Revelação, o mostrar-se de Deus aos homens

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A teologia é o discurso sobre o discurso que é Deus; só posso discutir sobre o discurso quando o discurso se revela a mim[1]. Com essa premissa, a princípio redundante somos introduzidos num tema fundamental da teologia, a REVELAÇÃO.

Revelação, o mostrar-se de Deus aos homens

Deus Se Revela a Moisés na Sarça Ardente

Etimologicamente a palavra revelação indica ação de tirar o véu. Trata-se do comunicar-se de Deus aos homens ou, em outras palavras, o termo revelação expressa o desejo de Deus de se comunicar aos homens. Tal Revelação se dá desde o mistério da criação até a paixão morte, ressurreição e o dom do Espírito Santo. A constituição dogmática Dei Verbum no artigo dois assim explicita a Revelação:

Aprouve a Deus. na sua bondade e sabedoria revelar-se a Si mesmo e dar a conhecer o mistério da sua vontade (cfr. Ef. 1,9), segundo o qual os homens, por meio de Cristo, Verbo encarnado, têm acesso ao Pai no Espírito Santo e se tornam participantes da natureza divina.

Em síntese vemos, conforme o documento conciliar, que o objeto e o conteúdo da revelação é o próprio Deus que revela a Si mesmo e o mistério de sua vontade. Neste contexto vale ainda lembrar o que diz outro Documento Magisterial:

É à luz da revelação feita pelo Verbo Divino que se esclarece definitivamente o enigma da condição humana[2].

Assim, temos uma dupla dimensão da revelação que caracteriza-se como verdade profunda a respeito de Deus e do Homem, ou seja: dimensão teológica (Deus que revela a Si mesmo e sua vontade) e dimensão antropológica (Deus, que ao se revelar, revela o homem ao próprio homem).

Revelação, o mostrar-se de Deus aos homens

A Encarnação do Verbo

Por fim vale ressaltar a dimensão analógica dos mistérios elucidando que o mistério da revelação é análogo com o da encarnação no sentido de ambos serem uma decisão Divina de se humilhar. Isso porque verificamos que a Palavra de Deus se humilha para elevar a palavra humana ao passo que o Verbo se humilha para divinizar o homem.

Enfim podemos constatar em ambos os mistérios o movimento descendente _de cima para baixo_ com a finalidade de elevar o que está embaixo. Tal realidade é enfatizada pelo papa João Paulo II que, citando a encíclica Divino Afflante Spiritu de Pio XII, afirma que como o Verbo substancial de Deus se fez semelhante aos homens em tudo, exceto o pecado, assim também a palavra de Deus, expressa em língua humana, se assemelhou em tudo à linguagem humana, excluso o erro[3].

Wilker Henrique
Seminarista, Comunidade Canção Nova
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Referências


[1] Conceitos trabalhados a partir das aulas do curso introdução à Sagrada Escritura ministrada pelo Prof. Pe. Luciano Zilli. Instituto de Teologia Bento XVI. Dias 08 a 12 de abril de 2013.

[2] Verbum Domini, n. 6.

[3] João Paulo II. Discurso por ocasião do centenário da encíclica “Providentissimus Deus” e cinquentenário da “Divino Afflante Spiritu”, n. 6. Sala  São Clemente 23 de abril de 1993.

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