{"id":1936,"date":"2017-05-12T14:14:50","date_gmt":"2017-05-12T17:14:50","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.cancaonova.com\/folhaseca\/?p=1936"},"modified":"2017-05-12T14:14:50","modified_gmt":"2017-05-12T17:14:50","slug":"um-caminho-e-dois-presentes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/folhaseca\/2017\/05\/12\/um-caminho-e-dois-presentes\/","title":{"rendered":"UM CAMINHO E DOIS PRESENTES"},"content":{"rendered":"<p><sub>Minha primeira inf\u00e2ncia foi marcada por visitas constantes \u00e0 Barra do Jacar\u00e9, em S\u00e3o Jo\u00e3o da Barra-RJ. Ali havia um lugarejo chamado Pipeiras, onde minha av\u00f3 paterna vivia com seu segundo marido. Eul\u00e1lia, carinhosamente chamada por todos de Lalita e In\u00e1cio, tinham um adolescente em casa chamado Joel. \u00a0<\/sub><sub>Joel era parente do v\u00f4 In\u00e1cio e viva como um<a href=\"http:\/\/blog.cancaonova.com\/folhaseca\/files\/2017\/05\/WhatsApp-Image-2017-05-12-at-14.10.41.jpeg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-1937\" src=\"http:\/\/blog.cancaonova.com\/folhaseca\/files\/2017\/05\/WhatsApp-Image-2017-05-12-at-14.10.41-268x300.jpeg\" alt=\"\" width=\"268\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/blog.cancaonova.com\/folhaseca\/files\/2017\/05\/WhatsApp-Image-2017-05-12-at-14.10.41-268x300.jpeg 268w, https:\/\/blog.cancaonova.com\/folhaseca\/files\/2017\/05\/WhatsApp-Image-2017-05-12-at-14.10.41.jpeg 279w\" sizes=\"(max-width: 268px) 100vw, 268px\" \/><\/a> filho, tanto de minha av\u00f3 como de meu av\u00f4 &#8220;posti\u00e7o&#8221;. Joel era um grande amigo de minha inf\u00e2ncia. Ele n\u00e3o conseguia se expressar muito bem. Ele as vezes n\u00e3o conseguia segurar a saliva que acabava escorrendo pela boca. Mas ele era muito atencioso com minha av\u00f3 e muito obediente ao meu av\u00f4. \u00a0\u00a0<\/sub><sub>Dona Lalita contava com ele pra cuidar das galinhas, pegar \u00e1gua na cacimba e at\u00e9 mesmo acender o fog\u00e3o a lenha. E eu sabia que ao chegar na ro\u00e7a com meu pai, minha m\u00e3e e minha irm\u00e3, teria um fim de semana repleto de brincadeiras diferentes. Joel era t\u00e3o criativo que usava fibra da bananeira para fazer cordinhas que ajudavam a puxar meu caminh\u00e3ozinho. Isso sem falar que ele pegava uma daquelas folhas verdinhas do bananal e fazia dela seu pr\u00f3prio brinquedo. \u00a0<\/sub><sub>Era muito legal saber que toda vez que \u00edamos l\u00e1, encontrar\u00edamos o Joel pra brincar, subir no cajueiro e no ingazeiro pra comer fruta fresquinha. \u00a0<\/sub><sub>Os anos passaram e na minha adolesc\u00eancia, Joel, dona Lalita e \u201cSeo\u201d In\u00e1cio vieram morar na cidade. Minha vovozinha e o v\u00f4 In\u00e1cio estavam bem idosos e o fiel escudeiro, Joel, continuava firme ali. Teve que trocar a terra preta da chacrinha, pelo cimento cinza do quintal da nova moradia. Mas superou as adapta\u00e7\u00f5es at\u00e9 que seus pais de cria\u00e7\u00e3o morreram e ele teve que ir morar com outros parentes. Nunca mais tive not\u00edcias do meu amigo de inf\u00e2ncia.\u00a0<\/sub><sub>Hoje na feirinha da ro\u00e7a que costumo ir em Cachoeira Paulista-SP, fui ao encontro de um idoso cadeirante, que toda sexta-feira est\u00e1 l\u00e1 a pedir uma ajuda. Isso foi depois de passar por ele no exato momento em que dizia que estava com fome. Parei meu carrinho e entrei naquele mundo que todo dia de feira se abria a minha frente e eu sempre me esquivava. \u00a0<\/sub><sub>Dei uma fruta pra amenizar a fome dele e o pouco dinheiro que tinha. Seu olhar foi t\u00e3o profundo e agradecido que n\u00e3o me contive. A minha vida parou por alguns minutos e finalmente entrei naquele mundo t\u00e3o sofrido e cheio de dificuldades. O nome daquela criatura? Joel!!. &#8220;Meu filho, muito obrigado por me ouvir. Estou sem g\u00e1s em casa desde ontem e sou eu que sustento minha casa, onde moram eu e minha filha.&#8221; \u00a0<\/sub><sub>Esse Joel tinha marcas da vida no rosto. Dores do desprezo nos olhos esverdeados. For\u00e7a nas m\u00e3os calejadas e cansadas de fazer as rodas da cadeira girar. Eram como garras de \u00e1guia a segurar sua presa. Ali entendi que no fundo, no fundo, aquela for\u00e7a era de agonia, de algu\u00e9m quem quase nunca tem um outro pra se segurar. \u00a0<\/sub><sub>Assim como o Joel de minha inf\u00e2ncia, o Joel cadeirante transmitia uma certeza no semblante e que poucos conseguem enxergar. A certeza de que mesmo sendo visto como algu\u00e9m desconectado da realidade que a sociedade exige, ele n\u00e3o perdia a conex\u00e3o com as coisas do alto.\u00a0<\/sub><sub>Depois desse encontro, j\u00e1 com os olhos molhados e voltando pro carro, percebi uma grandeza do Senhor em minha vida. Percebi que tanto o Joel da ro\u00e7a, como o Joel da feira da ro\u00e7a, foram visitas do Senhor em minha vida. Entendi que pessoas assim, Deus coloca nos caminhos de nossas vidas, para serem sinais de alerta, como grandes far\u00f3is amarelos a dizer: &#8220;PARE E APROVEITE, PORQUE CRISTO QUER TE VISITAR NO PR\u00d3XIMO!&#8221;.<\/sub><\/p>\n<p>Deus aben\u00e7oe!<\/p>\n<p><span style=\"color: #800000\"><em><strong>Wallace Andrade<\/strong><\/em><\/span><br \/>\n<span style=\"color: #800000\"><em><strong>Comunidade Can\u00e7\u00e3o Nova<\/strong><\/em><\/span><br \/>\n<span style=\"color: #800000\"><em><strong>@Wallace.Andrade9<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Minha primeira inf\u00e2ncia foi marcada por visitas constantes \u00e0 Barra do Jacar\u00e9, em S\u00e3o Jo\u00e3o da Barra-RJ. Ali havia um lugarejo chamado Pipeiras, onde minha av\u00f3 paterna vivia com seu segundo marido. 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