Vocação, sinal de esperança

Comentários desativados em Vocação, sinal de esperança

O hoje Papa emérito Bento XVI dedicou uma Mensagem para o 50º dia Mundial de orações pelas vocações[1], desta mensagem, quero recolher as preciosidades escritas pelo Papa sobre a esperança na dimensão da vocação ao sacerdócio e à vida consagrada. Quero iniciar com o convite feito pelo próprio Papa, que disse o seguinte: “Desejo convidar-vos a refletir sobre o tema: As vocações, sinal da esperança fundada na fé.”Vocação, sinal de esperança

Em sua mensagem ele ressalta que “a esperança é expectativa de algo de positivo para o futuro, mas que deve ao mesmo tempo sustentar o nosso presente, marcado frequentemente por dissabores e insucessos”. Da História do povo de Israel no Antigo Testamento ele ressalta o valor que eles empregavam na “memória das promessas feitas por Deus, memória essa que requer a imitação do comportamento exemplar de Abraão”. Segundo ele, a “verdade consoladora e instrutiva que emerge de toda a história da salvação é a fidelidade de Deus à aliança, com a qual Se comprometeu e que renovou sempre que o homem a rompeu pela infidelidade, pelo pecado, desde o tempo do dilúvio (cf. Gn 8,21-22) até ao êxodo e ao caminho no deserto (cf. Dt 9,7), fidelidade de Deus que foi até ao ponto de selar a nova e eterna aliança com o homem por meio do sangue de seu Filho, morto e ressuscitado para a nossa salvação”.

Bento XVI deixa claro que “em todos os momentos, sobretudo nos mais difíceis, é sempre a fidelidade do Senhor, verdadeira força motriz da história da salvação, que faz vibrar os corações dos homens e mulheres e os confirma na esperança de chegar um dia à «Terra Prometida»”.

Ele ainda levanta o seguinte questionamento: Onde está fundada a nossa esperança? E responde: “o fundamento seguro de toda a esperança está aqui: Deus nunca nos deixa sozinhos e permanece fiel à palavra dada. Por este motivo, em toda a situação, seja ela feliz ou desfavorável, podemos manter uma esperança firme, rezando como o salmista: «Só em Deus descansa a minha alma, d’Ele vem a minha esperança» (Sl 62/61,6). Portanto ter esperança equivale a confiar no Deus fiel, que mantém as promessas da aliança”.

Ele ressalta ainda, que a fé e a esperança estão intimamente unidas:

A esperança é, de fato, uma palavra central da fé bíblica, a ponto de, em várias passagens, ser possível intercambiar os termos “fé” e “esperança”. Assim, a Carta aos Hebreus liga estreitamente a “plenitude da fé” (10,22) com a “imutável profissão da esperança” (10,23). De igual modo, quando a Primeira Carta de Pedro exorta os cristãos a estarem sempre prontos a responder a propósito do logos – o sentido e a razão – da sua esperança (3,15), “esperança” equivale a “fé”[2].

Para nossa reflexão ainda cabe centrar-se sobre a seguinte questão levantada por Bento XVI: em que consiste a fidelidade de Deus à qual podemos confiar-nos com firme esperança? Ele responde:

Consiste no seu amor. Ele, que é Pai, derrama o seu amor no mais íntimo de nós mesmos, através do Espírito Santo (cf.Rm 5,5). E é precisamente este amor, manifestado plenamente em Jesus Cristo, que interpela a nossa existência, pedindo a cada qual uma resposta a propósito do que quer fazer da sua vida e quanto está disposto a apostar para a realizar plenamente. Por vezes o amor de Deus segue percursos surpreendentes, mas sempre alcança a quantos se deixam encontrar. Assim a esperança nutre-se desta certeza: «Nós conhecemos o amor que Deus nos tem, pois cremos nele» (1 Jo 4,16). E este amor exigente e profundo, que vai além da superficialidade, infunde-nos coragem, dá-nos esperança no caminho da vida e no futuro, faz-nos ter confiança em nós mesmos, na história e nos outros.

Deus abençoe você

Seguir @edisoncn

Referência


[1] Cf. BENTO XVI. Mensagem do Santo Padre para o 50º dia de orações pelas vocações

[2] Cf. BENTO XVI. Carta Encíclica Spe salvi, n. 02.

Comments are closed.