{"id":5261,"date":"2008-02-19T03:04:35","date_gmt":"2008-02-19T00:04:35","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/2008\/02\/19\/preservar-uma-cultura-contra-a-vida\/"},"modified":"2008-02-19T03:06:48","modified_gmt":"2008-02-19T00:06:48","slug":"preservar-uma-cultura-contra-a-vida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/2008\/02\/19\/preservar-uma-cultura-contra-a-vida\/","title":{"rendered":"PRESERVAR UMA CULTURA CONTRA A VIDA?"},"content":{"rendered":"<p>A revista \u201cIsto \u00e8\u201d, de 20 fev 2008, trouxe uma reportagem chocante sobre um garoto ind\u00edgena da tribo kamaiur\u00e1, que foi enterrado vivo e quase foi morto. Seu nome \u00e9 Amal\u00e9; quase foi morto em nome dos costumes ind\u00edgenas. E segundo a revista a Funai faz vista grossa ao infantic\u00eddio de algumas tribos.\u00a0<\/p>\n<p>Amal\u00e9 tem quatro anos e logo que nasceu, em \u00a021 de novembro de 2003, foi enterrado vivo pela m\u00e3e, Kanui, seguindo um ritual determinado pelos costumes dos kamaiur\u00e1s, que manda enterrar vivo aqueles que s\u00e3o gerados por m\u00e3es solteiras. Para assegurar que o destino de Amal\u00e9 n\u00e3o fosse mudado, seus av\u00f3s ainda pisotearam a cova. Ningu\u00e9m ouviu sequer um choro. Duas horas depois da cerim\u00f4nia, num gesto que desafiou toda a aldeia, sua tia Kamiru desenterrou o beb\u00ea ainda vivo. Ela lembra que seus olhos e narinas sangravam muito e que o primeiro choro s\u00f3 aconteceu oito horas mais tarde. Os \u00edndios mais velhos acreditam que Amal\u00e9 s\u00f3 escapou da morte porque naquele dia a terra da cova estava misturada a muitas folhas e gravetos, o que pode ter formado uma pequena bolha de ar.<\/p>\n<p>Segundo a Revista, esta realidade cruel se repete em muitas tribos espalhadas por todo o Brasil e muitas vezes, tem a coniv\u00eancia de funcion\u00e1rios da Funai, o organismo estatal que cuida dos \u00edndios.<\/p>\n<p>&#8220;Antes de desenterrar o Amal\u00e9, eu j\u00e1 tinha ouvido os gritos de tr\u00eas crian\u00e7as debaixo da terra&#8221;, relata Kamiru, hoje com 36 anos. &#8220;Tentei desenterrar todos eles, mas Amal\u00e9 foi o \u00fanico que n\u00e3o gritou e que escapou com vida&#8221;. \u00a0<\/p>\n<p>Ainda segundo a Revista, a Funai esconde n\u00fameros e casos como este, mas os pesquisadores j\u00e1 detectaram a pr\u00e1tica do infantic\u00eddio em pelo menos 13 etnias, como os ianom\u00e2mis, os tapirap\u00e9s e os madihas. S\u00f3 osianom\u00e2mis, em 2004, mataram 98 crian\u00e7as. Os kamaiur\u00e1s, a tribo de Amal\u00e9 e Kamiru, matam entre 20 e 30 por ano.<br \/>\nOs motivos para o infantic\u00eddio variam de tribo para tribo, e tamb\u00e9m os m\u00e9todos usados para matar os pequenos. Al\u00e9m dos filhos de m\u00e3es solteiras, tamb\u00e9m s\u00e3o condenados \u00e0 morte os rec\u00e9m-nascidos portadores de defici\u00eancias f\u00edsicas ou mentais. G\u00eameos tamb\u00e9m podem ser sacrificados. \u00a0Algumas etnias acreditam que um representa o bem e o outro o mal e, assim, por n\u00e3o saber quem \u00e9 quem, eliminam os dois. Outras cr\u00eaem que s\u00f3 os bichos podem ter mais de um filho de uma s\u00f3 vez. H\u00e1 casos de \u00edndios que mataram os que nasceram com simples manchas na pele, pois essas crian\u00e7as, segundo eles, podem trazer maldi\u00e7\u00e3o \u00e0 tribo. \u00a0<\/p>\n<p>Os rituais de execu\u00e7\u00e3o consistem em enterrar vivos, afogar ou enforcar os beb\u00eas. Geralmente \u00e9 a pr\u00f3pria m\u00e3e quem deve executar a crian\u00e7a, embora haja casos em que pode ser auxiliada pelo paj\u00e9. \u00a0<\/p>\n<p>A advogada Ma\u00edra Barreto, que pesquisa o genoc\u00eddio ind\u00edgena para uma tese de doutorado na Universidade de Salamanca, na Espanha, afirma que: &#8220;O infantic\u00eddio \u00e9 uma pr\u00e1tica tradicional nociva&#8221;. &#8220;E o pior \u00e9 que a Funai est\u00e1 contagiada com esse relativismo cultural que coloca o genoc\u00eddio como correto&#8221;, disse o deputado Henrique Afonso, do PT do Acre, autor de um projeto de lei que pune qualquer pessoa n\u00e3o \u00edndia que se omita de socorrer uma crian\u00e7a que possa ser morta. \u00a0N\u00e3o se pode preservar uma cultura de morte!<\/p>\n<p>\u00c9 preciso educar e evangelizar os \u00edndios e retir\u00e1-los deste estado de vida onde a supersti\u00e7\u00e3o e a fantasia levam as crian\u00e7as \u00e0 morte. Quando os espanh\u00f3is chegaram no M\u00e9xico, por volta de 1517, \u00a0os astecas sacrificavam milhares de rapazes e virgens aos deuses de maneira cruel e desumana, nos altos de suas pir\u00e2mides. Foi o trabalho \u00e1rduo dos mission\u00e1rios franciscanos e dominicanos que acabou com esta barb\u00e1rie. O mesmo precisa acontecer no Brasil ind\u00edgena de hoje. N\u00e3o se pode cultivar uma cultura de morte ainda hoje. \u00a0<\/p>\n<p>A Campanha da Fraternidade deste ano que pede para \u201cescolher a vida\u201d, deve ser uma alerta \u00e0s autoridades da FUNAI sobre este problema.\u00a0<\/p>\n<p>Prof. Felipe Aquino \u2013 <a href=\"http:\/\/www.cleofas.com.br\/\">www.cleofas.com.br<\/a>\u00a0<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A revista \u201cIsto \u00e8\u201d, de 20 fev 2008, trouxe uma reportagem chocante sobre um garoto ind\u00edgena da tribo kamaiur\u00e1, que foi enterrado vivo e quase foi morto. Seu nome \u00e9 Amal\u00e9; quase foi morto em nome dos costumes ind\u00edgenas. 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