{"id":6991,"date":"2008-07-08T15:26:05","date_gmt":"2008-07-08T12:26:05","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/2008\/07\/08\/o-evangelho-de-maria\/"},"modified":"2013-08-02T17:08:01","modified_gmt":"2013-08-02T19:08:01","slug":"o-evangelho-de-maria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/2008\/07\/08\/o-evangelho-de-maria\/","title":{"rendered":"O Evangelho de Maria"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-14565 alignleft\" style=\"margin: 5px\" src=\"http:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/files\/2008\/07\/80-300x199.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"199\" srcset=\"https:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/files\/2008\/07\/80-300x199.jpg 300w, https:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/files\/2008\/07\/80-1024x680.jpg 1024w, https:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/files\/2008\/07\/80.jpg 1600w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<div style=\"text-align: left\">J\u00e1 consideramos o chamado \u201cEvangelho de Maria\u201d em PR 529 pp. 290ss. Voltamos ao assunto a prop\u00f3sito do livro assim intitulado, que traz o texto de tal ap\u00f3crifo com os coment\u00e1rios de Jean-Yves Leloup1.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify\">\nJean-Yves Leloup n\u00e3o distingue entre ap\u00f3crifos de origem crist\u00e3 e ap\u00f3crifos de origem gn\u00f3stica. Por isto equipara uns e outros entre si como fontes fidedignas para reconstituir o surto do Cristianismo. Da\u00ed a afirma\u00e7\u00e3o: \u201cTrata-se do Evangelho de Maria, atribu\u00eddo a Miriam de Magdala, primeira testemunha da ressurrei\u00e7\u00e3o e, por causa disto, considerada pelo ap\u00f3stolo Jo\u00e3o como sendo, bem antes de Paulo e de sua vis\u00e3o a caminho de Damasco, a fundadora do cristianismo\u201d (p. 8).O ap\u00f3crifo Evangelho de Maria \u00e9 de origem gn\u00f3stica e foi encontrado em nag Hammadi. Prop\u00f5e em termos vivazes o relacionamento de Maria Madalena com Jesus como o de uma companheira privilegiada em conv\u00edvio com o seu Amado.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify\"><!--moreContinue lendo...--><\/div>\n<div style=\"text-align: justify\">Tal conclus\u00e3o \u00e9 gratuita; resulta de uma interpreta\u00e7\u00e3o do texto ap\u00f3crifo tendenciosa ou preconceituosa.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify\">Madalena \u00e9 quem transmite aos Ap\u00f3stolos a doutrina que Jesus \u00a0lhe comunica: \u201cJesus confia-lhe palavras que os outros disc\u00edpulos ignoram; ela ocupa o lugar deixado vago por Jesus; ela comunica os segredos recebidos e os explica\u201d (p. 11).<\/div>\n<div style=\"text-align: justify\">Esse papel eminente decorre da intimidade com Jesus de que Madalena gozava: \u201cEste papel de intermedi\u00e1ria entre Jesus e os disc\u00edpulos repousava sobre a cren\u00e7a na posi\u00e7\u00e3o de Maria Madalena como companheira de Jesus durante sua vida e primeira testemunha da ressurrei\u00e7\u00e3o\u201d (p. 11).<\/div>\n<div style=\"text-align: justify\">Jean-Yves Leloup julga necess\u00e1rio atribuir a Jesus Cristo tal familiaridade com Madalena a fim de dissipar o conceito de que a sexualidade humana \u00e9 pecaminosa. Se Jesus a vivenciou, como diz Leloup, n\u00e3o h\u00e1 por que a estigmatizar como algo de mau, embora este gesto liberal custe algum esfor\u00e7o ao crist\u00e3o dado ao apre\u00e7o da castidade e da vida uma e indivisa.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify\">Pergunta-se: Que dizer?<\/div>\n<div style=\"text-align: justify\">Repita-se aqui o que foi dito neste fasc\u00edculo \u00e0 guisa do coment\u00e1rio do Evangelho de Felipe. Sejam enfatizados, por\u00e9m, os tr\u00eas seguintes pontos:<\/div>\n<div style=\"text-align: justify\">1) Os Evangelhos gn\u00f3sticos n\u00e3o procedem de fonte crist\u00e3, n\u00e3o representam o pensamento das primeiras gera\u00e7\u00f5es crist\u00e3s, datam do s\u00e9culo II e prov\u00eam de escolas dualistas como foram as de Valentim, Bas\u00edlides, Marci\u00e3o. Por conseguinte n\u00e3o podem ser justapostos aos Evangelhos de Mateus, Marcos, Lucas e Jo\u00e3o, que no s\u00e9culo I procedem da genu\u00edna fonte \u201cAp\u00f3stolos-Jesus\u201d. Em consequ\u00eancia dir-se-\u00e1: N\u00e3o podemos procurar reconstituir as origens do Cristianismo consultando os ap\u00f3crifos gn\u00f3sticos.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify\">2) As teses que tais escritos prop\u00f5em n\u00e3o tem respaldo nem em textos anteriores nem na literatura crist\u00e3 posterior. Com efeito; nenhum escritor da hist\u00f3ria do Cristianismo conhece o pretenso con\u00fabio de Jesus nem o primado atribu\u00eddo a Madalena. N\u00e3o se diga que a Igreja ocultou essas proposi\u00e7\u00f5es em favor do machismo eclesi\u00e1stico. A mentira que a Igreja teria assim favorecido, teria pernas curtas, como toda mentira, segundo a sabedoria popular.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify\">3) Distingamos entre sexualidade e genitalidade. Todo ser humano \u00e9 sexuado (e Jesus o foi certamente), mas n\u00e3o \u00e9 necessariamente genitor ou genitora. Jesus n\u00e3o se casou porque veio trazer ao mundo o in\u00edcio do Reino de Deus, no qual n\u00e3o h\u00e1 casamento, pois \u201ctodos ser\u00e3o como os anjos de Deus\u201d (Mt 22, 23-33).<\/div>\n<div style=\"text-align: justify\">_____________<\/div>\n<div style=\"text-align: justify\">1 Ed. Vozes, Petr\u00f3polis 2006, 188pp.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify\"><strong>Dom Estev\u00e3o Bettencourt, osb<\/strong><\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>J\u00e1 consideramos o chamado \u201cEvangelho de Maria\u201d em PR 529 pp. 290ss. Voltamos ao assunto a prop\u00f3sito do livro assim intitulado, que traz o texto de tal ap\u00f3crifo com os coment\u00e1rios de Jean-Yves Leloup1. 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