Corpus Christi

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A Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue do Senhor

São João Paulo II em sua Carta Encíclica Ecclesia de Eucharistia, escrita em 2003, afirma que “a devota participação dos fiéis na procissão eucarística da solenidade do Corpo e Sangue de Cristo é uma graça do Senhor que anualmente enche de alegria quantos nela participam (n. 10)”.Corpus Christi

Neste mesmo número da Ecclesia de Eucharistia ele afirma que nos lugares em que há amplo espaço para adoração do Santíssimo Sacramento, este mesmo é fonte inesgotável de santidade. Mas, ainda assim, ciente dos abusos que se é possível verificar no âmbito eclesial, neste mesmo número ele faz uma afirmação enfática de uma realidade que lhe causava tristeza, dizendo:

A par destas luzes, não faltam sombras, infelizmente. De fato, há lugares onde se verifica um abandono quase completo do culto de adoração eucarística. Num contexto eclesial ou outro, existem abusos que contribuem para obscurecer a reta fé e a doutrina católica acerca deste admirável sacramento. Às vezes transparece uma compreensão muito redutiva do mistério eucarístico. Despojado do seu valor sacrificial, é vivido como se em nada ultrapassasse o sentido e o valor de um encontro fraterno ao redor da mesa. Além disso, a necessidade do sacerdócio ministerial, que assenta na sucessão apostólica, fica às vezes obscurecida, e a sacramentalidade da Eucaristia é reduzida à simples eficácia do anúncio.

Afirma ainda que “O culto prestado à Eucaristia fora da Missa é de um valor inestimável na vida da Igreja, e está ligado intimamente com a celebração do sacrifício eucarístico. A presença de Cristo nas hóstias consagradas que se conservam após a Missa – presença essa que perdura enquanto subsistirem as espécies do pão do vinho (n. 25)”.

Também o hoje Papa emérito Bento XVI falou sobre a necessidade da adoração ao Santíssimo Sacramento na Exortação Apostólica pós-sinodal Sacramentum Caritatis. No número 66 ele afirmou o seguinte:

Um dos momentos mais intensos do Sínodo vivemo-lo quando fomos à Basílica de São Pedro, juntamente com muitos fiéis, fazer adoração eucarística. Com aquele momento de oração, quis a assembleia dos bispos não se limitar às palavras na sua chamada de atenção para a importância da relação intrínseca entre a celebração eucarística e a adoração. Neste significativo aspecto da fé da Igreja, encontra-se um dos elementos decisivos do caminho eclesial que se realizou após a renovação litúrgica querida pelo Concílio Vaticano II. Quando a reforma dava os primeiros passos, aconteceu às vezes não se perceber com suficiente clareza a relação intrínseca entre a Santa Missa e a adoração do Santíssimo Sacramento; uma objeção então em voga, por exemplo, partia da ideia que o pão eucarístico nos fora dado não para ser contemplado, mas comido. Ora, tal contraposição, vista à luz da experiência de oração da Igreja, aparece realmente destituída de qualquer fundamento; já Santo Agostinho dissera: « Nemo autem illam carnem manducat, nisi prius adoraverit; (…) peccemus non adorando – ninguém come esta carne, sem antes a adorar; (…) pecaríamos se não a adorássemos ».(Enarrationes in Psalmos 98, 9: CCL 39, 1835). De fato, na Eucaristia, o Filho de Deus vem ao nosso encontro e deseja unir-Se conosco; a adoração eucarística é apenas o prolongamento visível da celebração eucarística, a qual, em si mesma, é o maior ato de adoração da Igreja: receber a Eucaristia significa colocar-se em atitude de adoração d’Aquele que comungamos. Precisamente assim, e apenas assim, é que nos tornamos um só com Ele e, de algum modo, saboreamos antecipadamente a beleza da liturgia celeste. O ato de adoração fora da Santa Missa prolonga e intensifica aquilo que se fez na própria celebração litúrgica. Com efeito, ‘somente na adoração pode maturar um acolhimento profundo e verdadeiro. Precisamente neste ato pessoal de encontro com o Senhor amadurece depois também a missão social, que está encerrada na Eucaristia e deseja romper as barreiras não apenas entre o Senhor e nós mesmos, mas também, e sobretudo, as barreiras que nos separam uns dos outros’.

Hoje é a Solenidade de Corpus Christi, a Igreja possui um Canto preciosíssimo para expressar o Mistério da Encarnação e a realidade da Transubstanciação do Pão e do Vinho no Corpo e Sangue de nosso Senhor Jesus Cristo. Pange Língua é um hino composto por Santo Tomás de Aquino (1225-1274) para a Solenidade de Corpus Christi. Pange língua é um termo em latim que na língua portuguesa significa Canta ó língua. A parte mais conhecida deste hino se encontra nas duas últimas estrofes, o Tantum Ergo, que comumente chamamos Tão Sublime.

Segue abaixo, após o vídeo, o texto em português utilizado na Liturgia das Horas. Por questões de métrica, o texto não é uma tradução exata, mas foi feito de forma que a ideia se aproxime do original.

Vamos todos louvar juntos / o mistério do amor,
pois o preço deste mundo / foi o sangue redentor,
recebido de Maria, / que nos deu o Salvador.
Veio ao mundo por Maria, / foi por nós que ele nasceu.
Ensinou sua doutrina, / com os homens conviveu.
No final de sua vida, / um presente ele nos deu.
Observando a Lei mosaica, / se reuniu com os irmãos.
Era noite. Despedida. / Numa ceia, refeição.
Deu-se aos doze em alimento, / pelas suas próprias mãos.
A Palavra do Deus vivo / transformou o vinho e o pão
no seu sangue e no seu corpo / para a nossa salvação.
O milagre nós não vemos, / basta a fé no coração.
Tão sublime sacramento / adoremos neste altar,
 pois o Antigo Testamento / deu ao Novo seu lugar.
Venha a fé por suplemento / os sentidos completar.
Ao Eterno Pai cantemos / e a Jesus, o Salvador.
Ao Espírito exaltemos, / na Trindade, eterno amor.
Ao Deus Uno e Trino demos / a alegria do louvor./ Amém.
Veja agora o Pange Lingua em Latim e logo abaixo a letra com uma tradução mais literal.

Pange, lingua,

gloriosi Corporis mysterium, Sanguinisque pretiosi, quem in mundi pretium fructus ventris generosi Rex effudit Gentium. Nobis datus, nobis natus ex intacta Virgine, et in mundo conversatus, sparso verbi semine, sui moras incolatus miro clausit ordine. In supremae nocte coenae recumbens cum fratribus observata lege plene cibis in legalibus, cibum turbae duodenae se dat suis manibus. Verbum caro, panem verum verbo carnem efficit: fitque sanguis Christi merum, et si sensus deficit, ad firmandum cor sincerum sola fides sufficit. Tantum ergo Sacramentum veneremur cernui: et antiquum documentum novo cedat ritui: praestet fides supplementum sensuum defectui. Genitori, Genitoque laus et jubilatio, salus, honor, virtus quoque sit et benedictio: Procedenti ab utroque compar sit laudatio. Amen

Canta, língua,

o mistério do corpo glorioso, e do sangue precioso, que, em resgate do mundo.O Rei das Gentes derramou do fruto do ventre generoso. Dado a nós, nascido para nós da Virgem casta, e Habitado no mundo, semente espalhada do verbo, o seu começo fechou de maneira admirável as demoras.
Na noite da ceia suprema, reclinando-se com os Irmãos, observada plenamente a lei quanto aos alimentos permitidos, dá-se com suas mãos como alimento à multidão dos doze. A carne faz o verbo, faz o pão verdadeiro, faz a carne, pelo verbo, pão verdadeiro; e o sangue de Cristo se faz vinho puro, e se a inteligência se eclipsar, somente a fé será suficiente para fortalecer o coração sincero. Portanto, a tamanho Sacramento veneremos inclinados: E que o documento antigo ceda ao novo rito: que a fé Preste ajuda ao que falta aos sentidos. Ao Pai, e ao Filho haja louvor e júbilo, salvação, Honra, força e também bênção: seja igual o louvor ao que procede de ambos. Amém.

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