{"id":7271,"date":"2008-08-04T01:29:41","date_gmt":"2008-08-03T22:29:41","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/2008\/08\/04\/o-mantra-na-igreja\/"},"modified":"2008-08-04T01:30:23","modified_gmt":"2008-08-03T22:30:23","slug":"o-mantra-na-igreja","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/2008\/08\/04\/o-mantra-na-igreja\/","title":{"rendered":"O MANTRA NA IGREJA"},"content":{"rendered":"<p>Tenho recebido emails de algumas pessoas perguntando se pode-se usar o mantra na ora\u00e7\u00e3o, na igreja, etc. Para atende a esse pedido publico a seguir uma s\u00edntese do artigo de D. Estev\u00e3o Bettencourt sobre o assunto publicado na Revista Pergunte e Responderemos (N\u00ba 408 \u2013 Ano : 1996 \u2013 p\u00e1g. 209).<strong>\u00a0<\/strong><strong> <\/strong><strong>\u201cEm nossos dias certos autores de espiritualidade cat\u00f3licos recomendam exerc\u00edcios corporais e ritmos respirat\u00f3rios para favorecer e provocar a ora\u00e7\u00e3o. Estas t\u00e9cnicas t\u00eam origem na espiritualidade hindu\u00edsta, que \u00e9 pante\u00edsta, identificando a Divindade e o homem como se este fosse uma centelha divina apoucada pela mat\u00e9ria.\u00a0 Os exerc\u00edcios corporais hindu\u00edstas t\u00eam em vista colocar o orante em sintonia com a Divindade existente no mundo inteiro; aperfei\u00e7oariam a uni\u00e3o com Deus.\u00a0 Ora os autores cat\u00f3licos, embora tencionem ficar no \u00e2mbito do Cristianismo, se exprimem de tal modo que muitas vezes parecem identificar-se com o pensamento hindu\u00edsta; as posturas corporais e a respira\u00e7\u00e3o ritmada dariam ao crist\u00e3o o contato mais \u00edntimo com Deus; coloc\u00e1-lo-iam em contato com a Fonte do seu ser, que est\u00e1 no mais \u00edntimo do homem; f\u00e1-lo-iam sintonizar com Deus como se este fosse uma fonte de energia no sentido da F\u00edsica moderna. \u2013 Da\u00ed as s\u00e9rias restri\u00e7\u00f5es que as t\u00e1ticas orientais mereceram da parte da Santa S\u00e9 e que conservam seu pleno valor diante de publica\u00e7\u00f5es recentes como \u201cOrar com o Corpo\u201d, revista carmelitana\u201d (A revista carmelitana \u201cORAR\u201d n\u00ba 9)\u201d.\u00a0<\/p>\n<p><\/strong>\u201cA ora\u00e7\u00e3o tem dois aspectos: 1) \u00c9 a procura de Deus por parte da criatura, de modo que sup\u00f5e a mobiliza\u00e7\u00e3o das faculdades humanas (intelecto, vontade, fantasia, mem\u00f3ria &#8230;), como ali\u00e1s \u00e9 praticada na medita\u00e7\u00e3o inaciana, na beruliana, etc.\u00a0 Desta maneira o corpo e a sensibilidade desenvolvem sua atividade quando algu\u00e9m quer rezar, somos todos psicossom\u00e1ticos; nenhum ato da nossa pessoa \u00e9 meramente espiritual ou meramente corporal.\u00a0 Verifica-se que, quando a pessoa est\u00e1 cansada ou com dor de cabe\u00e7a, pode sentir mais dificuldade para concentrar-se e rezar. 2) Mas a ora\u00e7\u00e3o \u00e9 tamb\u00e9m, e principalmente, a\u00e7\u00e3o da gra\u00e7a de Deus no orante.\u00a0 Diz S\u00e3o Paulo: \u201cO Esp\u00edrito socorre a nossa fraqueza.\u00a0 Pois n\u00e3o sabemos o que pedir como conv\u00e9m; mas o pr\u00f3prio Esp\u00edrito intercede por n\u00f3s com gemidos inef\u00e1veis, e Aquele que perscruta os cora\u00e7\u00f5es sabe qual o desejo do Esp\u00edrito, pois \u00e9 segundo Deus que ele intercede em favor dos santos\u201d (Rm 8,26s).\u00a0 A ora\u00e7\u00e3o \u00e9 um Dom ou uma gra\u00e7a de Deus\u201d.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cCompreende-se ent\u00e3o que os crist\u00e3os procurem condi\u00e7\u00f5es fisicamente sadias para rezar; mas a Tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3, em seu veio central ou pela palavra de seus grandes mestres, jamais apregoou exerc\u00edcios respirat\u00f3rios ou posturas f\u00edsicas como recursos para rezar bem.\u00a0 Pode-se at\u00e9 notar que n\u00e3o poucos Santos procuraram posi\u00e7\u00f5es inc\u00f4modas para rezar; ajoelhavam-se sobre pedrinhas ou sobre gr\u00e3os de milho, procuravam n\u00e3o se encostar em suas cadeiras, usavam cil\u00edcios &#8230; Estas pr\u00e1ticas nada tinham (ou t\u00eam) de masoquista, mas derivavam-se da consci\u00eancia de que a m\u00edstica \u00e9 insepar\u00e1vel da ascese; a mortifica\u00e7\u00e3o corporal acarreta o efeito benef\u00edcio de amainar as\u00a0 paix\u00f5es e libertar a mente para que mais facilmente se possa entregar \u00e0 medita\u00e7\u00e3o das realidades transcendentais\u201d.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cSe a ora\u00e7\u00e3o \u00e9 a eleva\u00e7\u00e3o da alma a Deus, suscitada pela gra\u00e7a divina (defini\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica), ela ocorre segundo a espontaneidade do Esp\u00edrito Santo, ainda que o orante esteja na mais profunda fossa; talvez mesmo em ocasi\u00f5es de afli\u00e7\u00e3o e ang\u00fastia ela prorrompa mais forte e espont\u00e2nea.\u00a0 Quem muito valoriza os exerc\u00edcios corporais para rezar, corre o risco de identificar ora\u00e7\u00e3o e bem-estar higi\u00eanico, ou tamb\u00e9m o risco de identificar gestos corp\u00f3reos e valores \u00e9ticos espirituais, como se pode depreender de alguns textos extra\u00eddos das pp. 26s do referido fasc\u00edculo\u201d.<em>\u00a0<\/em><em> <\/em>\u201cComo se pode ver, as diversas fases da respira\u00e7\u00e3o v\u00eam a ser como que a concretiza\u00e7\u00e3o de atividades do orante.\u00a0 Muito mais grave \u00e9 o que se segue logo ap\u00f3s o trecho atr\u00e1s transcrito: \u201cPela respira\u00e7\u00e3o entro em harmonia com o cosmo e suas vibra\u00e7\u00f5es.\u00a0 Com o ritmo de seu fluxo e refluxo.\u00a0 O sopro que habita em mim, \u00e9 o alento de Deus: \u201cJav\u00e9 insuflou em seu nariz um alento de vida e o homem se fez um ser vivente\u201d (Gn 2,7).\u00a0 Nestes momentos conscientizar-me de que possuo esse sopro \u00e9 vincular-me ao Criador.\u00a0 Esse sopro \u00e9 seu Esp\u00edrito que me une com o Pai e o Filho e toda a cria\u00e7\u00e3o\u201d (p. 27).<em>\u00a0<\/em><em>\u201cEstes dizeres sugerem nitidamente o pante\u00edsmo: o ar que algu\u00e9m respira vem a ser a vida divina, o alento de Deus, alento de Deus que \u00e9 identificado com o Esp\u00edrito Santo; esse ar-Esp\u00edrito une o orante \u00e0 Divindade e \u00e0s criaturas todas.\u00a0 O homem vive n\u00e3o por um princ\u00edpio vital criado, mas pelo sopro de Deus, que \u00e9 o Esp\u00edrito Santo.\u00a0 Nisto h\u00e1 um abuso da linguagem figurada de Gn 2,7; o texto b\u00edblico concebe Deus metaforicamente como um oleiro, que sopra na face do seu boneco de argila; esse soprar tem o car\u00e1ter metaf\u00f3rico da imagem aplicada; significa a infus\u00e3o do princ\u00edpio vital do homem, que n\u00e3o \u00e9 o Esp\u00edrito Santo\u201d.\u00a0<\/p>\n<p><\/em><strong>OS MANTRAS<\/strong><strong>\u00a0<\/strong><strong>\u201cO voc\u00e1bulo indiano <\/strong><strong>mantra <\/strong>significa uma palavra ou uma f\u00f3rmula \u201cimpregnada de um poder particular capaz de unificar energias habitualmente dispersas e contrapostas\u201d. Sua efic\u00e1cia parece estar radicada em dois fatores: \u201ca vibra\u00e7\u00e3o que penetra as camadas mais profundas e sutis da consci\u00eancia, e seu significado &#8230;\u201d (p. 34). Essa palavra-mantra \u00e9 repetida com freq\u00fc\u00eancia \u201cde modo a mergulhar facilmente o orante nas profundidades do seu psiquismo\u201d (cf. p. 34). O mantra nos proporciona \u201cuma certa experi\u00eancia sens\u00edvel \u2013 em n\u00edvel de f\u00e9, n\u00e3o sensual \u2013 da Presen\u00e7a de Deus no centro do nosso ser\u201d (cf. p. 36). A explana\u00e7\u00e3o relativa ao mantra d\u00e1 a impress\u00e3o de que a vibra\u00e7\u00e3o do ar decorrente da repeti\u00e7\u00e3o da \u201cpalavra sagrada\u201d tem um efeito f\u00edsico: ela \u201cp\u00f5e o orante em sintonia com Deus\u201d (p. 34), como se Deus fosse uma emissora de ondas e energias, que capto desde que utilize a vibra\u00e7\u00e3o certa ou adequada para atingi-lo.\u00a0 O mantra tem efic\u00e1cia f\u00edsica capaz de apreender a Deus como se Deus fosse uma realidade do nosso mundo f\u00edsico, quantitativo, mensur\u00e1vel.\u00a0 Isto eq\u00fcivale a professar o pante\u00edsmo\u201d.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cO pante\u00edsmo tamb\u00e9m parece insinuado pelas express\u00f5es \u201cmergulhar nas profundidades do nosso psiquismo, proporcionar uma experi\u00eancia sens\u00edvel &#8211; &#8230; n\u00e3o sensorial \u2013 da Presen\u00e7a de Deus no centro do nosso ser\u201d.\u00a0 Dir-se-ia que est\u00e1 subjacente a id\u00e9ia de que o homem \u00e9 uma centelha de Deus envolvida pela corporeidade.\u00a0 A f\u00e9 crist\u00e3 admite, sim, que Deus habita nos cora\u00e7\u00f5es puros, mas est\u00e1 longe de professar que Deus pode ser experimentado mediante vibra\u00e7\u00e3o do ar\u201d.\u00a0 \u00a0<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tenho recebido emails de algumas pessoas perguntando se pode-se usar o mantra na ora\u00e7\u00e3o, na igreja, etc. Para atende a esse pedido publico a seguir uma s\u00edntese do artigo de D. Estev\u00e3o Bettencourt sobre o assunto publicado na Revista Pergunte&#8230;<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on get_the_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on get_the_excerpt --><\/p>\n","protected":false},"author":29,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_mi_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[621],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7271"}],"collection":[{"href":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/wp-json\/wp\/v2\/users\/29"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7271"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7271\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":14757,"href":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7271\/revisions\/14757"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7271"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7271"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7271"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}