{"id":6731,"date":"2008-06-04T23:50:05","date_gmt":"2008-06-04T20:50:05","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/2008\/06\/04\/o-que-a-igreja-diz-sobre-pesquisa-humana\/"},"modified":"2008-06-04T23:50:05","modified_gmt":"2008-06-04T20:50:05","slug":"o-que-a-igreja-diz-sobre-pesquisa-humana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/2008\/06\/04\/o-que-a-igreja-diz-sobre-pesquisa-humana\/","title":{"rendered":"O QUE A IGREJA DIZ SOBRE PESQUISA HUMANA"},"content":{"rendered":"<p><strong><\/strong>\u00a0<\/p>\n<p>O epis\u00f3dio da vota\u00e7\u00e3o da constitucionalidade do uso de embri\u00f5es humanos para gerar c\u00e9lulas tronco, com sua consequente destrui\u00e7\u00e3o, trouxe \u00e0 baila, mais uma vez, a quest\u00e3o da f\u00e9 e da ci\u00eancia, como se fossem opostas. Alguns at\u00e9 andaram dizendo que a \u201cci\u00eancia venceu a f\u00e9\u201d. \u00a0<\/p>\n<p>Em primeiro lugar, \u00e9 preciso dizer que a ci\u00eancia e a f\u00e9 foram dadas ao homem pelo mesmo Deus, que nos deu a intelig\u00eancia e tudo o mais. O Papa Jo\u00e3o Paulo II come\u00e7ou a bel\u00edssima Enc\u00edclica \u201cFides et Ratio\u201d (F\u00e9 e raz\u00e3o) afirmando solenemente que: \u201cA f\u00e9 e a raz\u00e3o s\u00e3o as duas asas com as quais o esp\u00edrito humano al\u00e7a v\u00f4o para contemplar a verdade\u201d. E o Papa falou do perigo da \u201cf\u00e9 sem a raz\u00e3o\u201d, que pode desembocar no perigoso fide\u00edsmo fan\u00e1tico e anti-intelectual; e do perigo da \u201craz\u00e3o sem a f\u00e9\u201d que leva ao racionalismo frio, materialista, cruel.\u00a0<\/p>\n<p>Logo, se a f\u00e9 for vencida, a ci\u00eancia tamb\u00e9m o ser\u00e1, mesmo que isso n\u00e3o fique muito expl\u00edcito aos descrentes. Ambas s\u00e3o irm\u00e3s que caminham juntas e se ajudam reciprocamente. Em meus livros \u201cCi\u00eancia e f\u00e9 em harmonia\u201d e \u201cUma Hist\u00f3ria que n\u00e3o \u00e9 contada\u201d (Ed. Cl\u00e9ofas)\u00a0 pude mostrar com muitos dados esta realidade. \u00a0<\/p>\n<p>A Institui\u00e7\u00e3o que mais investiu no mundo, ao menos nos primeiros 16 s\u00e9culos do cristianismo, foi a Igreja cat\u00f3lica. Ela preservou os cl\u00e1ssicos da Antiguidade, impedindo que fossem destru\u00eddos pelo barbarismo; ela fundou escolas e col\u00e9gios ao lado de cada catedral desde os prim\u00f3rdios; ela fundou as primeiras universidades do mundo, a partir do s\u00e9culo XII: Bolonha, Oxford, Sorbone, Salamanca, Cambridge, Coimbra, Montpelier&#8230;; ela desenvolveu a astronomia, a m\u00fasica, a arte, o teatro, a medicina, a arquitetura, a matem\u00e1tica, a f\u00edsica&#8230; Vejamos as bel\u00edssimas catedrais medievais com seus vitrais deslumbrantes, bem como os castelos insuper\u00e1veis. N\u00e3o tem a menor base hist\u00f3rica se afirmar que a Igreja foi ou que seja \u00a0obscurantista, isto \u00e9, inimiga da ci\u00eancia ou que a tenha impedido. \u00c8 um del\u00edrio afirmar isso. Os mais famosos historiadores modernos concordam que se n\u00e3o fosse o longo trabalho de dez s\u00e9culos ap\u00f3s a queda do Imp\u00e9rio Romano do Ocidente (476) nas m\u00e3os dos b\u00e1rbaros, n\u00e3o ter\u00edamos hoje a nossa pujante Civiliza\u00e7\u00e3o Ocidental.\u00a0<\/p>\n<p>O <strong>Catecismo da Igreja<\/strong> ensina com clareza o que a Igreja aceita em termos de procedimentos cient\u00edficos. Ela aceita tudo que for para o bem da pessoa humana, mas que respeite a sua realidade transcendente de filho de Deus, dotado de uma alma imortal, criada para cada pessoa, individualmente, no momento da sua concep\u00e7\u00e3o. O que a Igreja n\u00e3o pode aceitar \u00e9 que o fruto da ci\u00eancia seja usado contra a dignidade da pessoa humana. A moral crist\u00e3 n\u00e3o pode aceitar que \u201cos fins justifiquem os meios\u201d e que \u201co bem seja feito por um meio mau\u201d. Isto derrubaria a verdadeira civiliza\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/p>\n<p>Entre outras coisas ela ensina: \u00a0<\/p>\n<p>\u201cAs experi\u00eancias cient\u00edficas, m\u00e9dicas ou psicol\u00f3gicas em pessoas ou grupos humanos podem concorrer para a cura dos doentes e para o progresso da sa\u00fade p\u00fablica\u201d. (Catecismo \u00a72292 ) \u00a0<\/p>\n<p>\u201cA pesquisa cient\u00edfica de base, como a pesquisa aplicada, constituem uma express\u00e3o significativa do dom\u00ednio do homem sobre a cria\u00e7\u00e3o. A ci\u00eancia e a t\u00e9cnica s\u00e3o recursos preciosos que s\u00e3o colocados a servi\u00e7o do homem e promovem o desenvolvimento integral em benef\u00edcio de todos; contudo n\u00e3o podem indicar sozinhas o sentido da exist\u00eancia e do progresso humano. A ci\u00eancia e a t\u00e9cnica est\u00e3o ordenadas para o homem, do qual prov\u00eam a sua origem e crescimento; portanto, encontram na pessoa e em seus valores morais a indica\u00e7\u00e3o de sua finalidade e a consci\u00eancia de seus limites\u201d. (\u00a72293)\u00a0<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 ilus\u00f3rio reivindicar a neutralidade moral da pesquisa cient\u00edfica e de suas aplica\u00e7\u00f5es. Al\u00e9m disso, os crit\u00e9rios de orienta\u00e7\u00e3o n\u00e3o podem ser deduzidos nem da simples efic\u00e1cia t\u00e9cnica nem da\u00a0 utilidade que possa derivar da\u00ed para uns em detrimento dos outros, nem muito menos das ideologias dominantes. A ci\u00eancia e a t\u00e9cnica exigem, por seu pr\u00f3prio significado intr\u00ednseco, o respeito incondicional dos crit\u00e9rios fundamentais da moralidade; devem estar a servi\u00e7o da pessoa humana, de seus direitos inalien\u00e1veis, de seu bem verdadeiro e integral, de acordo com um projeto\u00a0 e a vontade de Deus\u201d. (\u00a72294)<font face=\"Times New Roman\">\u00a0<\/font><\/p>\n<p>\u201cAs pesquisas ou experi\u00eancias no ser humano n\u00e3o podem legitimar atos em si mesmos contr\u00e1rios \u00e0 dignidade das pessoas e \u00e0 lei moral. O consentimento eventual dos sujeitos n\u00e3o justifica tais atos. A experi\u00eancia em seres humanos n\u00e3o \u00e9 moralmente leg\u00edtima se fizer a vida ou a integridade f\u00edsica e ps\u00edquica do sujeito correrem riscos desproporcionais ou evit\u00e1veis. A experi\u00eancia em seres humanos n\u00e3o atende aos requisitos da dignidade da pessoa se al\u00e9m disso ocorrer sem o consentimento expl\u00edcito do sujeito ou de seus representantes legais\u201d. (\u00a72295)\u00a0<\/p>\n<p>Se essas premissas b\u00e1sicas forem respeitadas, a f\u00e9 e a raz\u00e3o, a ci\u00eancia e a pesquisa, caminhar\u00e3o juntas, auxiliando-se reciprocamente, e dando ao homem bens imensos. Vale a pena lembrar o que disse um dia o Papa Paulo VI: <strong>\u201cA Igreja \u00e9 doutora em humanidade\u201d.<\/strong>\u00a0<\/p>\n<p>Prof. Felipe Aquino \u2013 <a href=\"http:\/\/www.cleofas.com.br\/\">www.cleofas.com.br<\/a>\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><font face=\"Times New Roman\">\u00a0<\/font><\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0 O epis\u00f3dio da vota\u00e7\u00e3o da constitucionalidade do uso de embri\u00f5es humanos para gerar c\u00e9lulas tronco, com sua consequente destrui\u00e7\u00e3o, trouxe \u00e0 baila, mais uma vez, a quest\u00e3o da f\u00e9 e da ci\u00eancia, como se fossem opostas. 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