{"id":6501,"date":"2008-05-14T14:47:37","date_gmt":"2008-05-14T11:47:37","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/2008\/05\/14\/a-igreja-sempre-foi-contra-o-aborto\/"},"modified":"2008-05-14T14:47:37","modified_gmt":"2008-05-14T11:47:37","slug":"a-igreja-sempre-foi-contra-o-aborto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/2008\/05\/14\/a-igreja-sempre-foi-contra-o-aborto\/","title":{"rendered":"A Igreja sempre foi contra o Aborto"},"content":{"rendered":"<p align=\"left\">Desde o s\u00e9culo I a Igreja tem a consci\u00eancia de que o aborto \u00e9 pecaminoso. Assim, por exemplo, diz a Didaqu\u00e9, o primeiro Catecismo crist\u00e3o, datado de 90-100:<br \/>\n&#8220;N\u00e3o matar\u00e1s, n\u00e3o cometer\u00e1s adult\u00e9rio&#8230; N\u00e3o matar\u00e1s crian\u00e7a por aborto nem crian\u00e7a j\u00e1 nascida&#8221; (2,2).<br \/>\n&#8220;O caminho da morte \u00e9&#8230; dos assassinos de crian\u00e7as&#8221; (5,2).<br \/>\nNa segunda metade do s\u00e9culo III; o autor da Ep\u00edstola a Diogneto observava:<br \/>\n&#8220;Os crist\u00e3os casam-se como todos os homens; como todos, procriam, mas n\u00e3o rejeitam os filhos&#8221; (V,6).<br \/>\nAten\u00e1goras (\u2020181), fil\u00f3sofo em Atenas, autor da S\u00faplica pelos crist\u00e3os, oferecida ao imperador Marco Aur\u00e9lio.<br \/>\n\u201cOs que sabem que n\u00e3o suportamos sequer a vista de uma execu\u00e7\u00e3o capital segundo a justi\u00e7a, como nos ir\u00e3o acusar de assassinato ou de antropofagia? Quem dentre v\u00f3s outros n\u00e3o gosta das lutas dos gladiadores ou das feras, e n\u00e3o preza os que as organizam? Quanto a n\u00f3s, por\u00e9m, pensamos que o ver morrer se aproxima do matar, n\u00f3s que nem queremos ver matarem, para n\u00e3o nos mancharmos com tal impurezas? Ao contr\u00e1rio afirmamos: \u201cOs que praticam o aborto cometem homic\u00eddio e ir\u00e3o prestar contas a Deus, do aborto. Por que raz\u00e3o haver\u00edamos de matar? N\u00e3o se pode conciliar o pensamento de que a mulher carrega no ventre um ser vivo, e portanto objeto da Provid\u00eancia divina, com o de matar cedo o que j\u00e1 iniciou a vida&#8230;\u201d(S\u00faplica pelos crist\u00e3os, 3, 10)<br \/>\nO autor da Ep\u00edstola atribu\u00edda a S. Barnab\u00e9 no s\u00e9culo II e depois Tertuliano (\u2020 220 aproximadamente), S. Greg\u00f3rio de Nissa (\u2020 ap\u00f3s 394), S\u00e3o Bas\u00edlio Magno (\u2020 379) fizeram eco aos escritores precedentes.<br \/>\nA legisla\u00e7\u00e3o da Igreja oficializou esse modo de pensar, estipulando san\u00e7\u00f5es para o crime do aborto.<br \/>\nAssim o Conc\u00edlio de Ancira (hoje Ancara) na \u00c1sia Menor em 314, c\u00e2non 20, menciona uma norma que os conciliares diziam ser antiga e segundo a qual as mulheres culpadas de aborto ficam exclu\u00eddas das assembl\u00e9ias da Igreja at\u00e9 a morte; o Conc\u00edlio atenuou o rigor dessa penalidade, reduzindo-a para dez anos:<br \/>\n&#8220;As mulheres que fornicam e depois matam os seus filhos ou que procedem de tal modo que eliminem o fruto de seu \u00fatero, segundo uma lei antiga s\u00e3o afastadas da Igreja at\u00e9 o fim da sua vida. Todavia num trato mais humano determinamos que lhes sejam impostos dez anos de penit\u00eancia segundo as etapas habituais&#8221; (Hardouin, Acta Conciliorum; Paris 1715, t. I, col. 279)1<br \/>\nOutros Conc\u00edlios repetiram a condena\u00e7\u00e3o do aborto: o de Elvira (Espanha) em 313 aproximadamente, c\u00e2non 63; o de Lerida, em 524, c\u00e2non 2; o de Trullos ou Constantinopla, em 629, c\u00e2non 91; o de Worms em 869 c\u00e2non 35&#8230;<br \/>\nEm 29\/10\/1588, o Papa Sixto V publicou a Bula Effraenatam: referindo-se aos Conc\u00edlios antigos, especialmente aos de Lerida e Constantinopla, condenou qualquer tipo de aborto e imp\u00f4s severas penas a quem o cometesse, penas que s\u00f3 poderiam ser absolvidas pela Santa S\u00e9. Tal Bula era rigorosa demais para poder ser observada, principalmente pelo fato de reservar \u00e0 Santa S\u00e9 a absolvi\u00e7\u00e3o das penas infligidas aos r\u00e9us de aborto. Por isto foi substitu\u00edda poucos anos depois pela Bula Sedes Apostolica de Greg\u00f3rio XIV, datada de 31\/05\/1591; este documento distingue entre feto animado e feto n\u00e3o animado por alma humana: o aborto de feto animado ou verdadeiramente humano seria punido com a excomunh\u00e3o para os culpados, mas sem reserva da absolvi\u00e7\u00e3o \u00e0 Santa S\u00e9; quanto ao aborto de feto n\u00e3o animado ou n\u00e3o humano, ficaria a quest\u00e3o como estava antes da Bula de Sixto V (seria passivo de san\u00e7\u00e3o menos severa do que o aborto de feto animado).<br \/>\nO Papa Inoc\u00eancio XI condenou em 02\/03\/1679, como escandalosas e na pr\u00e1tica perniciosas, as seguintes senten\u00e7as:<br \/>\n&#8220;34. \u00c9 l\u00edcito efetuar o aborto antes da anima\u00e7\u00e3o para impedir que uma jovem gr\u00e1vida seja morta ou desonrada.<br \/>\n35. Parece prov\u00e1vel que todo feto carece de alma racional enquanto est\u00e1 no seio materno; s\u00f3 \u00e9 dotado de tal alma quando \u00e9 dado \u00e0 luz. Em conseq\u00fc\u00eancia, deve-se dizer que nenhum aborto implica homic\u00eddio&#8221; (Denzinger-Sch\u00f6nmetzer, Enquir\u00eddio de S\u00edmbolos e Defini\u00e7\u00f5es n. 2134s.).<br \/>\nNo s\u00e9culo XIX o Papa Pio IX renovou a condena\u00e7\u00e3o do aborto:<br \/>\n&#8220;Declaramos estar sujeitos a excomunh\u00e3o latae sententiae (anexa diretamente ao crime) reservada aos Bispos ou Ordin\u00e1rios, os que praticam aborto com a elimina\u00e7\u00e3o do concepto&#8221; (Bula Apostolicae Sedis de 12\/10\/1869).<br \/>\nEsta senten\u00e7a categ\u00f3rica persistiu na Igreja at\u00e9 o C\u00f3digo de Direito Can\u00f4nico atual, que prev\u00ea a excomunh\u00e3o para o delito:<br \/>\n&#8220;C\u00e2non 1398. Quem provoca o aborto, seguindo-se o efeito, incorre em excomunh\u00e3o latae sententiae&#8221;.<br \/>\nV\u00ea-se, pois, que a Igreja desde os seus prim\u00f3rdios se manifestou contr\u00e1ria ao aborto. Existia, por\u00e9m, para os te\u00f3logos a grave quest\u00e3o de saber quando come\u00e7a a vida humana; a falta de conhecimentos gen\u00e9ticos adequados levava alguns a crer que, em determinadas circunst\u00e2ncias, n\u00e3o havia verdadeira vida humana no seio materno.<br \/>\nS. Greg\u00f3rio de Nissa (\u2020 ap\u00f3s 394) rejeitava a teoria da preexist\u00eancia seja da alma, seja do corpo, e afirmava a origem simult\u00e2nea de um e de outro elemento; desde o primeiro instante da exist\u00eancia do embri\u00e3o, a alma encontra-se nele com todas as suas potencialidades, que se v\u00e3o manifestando \u00e0 medida que o corpo se desenvolve.<br \/>\nS\u00e3o Bas\u00edlio Magno (\u2020 379), irm\u00e3o de S. Greg\u00f3rio de Nissa, adotou o pensamento deste. Por isto considerava assassinos os que provocam o aborto de um feto.<br \/>\nS\u00e3o M\u00e1ximo Confessor (\u2020 662) abra\u00e7ou a mesma tese.<br \/>\nToda a vida \u00e9 uma participa\u00e7\u00e3o da vida divina. N\u00f3s vivemos porque um sopro divino nos tornou vivos. Esta convic\u00e7\u00e3o atravessa a B\u00edblia do primeiro ao \u00faltimo livro (cf. Gn 2,7; Ap 11,11). Cultiv\u00e1-la e respeit\u00e1-la \u00e9 manifesta\u00e7\u00e3o da nossa fidelidade ao Deus que nos faz viver. Quem reconhece Deus como fonte da vida, sabe que qualquer agress\u00e3o contra ela magoa o cora\u00e7\u00e3o de Deus. \u201cN\u00e3o matar\u00e1s\u201d (Ex 20,13).<br \/>\nN\u00e3o se constr\u00f3i uma sociedade justa sobre a injusti\u00e7a. Em nenhum momento podemos esquecer que a vida \u00e9 o primeiro fundamento da \u00e9tica.<br \/>\nO Papa afirma claramente: \u201cO ser humano deve ser respeitado e tratado como uma pessoa desde a sua concep\u00e7\u00e3o e, por isso, desde esse momento, devem-lhe ser reconhecidos os direitos da pessoa, entre os quais e primeiro de todos, o direito inviol\u00e1vel de cada ser humano inocente \u00e0 vida\u201d ( Carta Enc\u00edclica EVANGELIUM VITAE, n.60 &#8211; 25.03.1995)<br \/>\nN\u00f3s crist\u00e3os, acreditamos que toda a vida vem de Deus, e encontramos  na f\u00e9 um motivo profundo para defender a vida. Mas a inviolabilidade da vida humana, desde o seu in\u00edcio at\u00e9 \u00e0 morte natural, \u00e9 uma quest\u00e3o de direito natural, antes de ser apenas uma quest\u00e3o religiosa. A defesa da vida humana \u00e9 um dos alicerces da conviv\u00eancia \u00e9tica dos homens em sociedade.<br \/>\nA Tradi\u00e7\u00e3o da Igreja, confirmada pelo Conc\u00edlio Vaticano II, e o Magist\u00e9rio da Igreja consideram o aborto um \u201ccrime abomin\u00e1vel\u201d. Na Evangelium Vitae, Jo\u00e3o Paulo II afirma: \u201cDentre todos os crimes que o homem pode realizar contra a vida, o aborto provocado apresenta caracter\u00edsticas que o tornam particularmente grave e abjur\u00e1vel\u201d(idem n. 58)<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desde o s\u00e9culo I a Igreja tem a consci\u00eancia de que o aborto \u00e9 pecaminoso. 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