{"id":4011,"date":"2007-10-31T21:32:54","date_gmt":"2007-10-31T18:32:54","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/2007\/10\/31\/brasileiro-e-contra-o-aborto\/"},"modified":"2007-10-31T21:32:54","modified_gmt":"2007-10-31T18:32:54","slug":"brasileiro-e-contra-o-aborto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/2007\/10\/31\/brasileiro-e-contra-o-aborto\/","title":{"rendered":"Brasileiro \u00e9 contra o aborto"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Carlos Alberto Di Franco<\/p>\n<p>\u00a0<strong>diretor do Master em Jornalismo, professor de \u00c9tica e doutor em Comunica\u00e7\u00e3o pela Universidade de Navarra, \u00e9 diretor da Di Franco-Consultoria em Estrat\u00e9gia de M\u00eddia. <\/strong><strong>E-mail: &#100;&#x69;f&#x72;a&#x6e;c&#x6f;&#64;&#99;&#x65;&#117;&#x2e;o&#x72;g&#x2e;b&#114;<\/strong>\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0Pesquisa Datafolha divulgada no domingo, dia 7, constatou um expressivo aumento da rejei\u00e7\u00e3o ao aborto no Brasil. Para 87% dos entrevistados, fazer um aborto \u00e9 algo moralmente errado. A maioria declara que daria apoio a um filho ou filha no caso de uma gravidez na adolesc\u00eancia, e rejeita a pr\u00e1tica do aborto.\u00a0<\/p>\n<p>Ao considerar a hip\u00f3tese de ter uma filha que ficasse gr\u00e1vida ainda adolescente, 82% a apoiariam para que tivesse o filho em qualquer situa\u00e7\u00e3o. Dariam seu apoio para que ela levasse a gravidez adiante. Apenas 1% dos entrevistados aconselharia o aborto em qualquer situa\u00e7\u00e3o. N\u00e3o chegam a 1% os que a aconselhariam a fazer um aborto, caso o pai da crian\u00e7a n\u00e3o quisesse assumir o filho.\u00a0<\/p>\n<p>Se fosse um filho a engravidar uma menina, 71% o apoiariam para que ele tivesse o filho em qualquer situa\u00e7\u00e3o. Os que aconselhariam um aborto em qualquer situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o somam 1%, e o mesmo acontece com os que seriam favor\u00e1veis \u00e0 interrup\u00e7\u00e3o da gravidez por achar o rapaz muito novo para ser pai.\u00a0<\/p>\n<p>O resultado da pesquisa \u00e9 uma ducha de \u00e1gua fria na estrat\u00e9gia pr\u00f3-aborto do ministro Tempor\u00e3o e confirma uma tend\u00eancia flagrada em pesquisas anteriores. As campanhas do governo est\u00e3o de costas para o Brasil real. \u00a0<\/p>\n<p>Vale acrescentar que, se o projeto do Conselho Federal de Jornalismo estivesse vigorando, caro leitor, hoje certamente eu n\u00e3o estaria escrevendo este artigo. Mas, como a imprensa brasileira \u00e9 pluralista e defensora da liberdade de express\u00e3o, posso, sem nenhum constrangimento, defender meu ponto de vista, que talvez n\u00e3o esteja, necessariamente, em sintonia com a linha editorial de alguns di\u00e1rios. Os jornais n\u00e3o amorda\u00e7am. Felizmente. Mas os governos, freq\u00fcentemente, gostam de ouvir Samba de Uma Nota S\u00f3. Por isso, devemos, todos, defender a liberdade de imprensa e de express\u00e3o com vigor e coragem moral.\u00a0<\/p>\n<p>A legaliza\u00e7\u00e3o do aborto, independentemente dos eufemismos de alguns e da ambig\u00fcidade do presidente da Rep\u00fablica, \u00e9 prioridade do governo Lula. A opini\u00e3o p\u00fablica assiste, at\u00f4nita, a uma articulada campanha que pretende impor contra a vontade expressa da sociedade, e em nome da &#8220;democracia&#8221;, a elimina\u00e7\u00e3o do primeiro direito humano fundamental: o direito \u00e0 vida.\u00a0<\/p>\n<p>No tocante ao ineg\u00e1vel sofrimento vivido pela gestante, reproduzo o depoimento de uma m\u00e3e que, n\u00e3o obstante a dor provocada pela morte do feto anenc\u00e9falo, justificou sua decis\u00e3o de levar a gravidez at\u00e9 o fim. Sua carta, publicada no jornal O Globo, \u00e9 um contundente recado ao governo e ao Congresso Nacional. &#8220;Fui m\u00e3e de uma crian\u00e7a com anencefalia e posso afirmar que, durante nove meses de gesta\u00e7\u00e3o, convivi com um ser vivo que se mexia, que reagia aos est\u00edmulos externos, como qualquer crian\u00e7a no \u00fatero. Afirmo tamb\u00e9m que n\u00e3o existe dano \u00e0 integridade moral e psicol\u00f3gica da m\u00e3e. O problema \u00e9 que estamos vivendo numa sociedade hedonista e queremos extirpar tudo o que nos cause o m\u00ednimo inc\u00f4modo.&#8221; (&#8230;) &#8220;Se estamos autorizando a morte dos que n\u00e3o conseguir\u00e3o fazer hist\u00f3ria de vida, cedo ou tarde autorizaremos a antecipa\u00e7\u00e3o do fim da vida dos que n\u00e3o conseguem se lembrar da sua hist\u00f3ria, como os portadores do mal de Alzheimer&#8221;, escreveu, h\u00e1 3 anos, Ana L\u00facia dos Santos Alonso Guimar\u00e3es.\u00a0<\/p>\n<p>Trata-se de uma carta impressionante e premonit\u00f3ria. A autora se opunha ao aborto anencef\u00e1lico. Agora, no entanto, o que se pretende \u00e9 o aborto amplo e irrestrito. A legaliza\u00e7\u00e3o do aborto, estou certo, \u00e9 o primeiro elo da imensa cadeia da cultura da morte. Ap\u00f3s a implanta\u00e7\u00e3o do aborto descendente (a elimina\u00e7\u00e3o do feto), vir\u00e3o in\u00fameras manifesta\u00e7\u00f5es do aborto ascendente (supress\u00e3o da vida do doente) &#8211; a eutan\u00e1sia j\u00e1 est\u00e1 sendo incorporada ao sistema legal de alguns pa\u00edses -, do idoso e, quem sabe, de todos os que constituem as classes passivas e indesejadas da sociedade. Acrescente-se ao drama do aborto, claro e indiscut\u00edvel, os imensos danos psicol\u00f3gicos e afetivos que provocam nas mulheres. Surpreendeu-me, em recente viagem \u00e0 Europa, constatar que algumas vozes em defesa da vida nascem nos redutos feministas. O rasg\u00e3o afetivo apresenta uma pesada fatura e muita gente come\u00e7a a questionar seus pr\u00f3prios caminhos.\u00a0<\/p>\n<p>O brasileiro \u00e9 contra o aborto. N\u00e3o se trata apenas de uma opini\u00e3o, mas de um fato medido em pesquisa de opini\u00e3o. Por isso o governo precisa ir devagar com o andor. A legaliza\u00e7\u00e3o do aborto seria, hoje e agora, uma a\u00e7\u00e3o nitidamente antidemocr\u00e1tica. Ademais, existe a quest\u00e3o dos princ\u00edpios. A democracia \u00e9 o regime que mais genuinamente respeita a dignidade da pessoa humana. Qualquer constru\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica, aut\u00eantica e n\u00e3o apenas de fachada, reclama os alicerces dos valores \u00e9ticos fundamentais.\u00a0<\/p>\n<p>Por isso, n\u00e3o obstante a for\u00e7a do marketing emocional que ap\u00f3ia as campanhas pr\u00f3-aborto, \u00e9 preocupante o veneno antidemocr\u00e1tico que est\u00e1 no fundo dos slogans abortistas. N\u00e3o se compreende de que modo obteremos uma sociedade mais justa e digna para seres humanos (os adultos) por meio da morte de outros (as crian\u00e7as n\u00e3o nascidas). H\u00e1 um elo indissol\u00favel entre a pr\u00e1tica do aborto, o massacre do Carandiru, a chacina da Candel\u00e1ria e outras agress\u00f5es \u00e0 vida: o ser humano \u00e9 encarado como objeto descart\u00e1vel.\u00a0<\/p>\n<p>A viol\u00eancia contra a inf\u00e2ncia abandonada, o surpreendente crescimento da viol\u00eancia infanto-juvenil, o clima de inseguran\u00e7a que se respira nos grandes centros urbanos s\u00e3o a conseq\u00fc\u00eancia l\u00f3gica da cultura da morte. \u00c9 in\u00fatil enclausurar-se em condom\u00ednios fechados, multiplicar guaritas, erguer muros cada vez mais altos. A humanidade humanicida, como afirmou duramente algu\u00e9m, n\u00e3o pode esperar sensibilidade da gera\u00e7\u00e3o que deu \u00e0 luz, porque os filhos n\u00e3o costumam ser mais generosos e dedicados que seus pais. \u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0\u00a0<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; \u00a0 Carlos Alberto Di Franco \u00a0diretor do Master em Jornalismo, professor de \u00c9tica e doutor em Comunica\u00e7\u00e3o pela Universidade de Navarra, \u00e9 diretor da Di Franco-Consultoria em Estrat\u00e9gia de M\u00eddia. 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