O conhecimento dos Padre da Igreja é de suma importância  para a compreensão da fé cristã. Eles são as testemunhas da tradição apostólica, intérpretes esclarecidos das Sagradas Escrituras, autores das grandes profissões da fé de toda a cristandade nos quatro primeiros séculos da Igreja.

A patrologia, isto é, o estudo das vidas dos Padres da Igreja, atribuiu nome de Padres da Igreja a um certo número de autores cristãos cuja autoridade baseia-se em quatro :
1)- Ortodoxia doutrinária;
2)- Santidade de vida;
3)- Reconhecimento por parte da Igreja, mesmo que indiretamente;
4)- Antigüidade
A Ortodoxia doutrinária significa a existência de um consenso ou acordo entre os padres sobre os pontos essenciais da doutrina numa determinada época.  Os padres que foram testemunhas privilegiadas da fé, eram os que  garantiam a fé na Igreja, pela fé orante, na vida moral e nas obras de misericórdia. Um padre da Igreja foi alguém que espelhou na sua vida uma santidade publicamente reconhecida pela igreja.
O critério de antigüidade estabelece a “idade dos padres ” no período que fundam os alicerces das formulações  doutrinárias, da liturgia, das orientações disciplinares da Igreja.  A maioria dos autores alonga essa idade desde as origens até aos séculos VII e VIII e consideram esta época, a patrística, como compreendendo três períodos:
1)- das origens do concilio de Niceia ;
2)- a chamada “idade do ouro dos padres da igreja”, entre o concílio de Niceia e o de Caledônia, em 451
3)- O declínio, desde Caledônia até aos séculos VII e VIII.
Vamos conhecê-los melhor:
O Período das origens: Neste período, os padres eram chamados de Padres Apostólicos – eram aqueles que tinham relação mais ou menos direta com os apóstolos. Como por exemplo, São Clemente de Roma que foi o terceiro sucessor de São Pedro na Sé de Roma,  no tempo dos imperadores Domiciano e Trajano (92 a 102). Ele viu os apóstolos e conversou com eles, tendo ouvido diretamente deles a pregação e os ensinamentos. Outro exemplo é São Inácio de Antioquia, que foi o terceiro bispo de Antioquia, conheceu pessoalmente os Apóstolos São Paulo e São João. São Policarpo, bispo de Ermina, foi discípulo direto de São João.
O período “idade de ouro dos padres da Igreja” : está entre o Concilio de Niceia e o concílio de Caledônia, e o período das obras mais importantes e das formulações doutrinárias basilares.
Este período vai desde Santo Atanásio, que inicialmente como diácono acompanhou o bispo de Alexandria ao concilio de Niceia, onde se distinguiu pelo combate à heresia ariana sendo ele ordenado Bispo de Alexandria três anos depois, até Santo Agostinho, de Hispona, compreendendo autores como os campeões de vitórias contra o arianismo.
Temos, neste período, grandes padres como São Crisóstomo, boca de ouro, que foi bispo de Constantinopla, Santo Ambrósio, bispo de Milão, Santo Agostinho e São  Jerónimo, o tradutor de numerosos livros bíblicos do hebraico para o latim  dando origem à bíblia conhecida como Vulgata.
O período chamado declínio, que vai desde o concilio da Caledônia  até o século  VIII, estabelece um traço de união ente o mundo greco-romano e a cristandade derivada dos  povos bárbaros, educados por obra de grandes missionários sob o  impulso do Papa Gregório Magno.

Indicação de Livro :

Os Padres da Igreja – De Clemente de Roma a Santo Agostinho

Sinopse
O livro Os Padres da Igreja, lançamento da Editora Pensamento, reúne as catequeses que o Santo Padre Bento XVI quis dedicar aos escritores eclesiásticos mais importantes dos primeiros quatro séculos da era cristã, de Clemente de Roma (morto por volta do ano 100) a Santo Agostinho (falecido em 430).
Ém um ciclo de pregações no qual o Papa Bento, com a naturalidade e a vivacidade da linguagem falada expõe uma fascinante galeria de 26 afrescos, cada qual dedicado a um autor das origens cristãs. Ele segue basicamente a ordem cronológica abrangendo as Igrejas do Ocidente e do Oriente. O Papa apresenta inicialmente o Homem, depois o Escritor, e por último o Mestre e em cada caso, sempre com grande perspicácia, procura atualizar a mensagem patrística. Em sua mensagem, Bento XVI reitera que esses Padres ainda têm muito a dizer aos homens e aos cristãos de hoje.

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