“A genealogia da pessoa está unida primeiro com a eternidade de Deus e, só depois, com a paternidade e a maternidade humana, que se realizam no tempo” (Carta às Famílias 1994 – Beato João Paulo II).

Durante a minha infância e juventude, muitas vezes vi meu pai chegar bêbado e carregado em casa, mas tenho na memória a lembrança do “seu Mário gente boa e engraçado”. No meu noivado, ele estava presente; no casamento, ausente, pois faleceu de câncer meses antes. Passou o tempo e, hoje, eu tenho uma família que meu pai não conheceu.

Sinto-me tão pequeno diante da tarefa de educar os filhos que Deus me confiou: Rebeca, Davi e Sofia. Todos os dias, quando olho para eles, uma certeza tenho no coração, Deus é o começo e o fim na vida deles. Não é fácil educar, mas, formar para o céu é a minha missão de pai.

Dois pontos são importantes e me ajudam a caminhar neste lindo processo que é educar. De um lado, o pai limitado que sou; do outro, o compromisso com a minha paternidade. Consciente da limitação que é ser pai e do comprometimento com Deus e com “os meus filhos”, busco equilibrar-me em meio à agenda.

A vida de um pai é corrida, são muitas as ocupações. Mas sempre é bom refletir para ver se os afazeres nos permitem abraçar, beijar, conversar, brincar, passear com os filhos. Há tantos filhos que, bem mais do que os bens materiais, desejam a presença do pai.

Olho para a minha história e vejo que de uma situação é possível aprender lições boas e ruins, como o vício da bebida na vida do seu Mário, o meu pai, algo que abalou, por um período, o nosso lar.

A lição ruim é que a bebida atrapalhou o nosso relacionamento de pai e filho. A lição boa é que não desejo que os meus filhos passem por isso. Só quem viveu ou vive em uma casa com alguém no vício sabe como é difícil.

Tudo que é exagerado precisa ser analisado. A dedicação exagerada no trabalho, na religião, no esporte, na internet etc., não podem comprometer “a relação entre pai e filho”. Tem coisas que são boas, porém, é preciso saber conciliar as atividades para não prejudicar o convívio.

O meu desejo de pai é assinalar, no coração de cada filho, duas marcas: o carimbo da fé e da presença. Quero deixar essa herança a eles. Mesmo quando eu não estiver presente, que os valores semeados se façam presentes.

Sempre gosto de chegar bem pertinho do ouvido deles e falar: “Eu te amo meu filho”, “eu te amo minha filha!”. Os três escutam isso.

Cada letra da palavra Pai pode ter vários significados. Enquanto escrevia esse texto, pensei em: P (paternidade), A (amor), I (indiferença).

A indiferença, tanto do pai como do filho, precisa ser substituída por “incondicional”. Não é fácil, mas é possível. Consciente de que estou aprendendo a ser pai com meus erros e acertos, o essencial é saber que o Pai do céu ama cada filho com um amor incondicional!

Que Deus abençoe a todos que receberam esse lindo dom de Deus. Um feliz Dia dos Pais!

Cleto Coelho
Membro da Comunidade Canção Nova
Acreditar sempre, desesperar jamais e descobrir os valores que a vida tem. “Tem Jeito!”

Especial dia dos pais no programa!

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