quer defender. Por isto acrescenta:\u201cPelo teor das presentes determinamos e declaramos que os ditos \u00edndios e todas as mais gentes que daqui em diante vierem \u00e0 not\u00edcia dos crist\u00e3os, ainda que estejam fora da f\u00e9 crist\u00e3, n\u00e3o est\u00e3o privados, nem devem s\u00ea-lo, de sua liberdade, nem do dom\u00ednio de seus bens, e n\u00e3o devem ser reduzidos \u00e0 servid\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong><a href=\"http:\/\/feedburner.google.com\/fb\/a\/mailverify?uri=ProfFelipeAquino\">Cadastre-se gr\u00e1tis e receba os meus artigos no seu e-mail<\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Essa Bula de Paulo III teve grande efeito, tanto assim que a\u00a0 30 de julho de 1609 El-Rey promulgou lei que abolia por completo a escravid\u00e3o ind\u00edgena: \u201cDeclaro todos os gentios daquelas partes do Brasil por livres, conforme o direito e seu nascimento natural, assim os que j\u00e1 foram batizados e reduzidos a nossa Santa f\u00e9 cat\u00f3lica, como os que ainda servirem como gentios, conforme a pessoas livres como s\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Aos 24.4.1639 o Papa Urbano VIII (1623-1644) publicou o Breve \u201cCommissum Nobis\u201d, incutindo a liberdade dos \u00edndios da Am\u00e9rica. No seu Breve, o Papa ordenava, sob pena de excomunh\u00e3o reservada ao Pont\u00edfice, que ningu\u00e9m prendesse, vendesse, trocasse, doasse ou tratasse como cativos os \u00edndios da terra. Dispunha ainda que a ningu\u00e9m seria l\u00edcito ensinar ou apregoar o aprisionamento dos mesmos. Por causa disso, revoltaram-se os colonos no Rio de Janeiro,<br \/>\nem S\u00e3o Paulo, em Santos e no Maranh\u00e3o. Os Jesu\u00edtas foram perseguidos, sendo expulsos de S\u00e3o Paulo, Santos e do Maranh\u00e3o, para onde s\u00f3 puderam voltar tempos depois.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Por outro lado, o segundo bispo do Brasil, D. Pedro Leit\u00e3o (1559-1573), assinou aos 30.7.1566 na Bahia, com o Governador Mem de S\u00e1 e o Ouvidor Dr. Br\u00e1s Fragoso, uma junta em defesa dos \u00edndios; defendia-os contra os abusos dos brancos e dava maior apoio aos aldeamentos instaurados pelos jesu\u00edtas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: Arial\">O famoso Pe. Ant\u00f4nio Vieira (1608-1697), por vezes considerado como aliado dos senhores da terra contra os escravos, na verdade assumiu posi\u00e7\u00e3o de censura aberta aos patr\u00f5es. Disse ele:<\/span><span style=\"font-family: Arial\">\u201cSaibam as pretos, e n\u00e3o duvidem, que a mesma M\u00e3e de Deus \u00e9 M\u00e3e sua&#8230; porque num mesmo Esp\u00edrito fomos batizados todos n\u00f3s para sermos um mesmo corpo, ou sejamos judeus ou gentios, ou servos ou livres\u201d (Serm\u00e3o XIV).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: Arial\">\u201cNas outras terras, do que aram os homens e do que fiam e tecem mulheres se fazem os com\u00e9rcios: naquela (na \u00c1frica) o que geram os pais e o que criam a seus peitos as m\u00e3es, \u00e9 o que se vende e compra. Oh! trato desumano, em que a mercancia s\u00e3o homens! Oh! mercancia diab\u00f3lica, em que os interesses se tiram das almas alheias e as riscos s\u00e3o das pr\u00f3prias! \u201c (Serm\u00e3o XXVII).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: Arial\">\u201cOs senhores poucos, e os escravos muitos, os senhores rompendo galas, os escravos despidos e nus; os senhores banqueteando, os escravos perecendo \u00e0 fome, os senhores nadando em ouro e prata, os escravos carregados de ferros, os senhores tratando-os como brutos, os escravos adorando-os e temendo-os como deuses. \/&#8230;\/ Estes homens n\u00e3o s\u00e3o filhos do mesmo Ad\u00e3o e da mesma Eva? Estas almas n\u00e3o foram resgatadas com a sangue do mesmo Cristo? Estes corpos n\u00e3o nascem e morrem como os nossos? N\u00e3o respiram com a mesmo ar? N\u00e3o os cobre o mesmo. c\u00e9u? N\u00e3o os aquenta o mesmo sol? Que estrela \u00e9 logo aquela que as domina, t\u00e3o cruel?\u201d. (Serm\u00e3o XXVII sobre o Ros\u00e1rio, in Serm\u00f5es, vol 12, Porto, 1951, p.333-371)<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: Arial\">Na Bula \u201cImmensa Pastorum\u201d, de 1741, o Papa Bento XIV (1740-1758) condenou a escravid\u00e3o. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: Arial\">O Papa Greg\u00f3rio XVI (1831-1846) em 3.12.1839 disse: \u201cAdmoestamos os fi\u00e9is para que se abstenham do desumano tr\u00e1fico dos negros ou de quaisquer outros homens que sejam \u201c.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: Arial\">O Papa Le\u00e3o XIII (1878-1903), disse na Carta \u201cIn Plurimis\u201d, em 5.5.1888 aos bispos do Brasil:<\/span><span style=\"font-family: Arial\">\u201cE profundamente deplor\u00e1vel a mis\u00e9ria da escravid\u00e3o a que desde muitos s\u00e9culos est\u00e1 sujeita uma parte n\u00e3o pequena da fam\u00edlia humana\u201d.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O papel da lgreja frente \u00e0 escravatura preparou a liberta\u00e7\u00e3o dos escravos, assinada finalmente em 13\/05\/1888 pela Regente, Princesa Isabel. A fim de comemorar este evento, o Papa Le\u00e3o XIII enviou \u00e0 Princesa a Rosa de Ouro, sinal de distin\u00e7\u00e3o e benevol\u00eancia de Sua Santidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">N\u00e3o fosse cansativo para os leitores poder\u00edamos ainda encher p\u00e1ginas e mais p\u00e1ginas mostrando o belo trabalho da Igreja na defesa dos \u00edndios e dos negros. Mas creio que bastam os fatos citados para desmentir o anunciado pelo Programa Fant\u00e1stico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\">Bibliografia utilizada neste artigo: Revista \u201cPergunte e Responderemos\u201d, Dom Estev\u00e3o Bettencourt: N. 448\/1999 \u2013 pg. 399-409; N\u00ba 318 \u2013 Ano 1988 \u2013 P\u00e1g. 509; N. 267\/1983, pp. 106-132; N. \u00a0274\/1984, pp. 240-247.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Terra, Jo\u00e3o Evangelista Martins, \u201cA Igreja e o Negro no Brasil\u201d. Ed. Loyola 1983.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">B\u00edblia, Igreja e Escravid\u00e3o. Coordenador Jo\u00e3o Evangelista Martins Terra S. J. Ed. Loyola 1983.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Carvalho, Jos\u00e9 Geraldo Vidigal, &#8220;A Escravid\u00e3o. Converg\u00eancias e Diverg\u00eancias&#8221;. Ed. Folha de Vi\u00e7osa, 1988.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Carvalho, Jos\u00e9 Geraldo Vidigal, \u201cA Igreja e a Escravid\u00e3o. As Irmandades de Nossa Senhora do Ros\u00e1rio dos Pretos&#8221;. Instituto Hist\u00f3rico e Geogr\u00e1fico do Brasil, Rio de Janeiro, 1988.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Balmes, Jaime, \u201cA Igreja Cat\u00f3lica em face da Escravid\u00e3o\u201d, S\u00e3o Paulo 1988.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Prof. Felipe Aquino<\/strong><\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No Programa \u201cFant\u00e1stico\u201d da Rede Globo, de domingo 21 outubro 2007, foi dito que a Igreja aceitava a escravid\u00e3o porque acreditava que os escravos n\u00e3o tinham alma. Ora, isto n\u00e3o \u00e9 verdade, pelo que mostraremos adiante. 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