Cheia de Graça

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Cheia de Graça

Segundo Raniero Cantalamessa, Maria é a proclamação viva e concreta de que a graça é a realidade primordial no relacionamento entre Deus e as criaturas.

Segundo ele, a graça é o espaço, é o lugar onde a criatura pode encontrar o seu Criador.Cheia de Graça

Maria é a cheia de Graça, mas na Sagrada Escritura também Deus é apresentado como cheio de graça (cf. Ex 34, 6). Ele esclarece que Deus é cheio de graça num sentido ativo, como aquele que preenche de graça; Maria, segundo sua análise – e junto com ela qualquer outra criatura – é cheia de graça num sentido passivo, como aquela que é preenchida de graça. Entre ambos está Cristo, o Mediador que é “cheio de graça” (Jo 1, 14) nos dois sentidos: no sentido ativo e no sentido passivo. Como Deus e chefe da Igreja, ele doa a graça, como homem, é preenchido de graça pelo Pai e até mesmo “cresce em graça” (cf. Lc 2, 52).

Quando o anjo cumprimenta Maria, afirma Cantalamessa, ele não a chama pelo nome, mas chama-a simplesmente “cheia de Graça” ou “cumulada de graça” (κεχαριτωμένη-kecharitomene). Não diz: “Alegra-te Maria”, mas diz: “Alegra-te, ó cheia de graça”. Na graça encontra-se a identidade mais profunda de Maria. Maria é aquela que é “cara” a Deus. Segundo Cantalamessa, tanto “caro” quanto “caridade” provém da mesma raiz da palavra (χαρις-charis), que significa graça. Maria é cara a Deus, é amada por Ele, é totalmente agraciada.

A graça em Maria é superior à graça em nós, mas em que sentido?

Em Maria, Deus esteve não somente pelo poder e pela providência, mas também pela presença pessoal. Deus doou a Maria não só o seu favor, mas deu-se totalmente no próprio Filho. O Senhor está contigo! Em Maria esta frase tem um significado diferente do que em qualquer outro caso. Que eleição poderia ter uma finalidade mais sublime que a de Maria, que dizia respeito a encarnação do próprio Deus? Qual foi a outra criatura que gerou Deus em seu próprio ventre?

Na realidade, afirma Cantalamessa, a graça em Maria é uma graça incontaminada. A Igreja latina expressa isso, com o título de “Imaculada” e a ortodoxa com o título de “Toda Santa” (παναγία-panaghia). O primeiro realça mais o elemento negativo da graça de Maria, que é ausência de qualquer pecado, também do original; o outro realça mais o elemento positivo, a presença nela de todas as virtudes e de todo o esplendor que disso promana.

Tota Pulchra es, Maria!

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Referência

CANTALAMESSA, Raniero. Maria um espelho para a Igreja. 2ª ed. Aparecida: Santuário, 2012, p. 12-17.

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