{"id":7371,"date":"2008-08-15T17:37:50","date_gmt":"2008-08-15T14:37:50","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/2008\/08\/15\/a-dormida-morte-da-mae-de-deus\/"},"modified":"2012-05-08T15:54:51","modified_gmt":"2012-05-08T18:54:51","slug":"a-dormida-morte-da-mae-de-deus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/2008\/08\/15\/a-dormida-morte-da-mae-de-deus\/","title":{"rendered":"A dormida [morte] da M\u00e3e de Deus*"},"content":{"rendered":"<p><strong><em>Papa Jo\u00e3o Paulo II<\/em><\/strong><\/p>\n<p>1. A prop\u00f3sito da conclus\u00e3o da vida terrena de Maria, o Conc\u00edlio retoma os termos da Bula de defini\u00e7\u00e3o do dogma da Assun\u00e7\u00e3o e afirma: \u201cA Virgem Imaculada, que fora preservada de toda a mancha de culpa original, terminando o curso da sua vida terrena, foi elevada \u00e0 gl\u00f3ria celeste em corpo e alma\u201d <em>(LG,<\/em> 59). Com esta f\u00f3rmula, a Constitui\u00e7\u00e3o dogm\u00e1tica \u201cLumen gentium\u201d, seguindo o meu venerado Predecessor Pio XII, n\u00e3o se pronuncia sobre a quest\u00e3o da morte de Maria. Todavia Pio XII n\u00e3o quis negar o fato da morte, mas apenas n\u00e3o julgou oportuno afirmar solenemente a morte da M\u00e3e de Deus, como verdade que devia ser admitida por todos os crentes.<\/p>\n<p>Na verdade, alguns te\u00f3logos afirmaram a isen\u00e7\u00e3o da morte da Virgem e a sua passagem direta da vida terrena \u00e0 gl\u00f3ria celestial. Todavia, esta opini\u00e3o \u00e9 desconhecida at\u00e9 o s\u00e9culo XVII, enquanto na realidade existe uma comum tradi\u00e7\u00e3o que considera a morte de Maria e sua introdu\u00e7\u00e3o na gl\u00f3ria celeste.<\/p>\n<p>2. \u00c9 poss\u00edvel que Maria de Nazar\u00e9 tenha experimentado na sua carne o drama da morte? Refletindo sobre o destino de Maria e sobre a sua rela\u00e7\u00e3o com o Filho divino, parece leg\u00edtimo responder afirmativamente: dado que Cristo morreu, seria dif\u00edcil afirmar o contr\u00e1rio no que concerne \u00e0 M\u00e3e.<\/p>\n<p>Neste sentido raciocinaram os Padres da Igreja, que n\u00e3o tiveram d\u00favidas a este prop\u00f3sito. Basta citar S\u00e3o Tiago de Sarug (521), segundo o qual quando para Maria chegou \u201co tempo de caminhar pela via de todas as gera\u00e7\u00f5es\u201d, ou seja, a via da morte, \u201co coro dos doze Ap\u00f3stolos\u201d reuniu-se para enterrar \u201co corpo virginal da Bem-aventurada\u201d (Dis<em>curso sobre a sepultura da Santa M\u00e3e de Deus, <\/em>87-99 em C. VONA, Lateranum 19 <em>[1953], <\/em>188). S\u00e3o Modesto de Jerusal\u00e9m ( 634), depois de ter falado amplamente da \u201cbeat\u00edssima dormida da glorios\u00edssima M\u00e3e de Deus\u201d, conclui o seu \u201celogio\u201d exaltando a interven\u00e7\u00e3o prodigiosa de Cristo que \u201ca ressuscitou do sepulcro\u201d para a receber consigo na gl\u00f3ria <em>(Enc, in dormitionem Deiparae<\/em> <em>semperque Virginis Mariae, <\/em>nn. 7 e 14; PG 86 bis 3293; 3311). S\u00e3o Jo\u00e3o Damasceno ( 704), por sua vez, pergunta: \u201cComo \u00e9 poss\u00edvel que aquela que no parto ultrapassou todos os limites da natureza, agora se submeta \u00e0s leis desta e seu corpo imaculado se sujeite \u00e0 morte?\u201c E responde: \u201cCertamente era necess\u00e1rio que a parte mortal fosse deposta para se revestir de imortalidade, porque nem o Senhor da natureza rejeitou a experi\u00eancia da morte. Com efeito, Ele morre segundo a carne e com a morte destr\u00f3i a morte, \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o concede a incorruptilidade e o morrer faz d\u2019Ele nascente da ressurrei\u00e7\u00e3o\u201d ( Paneg\u00edrico sobre a Dormida da M\u00e3e de Deus, 10: SC 80,107).<\/p>\n<p>3. \u00c9 verdade que na Revela\u00e7\u00e3o a morte se apresenta como castigo do pecado. Todavia, o fato de a igreja proclamar Maria liberta do pecado original por singular privil\u00e9gio divino n\u00e3o induz a concluir que Ela recebeu tamb\u00e9m a imortalidade corporal. A m\u00e3e n\u00e3o \u00e9 superior ao Filho, que assumiu a morte, dando-lhe novo significado e transformando-a em instrumento de salva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Empenhada na obra redentora e associada \u00e0 oferta salv\u00edfica de Cristo, Maria p\u00f4de compartilhar o sofrimento e a morte em vista da reden\u00e7\u00e3o da humanidade. Tamb\u00e9m para Ela vale quanto Severo de Antioquia afirma a prop\u00f3sito de Cristo: \u201cSem uma morte preliminar, como poderia ter lugar a ressurrei\u00e7\u00e3o?\u201d <em>(Antijulianistica, <\/em>Beirute 1931, 194 s.). Para ser part\u00edcipe da ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo Maria devia compartilhar antes de mais a Sua morte.<\/p>\n<p>4. O Novo Testamento n\u00e3o oferece qualquer not\u00edcia sobre as circunst\u00e2ncias da morte de Maria. Este sil\u00eancio induz a supor que esta se tenha verificado normalmente, sem qualquer pormenor digno de men\u00e7\u00e3o. Se assim n\u00e3o tivesse sido, como poderia a not\u00edcia permanecer escondida aos contempor\u00e2neos e, de alguma forma, n\u00e3o chegar at\u00e9 n\u00f3s?<\/p>\n<p>Quanto aos motivos da morte de Maria, n\u00e3o parecem fundadas as opini\u00f5es que lhe quereriam excluir causas naturais. Mais importante \u00e9 a busca da atitude espiritual da Virgem no momento da despedida deste mundo. A este prop\u00f3sito, S\u00e3o Francisco de Sales considera que a morte de Maria se tenha verificado como efeito de um transporte de amor. Ele fala de um morrer \u201cno amor, por causa do amor e por amor\u201d, chegando por isso a afirmar que a M\u00e3e de Deus morreu de amor pelo seu Filho Jesus (Trait\u00e9 de l\u2019Amour de Dieu, Lib. 7, c. XIII-VIV).<\/p>\n<p>Qualquer que tenha sido o fato org\u00e2nico e biol\u00f3gico que, sob o aspecto f\u00edsico, causou a cessa\u00e7\u00e3o da vida do corpo, pode-se dizer que a passagem desta vida \u00e0 outra constitui para Maria uma matura\u00e7\u00e3o da gra\u00e7a na gl\u00f3ria, de tal forma que jamais como nesse caso a morte p\u00f4de ser concebida como uma \u201cdormida\u201d.<\/p>\n<p>5. Nalguns Padres da Igreja encontramos a descri\u00e7\u00e3o de Jesus mesmo que vem acolher a sua M\u00e3e no momento da morte, para introduzir na gl\u00f3ria celeste. Assim, estes apresentam a morte de Maria como um evento de amor que a levou a alcan\u00e7ar o seu Filho divino para participar da Sua vida imortal. No final da sua exist\u00eancia terrena, ela ter\u00e1 experimentado, como Paulo e mais do que ele, o desejo de se libertar do corpo para estar com Cristo para sempre (cf. Fl. 1,23).A experi\u00eancia da morte enriqueceu a pessoa da Virgem: passando pela comum sorte dos homens, ela pode exercer com mais efic\u00e1cia a sua maternidade espiritual em rela\u00e7\u00e3o \u00e0queles que chegam \u00e0 hora suprema da vida.<\/p>\n<p>* L&#8217;Osservatore Romano, ed. port. n.26, 28\/06\/1997, pag. 12(308)<\/p>\n<p>DO Livro: A VIRGEM MARIA &#8211; 58 CATEQUESES DO PAPA JO\u00c3O PAULO II \u2013 <a href=\"http:\/\/www.cleofas.com.br\/\">www.cleofas.com.br<\/a><\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Papa Jo\u00e3o Paulo II 1. 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