{"id":95,"date":"2007-02-15T15:31:04","date_gmt":"2007-02-15T12:31:04","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/2007\/02\/15\/%e2%80%9cqual-a-origem-do-carnaval-e-qual-a-atitude-da-igreja-diante-dele%e2%80%9d\/"},"modified":"2007-02-15T15:31:04","modified_gmt":"2007-02-15T12:31:04","slug":"%e2%80%9cqual-a-origem-do-carnaval-e-qual-a-atitude-da-igreja-diante-dele%e2%80%9d","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/2007\/02\/15\/%e2%80%9cqual-a-origem-do-carnaval-e-qual-a-atitude-da-igreja-diante-dele%e2%80%9d\/","title":{"rendered":"\u201cQual a origem do Carnaval e qual a atitude da Igreja diante dele?\u201d"},"content":{"rendered":"<p><strong><span><\/span><span>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/span><\/strong><strong><span>\u00a0<\/p>\n<p><\/span><\/strong><span>Da Revista: \u201cPERGUNTE E RESPONDEREMOS\u201d<\/span><span>D. Estev\u00e3o Bettencourt, osb.<\/span><span>N\u00ba 5, Ano 1958, P\u00e1gina 213.<\/span><strong><span>\u00a0<\/p>\n<p><\/span><\/strong><strong><span>\u00a0<\/p>\n<p><\/span><\/strong><strong><span><\/span><span>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/span>I. Origem: <\/strong><span><\/span><span>\u00a0<\/span>antes do mais, diga-se algo sobre a etimologia<span>\u00a0 <\/span>de \u201cCarnaval\u201d.<span>\u00a0<\/p>\n<p><\/span><span>Comumente os autores explicam este nome a partir dos termos do latim tardio \u201ccarne vale\u201d, isto \u00e9, \u201cadeus carne\u201d ou \u201cdespedida da carne\u201d; esta deriva\u00e7\u00e3o indicaria que no Carnaval o consumo de carne era considerado l\u00edcito pela \u00faltima vez antes dos dias de jejum quaresmal. &#8211; Outros estudiosos recorrem \u00e0 express\u00e3o \u201ccarnem levare\u201d, suspender ou retirar a carne: o Papa S\u00e3o Greg\u00f3rio Magno teria dado ao \u00faltimo domingo antes da Quaresma, ou seja, ao domingo da Q\u00fcinquag\u00e9sima, o t\u00edtulo de \u201cdominica ad carnes levandas\u201d; a express\u00e3o haveria sido sucessivamente, carneval ou carnaval\u201d. &#8211; Um terceiro grupo de etimologistas apela para as origens pag\u00e3s do Carnaval: entre os gregos e romanos costumava-se exibir um pr\u00e9stito em forma de nave dedicada ao deus Dion\u00edsio ou Baco, pr\u00e9stito ao qual em latim se dava o nome de currus navalis: donde a forma Carnavale.<\/span><span>\u00a0<\/p>\n<p><\/span><span>Como se v\u00ea, n\u00e3o \u00e9 muito clara a proced\u00eancia do nome.<\/span><span>\u00a0<\/p>\n<p><\/span><span>Quanto \u00e0 realidade por este designada deve-se dizer o seguinte:<\/span><span>\u00a0<\/p>\n<p><\/span><span>As mais antigas not\u00edcias de pompas semelhantes \u00e0s que hoje chamamos \u201cCarnaval\u201d datam, como se cr\u00ea, do s\u00e9c. VI antes de Cristo, na Gr\u00e9cia: as pinturas de certos vasos gregos apresentam figuras mascaradas a desfilar em prociss\u00e3o ao som de m\u00fasica as pompas do culto do deus Dion\u00edsio, com suas fantasias e alegorias, s\u00e3o certamente anteriores \u00e0 era crist\u00e3. Entre os gregos, an\u00e1logas festividades eram ocasionadas pela entrada de novo ano civil (m\u00eas de janeiro) ou pela aproxima\u00e7\u00e3o da primavera e a conseq\u00fcente despedida do inverno. Elementos da religiosidade pag\u00e3 e da mitologia costumavam inspirar essas celebra\u00e7\u00f5es; em geral os povos n\u00e3o-crist\u00e3os intencionavam, com seus ritos exuberantes, expiar as faltas cometidas no inverno ou no ano anterior e pedir aos seres superiores a fecundidade da terra e a prosperidade para a primavera e o novo ano. Disto d\u00e3o testemunho os costumes vigentes ocasi\u00e3o de tais solenidades: para exprimir a expia\u00e7\u00e3o e o cancelamento das culpas passadas, por exemplo, encenava-se a morte de um fantoche ou boneco que, depois de \u201chaver feito seu testamento\u201d e ap\u00f3s uma par\u00f3dia de transporte f\u00fanebre, era queimado ou lan\u00e7ado \u00e0 \u00e1gua ou de qualquer modo destru\u00eddo (rito celebrado geralmente no dia 1\u00ba de janeiro) Em algumas regi\u00f5es procedia-se \u00e0 confiss\u00e3o p\u00fablica dos v\u00edcios: matava-se um peru, o qual, antes de morrer, proclamava pela boca de um dos cidad\u00e3os os malef\u00edcios da gente do pa\u00eds. A den\u00fancia das culpas tomava n\u00e3o raro um car\u00e1ter pilh\u00e9rico e teatral: era, por exemplo, o c\u00f4mico Arlequim que, antes de ser entregue \u00e0 morte confessava os seus pecados e os alheios. Apesar das inten\u00e7\u00f5es s\u00e9rias que inspiraram inicialmente tais manifesta\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, compreende-se que elas tenham mais e mais dado lugar \u00e0 licenciosidade e a deplor\u00e1veis abusos, fomentados elo uso de m\u00e1scaras, trajes aleg\u00f3ricos, pela exibi\u00e7\u00e3o de pr\u00e9stitos, pe\u00e7as de teatro, etc. Em tese, as dan\u00e7as e o tripudiar caracter\u00edstico dessas festas deviam servir de exorta\u00e7\u00e3o ao povo para que cheio de alegria iniciasse a nova esta\u00e7\u00e3o do ano. As religi\u00f5es ditas \u201cde mist\u00e9rios\u201d provenientes do Oriente e muito difusas no Imp\u00e9rio Romano, concorreram n\u00e3o pouco, pelo fato de seguirem rituais exuberantes, para o incremento das festividades carnavalescas. Estas, em conseq\u00fc\u00eancia, tomaram o nome de \u201cpompas bacanais\u201d ou \u201csaturnais\u201d ou \u201clupercais\u201d. As demonstra\u00e7\u00f5es de alegria por\u00e9m, tornando-se subversivas da ordem p\u00fablica, o Senado Romano, no s\u00e9c. II a.C. resolveu combater os bacanais; os adeptos destes passaram a ser acusado de graves ofensas contra a moralidade e contra o Estado.<\/span><span>\u00a0<\/p>\n<p><\/span><span>Dado o motivo de tais festividades populares, entende-se que a data de sua celebra\u00e7\u00e3o tenha sido v\u00e1ria: podia ser o dia 25 de dezembro (dia em que os pag\u00e3os celebravam Mitra ou o Sol Invicto) ou o dia 1\u00ba de janeiro (come\u00e7o do novo ano), ou 6 ou 17 de janeiro ou 2 de fevereiro (datas religiosas pag\u00e3s) ou algum termo pouco posterior.<\/span><span>\u00a0<\/p>\n<p><\/span><span>II. <strong>Atitude da Igreja: <\/strong>quando o Cristianismo se difundiu, j\u00e1 encontrou tais orgias no uso dos povos. Por princ\u00edpio, o Evangelho n\u00e3o \u00e9 contr\u00e1rio \u00e0s demonstra\u00e7\u00f5es de j\u00fabilo, contanto que n\u00e3o degenerem em celebra\u00e7\u00f5es libertinas e pecaminosas. Por isto, os mission\u00e1rios n\u00e3o se opuseram formalmente \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o do Carnaval, mas procuraram dar-lhe car\u00e1ter novo, depurando-o de pr\u00e1ticas que tinham sabor nitidamente supersticioso ou mitol\u00f3gico e enquadrando-o dentro da ideologia crist\u00e3; assim, como motivo de alegria p\u00fablica, os pastores de almas indicavam por vezes algum mist\u00e9rio ou alguma solenidade do Cristianismo (o Natal, por exemplo, ou a Epifania do Senhor ou a Purifica\u00e7\u00e3o de Maria, dita \u201cfesta da Candel\u00e1ria\u201d, em vez dos mitos pag\u00e3os celebrados a 25 de dezembro 6 de janeiro u 2 de fevereiro). Por fim, as autoridades eclesi\u00e1sticas conseguiram restringir a celebra\u00e7\u00e3o oficial do Carnaval aos tr\u00eas dias que precedem a quarta-feira de cinzas (em nossos tempos alguns p\u00e1rocos bem intencionados promovem, dentro das normas crist\u00e3s, folguedos p\u00fablicos nesse tr\u00edduo, a fim de evitar sejam os fi\u00e9is seduzidos por divertimento pouco dignos).<\/span><span>\u00a0<\/p>\n<p><\/span><span>Como se v\u00ea, a Igreja n\u00e3o instituiu o Carnaval; teve, por\u00e9m, de o reconhecer como fen\u00f4meno vigente no mundo em que ela se implantou. Sendo em si suscet\u00edvel de interpreta\u00e7\u00e3o crist\u00e3, ela o procurou subordinar aos princ\u00edpios do Evangelho; era inevit\u00e1vel, por\u00e9m, que os povos n\u00e3o sempre observassem o limite entre o que o Carnaval pode ter de crist\u00e3o e o que tem de pag\u00e3o. Est\u00e1 claro que s\u00e3o contr\u00e1rios \u00e0s inten\u00e7\u00f5es da Igreja<\/span><span>\u00a0 <\/span>os desmandos assim verificados Em repara\u00e7\u00e3o dos mesmos, foram institu\u00eddas a adora\u00e7\u00e3o das Quarenta Horas e as pr\u00e1ticas de Retiros Espirituais nos dias anteriores \u00e0 quarta-feira de cinzas.<span><\/span><span>\u00a0<\/span><\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Da Revista: \u201cPERGUNTE E RESPONDEREMOS\u201dD. Estev\u00e3o Bettencourt, osb.N\u00ba 5, Ano 1958, P\u00e1gina 213.\u00a0 \u00a0 \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 I. 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