{"id":1498,"date":"2011-09-23T10:52:30","date_gmt":"2011-09-23T12:52:30","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.cancaonova.com\/junioralves\/?p=1498"},"modified":"2011-09-23T10:52:30","modified_gmt":"2011-09-23T12:52:30","slug":"mulheres-sacerdotisas-celibato-e-poder-de-roma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/junioralves\/2011\/09\/23\/mulheres-sacerdotisas-celibato-e-poder-de-roma\/","title":{"rendered":"Mulheres sacerdotisas, celibato e poder de Roma"},"content":{"rendered":"<p><strong>Entrevista com o prefeito da Congrega\u00e7\u00e3o para o Clero, cardeal Piacenza<\/strong><\/p>\n<p>Por Antonio Gaspari<\/p>\n<p>O cardeal Mauro Piacenza, prefeito da Congrega\u00e7\u00e3o para o Clero, raramente interv\u00e9m no debate p\u00fablico. Ele evita, de fato, toda demagogia e presencialismo e \u00e9 conhecido como homem de incans\u00e1vel e silencioso trabalho e como eficaz observador de todos os fen\u00f4menos que afetam a cultura contempor\u00e2nea.<br \/>\nExtraordinariamente, ele nos concedeu esta entrevista sobre temas \u201ccandentes\u201d, em um clima de cordialidade, mostrando essa criatividade pastoral que sempre aparece em um aut\u00eantico e fiel pastor da Igreja.<!--more--><\/p>\n<p><strong>ZENIT: Emin\u00eancia, com surpreendente periodicidade, h\u00e1 v\u00e1rias d\u00e9cadas, voltam a aparecer no debate p\u00fablico algumas quest\u00f5es eclesiais, sempre as mesmas. A que se deve este fen\u00f4meno?<br \/>\nCardeal Piacenza: <\/strong>Sempre, na hist\u00f3ria da Igreja, houve movimentos \u201ccentr\u00edfugos\u201d, que tendem a \u201cnormalizar\u201d a excepcionalidade do evento de Cristo e do seu Corpo vivente na hist\u00f3ria, que \u00e9 a Igreja. Uma \u201cIgreja normalizada\u201d perderia toda a sua for\u00e7a prof\u00e9tica, n\u00e3o diria mais nada ao homem e ao mundo e, de fato, trairia o seu Senhor.<br \/>\nA grande diferen\u00e7a da \u00e9poca contempor\u00e2nea \u00e9 doutrinal e midi\u00e1tica. Doutrinalmente, pretende-se justificar o pecado, n\u00e3o confiando na miseric\u00f3rdia, mas deixando-se levar por uma perigosa autonomia que tem o sabor do ate\u00edsmo pr\u00e1tico; do ponto de vista midi\u00e1tico, nas \u00faltimas d\u00e9cadas, as fisiol\u00f3gicas \u201cfor\u00e7as centr\u00edfugas\u201d recebem a aten\u00e7\u00e3o e a inoportuna amplifica\u00e7\u00e3o dos meios de comunica\u00e7\u00e3o que vivem, de certa maneira, de contrastes.<\/p>\n<p><strong>ZENIT: Deve-se considerar a ordena\u00e7\u00e3o sacerdotal das mulheres como uma \u201cquest\u00e3o doutrinal\u201d?<br \/>\nCardeal Piacenza: <\/strong>Certamente, como todos sabem, a quest\u00e3o j\u00e1 foi tratada por Paulo VI e o Beato Jo\u00e3o Paulo II, e este, com a carta apost\u00f3lica Ordinatio Sacerdotalis, de 1994, fechou definitivamente a quest\u00e3o.<br \/>\nDe fato, afirmou: \u201cCom o fim de afastar toda d\u00favida sobre uma quest\u00e3o de grande import\u00e2ncia, que diz respeito \u00e0 pr\u00f3pria constitui\u00e7\u00e3o divina da Igreja, em virtude do meu minist\u00e9rio de confirmar na f\u00e9 aos irm\u00e3os, declaro que a Igreja n\u00e3o tem, de forma alguma, a faculdade de conferir a ordena\u00e7\u00e3o sacerdotal \u00e0s mulheres, e que este ditame deve ser considerado como definitivo por todos os fi\u00e9is da Igreja\u201d. Alguns, justificando o injustific\u00e1vel, falaram de uma \u201cdefinitividade relativa\u201d da doutrina at\u00e9 esse momento, mas, francamente, esta tese \u00e9 t\u00e3o inusual que carece de qualquer fundamento.<\/p>\n<p><strong>ZENIT: Ent\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 lugar para as mulheres na Igreja?<br \/>\nCardeal Piacenza: <\/strong>Todo o contr\u00e1rio: as mulheres t\u00eam um papel important\u00edssimo no corpo eclesial e poderiam ter outro mais evidente ainda. A Igreja foi fundada por Cristo e n\u00e3o podemos determinar, n\u00f3s, os homens, o seu perfil; portanto, a constitui\u00e7\u00e3o hier\u00e1rquica est\u00e1 ligada ao sacerd\u00f3cio ministerial, que est\u00e1 reservado aos homens. Mas absolutamente nada impede de valorizar o g\u00eanio feminino em pap\u00e9is que n\u00e3o est\u00e3o ligados estreitamente ao exerc\u00edcio da ordem sagrada. Quem impediria, por exemplo, que uma grande economista fosse chefe da Administra\u00e7\u00e3o da S\u00e9 Apost\u00f3lica, ou que uma jornalista competente se tornasse porta-voz da Sala de Imprensa da Santa S\u00e9?<br \/>\nOs exemplos podem se multiplicar em todos os desempenhos n\u00e3o vinculados \u00e0 ordem sagrada. H\u00e1 infinidade de tarefas nas quais o g\u00eanero feminino poderia realizar uma grande contribui\u00e7\u00e3o! Outra coisa \u00e9 conceber o servi\u00e7o como um poder e procurar, como o mundo faz, as \u201ccotas\u201d de tal poder. Considero, al\u00e9m disso, que o menosprezo do grande mist\u00e9rio da maternidade, que est\u00e1 sendo realizado nesta cultura dominante, tenha um papel muito importante na desorienta\u00e7\u00e3o geral que existe com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 mulher. A ideologia do lucro reduziu e instrumentalizou as mulheres, n\u00e3o reconhecendo a maior contribui\u00e7\u00e3o que estas, indiscutivelmente, podem dar \u00e0 sociedade e ao mundo.<br \/>\nA Igreja, al\u00e9m disso, n\u00e3o \u00e9 um governo pol\u00edtico no qual \u00e9 justo reivindicar uma representa\u00e7\u00e3o adequada. A Igreja \u00e9 outra coisa, a Igreja \u00e9 o Corpo de Cristo e, nela, cada um \u00e9 membro segundo o que Cristo estabeleceu. Por outro lado, a Igreja n\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o de pap\u00e9is masculinos ou femininos, mas de pap\u00e9is que implicam, por vontade divina, a ordena\u00e7\u00e3o ou n\u00e3o. Tudo o que um fiel leigo pode fazer, uma fiel leiga tamb\u00e9m pode fazer. O importante \u00e9 ter a prepara\u00e7\u00e3o espec\u00edfica e a idoneidade; ser homem ou mulher n\u00e3o \u00e9 relevante.<\/p>\n<p><strong>ZENIT: Mas pode existir uma participa\u00e7\u00e3o real na vida da Igreja, sem atribui\u00e7\u00f5es de poder efetivo e de responsabilidade?<br \/>\nCardeal Piacenza: <\/strong>Quem disse que a participa\u00e7\u00e3o na Igreja \u00e9 uma quest\u00e3o de poder? Se fosse assim, cometeriam o grande erro de conceber a pr\u00f3pria Igreja n\u00e3o como \u00e9, divino-humana, mas simplesmente como uma das muitas associa\u00e7\u00f5es humanas, talvez a maior e mais nobre, por sua hist\u00f3ria; e deveria ser \u201cadministrada\u201d distribuindo-se o poder.<br \/>\nNada mais longe da realidade! A hierarquia da Igreja, al\u00e9m de ser de direta institui\u00e7\u00e3o divina, deve ser entendida sempre como um servi\u00e7o \u00e0 comunh\u00e3o. Somente um erro, derivado historicamente da experi\u00eancia das ditaduras, poderia conceber a hierarquia eclesi\u00e1stica como o exerc\u00edcio de um &#8216;poder absoluto\u201d. Que perguntem isso a quem est\u00e1 chamado a colaborar com a responsabilidade pessoal do Papa pela Igreja universal! S\u00e3o tais e tantas as media\u00e7\u00f5es, consultas, express\u00f5es de colegialidade real, que praticamente nenhum ato de governo \u00e9 fruto de uma vontade \u00fanica, mas sempre o resultado de um longo caminho, em escuta do Esp\u00edrito Santo e da preciosa contribui\u00e7\u00e3o de muitos.<br \/>\nA colegialidade n\u00e3o \u00e9 um conceito sociopol\u00edtico, mas deriva da comum Eucaristia, do affectus que nasce do alimentar-se do \u00fanico P\u00e3o e do viver da \u00fanica f\u00e9, do estar unidos a Cristo, Caminho, Verdade e Vida. E Cristo \u00e9 o mesmo ontem, hoje e sempre!<\/p>\n<p><strong>ZENIT: N\u00e3o \u00e9 muito o poder que Roma ostenta?<br \/>\nCardeal Piacenza: <\/strong>Dizer \u201cRoma\u201d significa simplesmente dizer \u201ccatolicidade\u201d e \u201ccolegialidade\u201d. Roma \u00e9 a cidade que a provid\u00eancia escolheu como lugar do mart\u00edrio dos ap\u00f3stolos Pedro e Paulo e o que a comunh\u00e3o com esta Igreja significou sempre na hist\u00f3ria: comunh\u00e3o com a Igreja universal, unidade, miss\u00e3o e certeza doutrinal. Roma est\u00e1 ao servi\u00e7o de todas as Igrejas e muitas vezes protege as Igrejas que est\u00e3o em dificuldade pelos poderes do mundo e por governos que nem sempre s\u00e3o plenamente respeitosos com o imprescind\u00edvel direito humano e natural que \u00e9 a liberdade religiosa.<br \/>\nA Igreja deve ser considerada a partir da constitui\u00e7\u00e3o dogm\u00e1tica Lumen Gentium, do Conc\u00edlio Vaticano II, inclu\u00edda, obviamente, a nota pr\u00e9via ao documento. L\u00e1, est\u00e1 descrita a Igreja das origens, a Igreja dos Padres, a Igreja de todos os s\u00e9culos, que \u00e9 a nossa Igreja de hoje, sem descontinuidade, a Igreja de Cristo. Roma est\u00e1 chamada a presidir na caridade e na verdade, \u00fanicas fontes reais da aut\u00eantica paz crist\u00e3. A unidade da Igreja n\u00e3o \u00e9 o compromisso com o mundo e sua mentalidade, mas o resultado, dado por Cristo, da nossa fidelidade \u00e0 verdade e da caridade que seremos capazes de viver.<br \/>\nParece-me significativo, a este respeito, o fato de que hoje s\u00f3 a Igreja, como ningu\u00e9m, defende o homem e sua raz\u00e3o, sua capacidade de conhecer a realidade e entrar em rela\u00e7\u00e3o com isso; em resumo, o homem em sua integridade. Roma est\u00e1 a pleno servi\u00e7o da Igreja de Deus que est\u00e1 no mundo e que \u00e9 uma \u201cjanela aberta\u201d ao mundo, janela que d\u00e1 voz a todos os que n\u00e3o a t\u00eam, que convida todos a uma cont\u00ednua convers\u00e3o e, por isso, contribui \u2013 muitas vezes no sil\u00eancio e com o sofrimento, pagando \u00e0s vezes com sua impopularidade \u2013 para a constru\u00e7\u00e3o de um mundo melhor, para a civiliza\u00e7\u00e3o do amor.<\/p>\n<p><strong>ZENIT: Este papel de Roma n\u00e3o obstaculiza a unidade e o ecumenismo?<br \/>\nCardeal Piacenza: <\/strong>O ecumenismo \u00e9 uma prioridade na vida da Igreja e uma exig\u00eancia absoluta que prov\u00e9m da pr\u00f3pria ora\u00e7\u00e3o do Senhor: \u201cUt unum sint\u201d, que se converte, para todo crist\u00e3o, em um \u201cmandamento da unidade\u201d. Na ora\u00e7\u00e3o sincera e no esp\u00edrito de cont\u00ednua convers\u00e3o interior, na fidelidade \u00e0 pr\u00f3pria identidade e na comum tens\u00e3o da perfeita caridade dada por Deus, \u00e9 necess\u00e1rio comprometer-se com convic\u00e7\u00e3o para que n\u00e3o haja contratempos no caminho do movimento ecum\u00eanico.<br \/>\nO mundo precisa da nossa unidade; portanto, \u00e9 urgente continuar comprometendo-nos no di\u00e1logo da f\u00e9 com todos os irm\u00e3os crist\u00e3os, para que Cristo seja o fermento da nossa sociedade. E tamb\u00e9m \u00e9 urgente comprometer-se com os n\u00e3o-crist\u00e3os, isto \u00e9, no di\u00e1logo intercultural, para contribuir unidos para construir um mundo melhor, colaborando nas obras de bem e para que uma sociedade nova e mais humana seja poss\u00edvel. Roma, tamb\u00e9m nesta terra, tem um papel de propuls\u00e3o \u00fanico. N\u00e3o h\u00e1 tempo para nos dividirmos: o tempo e as energias devem ser empregados para unir-nos.<\/p>\n<p><strong>ZENIT: Nesta Igreja, quem s\u00e3o e que papel t\u00eam os sacerdotes de hoje?<br \/>\nCardeal Piacenza: <\/strong>N\u00e3o s\u00e3o nem assistentes sociais nem funcion\u00e1rios de Deus! A crise de identidade \u00e9 especialmente aguda nos contextos mais secularizados, nos quais parece que n\u00e3o existe lugar para Deus. Os sacerdotes, no entanto, s\u00e3o os de sempre: s\u00e3o o que Cristo quis que fossem! A identidade sacerdotal \u00e9 cristoc\u00eantrica e, portanto, eucar\u00edstica.<br \/>\nCristoc\u00eantrica porque, como o Santo Padre recordou tantas vezes, no sacerd\u00f3cio ministerial, \u201cCristo nos atrai dentro de Si\u201d, envolvendo-se conosco e envolvendo-nos na sua pr\u00f3pria exist\u00eancia. Tal atra\u00e7\u00e3o \u201creal\u201d acontece sacramentalmente \u2013 portanto, de maneira objetiva e insuper\u00e1vel \u2013, na Eucaristia, da qual os sacerdotes s\u00e3o ministros, isto \u00e9, servos e instrumentos eficazes.<\/p>\n<p><strong>ZENIT: \u00c9 t\u00e3o insuper\u00e1vel a lei sobre o celibato? Realmente n\u00e3o pode ser mudada?<br \/>\nCardeal Piacenza: <\/strong>N\u00e3o se trata de uma simples lei! A lei \u00e9 consequ\u00eancia de uma realidade muito alta, que acontece somente na rela\u00e7\u00e3o vital com Cristo. Jesus diz: \u201cQuem tiver ouvidos, que ou\u00e7a\u201d. O sagrado celibato n\u00e3o se supera nunca, \u00e9 sempre novo, no sentido de que, atrav\u00e9s disso, a vida dos sacerdotes se \u201crenova\u201d, porque se d\u00e1 sempre em uma fidelidade que tem em Deus sua raiz e no florescer da liberdade humana, o pr\u00f3prio fruto.<br \/>\nO verdadeiro drama est\u00e1 na incapacidade contempor\u00e2nea de realizar as escolhas definitivas, na dram\u00e1tica redu\u00e7\u00e3o da liberdade humana, que se converteu em algo t\u00e3o fr\u00e1gil, que n\u00e3o busca o bem nem sequer quando este \u00e9 reconhecido e intu\u00eddo como possibilidade para a pr\u00f3pria exist\u00eancia. O celibato n\u00e3o \u00e9 o problema; e as infidelidades e fraqueza dos sacerdotes n\u00e3o podem constituir um crit\u00e9rio de ju\u00edzo.<br \/>\nNo demais, as estat\u00edsticas nos dizem que mais de 40% dos casamentos fracassam. Entre os sacerdotes, estamos em menos de 2%. Portanto, a solu\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e1, de forma alguma, na opcionalidade do sagrado celibato. N\u00e3o ser\u00e1 talvez quest\u00e3o de deixar de interpretar a liberdade como \u201caus\u00eancia de v\u00ednculos\u201d e de definitividade, e come\u00e7ar a redescobrir que, na definitividade do dom ao outro e a Deus consiste a verdadeira realiza\u00e7\u00e3o e felicidade humanas?<\/p>\n<p><strong>ZENIT: E as voca\u00e7\u00f5es? N\u00e3o aumentariam, se abolissem o celibato?<br \/>\nCardeal Piacenza: <\/strong>N\u00e3o! As confiss\u00f5es crist\u00e3s nas quais, n\u00e3o existindo o sacerd\u00f3cio ordenado, n\u00e3o existe a doutrina e a disciplina do celibato, encontram-se em um estado de profunda crise com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s \u201cvoca\u00e7\u00f5es\u201d de guia da comunidade \u2013 da mesma maneira que existem crises do sacramento do matrim\u00f4nio uno e indissol\u00favel.<br \/>\nA crise da qual, na verdade, se est\u00e1 saindo lentamente, est\u00e1 ligada, fundamentalmente, \u00e0 crise da f\u00e9 no Ocidente. O que \u00e9 preciso \u00e9 comprometer-se a fazer a f\u00e9 crescer. Este \u00e9 o ponto. Nos mesmos ambientes, est\u00e1 em crise a santifica\u00e7\u00e3o das festas, est\u00e1 em crise a confiss\u00e3o, est\u00e1 em crise o casamento etc. O secularismo e a conseguinte perda do sentido do sagrado, da f\u00e9 e da sua pr\u00e1tica, determinaram e determinam tamb\u00e9m uma importante diminui\u00e7\u00e3o do n\u00famero dos candidatos ao sacerd\u00f3cio.<br \/>\nA estas raz\u00f5es teol\u00f3gicas e eclesiais acrescentam-se algumas de car\u00e1ter sociol\u00f3gico: a primeira de todas \u00e9 a not\u00e1vel diminui\u00e7\u00e3o da natalidade, com a conseguinte diminui\u00e7\u00e3o dos jovens e das jovens voca\u00e7\u00f5es. Tamb\u00e9m este \u00e9 um fator que n\u00e3o pode ser ignorado. Tudo est\u00e1 relacionado. \u00c0s vezes, estabelecem-se premissas e depois n\u00e3o se quer aceitar as consequ\u00eancias, mas estas s\u00e3o inevit\u00e1veis.<br \/>\nO primeiro e irrenunci\u00e1vel rem\u00e9dio para a diminui\u00e7\u00e3o das voca\u00e7\u00f5es foi sugerido pelo pr\u00f3prio Jesus: \u201cOrai, portanto, ao dono da messe, para que envie oper\u00e1rios para a sua messe\u201d (Mt 9, 38). Este \u00e9 o realismo da pastoral das voca\u00e7\u00f5es. A ora\u00e7\u00e3o pelas voca\u00e7\u00f5es \u2013 uma intensa, universal, dilatada rede de ora\u00e7\u00e3o e de adora\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica, que envolva todo mundo \u2013 \u00e9 a verdadeira e \u00fanica resposta poss\u00edvel para a crise da resposta \u00e0s voca\u00e7\u00f5es. Onde esse comportamento orante \u00e9 vivido de forma estabelecida, pode-se afirmar que se leva a cabo uma recupera\u00e7\u00e3o real.<br \/>\n\u00c9 fundamental, al\u00e9m disso, prestar aten\u00e7\u00e3o \u00e0 identidade e especificidade na vida eclesial, de sacerdotes, religiosos \u2013 estes na peculiaridade dos carismas fundacionais dos pr\u00f3prios institutos de perten\u00e7a \u2013 e fi\u00e9is leigos, para que cada um possa, na verdade e na liberdade, compreender e acolher a voca\u00e7\u00e3o que Deus pensou para ele. Mas cada um deve ser aut\u00eantico e cada dia deve se comprometer em tornar-se o que \u00e9.<\/p>\n<p><strong>ZENIT: Emin\u00eancia, neste momento hist\u00f3rico, se o senhor tivesse que resumir a situa\u00e7\u00e3o geral, o que diria?<br \/>\nCardeal Piacenza: <\/strong>Nosso programa n\u00e3o pode ser influenciado por querer estar por cima a todo custo, de querer sentir-nos aplaudidos pela opini\u00e3o p\u00fablica: n\u00f3s devemos somente servir, por amor e com amor, o nosso Deus no nosso pr\u00f3ximo, seja ele quem for, conscientes de que o Salvador \u00e9 somente Jesus. N\u00f3s devemos deix\u00e1-lo passar, deix\u00e1-lo agir atrav\u00e9s das nossas pobres pessoas e do nosso compromisso cotidiano. Devemos colocar o que \u00e9 \u201cnosso\u201d, mas tamb\u00e9m o que \u00e9 \u201cseu\u201d. N\u00f3s, diante das situa\u00e7\u00f5es aparentemente mais desastrosas, n\u00e3o devemos nos assustar. O Senhor, na barca de Pedro, parecia dormir, parecia! Devemos agir com energia, como se tudo dependesse de n\u00f3s, mas com a paz de quem sabe que tudo depende do Senhor.<br \/>\nPortanto, devemos recordar que o nome do amor, no tempo, \u00e9 \u201cfidelidade\u201d! O crente sabe que Ele \u00e9 o Caminho, a Verdade e a Vida, e n\u00e3o \u00e9 \u201cum\u201d caminho, \u201cuma\u201d verdade, \u201cuma\u201d vida. Portanto, a coragem da verdade, pagando o pre\u00e7o de receber insultos e desprezo, \u00e9 a chave da miss\u00e3o na nossa sociedade; \u00e9 essa coragem que se une ao amor, \u00e0 caridade pastoral, que deve ser recuperada e que torna fascinante, hoje mais do que nunca, a voca\u00e7\u00e3o crist\u00e3. Eu gostaria de citar o programa formulado sinteticamente em Stuttgart pelo Conselho da Igreja Evang\u00e9lica em 1945: \u201cAnunciar com mais coragem, rezar com mais confian\u00e7a, crer com mais alegria, amar com mais paix\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p><strong>Fonte: Zenit<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entrevista com o prefeito da Congrega\u00e7\u00e3o para o Clero, cardeal Piacenza Por Antonio Gaspari O cardeal Mauro Piacenza, prefeito da Congrega\u00e7\u00e3o para o Clero, raramente interv\u00e9m no debate p\u00fablico. 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