{"id":2221,"date":"2019-04-09T21:10:13","date_gmt":"2019-04-09T21:10:13","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.cancaonova.com\/imaculadocoracaodemaria\/?p=2221"},"modified":"2019-04-09T21:10:13","modified_gmt":"2019-04-09T21:10:13","slug":"amor-alavanca-no-despertar-e-iniciar-para-fe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/imaculadocoracaodemaria\/2019\/04\/09\/amor-alavanca-no-despertar-e-iniciar-para-fe\/","title":{"rendered":"Amor: alavanca no despertar e iniciar para a f\u00e9"},"content":{"rendered":"<p align=\"justify\"><span style=\"font-size: medium\"><a href=\"http:\/\/blog.cancaonova.com\/imaculadocoracaodemaria\/files\/2013\/02\/DSC036185.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-978\" src=\"http:\/\/blog.cancaonova.com\/imaculadocoracaodemaria\/files\/2013\/02\/DSC036185-300x225.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"225\" srcset=\"https:\/\/blog.cancaonova.com\/imaculadocoracaodemaria\/files\/2013\/02\/DSC036185-300x225.jpg 300w, https:\/\/blog.cancaonova.com\/imaculadocoracaodemaria\/files\/2013\/02\/DSC036185-1024x768.jpg 1024w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Lutamos hoje, no ocidente desenvolvido, com uma crescente dificuldade em mostrar a f\u00e9 em Deus como algo que vale a pena abra\u00e7ar. E mesmo quando se consegue despertar esse interesse, somos frequentemente confrontados com o dif\u00edcil desafio de transformar essa disponibilidade inicial numa perten\u00e7a est\u00e1vel e comprometida. Sentimos, de modo bem vivo, as dificuldades da transmiss\u00e3o da f\u00e9. Experimentam-na pais, irm\u00e3os, esposos, av\u00f3s, catequistas, pastores. Perante estes desafios, vamos percebendo que o interesse que procuramos despertar noutros ter\u00e1 de passar pela nossa capacidade de dar significado vital \u00e0 exist\u00eancia crente. De a tornar fi\u00e1vel e plaus\u00edvel aos olhos daqueles para quem Deus n\u00e3o \u00e9 uma evid\u00eancia, nem as rotinas eclesiais s\u00e3o familiares. Com efeito, n\u00e3o ser\u00e3o poucos os que se perguntam: Porqu\u00ea acreditar? Para qu\u00ea acreditar? Para que \u00e9 que isso serve? O que \u00e9 que isso muda? Enquanto n\u00e3o formos capazes de articular respostas densas a estas quest\u00f5es, o nosso testemunho n\u00e3o ter\u00e1 ainda tocado as inquieta\u00e7\u00f5es que muitos dos nossos contempor\u00e2neos trazem no cora\u00e7\u00e3o. O desejo de amar e de ser amado est\u00e1, com toda a certeza, no cerne destas inquieta\u00e7\u00f5es. Mesmo numa cultura da abund\u00e2ncia, o amor n\u00e3o perdeu a sua for\u00e7a de formar e transformar vidas, de mover e comover pessoas. Esta busca pode, porventura, assumir hoje formas mais confusas do que no passado. Mas ainda assim, apesar de todos os fasc\u00ednios da vida moderna, o amor continua a ser o grande anseio do cora\u00e7\u00e3o humano. Poderemos talvez dizer do amor o que Santo Agostinho disse de Deus: o nosso cora\u00e7\u00e3o n\u00e3o encontra descanso enquanto n\u00e3o repousa no amor11. Aproximar f\u00e9 e amor parece, portanto, ir ao encontro seja deste apelo da alma humana, seja das aludidas dificuldades da comunica\u00e7\u00e3o da f\u00e9. Por um lado, ao fazer ver como f\u00e9 e amor s\u00e3o duas faces de uma mesma moeda, a ades\u00e3o crente pode emergir como algo que preenche o cora\u00e7\u00e3o humano e, assim, como algo pelo qual vale a pena viver. Por outro, a comunidade dos crentes encontra no amor aquela realidade que permite estabelecer uma empatia entre crentes e buscadores de Deus e, sobretudo, aquela linguagem que torna plaus\u00edvel e fi\u00e1vel a proposta do Evangelho vivido em Igreja. Tudo isto sem beliscar a radicalidade da proposta crist\u00e3 nem lhe aligeirar a exig\u00eancia, mas, pelo contr\u00e1rio, na mais pura fidelidade ao que a f\u00e9 deveras \u00e9 e ao que de Deus de mais \u00edntimo podemos dizer. Em suma, o interesse que ser\u00e1 necess\u00e1rio despertar na transmiss\u00e3o da f\u00e9 crist\u00e3 encontra no amor a sua grande alavanca. Quem recusar\u00e1 o amor? Sobretudo um amor assim? Pois quanto mais a f\u00e9 for servida como uma ades\u00e3o de amor (mais que uma ades\u00e3o a ritos e doutrinas), mais a transmiss\u00e3o da f\u00e9 permanecer\u00e1 fiel ao Evangelho de Jesus e \u00e0s inquieta\u00e7\u00f5es dos nossos contempor\u00e2neos: presen\u00e7a real do primeiro e existencialmente relevante para os segundos. O amor, compreendido \u00e0 luz de Cristo, \u00e9, no fundo, a resposta \u00e0 pergunta porqu\u00ea e para qu\u00ea acreditar: porque se \u00e9 amado pelo Deus amor e para amar como ama o Deus amor. Se o amor \u00e9 o ambiente vital da f\u00e9, ent\u00e3o ele ser\u00e1 por certo tamb\u00e9m o ambiente da inicia\u00e7\u00e3o a uma vida vivida segundo a f\u00e9. \u00c9 que, como bem sabemos, ao despertar para a f\u00e9 deve seguir-se uma prolongada caminhada para dar durabilidade a esse instante de disponibilidade; para dar textura eclesial a um encontro pessoal; para dar intelig\u00eancia e crit\u00e9rio a um arrebatamento afetivo. Introduzir algu\u00e9m na rela\u00e7\u00e3o com Cristo permanece hoje, como o era nos tempos da Palestina, uma longa peregrina\u00e7\u00e3o, que tanto conduz a jardins apraz\u00edveis como a desertos que testam a resist\u00eancia e purificam a ades\u00e3o. O processo de transmiss\u00e3o da f\u00e9 incorpora, pois, este segundo movimento de inicia\u00e7\u00e3o \u00e0 vida segundo a f\u00e9. S\u00f3 ent\u00e3o essa transmiss\u00e3o se cumpre. E para que ela de facto se cumpra, o amor joga um papel decisivo. Porque este acompanhamento que inicia gente na f\u00e9 faz-se de paci\u00eancia para com o ritmo de cada um; faz-se de escuta \u00e0 voz de cada um; faz-se de dedica\u00e7\u00e3o atenta \u00e0 vida de cada um; faz-se de acolhimento incondicional a quem chega; faz-se de ora\u00e7\u00e3o silenciosa e desinteressada; faz-se de alegria com os seus avan\u00e7os, mas tamb\u00e9m de miseric\u00f3rdia para com os seus recuos. Tudo isto, que s\u00f3 o amor torna poss\u00edvel, precisa de encontrar um lugar eclesial. Estas n\u00e3o podem ser apenas atitudes dos crist\u00e3os individualmente considerados, mas devem conotar o modo de ser das comunidades crist\u00e3s. A tarefa da inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3 \u00e9, por excel\u00eancia, uma miss\u00e3o eclesial. Por isso, o amor que torna poss\u00edvel tal inicia\u00e7\u00e3o precisa de se tornar um tra\u00e7o que estrutura a vida das comunidades crist\u00e3s. Importa que estas o traduzam em vida e coloquem as suas estruturas ao seu servi\u00e7o. Ent\u00e3o, o amor n\u00e3o ser\u00e1 somente a alavanca que desperta para a f\u00e9, mas ser\u00e1 tamb\u00e9m o ponto fixo eclesial que torna poss\u00edvel a inicia\u00e7\u00e3o \u00e0 vida da f\u00e9 em Igreja. Afirma o Papa Francisco: \u00abA f\u00e9 transforma a pessoa inteira, precisamente na medida em que ela se abre ao amor; \u00e9 neste entrela\u00e7amento da f\u00e9 com o amor que se compreende a forma de conhecimento pr\u00f3pria da f\u00e9, a sua for\u00e7a de convic\u00e7\u00e3o, a sua capacidade de iluminar os nossos passos. A f\u00e9 conhece na medida em que est\u00e1 ligada ao amor, j\u00e1 que o pr\u00f3prio amor traz uma luz. A compreens\u00e3o da f\u00e9 \u00e9 aquela que nasce quando recebemos o grande amor de Deus, que nos transforma interiormente e nos d\u00e1 olhos novos para ver a realidade\u00bb12. Em tempos t\u00e3o desafiantes, importa mesmo entrela\u00e7ar f\u00e9 e amor. Neste fecundo casamento, os crentes h\u00e3o de redescobrir o que \u00e9 acreditar, h\u00e3o de reaprender a traduzi-lo em vida. Os que n\u00e3o creem, por seu lado, h\u00e3o de encontrar na f\u00e9 crist\u00e3 algo que os pode tocar. h\u00e3o de poder ver nela algo \u00e0 altura do apelo profundo que os habita. Juntos h\u00e3o de reconhecer que acreditamos sempre no amor. O amor ser\u00e1 sempre o seu ponto de encontro, porque \u00e9 no amor que todos \u00abvivemos, nos movemos e existi mos\u00bb (cf. Act 17,28): mist\u00e9rio maior da vida, que em Cristo encontra a definitiva raz\u00e3o de ser: porque \u00abDeus \u00e9 amor\u00bb.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-size: medium\">Por Alexandre Palma<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lutamos hoje, no ocidente desenvolvido, com uma crescente dificuldade em mostrar a f\u00e9 em Deus como algo que vale a pena abra\u00e7ar. 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