{"id":1999,"date":"2018-04-06T18:53:41","date_gmt":"2018-04-06T18:53:41","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.cancaonova.com\/imaculadocoracaodemaria\/?p=1999"},"modified":"2018-04-06T18:53:41","modified_gmt":"2018-04-06T18:53:41","slug":"o-amor-de-deus-e-o-amor-de-deus-nos-faz-ser-parte-i","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/imaculadocoracaodemaria\/2018\/04\/06\/o-amor-de-deus-e-o-amor-de-deus-nos-faz-ser-parte-i\/","title":{"rendered":"O  amor de Deus \u00e9. O amor de Deus nos faz SER. - Parte I"},"content":{"rendered":"<p align=\"justify\"><span style=\"color: #000000\"><span style=\"font-family: 'Fedra Sans Std Bold', serif\"><span style=\"font-size: small\"><span style=\"font-family: 'Liberation Sans Narrow', sans-serif\"><span style=\"font-size: medium\"><a href=\"http:\/\/blog.cancaonova.com\/imaculadocoracaodemaria\/files\/2012\/10\/fotos-de-jesus-na-cruz-15.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-924\" src=\"http:\/\/blog.cancaonova.com\/imaculadocoracaodemaria\/files\/2012\/10\/fotos-de-jesus-na-cruz-15-300x224.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"224\" srcset=\"https:\/\/blog.cancaonova.com\/imaculadocoracaodemaria\/files\/2012\/10\/fotos-de-jesus-na-cruz-15-300x224.jpg 300w, https:\/\/blog.cancaonova.com\/imaculadocoracaodemaria\/files\/2012\/10\/fotos-de-jesus-na-cruz-15-768x574.jpg 768w, https:\/\/blog.cancaonova.com\/imaculadocoracaodemaria\/files\/2012\/10\/fotos-de-jesus-na-cruz-15.jpg 800w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>De Deus, dizem-se tantas coisas. Por isso, como sugere E. Salmann, \u00abdeveremos ouvir o coro imen\u00adso dos gritos, das ora\u00e7\u00f5es e das blasf\u00e9mias, das invoca\u00e7\u00f5es e das conclus\u00f5es filos\u00f3ficas, a gaguez e a eloqu\u00eancia que acompanham esta palavra\u00bb: Deus. <\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color: #000000\"><span style=\"font-family: 'Fedra Sans Std Bold', serif\"><span style=\"font-size: small\"><span style=\"font-family: 'Liberation Sans Narrow', sans-serif\"><span style=\"font-size: medium\">Hoje, para muitos Deus \u00e9 indiferente, vazio, irrelevante. Para outros, continua a ser imprevis\u00edvel e amea\u00e7ador. Por Ele se morre e por Ele ainda se mata. \u00c0s crian\u00e7as diz-se que \u00e9 amigo. H\u00e1 quem diga que, por ser Absoluto, \u00e9 insens\u00edvel a qual\u00adquer afeto e desligado de qualquer la\u00e7o. J\u00e1 se disse que \u00e9 motor im\u00f3vel \u2013 sem se mover, tudo p\u00f5e em movimento. \u00c9 poss\u00edvel que seja o Sumo bem e a Suma beleza, modelo perfeit\u00edssimo e puro que fascina e que atrai, ainda que intoc\u00e1vel e inalcan\u00e7\u00e1vel. Ouvimos dizer, tamb\u00e9m, que \u00e9 causa de si mesmo e que subsiste s\u00f3 por si. Que \u00e9 espa\u00e7o amorfo, ambiente materno, o nada onde seremos tudo ou o tudo onde seremos nada. Que \u00e9 proje\u00e7\u00e3o das nossas ambi\u00e7\u00f5es e dos nossos medos. Sendo tanto e tantas coisas, para uns, \u00e9 demasiado. Para outros, \u00e9 demasiado pouco. \u00c9 abstrato e distra\u00eddo, afastado e ap\u00e1tico. \u00c9 coisa sempre \u00e0 m\u00e3o e \u00e9 fetiche. \u00c9 fascinante e \u00e9 tremendo. <\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color: #000000\"><span style=\"font-family: 'Fedra Sans Std Bold', serif\"><span style=\"font-size: small\"><span style=\"font-family: 'Liberation Sans Narrow', sans-serif\"><span style=\"font-size: medium\">Dito tudo isto, entre o muito mais que poder<\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><span style=\"color: #000000\"><span style=\"font-family: 'Fedra Sans Std Bold', serif\"><span style=\"font-size: small\"><span style=\"font-family: 'Liberation Sans Narrow', sans-serif\"><span style=\"font-size: medium\">\u00edamos dizer, h\u00e1 ainda perguntas que permanecem. Se Deus fosse mera explica\u00e7\u00e3o para o que ainda n\u00e3o sabemos, mereceria o melhor de n\u00f3s mesmos? Se n\u00e3o fosse mais do que o resultado argumentativo da nossa intelig\u00eancia ou do que a magia de um momento gratificante ou do que o fugaz arrepio da alma, mereceria que lhe entreg\u00e1ssemos todo o nosso afeto? Se fosse a resposta predefinida para todos os problemas, o tapa-buracos da nossa incompreens\u00e3o dos mist\u00e9rios do universo e da exist\u00eancia, mesmo que animando a mente, poderia reconfortar a vida? E se fosse uma esp\u00e9cie de m\u00e3e galinha que abafa as suas crias, n\u00e3o <\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><span style=\"color: #000000\"><span style=\"font-family: 'Fedra Sans Std Bold', serif\"><span style=\"font-size: small\"><span style=\"font-family: 'Liberation Sans Narrow', sans-serif\"><span style=\"font-size: medium\">lhes deixando espa<\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><span style=\"color: #000000\"><span style=\"font-family: 'Fedra Sans Std Bold', serif\"><span style=\"font-size: small\"><span style=\"font-family: 'Liberation Sans Narrow', sans-serif\"><span style=\"font-size: medium\">\u00e7o para o respiro e o crescimento, poder\u00edamos sentir-nos livres na sua presen\u00e7a e confiar na gratuidade dos seus dons? Se fosse omnipotente como s\u00e3o os reis poderosos ou man\u00add\u00e3o como s\u00e3o os pais tiranos, n\u00e3o nos levaria a fugir \u00e0 primeira oportunidade? Se Deus n\u00e3o esti\u00advesse nos in\u00edcios como b\u00ean\u00e7\u00e3o e se n\u00e3o acompanhasse o caminho real dos homens e mulheres que existem, atrav\u00e9s dos abismos e das fraturas da sua humanidade, e se n\u00e3o abrisse a possibilidade de uma esperan\u00e7a que reconforte o cora\u00e7\u00e3o, depois de uma dif\u00edcil e longa jornada, como poder\u00edamos confiar n\u2019Ele e como poder\u00edamos confiar-nos a Ele? Outra coisa \u00e9 se Deus for d\u00e1diva de si e que, por isso, cria o mundo e o aprecia na sua diferen\u00e7a e gera a vida na vida de cada um, tamb\u00e9m na daqueles que o olham com indiferen\u00e7a e, at\u00e9, com inimizade, e a aprecia ainda mais; se for ternura que deseja a alegria e que aben\u00e7oa a inventividade humana; se for descri\u00e7\u00e3o da liberdade que d\u00e1 tempo ao tempo de cada um, que d\u00e1 a palavra para que cada um chegue dizer-se e as capacidades para que venha a ser o que pode ser; se for afeto que sacia o desejo mais \u00edntimo de rela\u00e7\u00f5es justas e que gera um la\u00e7o ajustado de m\u00fatuo reconhecimento\u2026 Se for assim, ent\u00e3o, Deus acabar\u00e1 por encontrar lugar no melhor de n\u00f3s mesmos e o desejo de vida que h\u00e1 em n\u00f3s chegar\u00e1 a reconhecer-se salva-guardado n\u2019Ele e por Ele. <\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color: #000000\"><span style=\"font-family: 'Fedra Sans Std Bold', serif\"><span style=\"font-size: small\"><span style=\"font-family: 'Liberation Sans Narrow', sans-serif\"><span style=\"font-size: medium\">E o humano? Hoje, como no passado, direta ou indiretamente, continuamos a perguntar pela ver<\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><span style=\"color: #000000\"><span style=\"font-family: 'Fedra Sans Std Bold', serif\"><span style=\"font-size: small\"><span style=\"font-family: 'Liberation Sans Narrow', sans-serif\"><span style=\"font-size: medium\">\u00addade da nossa humanidade e do desejo que nos move, pela raz\u00e3o da nossa origem e pelo sentido do nosso destino, pela forma ideal do bem e pelo sentido da liberdade. O diagn\u00f3stico, tamb\u00e9m aqui, seria m\u00faltiplo. Ainda assim, poder\u00edamos destacar um tra\u00e7o do ambiente cultural que parti\u00adlhamos, que, creio, \u00e9 motivo bastante para nos deixar apreensivos. <\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\">&nbsp;<\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color: #000000\"><span style=\"font-family: 'Fedra Sans Std Bold', serif\"><span style=\"font-size: small\"><span style=\"font-family: 'Liberation Sans Narrow', sans-serif\"><span style=\"font-size: medium\">O te\u00f3logo P. Sequeri identifica a figura mitol\u00f3gica de Prometeu como representativa do homem e da mulher modernos, aquele que rouba o fogo aos deuses para o dar aos homens. Desafia o limite, violando a proibi\u00e7\u00e3o e rompendo o encantamento de divindades ciumentas. O resultado \u00e9 o castigo. Tamb\u00e9m Dion\u00edsio poderia avan\u00e7ar tra\u00e7os marcantes do ideal moderno, mas pela faceta da celebra\u00e7\u00e3o da for\u00e7a da vida e das for\u00e7as vitais da natureza. Assim, vai, tamb\u00e9m ele, ao encontro da sua destrui\u00e7\u00e3o. Fica-lhe, por\u00e9m, o prazer de se jogar na vertigem sem limites, o gozo da auto\u00adnomia radical, bebido at\u00e9 \u00e0 \u00faltima gota. <\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color: #000000\"><span style=\"font-family: 'Fedra Sans Std Bold', serif\"><span style=\"font-size: medium\"><span style=\"font-family: 'Liberation Sans Narrow', sans-serif\">Outra \u00e9 a figura do homem e da mulher p\u00f3s-modernos, Narciso, aquele que \u00abvive do seu pr\u00f3prio encantamento: n\u00e3o suporta o inc\u00f3modo dos afetos e o trabalho do reconhecimento, as expectativas do outro distraem-no do cuidado de si mesmo\u00bb. Na realidade, vive mal, fechado no cuidado de si, no reflexo da sua imagem, ora exuberante, ora deprimida, tornando-se \u00abperfeitamente insens\u00edvel e afetivamente indiferente\u00bb. Narciso vive fazen\u00addo-se adorar, mas n\u00e3o repara em ningu\u00e9m nem ama ningu\u00e9m. \u00abO mito, justamente, assinala a diferen\u00e7a. Prometeu deve sofrer a sua transgress\u00e3o, mas permanece vivo. Narciso, pelo contr\u00e1rio, afoga-se no seu t\u00e9dio, como um farrapo na \u00e1gua\u00bb. O mundo encantado de Narciso, alimentado pelas in\u00fameras possibilidades da t\u00e9cnica e pelos muitos recursos da sociedade de consumo, vive obcecado pela imagem e pela realiza\u00e7\u00e3o de si. Mas, antes ou depois, esta acaba em frustra\u00e7\u00e3o. Narciso n\u00e3o reconhece o amor. Narciso n\u00e3o ama. Na contempla\u00e7\u00e3o solit\u00e1ria de si, afoga-se em sim mesmo. Fechando-se, morre. Sozinho. Est\u00e9ril.<\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color: #000000\"><span style=\"font-family: 'Liberation Sans Narrow', sans-serif\"><span style=\"font-size: medium\">Movidos por tal narcisismo auto-referencial, sem sonho nem rasgo, sem apre\u00e7o nem disponibili\u00addade a pagar o pre\u00e7o por aquilo que se aprecia, sem cria\u00e7\u00e3o nem gera\u00e7\u00e3o, poderia acontecer que imagin\u00e1ssemos Deus, tamb\u00e9m Ele, como autorreferencialidade absoluta e ap\u00e1tica, de facto, um Narciso Absoluto, sem afetos que o co-movam nem la\u00e7os que o liguem. Mas estar\u00edamos muito longe do tra\u00e7o b\u00edblico do amor que se realiza como apre\u00e7o e como dom que cria e recria, que gera e regenera. Nesse \u00eddolo, a perfei\u00e7\u00e3o e a santidade viveriam protegidas de qualquer rela\u00e7\u00e3o de afeto, de todo o la\u00e7o livremente correspondido. Mas que perfei\u00e7\u00e3o e que santidade seriam?<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\">&nbsp;<span style=\"color: #000000\"><span style=\"font-family: 'Fedra Sans Cond Std Book', serif\"><span style=\"font-size: xx-small\"><span style=\"font-family: 'Liberation Sans Narrow', sans-serif\"><span style=\"font-size: medium\">Por <\/span><\/span><\/span><\/span><\/span> <span style=\"color: #000000\"><span style=\"font-family: 'Fedra Sans Std Bold', serif\"><span style=\"font-size: small\"><span style=\"font-family: 'Liberation Sans Narrow', sans-serif\"><span style=\"font-size: medium\">Jos\u00e9 Fraz\u00e3o Correia<\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>De Deus, dizem-se tantas coisas. Por isso, como sugere E. 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