{"id":5361,"date":"2008-02-25T18:58:47","date_gmt":"2008-02-25T15:58:47","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/2008\/02\/25\/as-calunias-contra-o-papa-pio-xii\/"},"modified":"2008-02-25T19:01:47","modified_gmt":"2008-02-25T16:01:47","slug":"as-calunias-contra-o-papa-pio-xii","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/2008\/02\/25\/as-calunias-contra-o-papa-pio-xii\/","title":{"rendered":"As cal\u00fanias contra o Papa Pio XII"},"content":{"rendered":"<p><font face=\"Times New Roman\">\u00a0O Exmo Sr. Bispo de Piracicaba, <\/font><font face=\"Times New Roman\">Dom Eduardo Koaik, escreveu um oportuno artigo contestando as acusa\u00e7\u00f5es do advogado Milton Martins, no Jornal de Piracicaba, \u00a0sobre o Processo de Beatifica\u00e7\u00e3o do Papa Pio XII. Injustamente o advogado acusa a Igreja cat\u00f3lica e o Papa Pio XII.\u00a0Tendo em vista a import\u00e2ncia do artigo o publicamos\u00a0em seguida.<\/font><\/p>\n<p><font face=\"Times New Roman\">Prof. Felipe Aquino &#8211; <a href=\"http:\/\/www.cleofas.com.br\/\">www.cleofas.com.br<\/a>\u00a0<\/font><\/p>\n<p><font face=\"Times New Roman\">A prop\u00f3sito da beatifica\u00e7\u00e3o de Pio XII<\/font><\/p>\n<p><font face=\"Times New Roman\">Dom Eduardo Koaik<\/font><\/p>\n<p><font face=\"Times New Roman\">Quando falam mal do Papa Pio XII (Eugenio Pacelli), n\u00e3o me sinto bem de ficar calado. Ao tempo de estudante de Teologia (1946\u20131950) na Universidade Gregoriana, em Roma, tive a felicidade de acompanhar de perto uma parte do seu longo e prof\u00edcuo pontificado (1939\u20131958), logo ap\u00f3s a 2\u00aa. Guerra Mundial do s\u00e9culo XX. No dia da minha ordena\u00e7\u00e3o sacerdotal (1950), celebrei minha primeira missa com o c\u00e1lice que um dia antes, a meu pedido, o papa havia celebrado com ele. Esse c\u00e1lice me acompanha at\u00e9 hoje, passados 58 anos.<\/font><\/p>\n<p><font face=\"Times New Roman\">Em fins de janeiro, li um artigo no Jornal de Piracicaba, assinado pelo advogado Milton Martins. A pretexto de questionar a beatifica\u00e7\u00e3o do Papa Pio XII, cujo processo est\u00e1 em curso, e em raz\u00e3o de o atual sucessor, o Papa Bento XVI, haver constitu\u00eddo uma comiss\u00e3o de alto n\u00edvel para avaliar melhor a acusa\u00e7\u00e3o que se faz a Pio XII de que teria sido condescendente com o nazismo, em particular na delicada quest\u00e3o do holocausto dos judeus, o autor do artigo passa a agredir a Igreja Cat\u00f3lica vendo nela s\u00f3 o mal e nenhum bem. Gente com esse olhar da hist\u00f3ria fecha a possibilidade de qualquer di\u00e1logo. Por isso estou a escrever n\u00e3o uma resposta, mas apenas em aten\u00e7\u00e3o aos leitores do Jornal de Piracicaba. <\/font><\/p>\n<p><font face=\"Times New Roman\">N\u00e3o sei por que, nesse artigo, al\u00e9m de outros ataques, questiona-se at\u00e9 o celibato uma vez que tem havido religiosos envolvidos com pedofilia. Pelas estat\u00edsticas, este ato imoral que envergonha a dignidade de quem o pratica e n\u00e3o a de sua voca\u00e7\u00e3o, \u00e9 mais freq\u00fcente com pessoas casadas. Nem por isso vai-se desacreditar a institui\u00e7\u00e3o do matrim\u00f4nio. A Igreja Cat\u00f3lica reconhece-se santa e pecadora. Em suas celebra\u00e7\u00f5es de f\u00e9, procura colocar seus fi\u00e9is, antes de tudo, em atitude de arrependimento por suas infidelidades para com Deus e para com o pr\u00f3ximo. Na passagem do s\u00e9culo, ano 2000, comemorou-se mais um jubileu da era crist\u00e3 e o papa de ent\u00e3o, Jo\u00e3o Paulo II, em nome de toda a Igreja, pediu perd\u00e3o, em cerim\u00f4nia p\u00fablica na Pra\u00e7a de S\u00e3o Pedro, por seus erros cometidos ao longo da hist\u00f3ria. Sustentada pela for\u00e7a de Deus, a Igreja empenha-se por ser o que seu Fundador, Jesus Cristo, quer ver nela: o sinal do Reino de Deus, portadora dos bens da salva\u00e7\u00e3o eterna.<\/font><\/p>\n<p><font face=\"Times New Roman\">O autor do artigo veicula a not\u00edcia da exist\u00eancia da comiss\u00e3o sobre o processo da beatifica\u00e7\u00e3o do Papa Pio XII, desfigurando a inten\u00e7\u00e3o de Bento XVI ao cri\u00e1-la, e fazendo seu o que lera na imprensa: \u201ch\u00e1 interesse do Vaticano de melhorar rela\u00e7\u00f5es com Israel\u201d tendo em vista \u201cuma viagem do papa a Israel\u201d. Em nenhuma de suas inst\u00e2ncias, a Igreja usa desse expediente em assuntos dessa gravidade. A leviandade prossegue: \u201cO melhor meio de suspender qualquer decis\u00e3o sobre o tema \u00e9 criar uma comiss\u00e3o especial\u201d. \u00c9 preciso n\u00e3o conhecer a Igreja para atribuir-lhe esse tipo de molecagem. Ningu\u00e9m conhece t\u00e3o bem Pio XII como Bento XVI. Na sua juventude e nos primeiros anos de sacerdote, foi testemunha dos procedimentos do papa de ent\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 ditadura nazista.<\/font><\/p>\n<p><font face=\"Times New Roman\">Creio que Bento XVI n\u00e3o duvida da santidade de Pio XII. Seu prop\u00f3sito, com a instala\u00e7\u00e3o da dita comiss\u00e3o, ser\u00e1 para dirimir d\u00favidas decorrentes de amb\u00edguas interpreta\u00e7\u00f5es da atua\u00e7\u00e3o do papa diante do nazismo quando n\u00fancio apost\u00f3lico na Alemanha, ao tempo da 1\u00aa. Guerra Mundial, e j\u00e1 papa, no per\u00edodo da 2\u00aa. Guerra Mundial. Quem o sagrou bispo e o enviou como n\u00fancio foi o papa Bento XV. Em 1937, o Papa Pio XI lan\u00e7ou a enc\u00edclica \u201cMit brennender Sorge\u201d, condenando a doutrina do nazismo. Esta enc\u00edclica foi revista pelo Cardeal Eugenio Pacelli na fun\u00e7\u00e3o de Secretario de Estado no Vaticano. Essa carta pontif\u00edcia condenava explicitamente a absolutiza\u00e7\u00e3o dos valores \u00e9tnicos e nacionais. Dizia claramente: a ra\u00e7a ou o povo merecem respeito, mas n\u00e3o podem ser elevados como culto idol\u00e1trico, nem como norma suprema de tudo e tamb\u00e9m dos valores religiosos. Por ter realizado carreira diplom\u00e1tica na Alemanha, Pio XII, que assumiu a C\u00e1tedra de Pedro em 1939, nutria profunda estima do povo alem\u00e3o, mas n\u00e3o era bem visto pelo governo nazista por causa da firmeza de suas posi\u00e7\u00f5es e pelo seu papel na reda\u00e7\u00e3o da enc\u00edclica. Como papa, procurou manter rigorosa neutralidade entre as partes na guerra, como o fez seu predecessor durante a 1\u00aa. Guerra Mundial. Mesmo assim, foi acusado de parcialidade pelas duas partes. A neutralidade n\u00e3o significava ren\u00fancia de denunciar as viola\u00e7\u00f5es cometidas pelos nazistas nos territ\u00f3rios ocupados. Com a enc\u00edclica \u201cSummi Pontificatus\u201d, Pio XII condenou a invas\u00e3o da Pol\u00f4nia em 1939.<\/font><\/p>\n<p><font face=\"Times New Roman\">O Papa Pio XII esteve sob amea\u00e7a de ser deportado por Hitler. O general Karl Wolff foi encarregado dessa opera\u00e7\u00e3o mas conseguiu convencer o ditador das graves conseq\u00fc\u00eancias de tal atitude. O \u201cterr\u00edvel segredo\u201d do genoc\u00eddio dos judeus n\u00e3o foi revelado pelo papa ao mundo porque, na ocasi\u00e3o, nem a Cruz Vermelha Internacional nem os aliados na guerra tinham provas mas s\u00f3 ind\u00edcios do monstruoso acontecimento.<\/font><\/p>\n<p><font face=\"Times New Roman\">Numa obra de v\u00e1rios autores, \u201cProcessi alla Chiesa\u201d, Enrico Nistri, escrevendo sobre a Igreja e os regimes ditatoriais do nosso s\u00e9culo e descrevendo a \u201cTrag\u00e9dia do catolicismo na Alemanha sob Hitler,\u201d faz essa refer\u00eancia: \u201cReprovou-se Pio XII de n\u00e3o ter revelado ao mundo o \u201cterr\u00edvel segredo\u201d do genoc\u00eddio dos judeus, a respeito do qual tanto a Cruz Vermelha Internacional quanto os aliados mantiveram tamb\u00e9m reserva por longo tempo porquanto dispunham de muitos ind\u00edcios mas de poucas provas\u201d (p\u00e1g. 470). O historiador Francesco Malgeri, em \u201cLa Chiesa di Pio XII fra la guerra e dopo guerra\u201d, no seu objetivo relato sobre o fato, d\u00e1 testemunho: \u201cconventos, semin\u00e1rios e igrejas, nos anos da ocupa\u00e7\u00e3o nazista, tornaram-se o ref\u00fagio mais seguro para milhares e milhares de judeus&#8230; e marxistas, sem distin\u00e7\u00e3o de nacionalidade&#8230; e de ideologia pol\u00edtica\u201d (p\u00e1g. 97).<\/font><\/p>\n<p><font face=\"Times New Roman\">O artigo termina afirmando ser descabido o nome do Papa Pio XII estar sempre voltando ao notici\u00e1rio, o que s\u00f3 denigre a imagem da Igreja. Descabido, sim, \u00e9 este leviano ju\u00edzo do advogado, autor do artigo que acaba denegrindo sua pr\u00f3pria imagem.<\/font><\/p>\n<p><font face=\"Times New Roman\">(Dom Eduardo Koaik &#8211; Bispo Em\u00e9rito de Piracicaba)<\/font><\/p>\n<p><font face=\"Times New Roman\">\u00a0\u00a0 <\/font><\/p>\n<p><font face=\"Times New Roman\">Fonte: Diocese de Piracicaba\/SP<\/font><\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0O Exmo Sr. Bispo de Piracicaba, Dom Eduardo Koaik, escreveu um oportuno artigo contestando as acusa\u00e7\u00f5es do advogado Milton Martins, no Jornal de Piracicaba, \u00a0sobre o Processo de Beatifica\u00e7\u00e3o do Papa Pio XII. 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