{"id":1265,"date":"2011-07-14T10:19:22","date_gmt":"2011-07-14T12:19:22","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.cancaonova.com\/junioralves\/?p=1265"},"modified":"2011-07-14T10:21:10","modified_gmt":"2011-07-14T12:21:10","slug":"o-aborto-sinal-de-coisa-pior","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/junioralves\/2011\/07\/14\/o-aborto-sinal-de-coisa-pior\/","title":{"rendered":"O aborto, sinal de coisa pior?"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft\" src=\"http:\/\/reporterdecristo.com\/wp-content\/uploads\/2011\/02\/aborto-i.jpg\" alt=\"Aborto\" width=\"255\" height=\"203\" \/><strong>Professor de \u00c9tica fala da perda de humanidade<\/strong><br \/>\nO aborto \u00e9 um sinal de alarme que indica um perigo onipresente na sociedade: a perda de identidade humana.<br \/>\n\u00c9 uma observa\u00e7\u00e3o do padre Robert Gahl, professor adjunto de \u00c9tica na Universidade Pontif\u00edcia da Santa Cruz.<br \/>\nO padre Gahl falou com o programa de televis\u00e3o \u201cDeus chora na Terra\u201d, da Catholic Radio and Television Network (CRTN) em colabora\u00e7\u00e3o com Ajuda \u00e0 Igreja que Sofre.<!--more--><\/p>\n<p><strong>&#8211; O aborto \u00e9 um sofrimento universal: 53 milh\u00f5es de abortos no mundo. Em alguns pa\u00edses, mais de 70% das mulheres j\u00e1 abortaram. Por que essas quest\u00f5es ficaram t\u00e3o presentes hoje: aborto, eutan\u00e1sia?<\/strong><br \/>\n<strong> &#8211; Padre Gahl<\/strong>: Bom, \u00e9 um paradoxo, triste, que evoca o pecado original. Ad\u00e3o e Eva tentaram ficar no lugar de Deus, ser deuses no lugar dele. Os seres humanos tentam dominar o poder divino, o poder sobre a origem da vida, e controlar o come\u00e7o da vida de um jeito que \u00e9 contr\u00e1rio ao des\u00edgnio de Deus, e, por isso mesmo, contr\u00e1rio ao des\u00edgnio do amor. E eles se sentem poderosos durante um instante. Pode ser at\u00e9 que eles achem que conseguiram. Mas logo depois eles sentem a frustra\u00e7\u00e3o e a nega\u00e7\u00e3o da sua pr\u00f3pria identidade, porque essa identidade \u00e9 a identidade do amor, porque eles foram feitos para o amor. O nosso cora\u00e7\u00e3o foi feito para o amor. Mas em vez de ser pessoas apaixonadas, em vez de apertar os nossos la\u00e7os familiares, n\u00f3s viramos meros construtores, gente que controla produtos. Se o nosso poder de dar vida \u00e9 simplesmente produzir elementos que se encaixam no \u201cfui produzido\u201d, ou no \u201csou s\u00f3 o final da linha de um sistema de produ\u00e7\u00e3o mecanizado\u201d, isso \u00e9 s\u00f3 a nega\u00e7\u00e3o da minha pr\u00f3pria dignidade como filho de Deus. E como filho dos meus pais.<\/p>\n<p><strong>&#8211; Olhando para tr\u00e1s, qual foi o momento em que surgiu no horizonte essa aceita\u00e7\u00e3o do aborto, da pesquisa com c\u00e9lulas-tronco, da eutan\u00e1sia?<br \/>\n&#8211; Padre Gahl: <\/strong>O aborto, infelizmente, \u00e9 t\u00e3o estendido por tantas partes do mundo que, hoje, muita gente, at\u00e9 os documentos da ONU, acham que ele \u00e9 um direito reprodutivo. A origem disso \u00e9 a revolu\u00e7\u00e3o sexual, que n\u00e3o foi uma revolu\u00e7\u00e3o de liberta\u00e7\u00e3o, mas uma revolu\u00e7\u00e3o do narcisismo, do desespero, de cortar la\u00e7os, afeto, amizade e amor pelos outros. E no centro dessa revolu\u00e7\u00e3o sexual n\u00f3s t\u00ednhamos o desenvolvimento dos anticoncepcionais qu\u00edmicos, que permitiram o sexo sem beb\u00eas, ou seja, as pessoas podiam ter o prazer da sexualidade s\u00f3 como uma busca ego\u00edsta. E eles desconectaram a ordem intr\u00ednseca, orientada ao dom da vida; desconectaram a sexualidade dos compromissos s\u00e9rios de amor, de formar uma fam\u00edlia, e, claro, de ser pais e m\u00e3es. \u00c9 uma diminui\u00e7\u00e3o da dignidade humana. Eu considero que o problema do aborto \u00e9 que \u00e9 um sinal de alerta. \u00c9 uma luz vermelha que est\u00e1 arrancando vidas, mas que indica uma coisa que \u00e9 mais onipresente ainda, e que est\u00e1 mais profundamente enraizada na nossa sociedade do que voc\u00ea possa imaginar.<\/p>\n<p><strong>&#8211; E o que \u00e9?<br \/>\n&#8211; Padre Gahl:<\/strong> \u00c9 a perda da pr\u00f3pria identidade. Da nossa identidade que participa do poder criador de Deus, e que chama a pessoa a ser m\u00e3e e pai.<\/p>\n<p><strong>&#8211; O aborto \u00e9 justificado quase sempre como o direito de escolha. Mas tamb\u00e9m como um apelo ao amor. Por exemplo, algumas pessoas dizem que acham melhor abortar do que criar um filho sem am\u00e1-lo. Como \u00e9 que n\u00f3s chegamos a esta situa\u00e7\u00e3o invertida, em que a morte \u00e9 justificada por amor?<br \/>\n&#8211; Padre Gahl<\/strong>: O verdadeiro amor humano \u00e9 incondicional. Quando voc\u00ea ama algu\u00e9m, n\u00e3o interessa o que acontece. N\u00e3o interessa, voc\u00ea vai cuidar. Se ele fica doente, se ele fica paralisado por causa de um acidente de carro, voc\u00ea vai cuidar dele pelo resto da vida. Naquele outro tipo de amor, que \u00e9 uma forma de amor ego\u00edsta, voc\u00ea s\u00f3 se entrega a algu\u00e9m enquanto quer. O aborto, nesse tipo de amor manipulado, vira um meio de sa\u00edda. N\u00f3s temos que mudar completamente e dizer que precisamos aceitar a todos, toda vida humana. Como dizia a Madre Teresa: n\u00e3o existem filhos n\u00e3o desejados; se existe uma crian\u00e7a que algu\u00e9m diz que n\u00e3o \u00e9 desejada, tragam para mim, eu vou cuidar dela, porque eu desejo essa crian\u00e7a. E essa \u00e9 a verdade. Se algu\u00e9m foi capaz de dizer que o aborto nos permite agir com um cuidado altru\u00edsta, porque evita dificuldades, esta l\u00f3gica nos leva de um modo tr\u00e1gico, eu at\u00e9 diria de um modo assassino, a afirmar que os deficientes n\u00e3o deveriam existir. Isso \u00e9 a nega\u00e7\u00e3o de toda dignidade humana.<\/p>\n<p><strong> &#8211; N\u00f3s passamos da vida como algo intrinsecamente importante a enfatizar a qualidade de vida. A mudan\u00e7a para a qualidade de vida coloca a pergunta: Qual \u00e9 a minha qualidade de vida? Eu estou tendo qualidade de vida? Isto aponta para os deficientes: eles est\u00e3o tendo a qualidade de vida que deveriam ter? Isso n\u00e3o coloca em quest\u00e3o a pr\u00f3pria vida deles?<br \/>\n&#8211; Padre Gahl: <\/strong>Claro. Uma parte dessa l\u00f3gica aberrante leva tamb\u00e9m a julgar cada um de n\u00f3s com base no nosso rendimento. O meu valor se baseia no que eu posso fazer pela sociedade. Se num dado momento os meus resultados s\u00e3o decepcionantes, por doen\u00e7a, por um erro, por estar num setor da economia que o consumidor n\u00e3o deseja mais, ent\u00e3o eu n\u00e3o seria mais necess\u00e1rio, e, a\u00ed, deixaria de ser importante.<\/p>\n<p><strong> &#8211; O maior dom de Deus \u00e0 humanidade foi o dom de co-criar a vida com Ele. O que faz o aborto ao quebrar esta rela\u00e7\u00e3o entre o homem e Deus?<br \/>\n&#8211; Padre Gahl<\/strong>: Nos esquecemos \u00e0s vezes, devido ao \u201ccientificismo\u201d \u2013 que reduz tudo ao fato cient\u00edfico \u2013 que o come\u00e7o de uma nova vida humana n\u00e3o s\u00f3 vem de um homem e uma mulher, mas tamb\u00e9m de Deus. Exige a participa\u00e7\u00e3o de tr\u00eas pessoas, porque a alma humana \u00e9 imaterial. \u00c9 a alma espiritual que \u00e9 criada direta e imediatamente por Deus. Por isso, quando um homem e uma mulher unem-se para ter um filho, \u00e9 tamb\u00e9m \u2013 tanto ou mais \u2013 filho de Deus. Da\u00ed que, se quisermos recuperar este respeito pela vida, ser\u00e1 porque teremos voltado a tomar consci\u00eancia do papel de Deus ao dar a vida e, pelo mesmo, deste poder que temos dentro de n\u00f3s, que \u00e9 na realidade um poder divino e transcendente. Trata-se de um poder criador pelo qual quase temos Deus na palma da m\u00e3o, porque podemos dizer-lhe, em certo sentido, quando criar uma nova alma humana. Portanto, se renovarmos esse respeito pela interven\u00e7\u00e3o de Deus, Ele nos ajudar\u00e1 tamb\u00e9m a nos respeitarmos uns aos outros como imagens de Deus, como outros Cristos.<\/p>\n<p><strong> &#8211; Em pa\u00edses como a R\u00fassia, mais de 70% das mulheres abortaram. A propor\u00e7\u00e3o de abortos em algumas prov\u00edncias russas pode alcan\u00e7ar os oito ou dez abortos por mulher, porque o utilizam como um meio de controle de natalidade. Na China, a pol\u00edtica de um s\u00f3 filho obriga as mulheres a abortar. Que impacto espiritual e psicol\u00f3gico tem isso na sociedade?<br \/>\n&#8211; Padre Gahl<\/strong>: No leste europeu, onde vemos \u00edndices t\u00e3o altos de abortos, que frequentemente se associam a altos \u00edndices de suic\u00eddios, alcoolismo e depress\u00f5es graves, h\u00e1 uma sensa\u00e7\u00e3o de niilismo, de perda total do sentido da vida. Isso ocorre em uma sociedade que n\u00e3o se baseia no amor a seus filhos. \u00c9 necess\u00e1rio que isso mude. Gra\u00e7as a Deus, em alguns desses pa\u00edses est\u00e1-se notando uma tend\u00eancia na dire\u00e7\u00e3o correta. Na Federa\u00e7\u00e3o Russa, por exemplo, tem havido ultimamente um aumento na taxa de natalidade. A propor\u00e7\u00e3o de abortos continua muito alta, mas fica a esperan\u00e7a de que este aumento da taxa de natalidade continue, de modo que o \u00edndice de abortos caia.<\/p>\n<p><strong>&#8211; Que mais a Igreja pode fazer neste tema?<br \/>\n&#8211; Padre Gahl<\/strong>: Em primeiro lugar, quando pensamos na \u201cIgreja\u201d, tendemos a pensar na hierarquia \u2013 em n\u00f3s, sacerdotes, bispos, o Papa \u2013, mas na realidade a Igreja \u00e9 o conjunto de todos os crist\u00e3os batizados. A Igreja \u00e9 uma fam\u00edlia, por isso precisamos que todos \u2013 todos os crist\u00e3os batizados \u2013 aceitem a vida com amor. Precisamos tamb\u00e9m de ajuda nos centros para mulheres gr\u00e1vidas. A Igreja magisterial, a Igreja hier\u00e1rquica, evidentemente, tem de ser tamb\u00e9m coerente com os princ\u00edpios da teologia moral cat\u00f3lica sobre o tema.<br \/>\nA Igreja h\u00e1 de continuar seguindo o exemplo de Karol Wojtyla, que, como arcebispo de Crac\u00f3via, abriu centros de ajuda para mulheres em situa\u00e7\u00f5es de crise. Mas na realidade tudo se reduz a isso: Deus \u00e9 amor. Sou filho de Deus. Sou feito \u00e0 imagem de Deus, por isso tenho de fazer presente entre os demais seres humanos o rosto de Deus, que \u00e9 o rosto do amor. Se fizermos isso em todas as nossas rela\u00e7\u00f5es humanas, se mostrarmos de verdade respeito pela dignidade humana, se mostrarmos respeito e amor pelas pessoas que sofrem, ent\u00e3o podemos come\u00e7ar a recuperar os princ\u00edpios que s\u00e3o necess\u00e1rios para que toda vida humana seja aceita. A vida ent\u00e3o n\u00e3o ser\u00e1 jamais considerada s\u00f3 um produto, como os beb\u00eas que s\u00e3o feitos num tubo de ensaio segundo os desejos de algum fabricante.<br \/>\nVoltando atr\u00e1s, gostaria de acrescentar que precisamos recuperar nossa sexualidade, assim como a consci\u00eancia de que a sexualidade \u00e9 sagrada, e precisamos, portanto, viver a mod\u00e9stia e o respeito pela nossa sexualidade e nossos desejos sexuais com castidade e fortaleza, de modo que nos preparem para dar vida dentro da estrutura da fam\u00edlia.<\/p>\n<p>&#8212; &#8212; &#8212;<br \/>\nEsta entrevista foi realizada por Mark Riedemann para &#8220;Deus chora na terra&#8221;, um programa r\u00e1dio-televisivo semanal produzido por \u2018Catholic Radio and Television Network&#8217;, (CRTN), em colabora\u00e7\u00e3o com a organiza\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica Ajuda \u00e0 Igreja que Sofre.<br \/>\nMais informa\u00e7\u00e3o em www.aisbrasil.org.br, www.fundacao-ais.pt.<\/p>\n<p><strong>Fonte: Zenit<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Professor de \u00c9tica fala da perda de humanidade O aborto \u00e9 um sinal de alarme que indica um perigo onipresente na sociedade: a perda de identidade humana. \u00c9 uma observa\u00e7\u00e3o do padre Robert Gahl, professor adjunto de \u00c9tica na Universidade&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":4499,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_mi_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[37025,37149],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/junioralves\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1265"}],"collection":[{"href":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/junioralves\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/junioralves\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/junioralves\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4499"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/junioralves\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1265"}],"version-history":[{"count":8,"href":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/junioralves\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1265\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1273,"href":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/junioralves\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1265\/revisions\/1273"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/junioralves\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1265"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/junioralves\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1265"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/junioralves\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1265"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}