{"id":7872,"date":"2014-08-06T08:56:33","date_gmt":"2014-08-06T11:56:33","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/?p=7872"},"modified":"2014-08-06T10:50:33","modified_gmt":"2014-08-06T13:50:33","slug":"o-milagre-da-multiplicacao-dos-paes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/2014\/08\/06\/o-milagre-da-multiplicacao-dos-paes\/","title":{"rendered":"O Milagre da Multiplica\u00e7\u00e3o dos P\u00e3es"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\"><a href=\"http:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/files\/2009\/08\/multiplica\u00e7\u00e3o-dos-p\u00e3es.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-10986\" style=\"margin: 5px\" src=\"http:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/files\/2009\/08\/multiplica\u00e7\u00e3o-dos-p\u00e3es-300x225.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"225\" srcset=\"https:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/files\/2009\/08\/multiplica\u00e7\u00e3o-dos-p\u00e3es-300x225.jpg 300w, https:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/files\/2009\/08\/multiplica\u00e7\u00e3o-dos-p\u00e3es.jpg 600w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><strong>A multiplica\u00e7\u00e3o dos p\u00e3es: Milagre ou Simples Partilha?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Em s\u00edntese: O epis\u00f3dio da multiplica\u00e7\u00e3o dos p\u00e3es (Mt 14, 13-21) tem sido ultimamente apregoado n\u00e3o como um feito milagroso de Jesus, mas como a simples partilha dos farn\u00e9is existentes na multid\u00e3o. Tal interpreta\u00e7\u00e3o n\u00e3o somente n\u00e3o corresponde aos dizeres do texto, mas n\u00e3o \u00e9 aceita pelos bons exegetas em geral. Trata-se de um fato hist\u00f3rico mila\u00adgroso, que os evangelistas descrevem como sinal do p\u00e3o eucar\u00edstico e da bonan\u00e7a prometida pelos Profetas para o Reino messi\u00e2nico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Na prega\u00e7\u00e3o do Evangelho, ouve-se dizer que a multiplica\u00e7\u00e3o dos p\u00e3es n\u00e3o foi um milagre, mas partilha do p\u00e3o existente no farnel dos ouvintes de Jesus. Visto que tal interpreta\u00e7\u00e3o tem causado perplexidade, ser-lhe-\u00e3o dedicadas as considera\u00e7\u00f5es seguintes.<!--moreContinue lendo...--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>1. Milagre ou partilha?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Antes do mais, \u00e9 de notar que o epis\u00f3dio foi muito caro aos antigos. Mateus e Marcos o narram duas vezes; cf. Mt 14,13-21; 15, 29-39 e Mc 6, 30-40; 8, 1-18. S\u00e3o Lucas o refere uma s\u00f3 vez; cf. Lc 9, 10-17. S\u00e3o Jo\u00e3o tamb\u00e9m; cf. Jo 6,1-13. Os exegetas atualmente julgam que em Mt e Mc h\u00e1 duplicata do relato do fato, embora leves diferen\u00e7as existam entre a primeira e a segunda narrativas; trata-se de duas tradi\u00e7\u00f5es a referir o mesmo feito de Jesus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Pergunta-se agora: que houve realmente no epis\u00f3dio em foco?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A interpreta\u00e7\u00e3o tradicional e amplamente majorit\u00e1ria afirma ter havido um milagre: com poucos p\u00e3es e peixes Jesus saciou milhares de homens. Recentemente come\u00e7ou-se a dizer que n\u00e3o houve milagre, mas Jesus orde\u00adnou que os seus ouvintes repartissem entre si as provis\u00f5es que haviam levado. Tal interpreta\u00e7\u00e3o carece de fundamento no texto e o violenta, pois o evangelista faz observar que nada havia para comer entre a multid\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u201cChegada a\u00a0 tarde, aproximaram-se dele os seus disc\u00edpulos, dizen\u00addo: &#8220;O lugar \u00e9 deserto e a hora j\u00e1 est\u00e1 avan\u00e7ada. Despede as multid\u00f5es para que v\u00e3o aos povoados comprar alimento para si\u201d. Mas Jesus lhes disse: \u201cN\u00e3o \u00e9 preciso que v\u00e3o embora. Dai-lhes v\u00f3s mesmos de comer\u201d. Ao que os disc\u00edpulos responderam: \u201cS\u00f3 temos aqui cinco p\u00e3es e dois peixes\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Jesus ent\u00e3o interveio, multiplicando os p\u00e3es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O car\u00e1ter milagroso do epis\u00f3dio \u00e9 mais real\u00e7ado na segunda nar\u00adrativa. Com efeito; a se\u00e7\u00e3o de Mt 15, 29-39 segue-se a um milagre de Jesus: a cura da filha da mulher canan\u00e9ia (Mt 15, 21-28) e a uma declara\u00e7\u00e3o sobre a atividade taumat\u00fargica de Jesus:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u201cVieram at\u00e9 ele numerosas multid\u00f5es, trazendo coxos, cegos, aleijados, mudos e muitos outros e os puseram a seus p\u00e9s e ele os curou, de sorte que as multid\u00f5es ficaram espantadas&#8230; E renderam gl\u00f3ria ao Deus de Israel\u201d (Mt 15, 29-31).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Jesus mesmo diz logo a seguir:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u201cTenho compaix\u00e3o da multid\u00e3o, porque j\u00e1 faz tr\u00eas dias que est\u00e1 comigo e n\u00e3o tem o que comer. N\u00e3o quero despedi-la em jejum, de modo que possa desfalecer pelo caminho\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Na base destas averigua\u00e7\u00f5es, n\u00e3o pode restar d\u00favida de que se trata de um fato hist\u00f3rico e milagroso em Mt 14, 21-32 e paralelos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Vejamos algumas peculiaridades da narrativa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>2.\u00a0 Particularidades liter\u00e1rias<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O relato da multiplica\u00e7\u00e3o dos p\u00e3es nos quatro Evangelhos n\u00e3o pode deixar de lembrar ao leitor certos antecedentes do Antigo Testamento:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Em 2Rs 4, 42-44 l\u00ea-se o seguinte: \u201cVeio um homem de Baal-Salisa e trouxe para o homem de Deus p\u00e3o das prim\u00edcias, vinte p\u00e3es de cevada e trigo novo em espiga. Eliseu ordenou: \u201cOferece a essa gente para que coma\u201d. Mas o servo respondeu: \u201cComo hei de servir isso para cem pessoas?\u201d. Ele repetiu: \u201cOferece a essa gente para que coma, pois assim falou o Senhor: \u201cComer\u00e3o e ainda sobrar\u00e1\u201d. Serviu-lhes, eles comeram e ainda sobrou segundo a palavra do Senhor\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Verifica-se que a estrutura liter\u00e1ria \u00e9 a mesma que em Mt 14, 13-21; s\u00e3o levados a Eliseu alguns p\u00e3es; o Profeta ordena a seu servo (disc\u00edpulo) que sacie cem homens; o servo aponta a impossibilidade (como os Ap\u00f3stolos). Eliseu ignora a obje\u00e7\u00e3o e, confiado na Palavra de Deus, manda distribuir o p\u00e3o. Ficam sobras, como no relato evang\u00e9lico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Em Ex 16, 1-36 e Nm 11, 4-9 \u00e9 narrada a entrega do man\u00e1 ao povo no deserto, entrega \u00e0 qual Jesus faz alus\u00e3o ao prometer o p\u00e3o eucar\u00edstico; cf. Jo 6, 49.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Tais epis\u00f3dios do Antigo e do Novo Testamento n\u00e3o referem apenas uma refei\u00e7\u00e3o humana, mas t\u00eam significado transcendental: querem dizer que Deus acompanha, ontem e hoje, seu povo peregrino e lhe oferece os subs\u00eddios necess\u00e1rios para que supere os obst\u00e1culos da caminhada e chegue certeiramente ao termo almejado, que \u00e9 a vida eterna.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O relato evang\u00e9lico faz alus\u00f5es tamb\u00e9m \u00e0 Eucaristia, o vi\u00e1tico por excel\u00eancia. Assim<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Mt 14, 15:<\/strong> \u201cAo entardecer\u201d em grego \u00e9 a f\u00f3rmula com que \u00e9 introduzido o relato da \u00faltima ceia;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Mt 14, 19:<\/strong> \u201ctomou os p\u00e3es\u201d, \u201clevantou os olhos para o c\u00e9u\u201d, \u201caben\u00e7oou\u201d, \u201cpartiu\u201d, \u201cdeu aos disc\u00edpulos\u201d s\u00e3o express\u00f5es da \u00faltima ceia e da posterior celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Mt 14, 20:<\/strong> a grande quantidade de p\u00e3o assim doada lembra a fartura prometida pelos Profetas para os tempos messi\u00e2nicos; cf. Os 14, 8; Is 49, 10; 55, 1&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O recolher os fragmentos que sobram, \u00e9 usual na celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Em suma, a ceia de viandantes proporcionada pelo Senhor ao seu povo \u00e9 pren\u00fancio da ceia plena ou do banquete celeste, s\u00edmbolo da bem-aventuran\u00e7a definitiva. \u00c9 neste contexto que h\u00e1 de ser lida a se\u00e7\u00e3o de Mt 14, 13-21 e paralelos; na inten\u00e7\u00e3o dos evangelistas, ela quer significar o Dom supremo de Deus ao homem, que \u00e9 o encontro face-a-face na bem-aventuran\u00e7a celeste.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>A pedido estou publicando a mat\u00e9ria de D. Estev\u00e3o Bettencourt<\/strong><strong><br \/>\nRevista \u201cPERGUNTE E RESPONDEREMOS\u201d<br \/>\nD. Estev\u00e3o Bettencourt, osb<br \/>\nRevista n\u00ba 479, Ano 2002, P\u00e1g. 191<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A multiplica\u00e7\u00e3o dos p\u00e3es: Milagre ou Simples Partilha? 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