Sacramentos, encontrar Deus e ser encontrado por Ele

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Quando falamos de encontro com Deus, os Sacramentos se tornam imprescindíveis justamente pelo fato de serem sinais acessíveis à nossa humanidade.

A partir do Tempo litúrgico especial que vivemos, o Tempo Pascal, gostaríamos de apresentar a forma mais sublime e eficaz que o Ressuscitado vem ao nosso encontro. Trata-se dos Sacramentos da Santa Igreja. Quando falo dos Sacramentos como a forma mais sublime e eficaz de encontro com Deus fundamento-me na própria natureza do que é um Sacramento segundo o Catecismo da Igreja Católica no parágrafo 1084, que diz:

Os Sacramentos são sinais sensíveis (palavras e ações), acessíveis à nossa humanidade atual. Realizam eficazmente a graça que significam em virtude da ação de Cristo e pelo poder do Espírito Santo.

Nos textos Bíblicos que narram a Ressurreição é notória a característica do encontro: Cristo Ressuscitado é aquele que se encontra Sacramentos, encontrar Deus e ser encontrado por Elecom as mulheres, é Aquele que marca encontro com os Apóstolos na Galiléia, é Aquele que faz do caminho triste de Emaús um encontro de Luz com a Escritura!

Assim, ressurreição é a festa do encontro! Mas tal festa do encontro não vai acontecer em nossa vida se o nosso coração efetiva e afetivamente não se abrir e se deixar encontrar por Cristo que quer encontrar-se conosco, e isso de forma especial pelos Sacramentos da Igreja!

Uma vez enfatizada a beleza da dimensão do encontro que a ressurreição expressa, cabe-nos delinear melhor como os Sacramentos nos propiciam tal encontro com o Mistério do Cristo e com o próprio Cristo. Primeiramente me remeto à belíssima realidade de que os Sacramentos nos levam ao encontro com Cristo porque eles têm o poder de nos contemporaneizar a Cristo, ou seja, pela participação nos Sacramentos algum ponto do mistério de Cristo é atualizado de forma que me torno contemporâneo ao Senhor. Tal realidade é elucidada pelo papa João Paulo II na sua encíclica Ecclesia de Eucharistia, n. 5, onde discursando sobre o Sacramento da Eucaristia, ele afirma:

Com ele, (o Sacramento da Eucaristia), Cristo instituía uma misteriosa ‘contemporaneidade’ entre aquele Triduum Paschale, e o arco inteiro dos séculos.

Ainda nessa dimensão podemos afirmar que o Sacramento nos leva ao encontro com Deus trazendo Deus para nosso tempo e elevando o homem à eternidade de Deus. Podemos usar para os efeitos de encontro dos Sacramentos as palavras que o Papa Francisco usou para definir Jesus Ressucitado:

Jesus já não está no passado, mas vive no presente e lança-Se para o futuro: é o ‘hoje’ eterno de Deus. [1]

Se pensarmos com categorias meramente humanas, falar de contemporaneidade com Jesus Cristo e, em certo sentido, elevação doSacramentos, encontrar Deus e ser encontrado por Ele homem para além do tempo, parece loucura. Porém, tal dimensão dos Sacramentos é real porque tudo o que Cristo é, tudo o que fez e sofreu por todos os homens, participa da eternidade divina, e assim transcende todos os tempos e em todos se torna presente. [2]

Além de falar desse encontro atual que os Sacramentos nos propiciam com Cristo não poderia deixar de falar de outra realidade muito bela, que desde adolescente me encantou quando tive meu primeiro contato de leitura com o Catecismo da Igreja Católica. Trata-se da realidade de que os Sacramentos nos levam ao encontro com Cristo porque nos fazem participantes da própria vida d’Ele nos inserindo em seu corpo místico. Então, os Sacramentos não são somente o meu encontro com Deus, trata-se do próprio Cristo em mim, trata-se do meu ser no Ser de Cristo. Numa linguagem do grande Teólogo e Papa emérito Bento XVI, num escrito de quando ele ainda era Cardeal, poderíamos dizer que minha participação na vida de Cristo pelos Sacramentos se trata de uma mudança de sujeito onde o eu deixa de ser um sujeito autônomo. Ele é arrancado de si e introduzido em um novo sujeito maior… trata-se de uma unidade de sujeito… Trata-se de um processo sacramental (…) [3].  Para enfatizar a graça que os Sacramentos nos dão de participar dos Mistérios de Cristo cito o parágrafo 521 do Catecismo a que me referia a pouco:

“Tudo o que Cristo viveu, Ele próprio faz com que o possamos viver n’Ele e Ele vivê-lo em nós. ‘Pela sua Encarnação, o Filho de Deus uniu-Se, de certo modo, a cada homem’. Nós somos chamados a ser um só com Ele; Ele faz-nos comungar, enquanto membros do seu corpo, em tudo o que Ele próprio viveu na sua carne por nós, e como nosso modelo.”

Concluindo esse tema dos Sacramentos como a forma mais sublime de encontro com Deus desejo que todos nós participemos da Vida litúrgica da Igreja de forma mais viva para que por esses sinais acessíveis que são os Sacramentos caminhemos ao encontro do Deus que vem ao nosso tempo e faz-nos contemporâneos à sua vida e assim sejamos participantes de seu mistério.


Wilker Henrique
Seminarista, Comunidade Canção Nova
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Referências


[1] Papa Francisco. Homilia Vigília pascal, 30/03/2013.

[2] João Paulo II. Ecclesia de Eucharistia, n.11. p. 16.

[3] Ratiznger, Joseph Cardeal. Natureza e missão da teologia.  Petrópoles, Vozes, 2008, p.44.

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