{"id":2001,"date":"2018-04-12T17:47:59","date_gmt":"2018-04-12T17:47:59","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.cancaonova.com\/imaculadocoracaodemaria\/?p=2001"},"modified":"2018-04-12T17:47:59","modified_gmt":"2018-04-12T17:47:59","slug":"o-amor-de-deus-e-o-amor-de-deus-nos-faz-ser-parte-ii","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/imaculadocoracaodemaria\/2018\/04\/12\/o-amor-de-deus-e-o-amor-de-deus-nos-faz-ser-parte-ii\/","title":{"rendered":"O  amor de Deus \u00e9. O amor de Deus nos faz SER. - Parte II"},"content":{"rendered":"<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: 'Fedra Sans Std Bold', serif\"><span style=\"color: #000000\"><span style=\"font-size: small\"><span style=\"font-family: 'Liberation Sans Narrow', sans-serif\"><span style=\"font-size: medium\"><a href=\"http:\/\/blog.cancaonova.com\/imaculadocoracaodemaria\/files\/2016\/07\/santo-anjo-da-guarda-de-portugal.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-1628\" src=\"http:\/\/blog.cancaonova.com\/imaculadocoracaodemaria\/files\/2016\/07\/santo-anjo-da-guarda-de-portugal-300x225.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"225\" srcset=\"https:\/\/blog.cancaonova.com\/imaculadocoracaodemaria\/files\/2016\/07\/santo-anjo-da-guarda-de-portugal-300x225.jpg 300w, https:\/\/blog.cancaonova.com\/imaculadocoracaodemaria\/files\/2016\/07\/santo-anjo-da-guarda-de-portugal-768x575.jpg 768w, https:\/\/blog.cancaonova.com\/imaculadocoracaodemaria\/files\/2016\/07\/santo-anjo-da-guarda-de-portugal.jpg 1000w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>O<\/span><\/span><\/span><\/span><span style=\"color: #000000\"><span style=\"font-size: small\"><span style=\"font-family: 'Liberation Sans Narrow', sans-serif\"><span style=\"font-size: medium\"> te\u00f3logo P. Sequeri identifica a figura mitol\u00f3gica de Prometeu como representativa do homem e da mulher modernos, aquele que rouba o fogo aos deuses para o dar aos homens. Desafia o limite, violando a proibi\u00e7\u00e3o e rompendo o encantamento de divindades ciumentas. O resultado \u00e9 o castigo. Tamb\u00e9m Dion\u00edsio poderia avan\u00e7ar tra\u00e7os marcantes do ideal moderno, mas pela faceta da celebra\u00e7\u00e3o da for\u00e7a da vida e das for\u00e7as vitais da natureza. Assim, vai, tamb\u00e9m ele, ao encontro da sua destrui\u00e7\u00e3o. Fica-lhe, por\u00e9m, o prazer de se jogar na vertigem sem limites, o gozo da auto\u00adnomia radical, bebido at\u00e9 \u00e0 \u00faltima gota. <\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: 'Fedra Sans Std Bold', serif\"><span style=\"color: #000000\"><span style=\"font-size: small\"><span style=\"font-family: 'Liberation Sans Narrow', sans-serif\"><span style=\"font-size: medium\">Outra \u00e9 a figura do homem e da mulher p\u00f3s-modernos, Narciso, aquele que \u00abvive do seu pr\u00f3prio encantamento: n\u00e3o suporta o inc\u00f3modo dos afetos e o trabalho do reconhecimento, as expectativas do outro distraem-no do cuidado de si mesmo\u00bb. Na realidade, vive mal, fechado no cuidado de si, no reflexo da sua imagem, ora exuberante, ora deprimida, tornando-se \u00abperfeitamente insens\u00edvel e afetivamente indiferente\u00bb. Narciso vive fazen\u00addo-se adorar, mas n\u00e3o repara em ningu\u00e9m nem ama ningu\u00e9m. \u00abO mito, justamente, assinala a diferen\u00e7a. Prometeu deve sofrer a sua transgress\u00e3o, mas permanece vivo. Narciso, pelo contr\u00e1rio, afoga-se no seu t\u00e9dio, como um farrapo na \u00e1gua\u00bb. O mundo encantado de Narciso, alimentado pelas in<\/span><\/span><\/span><\/span><span style=\"color: #000000\"><span style=\"font-size: small\"><span style=\"font-family: 'Liberation Sans Narrow', sans-serif\"><span style=\"font-size: medium\">\u00fameras possibilidades da t\u00e9cnica e pelos muitos recursos da sociedade de consumo, vive obcecado pela imagem e pela realiza\u00e7\u00e3o de si. Mas, antes ou depois, esta acaba em frustra\u00e7\u00e3o. Narciso n\u00e3o reconhece o amor. Narciso n\u00e3o ama. Na contempla\u00e7\u00e3o solit\u00e1ria de si, afoga-se em sim mesmo. Fechando-se, morre. Sozinho. Est\u00e9ril.<\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: 'Fedra Sans Std Bold', serif\"><span style=\"color: #000000\"><span style=\"font-size: small\"><span style=\"font-family: 'Liberation Sans Narrow', sans-serif\"><span style=\"font-size: medium\">Movidos por tal narcisismo auto-referencial, sem sonho nem rasgo, sem apre\u00e7o nem disponibili\u00addade a pagar o pre\u00e7o por aquilo que se aprecia, sem cria\u00e7\u00e3o nem gera\u00e7\u00e3o, poderia acontecer que imagin\u00e1ssemos Deus, tamb\u00e9m Ele, como autorreferencialidade absoluta e ap\u00e1tica, de facto, um Narciso Absoluto, sem afetos que o co-movam nem la\u00e7os que o liguem. Mas estar\u00edamos muito longe do tra\u00e7o b\u00edblico do amor que se realiza como apre\u00e7o e como dom que cria e recria, que gera e regenera. Nesse \u00eddolo, a perfei\u00e7\u00e3o e a santidade viveriam protegidas de qualquer rela\u00e7\u00e3o de afeto, de todo o la\u00e7o livremente correspondido. Mas que perfei\u00e7\u00e3o e que santidade seriam? <\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><span style=\"color: #000000\"><span style=\"font-family: 'Fedra Sans Std Bold', serif\"><span style=\"font-size: small\"><span style=\"font-family: 'Liberation Sans Narrow', sans-serif\"><span style=\"font-size: medium\">Estas e outras imagens do divino e do humano encontram-se e embatem no ju\u00edzo do Evangelho. Chegar a reconhecer a verdade de Deus na justi\u00e7a da dedica\u00e7\u00e3o de Jesus e chegar a reconhecer, a\u00ed, a verdade e a justi\u00e7a da nossa humanidade exige superar esc\u00e2ndalos, n\u00e3o apenas aqueles criados pelo imagin\u00e1rio individual e cultural do divino, mas, tamb\u00e9m, aqueles cultivados por ritos sagra\u00addos, argumentados por teologias e protegidos por poderes religiosos. O amor do Filho encarnado, quando aceita ser identificado com a impot\u00eancia humana, para que n\u00e3o seja confundido com a prepot\u00eancia divina, assume dist\u00e2ncia clara do Deus ab-soluto, separado e ap\u00e1tico, que n\u00e3o fala com mulheres samaritanas nem se deixa tocar por leprosos, que n\u00e3o entra em casa de publicanos, mas que, para preservar a pr\u00f3pria ordem e o seu direito, \u00e9 capaz de fazer cair torres para punir pecadores. Por isso e com a mesma tenacidade, se impede que a intelig\u00eancia da f\u00e9 possa identificar o amor revelado em Jesus como complemento sentimental do ser de Deus ou ap\u00eandice acidental da liberdade divina. Do mesmo modo, na revela\u00e7\u00e3o que Deus \u00e9 amor e que sem amor, n\u00f3s, n\u00e3o somos nada, n\u00e3o se joga uma afirma\u00e7\u00e3o simp\u00e1tica e agrad\u00e1vel a ouvidos delicados, sentimental e culturalmente correta, mas, antes, a convers\u00e3o \u00e0 identifica\u00e7\u00e3o do Ser com o Amor. Como tamb<\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><span style=\"color: #000000\"><span style=\"font-family: 'Fedra Sans Std Bold', serif\"><span style=\"font-size: small\"><span style=\"font-family: 'Liberation Sans Narrow', sans-serif\"><span style=\"font-size: medium\">\u00e9m frisa P. Sequeri, no horizonte do dogma crist\u00e3o, a palavra origin\u00e1ria do ser n\u00e3o \u00e9 a subst\u00e2ncia que se causa a si mesma (causa sui) e que sub-siste ab-soluta, isolada na sua riqueza e auto-suficiente em todas as suas perfei\u00e7\u00f5es. Tendo tudo, n\u00e3o precisa de ningu\u00e9m. A palavra ori\u00adgin\u00e1ria do ser n\u00e3o \u00e9 o amor que se ama a si mesmo, mas \u00e9 \u00aba gera\u00e7\u00e3o do Filho\u00bb, o amor que faz ser o diferente de si e se alegra nele. Desde sempre, Deus \u00e9 amor-que-gera, Pai que gera o Filho, n\u00e3o Pai que se causa a si mesmo e sub-siste sozinho. Com o primeiro Conc\u00edlio Ecum\u00e9nico de Ni\u00adceia, em 325, contra \u00c1rio, a ortodoxia da Igreja reviu-se na confiss\u00e3o de que n\u00e3o houve momento algum em que Deus n\u00e3o fosse Pai que gera o Filho e Filho gerado pelo Pai. Desde sempre, Deus <\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><span style=\"color: #000000\"><span style=\"font-family: 'Fedra Sans Std Bold', serif\"><span style=\"font-size: small\"><span style=\"font-family: 'Liberation Sans Narrow', sans-serif\"><span style=\"font-size: medium\">\u00e9 <\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><span style=\"color: #000000\"><span style=\"font-family: 'Fedra Sans Std Bold', serif\"><span style=\"font-size: small\"><span style=\"font-family: 'Liberation Sans Narrow', sans-serif\"><span style=\"font-size: medium\">amor-gerado, Filho gerado pelo Pai, n\u00e3o Filho que se gera a si mesmo. Desde sempre Deus \u00e9 amor-que-gera-e-que-\u00e9-gerado, Esp\u00edrito Santo que n\u00e3o procede de si mesmo nem \u00e9 anulado pelo Pai e pelo Filho, mas \u00e9 o Respiro fecundo da Paternidade e da Filia\u00e7\u00e3o, a for\u00e7a e a forma vital do amor que circula entre Pai e Filho. Cada um \u00e9 o que \u00e9, porque se recebe de outro, porque \u00e9 para o outro. Nenhum vive separado do outro. Nenhum se funde ou se confunde com o outro. Diferen\u00e7a e rela\u00e7\u00e3o d\u00e3o forma \u00e0 perfei\u00e7\u00e3o, na \u00abperfeita aceita\u00e7\u00e3o rec\u00edproca, at\u00e9 \u00e0 identidade: um s\u00f3 Deus\u00bb. Aqui, na intimidade da vida trinit\u00e1ria, onde h\u00e1 lugar afetivo e efetivo para o diferente, sem defesa nem ci\u00fame, existir segundo a lei do amor encontra a sua origem primeira, a sua medida perma\u00adnente, o seu destino \u00faltimo. <\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><span style=\"color: #000000\"><span style=\"font-family: 'Fedra Sans Std Bold', serif\"><span style=\"font-size: small\"><span style=\"font-family: 'Liberation Sans Narrow', sans-serif\"><span style=\"font-size: medium\">\u00c9 o amor que <\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><span style=\"color: #000000\"><span style=\"font-family: 'Fedra Sans Std Bold', serif\"><span style=\"font-size: small\"><span style=\"font-family: 'Liberation Sans Narrow', sans-serif\"><span style=\"font-size: medium\">\u00absustenta a eterna gera\u00e7\u00e3o do Logos e a criatividade do Esp\u00edrito\u00bb<\/span><\/span><\/span><\/span><\/span> <span style=\"color: #000000\"><span style=\"font-family: 'Fedra Sans Std Bold', serif\"><span style=\"font-size: small\"><span style=\"font-family: 'Liberation Sans Narrow', sans-serif\"><span style=\"font-size: medium\">(\u00e0 palavra amor, Sequeri prefere o termo grego ag\u00e1pe ou pr\u00f3-afei\u00e7\u00e3o, dada a desvitaliza\u00e7\u00e3o sentimentalista a que a palavra amor, hoje, est\u00e1 sujeita). \u00c9, pois, o amor que diz, agindo, a palavra que tudo cria e que traz Ad\u00e3o e Eva \u00e0 vida. \u00c9 ele que estabelece a alian\u00e7a que jamais passar\u00e1. \u00c9 o amor que gera o Verbo no ventre de Maria. \u00c9 o amor que salva a vida de leprosos e de mulheres e de homens de m\u00e1 vida e que leva Jesus \u00e0 entrega da pr\u00f3pria vida na cruz. Assim nos resgata de todas as formas de mal, a maior de todas, a morte pelo pecado. \u00c9 o amor derramado nos nossos cora\u00e7\u00f5es pelo Esp\u00edrito que nos foi dado que nos santifica. \u00c9 ele que sustenta o testemunho da Igreja. Interessa, assim, relembrar que o amor de Deus se apresenta e se representa como apre\u00e7o que faz ser-em-a\u00e7\u00e3o-de- -gerar, desde logo \u00aba partir do ato de criar (e de recriar e de redimir e de realizar para l\u00e1 de toda a expectativa imaginada) o habitat para o humano e o humano [criado] \u00e0 sua imagem, inscrevendo o seu sopro nele\u00bb. O amor \u00e9 este ser-assim, a raz\u00e3o primeira e a lei constituinte de cada homem, mulher e grupo humano e de todas as coisas sa\u00eddas das m\u00e3os do Criador. No amor que nos gera \u00e0 vida e no amor que nos faz gerar a vida na vida de qualquer outro, todos, somos salvos. Deste amor, nada se perder\u00e1, porque \u00e9 desde sempre e \u00e9 para a eternidade<\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><span style=\"color: #000000\"><span style=\"font-family: 'Fedra Sans Cond Std Book', serif\"><span style=\"font-size: xx-small\"><span style=\"font-family: 'Liberation Sans Narrow', sans-serif\"><span style=\"font-size: medium\">Por <\/span><\/span><\/span><\/span><\/span> <span style=\"color: #000000\"><span style=\"font-family: 'Fedra Sans Std Bold', serif\"><span style=\"font-size: small\"><span style=\"font-family: 'Liberation Sans Narrow', sans-serif\"><span style=\"font-size: medium\">Jos\u00e9 Fraz\u00e3o Correia<\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O te\u00f3logo P. Sequeri identifica a figura mitol\u00f3gica de Prometeu como representativa do homem e da mulher modernos, aquele que rouba o fogo aos deuses para o dar aos homens. 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