{"id":7321,"date":"2012-12-01T14:00:21","date_gmt":"2012-12-01T16:00:21","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/2008\/08\/07\/a-igreja-aceitou-a-reencarnacao-no-passado\/"},"modified":"2012-11-30T18:08:57","modified_gmt":"2012-11-30T20:08:57","slug":"a-igreja-aceitou-a-reencarnacao-no-passado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/2012\/12\/01\/a-igreja-aceitou-a-reencarnacao-no-passado\/","title":{"rendered":"A Igreja aceitou a reencarna\u00e7\u00e3o no passado?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\"><strong>H\u00e1 reencarna\u00e7\u00e3o na hist\u00f3ria da Igreja Cat\u00f3lica?<\/strong><a href=\"http:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/files\/2012\/12\/reencarnacao.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-13046 alignleft\" style=\"margin: 5px\" src=\"http:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/files\/2012\/12\/reencarnacao-300x298.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"298\" srcset=\"https:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/files\/2012\/12\/reencarnacao-300x298.jpg 300w, https:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/files\/2012\/12\/reencarnacao-150x150.jpg 150w, https:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/files\/2012\/12\/reencarnacao.jpg 315w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A reencarna\u00e7\u00e3o nunca foi uma doutrina cat\u00f3lica; a Carta ao Hebreus (9,27) diz: \u201cE como \u00e9 fato que os homens devem morrer uma s\u00f3 vez depois do que vem um julgamento&#8230;\u201d Basta esse vers\u00edculo para mostrar que a doutrina cat\u00f3lica nunca aceitou a reencarna\u00e7\u00e3o. \u201cAcontece por\u00e9m que no s\u00e9culo III os monges disc\u00edpulos de Or\u00edgenes, adotaram essa tese julgando que era doutrina do seu mestre. Na verdade, Or\u00edgenes prop\u00f4s como hip\u00f3tese a pr\u00e9-exist\u00eancia das almas, mas como mera hip\u00f3tese. Assim, professava at\u00e9 o s\u00e9culo VI: Em 553 um s\u00ednodo de Constantinopla rejeitou radicalmente essa tese, que alias s\u00f3 era professada pelos origenistas. Assim, n\u00e3o se pode dizer que a reencarna\u00e7\u00e3o era doutrina comum que a Igreja eliminou do seu credo. H\u00e1 tend\u00eancias preconceituosas mesmo nos grandes estudiosos\u201d.<!--moreContinue lendo...--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Vejamos um pouco da reencarna\u00e7\u00e3o na Tradi\u00e7\u00e3o da Igreja, como explica o saudoso Dom Estev\u00e3o Bettencourt em artigo citado a seguir. S\u00e3o Clemente de Alexandria (\u2020215) julga ser a doutrina da reencar\u00adna\u00e7\u00e3o arbitr\u00e1ria, porque n\u00e3o se baseia nem nas sugest\u00f5es da nossa cons\u00adci\u00eancia nem na f\u00e9 cat\u00f3lica; lembra que a Igreja n\u00e3o a professa, mas, sim, os hereges, especialmente Basilides e os Marcionistas. (Cf.: Eciogae ex Scripturis Propheticis XVII PG 9, 706; Excerpta ex Scriptis Theodoti XVIII, PG 9, 674; Stromata Iii, 3; IV, 12 PG 1114s. 1290s). Todas as cita\u00e7\u00f5es deste artigo est\u00e3o na revista \u201cPergunte e Responderemos\u201d, n. 442, 1999, pg.109.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">S. Irineu (\u2020 202) observa que em nossa mem\u00f3ria n\u00e3o se encontra vest\u00edgio de pretensas exist\u00eancias anteriores (Adv. Haer II, 33, PG7,B3Os); em nome da f\u00e9, op\u00f5e o dogma da ressurrei\u00e7\u00e3o dos corpos: nosso Deus \u00e9 bastante poderoso para restituir a cada alma o seu pr\u00f3prio corpo (lb. II 33, PG 7, 833).<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><a title=\"Conhe\u00e7a o livro: Falsas Doutrinas\" href=\"http:\/\/goo.gl\/CtGAN\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-13048\" src=\"http:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/files\/2012\/12\/cpa_falsas_doutrinas_1.jpg\" alt=\"\" width=\"126\" height=\"193\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Origenes de Alexandria (\u2020254) prop\u00f4s, apenas\u00a0 como hip\u00f3tese, a preexist\u00eancia das almas: todos os esp\u00edritos teriam sido criados desde toda a eternidade e dotados da mes\u00adma perfei\u00e7\u00e3o inicial; muitos por\u00e9m, teriam abusado da sua liberdade e pecado. Por tal pecado Deus teria criado um mun\u00addo material, a fim de servir de lugar de castigo e purifica\u00e7\u00e3o. Conforme \u00e0 falta cometida, cada esp\u00edrito teve que tomar, em puni\u00e7\u00e3o, um corpo mais ou menos grosseiro. Os que n\u00e3o se purificassem devidamente nesta vida, deveriam passar, depois da morte\u00a0 para &#8220;um lugar de fogo\u201d. Mas finalmente todos seriam reintegrados na suprema felicidade com Deus; O In\u00adferno n\u00e3o seria eterno.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Estas id\u00e9ias foram propostas com reservas e a t\u00edtulo de hip\u00f3teses (cf. Peri Archon; PG 11,224). Todavia os disc\u00edpulos de Or\u00edgenes, chamados origenistas, eram monges do Egito, da Palestina e da S\u00edria, que se beneficiavam dos escritos asc\u00e9ticos e m\u00edsticos do mes\u00adtre, mas eram pouco versados em teologia; por conseguinte, n\u00e3o tinham crit\u00e9rios para distinguir entre as verdades de f\u00e9 e as proposi\u00e7\u00f5es hipot\u00e9\u00adticas de Or\u00edgenes. Os origenistas, portanto, nos s\u00e9culos IV &#8211; VI professa\u00adram como artigos de f\u00e9 n\u00e3o s\u00f3 a preexist\u00eancia das almas e a restaura\u00e7\u00e3o final de todos na felicidade inicial, mas tamb\u00e9m a reencarna\u00e7\u00e3o. Contra\u00adriavam assim o pensamento do pr\u00f3prio Or\u00edgenes, que era avesso \u00e0 reen\u00adcarna\u00e7\u00e3o, tida por ele como &#8220;f\u00e1bula inepta e \u00edmpia&#8221; (In Rom. V. PG 14, 1015).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A tese da reencarna\u00e7\u00e3o, desde que come\u00e7ou a ser sustentada pelos origenistas, encontrou decididos oponentes entre os escritores crist\u00e3os mesmos, que a tinham como contr\u00e1ria \u00e0 f\u00e9. Um dos testemunhos mais claros \u00e9 o de En\u00e9ias de Gaza (\u2020518) autor do &#8220;Di\u00e1logo sobre a imortali\u00addade da alma e a ressurrei\u00e7\u00e3o em que se l\u00ea o seguinte racioc\u00ednio:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">&#8220;Quando castigo o meu filho ou o meu servo, antes de lhe infligir a puni\u00e7\u00e3o, repito-lhe v\u00e1rias vezes o motivo pelo qual o castigo e recomen\u00addo-lhe que n\u00e3o o esque\u00e7a para que n\u00e3o recaia na mesma falta. Sendo assim, Deus, que estipula os supremos castigos, n\u00e3o haver\u00e1 de escla\u00adrecer os culpados a respeito do motivo pelo qual Ele as castiga? Haveria de lhes subtrair a recorda\u00e7\u00e3o de suas faltas, dando-lhes ao mesmo tempo a experimentar muito vivamente as suas penas? Para que serviria o castigo se n\u00e3o fosse acompanhado da recorda\u00e7\u00e3o da culpa? S\u00f3 contri\u00adbuiria para irritar o r\u00e9u e lev\u00e1-lo a dem\u00eancia. Uma tal v\u00edtima n\u00e3o teria o direito de acusar a seu juiz por ser punida sem ter consci\u00eancia de haver cometido alguma falta?&#8221; (ed. Migne gr:, t. LXXXV, 871).<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><strong><a href=\"http:\/\/feedburner.google.com\/fb\/a\/mailverify?uri=ProfFelipeAquino\">Cadastre-se gr\u00e1tis e receba os meus artigos no seu e-mail<\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">As doutrinas dos origenistas chamaram a aten\u00e7\u00e3o das autoridades da Igreja. Em 543, o Patriarca Menas de Constantinopla redigiu e promulgou quinze an\u00e1temas contra Origenes, dos quais os quatro primeiros nos interessam diretamente:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">1. &#8220;Se algu\u00e9m crer na fabulosa preexist\u00eancia das almas e na repudi\u00e1vel reabilita\u00e7\u00e3o das mesmas (que \u00e9 geralmente associada \u00e0quela), seja an\u00e1tema.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">2. Se algu\u00e9m disser que os esp\u00edritos racionais foram todos criados independentemente da mat\u00e9ria e alheios ao corpo, e que v\u00e1rias deles rejeitaram a vis\u00e3o de Deus, entregando-se a atos il\u00edcitos, cada qual seguindo suas m\u00e1s inclina\u00e7\u00f5es, de modo que foram unidos a corpos, uns mais, outros menos perfeitos, seja an\u00e1tema.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">3. Se algu\u00e9m disser que o sol, a lua e as estrelas pertencem ao conjunto dos seres racionais o que se tornaram a que eles hoje s\u00e3o por se voltarem para o mal seja an\u00e1tema.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">4. Se algu\u00e9m disser que os seres racionais nos quais o amor a Deus se arrefeceu, se ocultaram dentro de corpos grosseiros como s\u00e3o os nossos, e foram em conseq\u00fc\u00eancia chamados homens, ao passo que aqueles que atingiram o \u00faltimo grau do mal tiveram, como partilha, corpos frios e tenebrosos, tornando-se a que chamamos dem\u00f4nios e esp\u00ed\u00adritos maus, seja an\u00e1tema\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O Papa Vig\u00edlio (537-555) e os demais Patriarcas deram a sua aprova\u00e7\u00e3o a esses artigos. Conclu\u00edmos, pois, que a doutrina da reencarna\u00e7\u00e3o nunca foi professada oficialmente pela Igreja Cat\u00f3lica (contradiz ao Credo cris\u00adt\u00e3o); todavia ap\u00f3s Origenes (s\u00e9culo III) foi professada por grupos particul\u00adares de monges Orientais, pouco iniciados em teologia; em 543 foi sole\u00adnemente rejeitada pelas autoridades da Igreja. A mesma condena\u00e7\u00e3o ocorreu nos Conc\u00edlios ecum\u00eanicos de Li\u00e3o (1274) e Floren\u00e7a (1439), que ensinam a imediata passagem desta vida para a sorte definitiva no al\u00e9m (DS 857 [464] e 1306 [693]). O Conc\u00edlio Vaticano II, por sua vez, fala do &#8220;\u00fanico curso da nossa vida terrestre (Hb 9,27)&#8221;, mostrando assim opor-\u00adse \u00e0 teoria da migra\u00e7\u00e3o das almas ( Cf. Lumen Gentium n\u00ba 48).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Prof. Felipe Aquino<\/strong><\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 reencarna\u00e7\u00e3o na hist\u00f3ria da Igreja Cat\u00f3lica? 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