{"id":9348,"date":"2014-02-28T00:01:34","date_gmt":"2014-02-28T02:01:34","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/?p=9348"},"modified":"2014-02-25T09:25:45","modified_gmt":"2014-02-25T11:25:45","slug":"carnaval-e-quaresma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/2014\/02\/28\/carnaval-e-quaresma\/","title":{"rendered":"Carnaval e Quaresma"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\"><a href=\"http:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/files\/2011\/03\/tumblr_l1sqj5OjX41qbnllso1_500_large.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-12446 alignleft\" style=\"margin: 5px\" alt=\"\" src=\"http:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/files\/2011\/03\/tumblr_l1sqj5OjX41qbnllso1_500_large-300x200.png\" width=\"339\" height=\"226\" srcset=\"https:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/files\/2011\/03\/tumblr_l1sqj5OjX41qbnllso1_500_large-300x200.png 300w, https:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/files\/2011\/03\/tumblr_l1sqj5OjX41qbnllso1_500_large.png 498w\" sizes=\"(max-width: 339px) 100vw, 339px\" \/><\/a><strong>&#8220;Tudo me \u00e9 permitido, mas nem tudo conv\u00e9m. Tudo me \u00e9 permitido, mas eu n\u00e3o deixarei que nada domine.&#8221; (1 Cor\u00edntios 6:12)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">V\u00e1rios autores explicam o nome Carnaval a partir do latim \u201ccarne vale\u201d, isto \u00e9, \u201cadeus carne\u201d ou \u201cdespedida da carne\u201d; o que significa que no Carnaval o consumo de carne era considerado l\u00edcito pela \u00faltima vez antes dos dias de jejum quaresmal. Outros estudiosos recorrem \u00e0 express\u00e3o \u201ccarnem levare\u201d, suspender ou retirar a carne.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O Papa S\u00e3o Greg\u00f3rio Magno (590-604) teria dado ao \u00faltimo domingo antes da Quaresma (domingo da Q\u00fcinquag\u00e9sima), o t\u00edtulo de \u201cdominica ad carnes levandas\u201d; o que teria gerado \u201ccarneval\u201d ou carnaval. Um grupo de etimologistas apela para as origens pag\u00e3s do Carnaval: entre os gregos e romanos costumava-se fazer um cortejo com uma nave, dedicado ao deus Dion\u00edsio ou Baco, festa que chamavam em latim de \u201ccurrus navalis\u201d (nave carruagem), de \u00a0donde teria vindo a forma Carnavale. N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil saber a real origem do nome.<!--moreContinue lendo...-->As mais antigas not\u00edcias do que hoje chamamos \u201cCarnaval\u201d datam, como se cr\u00ea, do s\u00e9c. VI antes de Cristo, na Gr\u00e9cia: h\u00e1 pinturas gregas em vasos com figuras mascaradas desfilando em prociss\u00e3o ao som de m\u00fasicas em honra do deus Dion\u00edsio, com fantasias e alegorias; s\u00e3o certamente anteriores \u00e0 era crist\u00e3. Outras festas semelhantes aconteciam na entrada do novo ano civil (m\u00eas de janeiro) ou pela aproxima\u00e7\u00e3o da primavera, na despedida do inverno.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Eram festas religiosas, dentro da concep\u00e7\u00e3o pag\u00e3 e da mitologia com a inten\u00e7\u00e3o de com esses ritos expiar as faltas cometidas no inverno ou no ano anterior e pedir aos deuses a fecundidade da terra e a prosperidade para a primavera e o novo ano. Por exemplo, para exprimir o cancelamento das culpas passadas, encenava-se a morte de um boneco que, depois de haver feito seu testamento e um transporte f\u00fanebre, era queimado ou destru\u00eddo. Em alguns lugares havia a confiss\u00e3o p\u00fablica dos v\u00edcios. A den\u00fancia das culpas muitas vezes se tornava algo teatral, como por exemplo, o c\u00f4mico Arlequim que, antes de ser entregue \u00e0 morte confessava os seus pecados e os alheios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Tudo isso parece ter gerado abusos estimulados com o uso de m\u00e1scaras, fantasias, cortejos, pe\u00e7as de teatro, etc. As religi\u00f5es ditas \u201cde mist\u00e9rios\u201d provenientes do Oriente e muito difusas no Imp\u00e9rio Romano, concorreram para o fomento das festividades carnavalescas. Estas tomaram o nome de \u201cpompas bacanais\u201d ou \u201csaturnais\u201d ou \u201clupercais\u201d. Como essas demonstra\u00e7\u00f5es de alegria tornaram-se subversivas da ordem p\u00fablica, o Senado Romano, no s\u00e9c. II a.C. resolveu combater os bacanais e os seus adeptos acusados de graves ofensas contra a moralidade e contra o Estado.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><iframe loading=\"lazy\" title='O crist\u00c3\u00a3o pode \"pular\" carnaval?' width=\"600\" height=\"338\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/JfbDSz_CrUg?feature=oembed&amp;rel=0\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><strong><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Essas festividades populares podiam ser no dia 25 de dezembro (dia em que os pag\u00e3os celebravam Mitra ou o Sol Invicto) ou o dia 1\u00ba de janeiro (come\u00e7o do novo ano), ou outras datas religiosas pag\u00e3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Quando o Cristianismo surgiu j\u00e1 encontrou esses costumes pag\u00e3os. E como o Evangelho n\u00e3o \u00e9 contra as demonstra\u00e7\u00f5es de alegria desde que n\u00e3o se tornem pecaminosas, os mission\u00e1rios ao inv\u00e9s de se oporem formalmente ao Carnaval, procuraram cristianiza-lo, no sentido de depura-lo das pr\u00e1ticas supersticiosas e mitol\u00f3gico. Aos poucos as festas pag\u00e3s foram sendo substitu\u00eddas por solenidade do Cristianismo (Natal, Epifania do Senhor ou a Purifica\u00e7\u00e3o de Maria, dita \u201cfesta da Candel\u00e1ria\u201d, em vez dos mitos pag\u00e3os celebrados a 25 de dezembro, 6 de janeiro ou 2 de fevereiro). Por fim, as autoridades da Igreja parecem ter conseguido restringir a celebra\u00e7\u00e3o oficial do Carnaval aos tr\u00eas dias que precedem a quarta-feira de cinzas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Portanto, a Igreja n\u00e3o instituiu o Carnaval; teve, por\u00e9m, de o reconhecer como fen\u00f4meno existente, e procurou subordina-lo aos princ\u00edpios do Evangelho. A Igreja procurou tamb\u00e9m incentivar os Retiros espirituais e a adora\u00e7\u00e3o das Quarenta Horas nos dias anteriores \u00e0 quarta-feira de cinzas. Sobretudo a Igreja fortaleceu a Quaresma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>A Quaresma<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">&#8220;Quaresma&#8221; prov\u00e9m do latim &#8220;Quadragesima&#8221; e significa &#8220;quarenta dias&#8221;; \u00e9 o per\u00edodo de prepara\u00e7\u00e3o para a P\u00e1scoa do Senhor, cuja dura\u00e7\u00e3o \u00e9 de 40 dias. Inicia-se na Quarta-Feira de Cinzas e se estende agora at\u00e9 a Quinta Feira Santa. \u00c9 um tempo de \u201cpenit\u00eancia, jejum e ora\u00e7\u00e3o\u201d, que a Igreja chama de \u201crem\u00e9dios contra o pecado\u201d, para a busca da convers\u00e3o da pessoa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A Quaresma foi inspirada no per\u00edodo de tenta\u00e7\u00e3o de Cristo no deserto, bem como os exemplos de No\u00e9, em 40 dias na Arca, e Mois\u00e9s, vagando por 40 anos no deserto do Sinai.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong><a href=\"http:\/\/feedburner.google.com\/fb\/a\/mailverify?uri=ProfFelipeAquino\">Cadastre-se gr\u00e1tis e receba os meus artigos no seu e-mail<\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">No in\u00edcio da Quaresma, na Quarta-Feira de Cinzas, os fi\u00e9is t\u00eam suas frontes marcadas com cinzas, como os primitivos penitentes p\u00fablicos, exclu\u00eddos temporariamente da assembl\u00e9ia (lembrando Ad\u00e3o expulso do Para\u00edso, de onde vem a f\u00f3rmula lit\u00fargica: &#8220;Lembra-te de que \u00e9s p\u00f3&#8230;&#8221;).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Esse tempo de penit\u00eancia \u00e9 recordado pela liturgia: as vestes e os paramentos usados s\u00e3o da cor roxa (no quarto domingo da Quaresma, pode-se usar o rosa, representando a alegria pela proximidade do t\u00e9rmino da tristeza, pela P\u00e1scoa); o Gl\u00f3ria n\u00e3o \u00e9 cantado ou rezado; a aclama\u00e7\u00e3o do &#8220;Aleluia&#8221; tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 feita; n\u00e3o se enfeitam os templos com flores; o uso de instrumentos musicais torna-se moderado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00c9 um tempo tamb\u00e9m favor\u00e1vel para os exerc\u00edcios espirituais, as liturgias penitenciais, as peregrina\u00e7\u00f5es penitenciais. O mesmo pode-se aplicar a todas as sextas-feiras do ano, tidas como dias penitenciais como prescreve o c\u00e2n. 1250 do C\u00f3digo de Direito Can\u00f4nico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O historiador S\u00f3crates informa que j\u00e1 no s\u00e9c. V, a Quaresma durava seis semanas em Roma, sendo tr\u00eas semanas dedicadas ao jejum: a primeira, a quarta e a sexta. J\u00e1 no s\u00e9culo IV a \u201cPeregrina\u00e7\u00e3o de Et\u00e9ria\u201d fala de um jejum de oito semanas praticado pela comunidade de Jerusal\u00e9m, exclu\u00eddos os s\u00e1bados e domingos; o que totaliza os 40 dias de jejum. No tempo de S\u00e3o Greg\u00f3rio Magno (590-604), Roma observava os 40 dias da Quaresma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><a title=\"Conheca tamb\u00e9m o livro: Para entender e celebrar a liturgia\" href=\"http:\/\/goo.gl\/HAuIu\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-13644\" alt=\"\" src=\"http:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/files\/2013\/02\/cpa_para_entender_e_celebra.jpg\" width=\"147\" height=\"222\" \/><\/a><\/p>\n<p><strong>O C\u00f3digo de Direito Can\u00f4nico afirma que:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">C\u00e2n.1250 \u2013 \u201cOs dias e tempos penitenciais, em toda a Igreja, s\u00e3o todas as sextas-feiras do ano e o tempo da Quaresma\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">C\u00e2n.1251 \u2013 \u201cObserve-se a abstin\u00eancia de carne ou de outro alimento, segundo as prescri\u00e7\u00f5es da Confer\u00eancia dos Bispos, em todas as sextas-feiras do ano, a n\u00e3o ser que coincidam com algum dia enumerado entre as solenidades; observem-se a abstin\u00eancia e o jejum na Quarta-Feira de Cinzas e na Sexta-Feira da Paix\u00e3o e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">C\u00e2n.1252 \u2013 \u201cEst\u00e3o obrigados \u00e0 lei da abstin\u00eancia aqueles que tiverem completado catorze anos de idade; est\u00e3o obrigados \u00e0 lei do jejum todos os maiores de idade at\u00e9 os sessenta anos come\u00e7ados. Todavia, os pastores de almas e os pais cuidem que sejam formados para o genu\u00edno sentido da penit\u00eancia tamb\u00e9m os que n\u00e3o est\u00e3o obrigados \u00e0 lei do jejum e da abstin\u00eancia, em raz\u00e3o da pouca idade\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Para o Brasil a CNBB determinou que, exceto na Sexta-Feira Santa, todas as outras sextas-feiras, inclusive as da Quaresma, t\u00eam sua abstin\u00eancia convertida em &#8220;outras formas de penit\u00eancia, principalmente em obras de caridade e exerc\u00edcios de piedade&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Prof. Felipe Aquino<\/strong><\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Tudo me \u00e9 permitido, mas nem tudo conv\u00e9m. 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