{"id":829,"date":"2012-01-01T15:12:50","date_gmt":"2012-01-01T15:12:50","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.cancaonova.com\/imaculadocoracaodemaria\/?p=829"},"modified":"2012-01-01T15:13:13","modified_gmt":"2012-01-01T15:13:13","slug":"maria-mae-de-deus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/imaculadocoracaodemaria\/2012\/01\/01\/maria-mae-de-deus\/","title":{"rendered":"Maria, M\u00e3e de Deus"},"content":{"rendered":"<p>\u00a0A contempla\u00e7\u00e3o do mist\u00e9rio do nascimento do Salvador tem levado o povo crist\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 a dirigir-se \u00e0 Virgem Santa como \u00e0 M\u00e3e de Jesus, mas tamb\u00e9m a reconhec\u00ea-la como M\u00e3e de Deus. Essa verdade foi aprofundada e compreendida como pertencente ao patrim\u00f4nio da f\u00e9 da Igreja, j\u00e1 desde os primeiros s\u00e9culos da era crist\u00e3, at\u00e9 ser solenemente proclamada pelo Conc\u00edlio de \u00c9feso no ano 431.<\/p>\n<p>Na primeira comunidade crist\u00e3, enquanto cresce entre os disc\u00edpulos a consci\u00eancia de que Jesus \u00e9 o filho de Deus, resulta bem mais claro que Maria \u00e9 a Theotokos, a M\u00e3e de Deus. Trata-se de um t\u00edtulo que n\u00e3o aparece explicitamente nos textos evang\u00e9licos, embora eles recordem \u201ca M\u00e3e de Jesus\u201d e afirmem que ele \u00e9 Deus (J\u00f4. 20,28; cf. 05,18; 10,30.33). Em todo o caso, Maria \u00e9 apresentada como M\u00e3e do Emanuel, que significa Deus conosco (cf. mt. 01,22-23).<\/p>\n<p>J\u00e1 no s\u00e9culo III, como se deduz de um antigo testemunho escrito, os crist\u00e3os do Egito dirigiam-se a Maria com esta ora\u00e7\u00e3o: \u201cSob a vossa prote\u00e7\u00e3o procuramos ref\u00fagio, santa M\u00e3e de Deus: n\u00e3o desprezeis as s\u00faplicas de n\u00f3s, que estamos na prova, e livrai-nos de todo perigo, \u00f3 Virgem gloriosa e bendita\u201d (Da Liturgia das Horas). Neste antigo testemunho a express\u00e3o Theotokos, \u201cM\u00e3e de Deus\u201d, aparece pela primeira vez de forma expl\u00edcita.<\/p>\n<p>Na mitologia pag\u00e3, acontecia com freq\u00fc\u00eancia que alguma deusa fosse apresentada como M\u00e3e de um deus. Zeus, por exemplo, deus supremo, tinha por M\u00e3e a deusa Reia. Esse contexto facilitou talvez, entre os crist\u00e3os, o uso do t\u00edtulo \u201cTheotokos\u201d, \u201cM\u00e3e de Deus\u201d, para a M\u00e3e de Jesus. Contudo, \u00e9 preciso notar que este t\u00edtulo n\u00e3o existia, mas foi criado pelos crist\u00e3os, para exprimir uma f\u00e9 que n\u00e3o tinha nada a ver com a mitologia pag\u00e3, a f\u00e9 na concep\u00e7\u00e3o virginal, no seio de Maria, d\u2019Aquele que desde sempre era o Verbo Eterno de Deus.<\/p>\n<p>No s\u00e9culo IV, o termo Theotokos \u00e9 j\u00e1 de uso freq\u00fcente no Oriente e no Ocidente. A piedade e a teologia fazem refer\u00eancia, de modo cada vez mais freq\u00fcente, a esse termo, j\u00e1 entrado no patrim\u00f4nio de f\u00e9 da Igreja.<\/p>\n<p>Compreende-se, por isso, o grande movimento de protesto, que se manifestou no s\u00e9culo V, quando Nest\u00f3rio p\u00f4s em d\u00favida a legitimidade do t\u00edtulo \u201cM\u00e3e de Deus\u201d. Ele de fato, propenso a considerar Maria somente como M\u00e3e do homem Jesus, afirmava que s\u00f3 era doutrinalmente correta a express\u00e3o \u201cM\u00e3e de Cristo\u201d. Nest\u00f3rio era induzido a este erro pela sua dificuldade de admitir a unidade da pessoa de Cristo, e pela interpreta\u00e7\u00e3o err\u00f4nea da distin\u00e7\u00e3o entre as duas naturezas \u2013 divina e humana \u2013 presentes n\u2019Ele.<\/p>\n<p>O Conc\u00edlio de \u00c9feso, no ano 431, condenou as suas teses e, afirmando a subsist\u00eancia da natureza divina e da natureza humana na \u00fanica pessoa do Filho, proclamou Maria M\u00e3e de Deus.<\/p>\n<p>As dificuldades e as obje\u00e7\u00f5es apresentadas por Nest\u00f3rio oferecem-nos agora a ocasi\u00e3o para algumas reflex\u00f5es \u00fateis, a fim de compreendermos e interpretarmos de modo correto esse t\u00edtulo.<\/p>\n<p>A express\u00e3o Theotokos, que literalmente significa \u201caquela que gerou Deus\u201d, \u00e0 primeira vista pode resultar surpreendente; suscita, com efeito, a quest\u00e3o sobre como \u00e9 poss\u00edvel que uma criatura humana gere Deus. A resposta da f\u00e9 da Igreja \u00e9 clara: a maternidade divina de Maria refere-se s\u00f3 a gera\u00e7\u00e3o humana do Filho de Deus e n\u00e3o, ao contr\u00e1rio, \u00e0 sua gera\u00e7\u00e3o divina. O Filho de Deus foi desde sempre gerado por Deus Pai e \u00e9-Lhe consubstancial. Nesta gera\u00e7\u00e3o eterna Maria n\u00e3o desempenha, evidentemente, nenhum papel. O Filho de Deus, por\u00e9m, h\u00e1 dois mil anos, assumiu a nossa natureza humana e foi ent\u00e3o concebido e dado \u00e0 luz Maria.<\/p>\n<p>Proclamando Maria \u201cM\u00e3e de Deus\u201d, a Igreja quer, portanto, afirmar que Ela \u00e9 a \u201cM\u00e3e do Verbo encarnado, que \u00e9 Deus\u201d. Por isso, a sua maternidade n\u00e3o se refere a toda a Trindade, mas unicamente \u00e0 segunda Pessoa, ao Filho que, ao encarnar-se, assumiu dela a natureza humana.<\/p>\n<p>A maternidade \u00e9 rela\u00e7\u00e3o entre pessoa e pessoa: uma m\u00e3e n\u00e3o \u00e9 M\u00e3e apenas do corpo ou da criatura f\u00edsica sa\u00edda do seu seio, mas da pessoa que ela gera. Maria, portanto, tendo gerado segundo a natureza humana a pessoa de Jesus, que \u00e9 a pessoa divina, \u00e9 M\u00e3e de Deus.<\/p>\n<p>Ao proclamar Maria \u201cM\u00e3e de Deus\u201d, a Igreja professa com uma \u00fanica express\u00e3o a sua f\u00e9 acerca do Filho e da M\u00e3e. Esta uni\u00e3o emerge j\u00e1 no Conc\u00edlio de \u00c9feso; com a defini\u00e7\u00e3o da maternidade divina de Maria, os Padres queriam evidenciar a sua f\u00e9 a divindade de Cristo. N\u00e3o obstante as obje\u00e7\u00f5es, antigas e recentes, acerca da oportunidade de atribuir este t\u00edtulo a Maria, os crist\u00e3os de todos os tempos, interpretando corretamente o significado dessa maternidade, tornaram-no uma express\u00e3o privilegiada da sua f\u00e9 na divindade de Cristo e do seu amor para com a Virgem.<\/p>\n<p>Na Theotokos a Igreja, por um lado reconhece a garantia da realidade da Encarna\u00e7\u00e3o, porque \u2013 como afirma Santo Agostinho \u2013 \u201cse a M\u00e3e fosse fict\u00edcia seria fict\u00edcia tamb\u00e9m a carne&#8230; fict\u00edcia seriam as cicatrizes da ressurrei\u00e7\u00e3o\u201d (Tract. In Ev. loannis, 8,6-7). E, por outro, ela contempla com admira\u00e7\u00e3o e celebra com venera\u00e7\u00e3o a imensa grandeza conferida a Maria por Aquele que quis ser seu filho. A express\u00e3o \u201cM\u00e3e de Deus\u201d remete ao Verbo de Deus que, na Encarna\u00e7\u00e3o, assumiu a humildade da condi\u00e7\u00e3o humana, para elevar o homem \u00e0 filia\u00e7\u00e3o divina. Mas esse t\u00edtulo, \u00e0 luz da dignidade sublime conferida \u00e0 Virgem de Nazar\u00e9, proclama, tamb\u00e9m, a nobreza da mulher e sua alt\u00edssima voca\u00e7\u00e3o. Com efeito, Deus trata Maria como pessoa livre e respons\u00e1vel, e n\u00e3o realiza a Encarna\u00e7\u00e3o de seu Filho sen\u00e3o depois de ter obtido o seu consentimento.<\/p>\n<p>Seguindo o exemplo dos antigos crist\u00e3os do Egito, os fi\u00e9is entregam-se \u00c0quela que, sendo M\u00e3e de Deus, p\u00f4de obter do divino Filho as gra\u00e7as da liberta\u00e7\u00e3o dos perigos e da salva\u00e7\u00e3o eterna.<\/p>\n<p>Extra\u00eddo do livro A virgem Maria<br \/>\nJo\u00e3o Paulo II<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0A contempla\u00e7\u00e3o do mist\u00e9rio do nascimento do Salvador tem levado o povo crist\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 a dirigir-se \u00e0 Virgem Santa como \u00e0 M\u00e3e de Jesus, mas tamb\u00e9m a reconhec\u00ea-la como M\u00e3e de Deus. 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