{"id":7251,"date":"2008-08-02T02:11:25","date_gmt":"2008-08-01T23:11:25","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/2008\/08\/02\/preconceitos-de-um-filosofo-ateu\/"},"modified":"2008-08-02T02:13:09","modified_gmt":"2008-08-01T23:13:09","slug":"preconceitos-de-um-filosofo-ateu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/2008\/08\/02\/preconceitos-de-um-filosofo-ateu\/","title":{"rendered":"Preconceitos de um fil\u00f3sofo ateu"},"content":{"rendered":"<p><strong>\u00a0<\/strong>\u00a0C\u00f4n. Jos\u00e9 Geraldo Vidigal de Carvalho\u00a0 &#8211;\u00a0<strong> &#8211; 01\/08\/2008 <\/strong>\u00a0<\/p>\n<p>Para Nietzsche \u201cdenomina-se o cristianismo a religi\u00e3o da compaix\u00e3o\u201d. Ora, eis a\u00ed um engano que vai contra o cerne mesmo da prega\u00e7\u00e3o de Cristo e a Hist\u00f3ria. Com efeito, o n\u00facleo do Evangelho \u00e9 o amor. O mandamento novo, a novidade que Jesus de Nazar\u00e9 inseriu na contextura das institui\u00e7\u00f5es foi: \u201cAssim como eu vos amei, amai-vos uns aos outros\u201d. Ora, nada mais forte do que o amor. A compaix\u00e3o que, no dizer de Nietzsche, \u201cest\u00e1 em oposi\u00e7\u00e3o \u00e1s emo\u00e7\u00f5es t\u00f4nicas, que elevam a energia do sentimento vital, tem efeito depressivo\u201d.Ora, sobre tal disposi\u00e7\u00e3o t\u00e3o negativa, n\u00e3o se constr\u00f3i nada perene, dur\u00e1vel. \u00a0<\/p>\n<p>Entretanto, negar as realiza\u00e7\u00f5es do cristianismo atrav\u00e9s dos s\u00e9culos, seria obliterar fatos \u00f3bvios que honram, ali\u00e1s, os foros culturais de in\u00fameros povos e muitas regi\u00f5es. Nietzsche com sua obsess\u00e3o da id\u00e9ia fixa da fraqueza, de pusilanimidade, deturpa a figura de Cristo e O apresenta como o s\u00edmbolo do abatimento humano. Em \u201cO Eterno Retorno\u201d assim se pronuncia: \u201co deus na cruz \u00e9 uma maldi\u00e7\u00e3o sobre a vida&#8230;\u201d A\u00ed outro grande desacerto de Nietzsche. \u00a0<\/p>\n<p>O Calv\u00e1rio foi epis\u00f3dico. Cristo foi, na verdade, reduzido ao homem da dor. Foi crucificado, morto, sepultado, mas, final glorioso: Ele ressuscitou. Ele venceu a morte. A ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus, por\u00e9m, para este fil\u00f3sofo \u00e9 uma mistifica\u00e7\u00e3o de Paulo, o \u201cdisangelista\u201d, o portador da m\u00e1 not\u00edcia, diz ele. Ora, quem se baseia \u201cna mentira do Jesus \u201cressuscitado\u201d n\u00e3o pode captar a essencialidade do cristianismo. \u00a0<\/p>\n<p>A ressurrei\u00e7\u00e3o resiste aos julgamentos mais severos. N\u00e3o foi apenas Paulo de Tarso quem creu neste faustoso evento. O t\u00famulo vazio e o Mestre que esteve com seus ap\u00f3stolos e com eles conversou; a cren\u00e7a viva nesta verdade por parte de uma Igreja nascente ante \u00e0 hostilidade, \u00e0 viol\u00eancia dos inimigos, \u00e9 um acontecimento ineg\u00e1vel. N\u00e3o era uma homenagem piedosa tributada a um morto que se venerava e se amava, n\u00e3o era um culto respeitoso devotado a um falecido que se estimava, era, sim, f\u00e9 inabal\u00e1vel em um ente vivo e bem amado. Ora, se Cristo ressuscitou e a Hist\u00f3ria, que \u00e9 ci\u00eancia, comprova isto, outra assertiva de Nietzsche, al\u00e9m disto, se esboroa: \u201co cristianismo promete tudo e n\u00e3o cumpre nada\u201d. \u00a0<\/p>\n<p>S\u00e3o Paulo, mil oitocentos e trinta e seis anos antes, j\u00e1 respondera a este desplante: \u201cse Cristo n\u00e3o ressuscitou \u00e9 v\u00e3 a nossa f\u00e9, \u00e9 in\u00fatil a nossa cren\u00e7a&#8230;\u201d.\u00a0 A rec\u00edproca \u00e9 verdadeira. Se Ele ressuscitou, por\u00e9m, est\u00e3o definitiva e essencialmente certos os que aderem ao Evangelho que tudo promete e tudo cumpre. Deus n\u00e3o \u00e9 \u201cdeus dos fisiologicamente regredidos, dos fracos\u201d, como deduz tendenciosamente Nietzsche, nem o \u201ccrist\u00e3o, essa \u00faltima ratio da mentira\u201d, como mordazmente declarou.. Neste caso \u201cDeus\u201d, \u201cverdade\u201d, \u201cluz\u201d, \u201cesp\u00edrito\u201d, \u201csabedoria\u201d, \u201cvida\u201d que Nietzsche acha serem uma delimita\u00e7\u00e3o do mundo e termos vazios, s\u00e3o realidades mais reais que as coisas que vemos, porque reveladas pelo pr\u00f3prio Deus. \u00a0<\/p>\n<p>A\u00ed se est\u00e1 num outro mundo, mas que \u00e9 desvelado pela f\u00e9 religiosa, a qual, longe de levantar fronteiras, faz entrever horizontes infindos. O objeto formal quo da f\u00e9 \u00e9 a luz da revela\u00e7\u00e3o, embora a pr\u00f3pria filosofia, com a luz da raz\u00e3o, possa tamb\u00e9m ir al\u00e9m das barreiras do sens\u00edvel, desde que n\u00e3o se esteja enclausurado na materialidade, como aconteceu com o fil\u00f3sofo em pauta. \u00c9 claro que o ato de f\u00e9 \u00e9 muito superior ao da raz\u00e3o que atinge valores supra-sens\u00edveis, mas estes s\u00f3 s\u00e3o acess\u00edveis \u00e0 intelig\u00eancia de quem n\u00e3o est\u00e1 aprisionado em preju\u00edzos, aliena\u00e7\u00f5es patol\u00f3gicas ou se deixa envolver por distor\u00e7\u00f5es, filhos de uma focagem parcial.\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0Todas estas considera\u00e7\u00f5es mostram como se deve urgir o senso cr\u00edtico e uma gnose alicer\u00e7ada para n\u00e3o se deixar levar pelos artif\u00edcios racioc\u00ednios daqueles que fazem da descren\u00e7a o ponto de apoio de suas declara\u00e7\u00f5es, sobretudo no que tange a fil\u00f3sofos como Nietzsche que, apesar do absurdo de suas id\u00e9ias, tem certa \u201ct\u00e9cnica de pensamento, como proped\u00eautica \u00e0 supera\u00e7\u00e3o de condi\u00e7\u00f5es individuais\u201d. A leitura de Nietzsche leva, al\u00e9m do mais, a outra conclus\u00e3o. Sem o conhecimento amplo e profundo da Hist\u00f3ria \u00e9 sempre perigoso fazer certas coloca\u00e7\u00f5es. Acrescente-se que, uma apologia de Nietzsche, como se tentou ultimamente, baseada num novo coment\u00e1rio de seus escritos, n\u00e3o tem proced\u00eancia, dado que seu ponto de partida\u00a0 \u00e9 contest\u00e1vel e ele nega frontalmente as realidades metaf\u00edsicas. \u00a0\u00a0<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0\u00a0C\u00f4n. Jos\u00e9 Geraldo Vidigal de Carvalho\u00a0 &#8211;\u00a0 &#8211; 01\/08\/2008 \u00a0 Para Nietzsche \u201cdenomina-se o cristianismo a religi\u00e3o da compaix\u00e3o\u201d. Ora, eis a\u00ed um engano que vai contra o cerne mesmo da prega\u00e7\u00e3o de Cristo e a Hist\u00f3ria. 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