{"id":9528,"date":"2022-08-01T15:46:56","date_gmt":"2022-08-01T18:46:56","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.cancaonova.com\/livresdetodomal\/?p=9528"},"modified":"2022-08-01T15:46:56","modified_gmt":"2022-08-01T18:46:56","slug":"acerbo-nimis-carta-enciclica-de-sao-pio-x-sobre-o-ensino-catecismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/livresdetodomal\/acerbo-nimis-carta-enciclica-de-sao-pio-x-sobre-o-ensino-catecismo\/","title":{"rendered":"Acerbo Nimis - Carta enc\u00edclica de S\u00e3o Pio X sobre o ensino do Catecismo"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center\"><strong>Acerbo Nimis &#8211; Carta enc\u00edclica de S\u00e3o Pio X<\/strong><\/h2>\n<p><a href=\"https:\/\/blog.cancaonova.com\/livresdetodomal\/files\/2022\/08\/Papa-Pio-x.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter  wp-image-9530\" src=\"https:\/\/blog.cancaonova.com\/livresdetodomal\/files\/2022\/08\/Papa-Pio-x.jpg\" alt=\"Acerbo Nimis - Carta enc\u00edclica de S\u00e3o Pio X sobre o ensino do Catecismo\" width=\"581\" height=\"327\" srcset=\"https:\/\/blog.cancaonova.com\/livresdetodomal\/files\/2022\/08\/Papa-Pio-x.jpg 1280w, https:\/\/blog.cancaonova.com\/livresdetodomal\/files\/2022\/08\/Papa-Pio-x-300x169.jpg 300w, https:\/\/blog.cancaonova.com\/livresdetodomal\/files\/2022\/08\/Papa-Pio-x-768x432.jpg 768w, https:\/\/blog.cancaonova.com\/livresdetodomal\/files\/2022\/08\/Papa-Pio-x-384x216.jpg 384w, https:\/\/blog.cancaonova.com\/livresdetodomal\/files\/2022\/08\/Papa-Pio-x-512x288.jpg 512w, https:\/\/blog.cancaonova.com\/livresdetodomal\/files\/2022\/08\/Papa-Pio-x-1024x576.jpg 1024w\" sizes=\"(max-width: 581px) 100vw, 581px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Vener\u00e1veis Irm\u00e3os,<br \/>\nSauda\u00e7\u00e3o e B\u00ean\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica.<\/p>\n<p><strong>1.<\/strong> Os secretos des\u00edgnios de Deus Nos elevaram de Nossa pequenez ao cargo de Supremo Pastor de todo o Rebanho de Cristo, em dias demasiado cr\u00edticos e amargos, pois o velho inimigo anda ao redor deste rebanho e lhe atira la\u00e7os com t\u00e3o p\u00e9rfida ast\u00facia, que agora, principalmente, parece ter-se cumprido aquela profecia do Ap\u00f3stolo aos anci\u00e3os da Igreja de \u00c9feso: \u201cEu sei que [\u2026] se introduzir\u00e3o entre v\u00f3s lobos arrebatadores, que n\u00e3o poupar\u00e3o o rebanho\u201d (At 20,29).<\/p>\n<p>Desta mal que padece a religi\u00e3o n\u00e3o h\u00e1 ningu\u00e9m, animado do zelo pela gl\u00f3ria divina, que n\u00e3o investigue as causas e raz\u00f5es, sucedendo por\u00e9m que, como cada qual as encontra diferentes, prop\u00f5e diferentes meios, segundo a sua opini\u00e3o pessoal, para defender e restaurar o reinado de Deus na terra. N\u00e3o proscrevemos, Vener\u00e1veis Irm\u00e3os, os outros ju\u00edzos, mas estamos com os que pensam que a atual depress\u00e3o e debilidade das almas, de que resultam os maiores males, prov\u00eam, principalmente, da ignor\u00e2ncia das coisas divinas.<\/p>\n<p>Esta opini\u00e3o concorda inteiramente com o que o Deus mesmo declarou por seu profeta Os\u00e9ias: \u201cN\u00e3o h\u00e1 conhecimento de Deus nesta terra. A maldi\u00e7\u00e3o, e a mentira, e o homic\u00eddio, e o furto, e o adult\u00e9rio inundaram tudo; e t\u00eam derramado sangue sobre sangue. Por isso a terra cobrir-se-\u00e1 de luto, e tudo o que nela habita cair\u00e1 em desfalecimento\u201d (Os. 4,1 ss).<\/p>\n<h3><strong>Necessidade da Instru\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h3>\n<p><strong>2.<\/strong> Qu\u00e3o comuns e fundados s\u00e3o, infelizmente, estes lamentos de que existe hoje um grande n\u00famero de pessoas, no povo crist\u00e3o, que vivem em suma ignor\u00e2ncia das coisas que se devem conhecer para conseguir a salva\u00e7\u00e3o eterna! \u2013 Ao dizer &#8220;povo crist\u00e3o&#8221;, n\u00e3o Nos referimos somente \u00e0 plebe, isto \u00e9, \u00e0queles homens das classes inferiores a quem escusa com frequ\u00eancia o fato de se acharem submetidos a senhores exigentes, e que mal se podem ocupar de si mesmos e de seu descanso; mas tamb\u00e9m e sobretudo falamos daqueles a quem n\u00e3o falta entendimento nem cultura e at\u00e9 se acham adornados de grande erudi\u00e7\u00e3o profana, mas que, no tocante \u00e0 religi\u00e3o, vivem temer\u00e1ria e imprudentemente.<\/p>\n<p>Dif\u00edcil seria ponderar a espessura das trevas que com frequ\u00eancia os envolvem e \u2013 o que \u00e9 mais triste \u2013 a tranquilidade com que permanecem nelas! Com Deus, soberano autor e moderador de todas as coisas, e com a sabedoria da f\u00e9 crist\u00e3 n\u00e3o se preocupam, de modo algum; e assim nada sabem da Encarna\u00e7\u00e3o do Verbo de Deus, nem da reden\u00e7\u00e3o por Ele levada a efeito; nada sabem da gra\u00e7a, o principal meio para a eterna salva\u00e7\u00e3o; nada do sacrif\u00edcio augusto nem dos sacramentos, pelos quais conseguimos e conservamos a gra\u00e7a.<\/p>\n<p>Quanto ao pecado, n\u00e3o conhecem sua mal\u00edcia nem sua fealdade, de modo que n\u00e3o tomam o menor cuidado em evit\u00e1-lo, nem em conseguir o perd\u00e3o por t\u00ea-lo cometido; e, quando chegam aos \u00faltimos momentos de sua vida, que convenientemente deveriam ser empregados em atos de Caridade, o sacerdote \u2013 por n\u00e3o perder a esperan\u00e7a de sua salva\u00e7\u00e3o \u2013 se v\u00ea constrangido a ensinar-lhes sumariamente a religi\u00e3o; e isto, se n\u00e3o ocorre \u2013 desgra\u00e7adamente, com muita frequ\u00eancia \u2013 que o moribundo seja de t\u00e3o culp\u00e1vel ignor\u00e2ncia, que tenha por in\u00fatil o aux\u00edlio do sacerdote e julgue que possa transpor tranquilamente os umbrais da eternidade sem ter satisfeito a Deus por seus pecados.<\/p>\n<p>Por isso, o Nosso predecessor Bento XIV escreveu justamente: \u201cAfirmamos que a maior parte dos condenados \u00e0s penas eternas padecem sua perp\u00e9tua desgra\u00e7a por ignorar os mist\u00e9rios da f\u00e9, que necessariamente se devem saber e crer para que algu\u00e9m se conte entre os eleitos\u201d (Instit. 27, 18).<\/p>\n<p><strong>3.<\/strong> Sendo isto assim, Vener\u00e1veis Irm\u00e3os, que tem de surpreendente, perguntamos, que a corrup\u00e7\u00e3o dos costumes e sua deprava\u00e7\u00e3o sejam t\u00e3o grandes e cres\u00e7am diariamente, n\u00e3o s\u00f3 nas na\u00e7\u00f5es b\u00e1rbaras, mas ainda nos mesmos povos que levam o nome de crist\u00e3os?<\/p>\n<p>Com raz\u00e3o dizia o ap\u00f3stolo S\u00e3o Paulo, ao escrever aos de \u00c9feso: \u201cE nem sequer se nomeie entre v\u00f3s a fornica\u00e7\u00e3o, ou qualquer impureza, ou avareza, como conv\u00e9m a santos; nem palavras torpes, nem loucas, nem chocarrices\u201d (Ef. 5, 3 ss). Como fundamento deste pudor e santidade com que se moderam as paix\u00f5es, p\u00f4s a ci\u00eancia das coisas divinas: \u201cCuidai, pois, irm\u00e3os, em andar com prud\u00eancia; n\u00e3o como insensatos, mas como circunspectos [\u2026]. Portanto, n\u00e3o sejais imprudentes, mas considerai qual \u00e9 a vontade de Deus\u201d (Ef. 5, 15 ss).<\/p>\n<p>Senten\u00e7a justa; porque a vontade humana mal conserva algum resto daquele amor \u00e0 honestidade e \u00e0 retid\u00e3o, posto no homem por Deus criador seu, amor que o impelia para o bem, n\u00e3o entre sombras, mas claramente visto. Depravada, todavia, pela corrup\u00e7\u00e3o do pecado original e esquecida quase de Deus, seu Criador, a vontade humana acaba por inclinar-se de todo a amar a vaidade e a buscar a mentira. Extraviada e cega pelas m\u00e1s paix\u00f5es, necessita de um guia que lhe mostre o caminho de volta \u00e0 via da justi\u00e7a que desgra\u00e7adamente abandonou. Este guia, que n\u00e3o se h\u00e1 de buscar fora do homem, e de que a pr\u00f3pria natureza o proveu, \u00e9 a pr\u00f3pria raz\u00e3o; mas se \u00e0 raz\u00e3o lhe falta sua verdadeira luz, que \u00e9 a ci\u00eancia das coisas divinas, suceder\u00e1 que, ao guiar um cego a outro cego, cair\u00e3o ambos no abismo.<\/p>\n<p>O santo Rei Davi, glorificando a Deus por esta luz da verdade que havia infundido na raz\u00e3o humana, dizia: \u201cImpressa est\u00e1 em n\u00f3s a luz do Vosso rosto, \u00f3 Senhor\u201d. E indicava o efeito desta comunica\u00e7\u00e3o da luz, acrescentando: \u201cInfundiste no meu cora\u00e7\u00e3o uma alegria maior [&#8230;]\u201d (Sl. 4, 7), a alegria com que, alargado o cora\u00e7\u00e3o, se corre pela senda dos mandados divinos.<\/p>\n<h3><strong>Efeitos das Doutrina Crist\u00e3<\/strong><\/h3>\n<p><strong>4. <\/strong>Facilmente se descobre que \u00e9 assim, porque, com efeito, a doutrina crist\u00e3 nos faz conhecer a Deus e o que chamamos suas infinitas perfei\u00e7\u00f5es, muito mais profundamente que as faculdades naturais. Mais: ao mesmo tempo, manda-nos reverenciar a Deus por obriga\u00e7\u00e3o de f\u00e9, que se refere \u00e0 raz\u00e3o; por dever de esperan\u00e7a, que se refere \u00e0 vontade, e por dever de caridade, que se refere ao cora\u00e7\u00e3o, com o qual deixa o homem inteiramente submetido a Deus, seu Criador e moderador. Da mesma maneira, s\u00f3 a doutrina de Jesus Cristo p\u00f5e o homem de posse de sua verdadeira e nobre dignidade, como filho que \u00e9 do Pai celestial, que est\u00e1 nos c\u00e9us, e que o fez \u00e0 Sua imagem e semelhan\u00e7a para viver com Ele eternamente feliz. Mas, desta mesma dignidade e do conhecimento que dela se h\u00e1 de ter, conclui Cristo que os homens devem amar-se mutuamente e viver na terra como conv\u00e9m aos filhos da luz: \u201cn\u00e3o em glutonarias e na embriaguez, n\u00e3o em desonestidades e dissolu\u00e7\u00f5es, n\u00e3o em contendas e emula\u00e7\u00f5es\u201d (Rm 13,13). Manda, igualmente, que nos entreguemos nas m\u00e3os de Deus, que cuida de n\u00f3s; que socorramos o pobre, fa\u00e7amos bem aos nossos inimigos e prefiramos os bens eternos da alma aos perecedores bens temporais. E, ainda que n\u00e3o tratemos tudo pormenorizadamente, n\u00e3o \u00e9 por acaso doutrina de Cristo a que recomenda e prescreve ao homem soberbo a humildade, origem da verdadeira gl\u00f3ria? \u201cTodo aquele, pois, que se fizer pequeno, esse ser\u00e1 o maior no reino dos c\u00e9us\u201d (Mt 18, 4).<\/p>\n<p>Nesta celestial doutrina, \u00e9 nos ensinada a prud\u00eancia do esp\u00edrito, que serve para que nos guardemos da prud\u00eancia da carne; a justi\u00e7a, para dar a cada um o que \u00e9 seu de direito; a fortaleza, que nos disp\u00f5e a sofrer e padecer tudo generosamente por Deus e pela eterna bem-aventuran\u00e7a; enfim, a temperan\u00e7a, que n\u00e3o s\u00f3 nos torna am\u00e1vel a pobreza por amor de Deus, mas, em meio a nossas humilha\u00e7\u00f5es, faz com que nos gloriemos na cruz. Depois, gra\u00e7as \u00e0 sabedoria crist\u00e3, n\u00e3o s\u00f3 nossa intelig\u00eancia recebe a luz que nos permite alcan\u00e7ar a verdade, mas tamb\u00e9m a pr\u00f3pria vontade se enche daquele ardor que nos conduz a Deus e nos une a Ele pela pr\u00e1tica da virtude.<\/p>\n<p><strong>5.<\/strong> Longe estamos de afirmar que a mal\u00edcia da alma e a corrup\u00e7\u00e3o dos costumes n\u00e3o possam coexistir com o conhecimento da religi\u00e3o. Quisera Deus que a experi\u00eancia n\u00e3o o demonstrasse com tanta frequ\u00eancia. Mas entendemos que, quando ao esp\u00edrito envolvem as espessas trevas da ignor\u00e2ncia, nem a vontade pode ser reta, nem s\u00e3o os costumes. Aquele que caminha de olhos abertos, poder\u00e1 afastar-se, n\u00e3o se nega, do rumo reto e seguro; mas o cego est\u00e1 em perigo certo de perder-se. \u2013 Ademais, quando n\u00e3o est\u00e1 inteiramente apagada a chama da f\u00e9, ainda resta a esperan\u00e7a de que se elimine a corrup\u00e7\u00e3o dos costumes; mas quando \u00e0 deprava\u00e7\u00e3o se junta a ignor\u00e2ncia da f\u00e9, j\u00e1 n\u00e3o possibilidade de rem\u00e9dio, e permanece aberto o caminho da ru\u00edna.<\/p>\n<h3><strong>O Primeiro Minist\u00e9rio<\/strong><\/h3>\n<p><strong>6.<\/strong> Uma vez que da ignor\u00e2ncia da religi\u00e3o procedem tantos e t\u00e3o graves danos, e que, por outro lado, s\u00e3o t\u00e3o grandes a necessidade e a utilidade da forma\u00e7\u00e3o religiosa, pois em v\u00e3o seria esperar que algu\u00e9m pudesse cumprir as obriga\u00e7\u00f5es de crist\u00e3o sem as conhecer, conv\u00e9m saber agora a quem compete preservar as almas daquela perniciosa ignor\u00e2ncia e instru\u00ed-las em ci\u00eancia t\u00e3o indispens\u00e1vel. \u2013 E isto, Vener\u00e1veis Irm\u00e3os, n\u00e3o oferece dificuldade alguma, porque esse grav\u00edssimo dever corresponde aos pastores de almas, que efetivamente se acham obrigados por mandado do pr\u00f3prio Cristo a conhecer e apascentar as ovelhas que lhes s\u00e3o confiadas. Apascentar \u00e9, antes de mais nada, doutrinar. \u201cEu vos darei pastores segundo o meu cora\u00e7\u00e3o, os quais vos apascentar\u00e3o com a ci\u00eancia e com a doutrina\u201d (Jer. 3, 15).<\/p>\n<p>Assim falava Jeremias, inspirado por Deus. E, por isso, dizia tamb\u00e9m o ap\u00f3stolo S\u00e3o Paulo: \u201cCristo n\u00e3o me enviou para batizar, mas para pregar\u201d (1 Cor. 1, 17), advertindo assim que o principal minist\u00e9rio de quantos exercem, de alguma maneira o governo da Igreja, consiste em ensinar aos fi\u00e9is a doutrina sagrada.<\/p>\n<p><strong>7.<\/strong> Parece-nos in\u00fatil expor novas provas da excel\u00eancia deste minist\u00e9rio e da estima que dele tem Deus. Sim, \u00e9 verdade que Deus louva grandemente a piedade que nos move a procurar o al\u00edvio das mis\u00e9rias humanas; mas quem negar\u00e1 que maior louvor merecem o zelo e o trabalho consagrados a fornecer os bens celestiais aos homens, e n\u00e3o j\u00e1 os transit\u00f3rios benef\u00edcios materiais? Nada pode ser mais grato \u2013 segundo seus pr\u00f3prios desejos \u2013 a Jesus Cristo, Salvador das almas, que disse de Si mesmo pelo Profeta Isa\u00edas: \u201cO Esp\u00edrito do Senhor [&#8230;] me ungiu para evangelizar os pobres\u201d (Luc. 4,18).<\/p>\n<p>Importa muito, Vener\u00e1veis Irm\u00e3os, assentar bem aqui \u2013 e, insistir nisto \u2013 que para todo e qualquer sacerdote \u00e9 este o dever mais grave, mais estrito, a que est\u00e1 obrigado. Porque, quem negar\u00e1 que, no sacerdote, \u00e0 santidade de vida de estar unida a ci\u00eancia? \u201cOs l\u00e1bios do sacerdote ser\u00e3o os guardas da ci\u00eancia\u201d (Mal. 2, 7).<\/p>\n<p>E, com efeito, a Igreja rigorosamente a exige de quantos aspiram a ordenar-se sacerdotes. E, por qu\u00ea? Porque o povo crist\u00e3o espera receber dos sacerdotes o ensino da divina lei, e porque Deus os destina a propag\u00e1-la. \u201cDa sua boca se h\u00e1 de aprender a lei, porque ele \u00e9 o anjo do Senhor dos ex\u00e9rcitos\u201d (Mal. 2, 7). Por isso, no momento da ordena\u00e7\u00e3o, diz o bispo, dirigindo-se aos que v\u00e3o ser consagrados sacerdotes: \u201cQue vossa doutrina seja rem\u00e9dio espiritual para o povo de Deus; que todos sejam prudentes colaboradores de nosso encargo, de modo que, meditando dia e noite acerca da santa lei, creiam naquilo que leram e ensinem aquilo em que creram\u201d (Pontif. Rom.).<\/p>\n<p>Se n\u00e3o h\u00e1 sacerdote a que isto n\u00e3o seja aplic\u00e1vel, que diremos dos que, acrescentando ao sacerdote o nome e o poder de pregadores, t\u00eam a seu cargo o compromisso de cura das almas, assim por sua dignidade como por um pacto contra\u00eddo? Estes h\u00e3o de estar inclu\u00eddos, de algum modo, na classe dos pastores e doutores que Jesus Cristo deu aos fi\u00e9is para que n\u00e3o mais sejam &#8220;meninos flutuantes, e levados, ao sabor de todo o vento de doutrina, pela malignidade dos homens, pela ast\u00facia dos que induzem ao erro; mas, praticando a verdade na caridade, cres\u00e7am em todas as coisas naquele que \u00e9 a cabe\u00e7a, Cristo\u201d (Ef. 4, 14-15).<\/p>\n<h3><strong>Disposi\u00e7\u00f5es da Igreja<\/strong><\/h3>\n<p><strong>8.<\/strong> Por isso, o sacrossanto Conc\u00edlio de Trento, falando dos pastores de almas, declara que a primeira e a maior de suas obriga\u00e7\u00f5es \u00e9 a de ensinar o povo crist\u00e3o (Sess.5, c. 2 de refor.; sess. 22, c. 8; sess. 24, c. 4 e 7 de refor.). Disp\u00f5e, em consequ\u00eancia, que pelo menos nos domingos e festas solenes deem ao povo instru\u00e7\u00e3o religiosa, e, durante os santos tempos do Avento e da Quaresma, diariamente ou ao menos tr\u00eas vezes por semana. E, n\u00e3o s\u00f3 isso, porque acrescenta o Conc\u00edlio que os p\u00e1rocos est\u00e3o obrigados, ao menos nos domingos e dias de festa, a ensinar, eles pr\u00f3prios ou por meio de outros, \u00e0s crian\u00e7as as verdades de f\u00e9 e a obedi\u00eancia que devem a Deus e a seus pais. Igualmente manda que, quando tenham de administrar algum sacramento, instruam acerca de sua natureza os que v\u00e3o receb\u00ea-lo, explicando-o em l\u00edngua vulgar e intelig\u00edvel.<\/p>\n<p><strong>9.<\/strong> Em sua constitui\u00e7\u00e3o Etsi Minime, Nosso predecessor Bento XIV resumiu tais prescri\u00e7\u00f5es e precisou-as claramente, dizendo: \u201cDuas obriga\u00e7\u00f5es imp\u00f5e principalmente o Conc\u00edlio de Trento aos pastores de almas: uma, que todos os dias de festa falem ao povo acerca das coisas divinas; outra, que ensinem \u00e0s crina\u00e7as e aos ignorantes os elementos da lei divina e da f\u00e9\u201d.<\/p>\n<p>Com raz\u00e3o disp\u00f5e este sapient\u00edssimo Pont\u00edfice o duplo minist\u00e9rio, a saber: a prega\u00e7\u00e3o, que habitualmente se chama explica\u00e7\u00e3o do Evangelho, e o ensino da doutrina crist\u00e3. Talvez n\u00e3o faltem sacerdotes que, desejosos de poupar a si mesmos trabalho, creiam que com as homilias satisfazem a obriga\u00e7\u00e3o de ensinar o Catecismo. Quem quer que reflita descobrir\u00e1 o erro desta opini\u00e3o; porque a prega\u00e7\u00e3o do Evangelho est\u00e1 destinada aos que j\u00e1 possuem os elementos da f\u00e9. \u00c9 o p\u00e3o que deve dar-se aos adultos. Mas, pelo contr\u00e1rio, o ensino do Catecismo \u00e9 aquele leite que o ap\u00f3stolo S\u00e3o Pedro queria que todos os fi\u00e9is desejassem sinceramente, como as crian\u00e7as rec\u00e9m-nascidas. \u2013 O of\u00edcio, pois, do catequista consiste em escolher alguma verdades relativa \u00e0 f\u00e9 e aos bons costumes crist\u00e3os, e explic\u00e1-la em todos os seus aspectos. E, como a finalidade do ensino \u00e9 a perfei\u00e7\u00e3o da vida, o catequista h\u00e1 de comparar o que Deus manda fazer e o que os homens fazem realmente; depois disso, e extraindo oportunamente algum exemplo da Sagrada Escritura, da hist\u00f3ria da Igreja ou das vidas dos Santos, dever\u00e1 aconselhar a seus ouvintes, como se a assinalasse com o dedo, a norma a que devem ajustar a vida, e terminar\u00e1 exortando os presentes a fugir dos v\u00edcios e a praticar a virtude.<\/p>\n<h3><strong>Instru\u00e7\u00e3o Popular<\/strong><\/h3>\n<p><strong>10.<\/strong> N\u00e3o ignoramos, em verdade, que este m\u00e9todo de ensinar a doutrina crist\u00e3 n\u00e3o \u00e9 grato a muitos, que o estimam insuficiente e talvez impr\u00f3prio para atrair o louvor popular; mas N\u00f3s declaramos que semelhante ju\u00edzo pertence aos que se deixam levar pela ligeireza mais do que pela verdade. Certamente n\u00e3o reprovamos os oradores sagrados que, movidos por sincero desejo de gl\u00f3ria divina, se empenham na defesa da f\u00e9 ou em fazer o paneg\u00edrico dos Santos; mas seu labor requer outro, preliminar \u2013 o dos catequistas \u2013, pois, faltando este, n\u00e3o h\u00e1 alicerces, e em v\u00e3o se fatigam os que edificam a casa. \u00c9 muito frequente que floridos discursos, recebidos com o aplauso de numeroso audit\u00f3rio, s\u00f3 sirvam para agradar o ouvido, n\u00e3o para comover as almas. Em contrapartida, o ensino catequ\u00e9tico, ainda que simples e humilde, merece que se lhe apliquem estas palavras que disse Deus por Isa\u00edas:<\/p>\n<p>\u201cE, assim como desce do c\u00e9u a chuva e a neve, e n\u00e3o voltam mais para l\u00e1, mas embebem a terra, e fecundam-na e fazem-na germinar, a fim de que d\u00ea semente ao que semeia, e p\u00e3o ao que come; assim ser\u00e1 a minha palavra que sair da minha boca; n\u00e3o tornar\u00e1 para mim vazia, mas far\u00e1 tudo o que eu quero, e produzir\u00e1 os efeitos para os quais a enviei\u201d. (Is. 55,10. 11).<\/p>\n<p>O mesmo ju\u00edzo se h\u00e1 de fazer daqueles sacerdotes que, para melhor expor as verdades da religi\u00e3o, publicam eruditos volumes; s\u00e3o dignos, certamente, de grande elogio. Quantos, por\u00e9m, s\u00e3o os que consultam obras dessa \u00edndole e tiram delas o fruto correspondente ao labor e aos desejos de seus autores? Mas o ensino da doutrina crist\u00e3, bem feito, jamais deixa de aproveitar aos que o escutam.<\/p>\n<p><strong>11.<\/strong> Conv\u00e9m repetir \u2013 para inflamar o zelo dos ministros do Senhor \u2013 que j\u00e1 \u00e9 grand\u00edssimo, e aumenta cada dia mais, o n\u00famero dos que ignoram tudo em mat\u00e9ria de religi\u00e3o, ou que s\u00f3 t\u00eam um conhecimento t\u00e3o imperfeito de Deus e da f\u00e9 crist\u00e3, que, em plena luz de verdade cat\u00f3lica, lhes \u00e9 poss\u00edvel viver como pag\u00e3os. Ah! qu\u00e3o grande \u00e9 o n\u00famero n\u00e3o de crian\u00e7as, mas de adultos e at\u00e9 anci\u00e3os, que ignoram absolutamente os principais mist\u00e9rios da f\u00e9, e, que ao ouvir o nome de Cristo, respondem: \u201cQuem \u00e9 [\u2026] para eu crer n&#8217;Ele?\u201d (Jo 9, 36). Da\u00ed o terem por l\u00edcito forjar e manter \u00f3dio contra o pr\u00f3ximo, fazer contratos in\u00edquos, explorar neg\u00f3cios infames, fazer empr\u00e9stimos usur\u00e1rios e cometer outras maldades semelhantes. Da\u00ed que, ignorantes da lei de Cristo \u2013 que pro\u00edbe n\u00e3o s\u00f3 toda e qualquer a\u00e7\u00e3o torpe, mas o pensamento volunt\u00e1rio e o desejo dela \u2013, muitos que, por qualquer raz\u00e3o, at\u00e9 quase se abst\u00eam dos prazeres vergonhosos, alimentam por\u00e9m, em suas almas, que carecem de princ\u00edpios religiosos, os pensamentos mais perversos, tornam o n\u00famero de suas iniquidades maior que o dos cabelos de sua cabe\u00e7a. \u2013 E, repitamos que estes v\u00edcios n\u00e3o se acham somente entre a gente pobre do campo e das classes baixas, mas tamb\u00e9m, e talvez com mais frequ\u00eancia, entre as pessoas de categoria superior, e at\u00e9 entre os que se invaidecem de seu saber e, apoiados numa v\u00e3 erudi\u00e7\u00e3o, pretendem escarnecer da religi\u00e3o e \u201cblasfemar contra tudo o que n\u00e3o conhecem\u201d (Jd. 10).<\/p>\n<p><strong>12.<\/strong> Se \u00e9 coisa v\u00e3 esperar colheita em terra que n\u00e3o semeada, como esperar gera\u00e7\u00f5es adornadas de boas obras, se oportunamente n\u00e3o foram instru\u00eddas na doutrina crist\u00e3? \u2013 Donde justamente conclu\u00edmos que, se a f\u00e9 enfraquece em nossos dias at\u00e9 parecer quase morta em uma grande maioria, \u00e9 porque que se cumpriu descuidadamente, ou se descumpriu de todo, a obriga\u00e7\u00e3o de ensinar as verdades contidas no Catecismo. In\u00fatil seria dizer, como escusa, que a f\u00e9 \u00e9 dada gratuitamente e conferida a cada um no batismo. Porque, certamente, quando fomos batizados em Jesus Cristo, fomos enriquecidos com o h\u00e1bito da f\u00e9, mas esta divina semente n\u00e3o chega a \u201ccrescer\u2026 e criar grandes ramos\u201d (Marc. 4, 32) se entregue a si mesma e reduzida a atuar como por virtude inata. Tem o homem, desde que nasce, a faculdade de entender; mas esta faculdade necessita da palavra materna para, como se diz, converter-se em ato. Tamb\u00e9m o homem crist\u00e3o, ao renascer pela \u00e1gua e pelo Esp\u00edrito Santo, traz como em germe a f\u00e9; mas necessita do ensino da Igreja para que essa f\u00e9 possa nutrir-se, crescer e dar fruto.<\/p>\n<p>Por isso escrevia o Ap\u00f3stolo: \u201cA f\u00e9 prov\u00e9m do ouvir e o ouvir depende da prega\u00e7\u00e3o da palavra de Cristo\u201d (Rom. 10, 17). E para mostrar a necessidade do ensino, acrescentou: \u201cComo ouvir\u00e3o, sem haver quem lhes pregue?\u201d (Rom. 10, 14).<\/p>\n<h3><strong>Normas<\/strong><\/h3>\n<p><strong>13.<\/strong> Pelo exposto at\u00e9 aqui, pode ver-se qual seja a import\u00e2ncia da instru\u00e7\u00e3o religiosa do povo; devemos, pois, fazer todo o poss\u00edvel para que o ensino da Doutrina sagrada, institui\u00e7\u00e3o \u2013 segundo frase de Nosso predecessor Bento XIV \u2013 a mais \u00fatil para a gl\u00f3ria de Deus e a salva\u00e7\u00e3o das almas (Const. Etsi minime, 13), se mantenha sempre florescente, ou, onde se tenha dela descuidado, se restaure. Assim, pois, Vener\u00e1veis Irm\u00e3os, querendo cumprir esta grave obriga\u00e7\u00e3o do apostolado supremo e fazer com que em todas as partes se observem em mat\u00e9ria t\u00e3o importante as mesmas normas, em virtude de Nossa suprema autoridade, estabelecemos para todas as dioceses as seguintes disposi\u00e7\u00f5es, que mandamos sejam observadas e expressamente cumpridas:<\/p>\n<p><strong>I)<\/strong> Todos os p\u00e1rocos, e em geral quantos exer\u00e7am cura de almas, h\u00e3o de ensinar a todos os meninos e meninas, com base no Catecismo, durante uma hora inteira, todos os domingos e festas do ano, sem excetuar nenhum, aquilo em que devem crer e aquilo que devem fazer para alcan\u00e7ar a salva\u00e7\u00e3o eterna.<\/p>\n<p><strong>II)<\/strong> Os mesmos p\u00e1rocos h\u00e3o de preparar os meninos e meninas, em \u00e9poca fixa do ano, e mediante instru\u00e7\u00e3o que deve durar v\u00e1rios dias, para receber dignamente os sacramentos da Penit\u00eancia e da Confirma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>III)<\/strong> Al\u00e9m disso, h\u00e3o de preparar com especial cuidado os rapazinhos e mocinhas para que, santamente, se aproximem pela primeira vez da Sagrada Mesa, valendo-se para isso de oportunos ensinamentos e exorta\u00e7\u00f5es, durante todos os dias de Quaresma e, caso seja necess\u00e1rio, durante v\u00e1rios outros depois da P\u00e1scoa.<\/p>\n<p><strong>IV)<\/strong> Em todas e cada uma das par\u00f3quias, erigir-se-\u00e1 canonicamente a associa\u00e7\u00e3o chamada vulgarmente Congrega\u00e7\u00e3o da Doutrina Crist\u00e3. Com a qual, principalmente onde suceda ser escasso o n\u00famero de sacerdotes, os p\u00e1rocos ter\u00e3o colaboradores seculares para o ensino do Catecismo, os quais se ocupar\u00e3o deste minist\u00e9rio, tanto por zelo da gl\u00f3ria de Deus, como para beneficiar-se das santas indulg\u00eancias com que os Romanos Pont\u00edfices enriqueceram esta associa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>V) <\/strong>Nas cidades mais populosas, principalmente onde haja Faculdades maiores, Institutos e Col\u00e9gios, fundem-se escolas de religi\u00e3o para instruir nas verdades da f\u00e9 e nas pr\u00e1ticas da vida crist\u00e3 a juventude que frequente as escolas p\u00fablicas, n\u00e3o quais n\u00e3o se mencionam as coisas da religi\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>VI)<\/strong> Porque, nestes tempos, a idade madura, n\u00e3o menos que a inf\u00e2ncia, necessita da instru\u00e7\u00e3o religiosa, os p\u00e1rocos e quantos sacerdotes exer\u00e7am cura de almas, al\u00e9m da habitual homilia sobre o Santo Evangelho, que h\u00e3o de fazer todos os dias de festa, na Missa paroquial, dever\u00e3o determinar a hora mais oportuna para que compare\u00e7am os fi\u00e9is \u2013 excetuando a hora destinada \u00e0 doutrina das crian\u00e7as \u2013 e dar instru\u00e7\u00e3o catequ\u00e9tica aos adultos, com linguagem simples e proporcionada \u00e0 sua intelig\u00eancia. Para isso, valer-se-\u00e3o do Catecismo do Conc\u00edlio de Trento, de tal modo que, no espa\u00e7o de quatro ou cinco anos, expliquem tudo quanto se refere ao S\u00edmbolo, aos Sacramentos, ao Dec\u00e1logo, \u00e0 Ora\u00e7\u00e3o e aos Mandamentos da Igreja.<\/p>\n<p><strong>VII)<\/strong> Vener\u00e1veis Irm\u00e3os, isto mandamos e estabelecemos em virtude de Nossa autoridade apost\u00f3lica. Agora, \u00e9 obriga\u00e7\u00e3o vossa procurar, cada qual em sua pr\u00f3pria diocese, que estas prescri\u00e7\u00f5es se cumpram inteiramente e sem demora. Velai, pois, e, com a autoridade que vos \u00e9 peculiar, procurai que Nossos mandamentos n\u00e3o caiam no esquecimento, ou \u2013 o que resultaria no mesmo \u2013 se cumpram com neglig\u00eancia e frouxid\u00e3o. Para evitar essa falta, haveis de empregar as recomenda\u00e7\u00f5es mais ass\u00edduas e imediatas aos p\u00e1rocos, para que n\u00e3o expliquem o Catecismo sem pr\u00e9via prepara\u00e7\u00e3o, e para que n\u00e3o falem a linguagem da sabedoria humana, mas \u201ccom simplicidade de cora\u00e7\u00e3o e com sinceridade diante de Deus\u201d (2 Cor. 1, 12) sigam o exemplo de Cristo, o Qual, embora revelasse \u201ccoisas que t\u00eam estado ocultas desde a cria\u00e7\u00e3o do mundo\u201d (Mt 13, 35), as dizia \u201cao povo em par\u00e1bolas; e n\u00e3o lhes falava sem par\u00e1bolas\u201d (Mat 13, 34). Sabemos que o mesmo fizeram os Ap\u00f3stolos, ensinados por Jesus Cristo; e deles dizia S\u00e3o Greg\u00f3rio Magno: \u201cTiveram todo o empenho em pregar aos povos ignorantes coisas simples e acess\u00edveis, e n\u00e3o coisas altas e \u00e1rduas\u201d (Moral. lib. 17, c. 26). E, nas coisas de religi\u00e3o, grande parte dos homens de nossa \u00e9poca h\u00e1 de ter-se por ignorante.<\/p>\n<h3><strong>O trabalho do ensino<\/strong><\/h3>\n<p><strong>14.<\/strong> Mas n\u00e3o querer\u00edamos que algu\u00e9m, em raz\u00e3o desta mesma simplicidade que conv\u00e9m observar, imaginasse que o ensino catequ\u00e9tico n\u00e3o requer trabalho nem medita\u00e7\u00e3o; ao contr\u00e1rio, ele os exige maiores que qualquer outro g\u00eanero. \u00c9 mais f\u00e1cil achar um orador que fale com abund\u00e2ncia e brilhantismo que um catequista cujas explica\u00e7\u00e3o mere\u00e7a pleno louvor. Por conseguinte, devem todos levar em conta que, por grande que seja a facilidade de conceitos e de express\u00e3o de que se ache naturalmente dotado, ningu\u00e9m falar\u00e1 da doutrina crist\u00e3 com proveito espiritual dos adultos nem das crian\u00e7as sem antes se preparar com estudo e s\u00e9ria medita\u00e7\u00e3o. Enganam-se os que, confiando na inexperi\u00eancia e rudeza intelectual do povo, creem que podem proceder negligentemente nesta mat\u00e9ria. Ao contr\u00e1rio: quanto mais incultos os ouvintes, maior zelo e cuidado se requerem para conseguir que as verdades mais sublimes, t\u00e3o acima do entendimento da generalidade dos homens, penetrem na intelig\u00eancia dos ignorantes; os quais, n\u00e3o menos que os s\u00e1bios, necessitam conhec\u00ea-las para alcan\u00e7ar a eterna bem-aventuran\u00e7a.<\/p>\n<p><strong>15.<\/strong> Seja-nos permitido, Vener\u00e1veis Irm\u00e3os, dizer-vos ao terminar esta Carta, o que disse Mois\u00e9s: \u201cQuem \u00e9 pelo Senhor, junte-se a mim\u201d (\u00cax. 32, 26). Observai, rogamos-vos e pedimos qu\u00e3o grandes estragos produz nas almas a ignor\u00e2ncia das coisas divinas. Talvez tenhais estabelecido, em vossas dioceses, muitas obras \u00fateis e dignas de louvor, para o bem de vossos rebanhos; mas, com prefer\u00eancia a todas elas, e com todo o empenho, todo o zelo e const\u00e2ncia que vos sejam poss\u00edveis, buscai esmeradamente que o conhecimento da Doutrina crist\u00e3 penetre por completo na mente e no cora\u00e7\u00e3o de todos. \u201cComunique cada um ao pr\u00f3ximo \u2013 repetimos com o ap\u00f3stolo S\u00e3o Pedro \u2013 o dom que recebeu, como bons dispensadores da multiforme gra\u00e7a de Deus\u201d (1 Pd. 4, 10).<\/p>\n<p>Que, mediante a intercess\u00e3o da Imaculada e Bem-Aventurada Virgem Maria, vosso zelo e piedosa ind\u00fastria se excitem com a B\u00ean\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica, que, em testemunho de Nossa caridade e como penhor de favores celestes, amorosamente vos concedemos a v\u00f3s, a vosso clero e ao povo que vos est\u00e1 confiado.<\/p>\n<p>Dado em Roma, junto a S\u00e3o Pedro, em 15 de abril de 1905, no segundo ano de Nosso Pontificado.<\/p>\n<p>Papa Pio X.<\/p>\n<p><strong>Desde j\u00e1 Deus aben\u00e7oe voc\u00ea!<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left\">Deixe seus coment\u00e1rios abaixo, ser\u00e1 importante saber sua experi\u00eancia ou opini\u00e3o sobre o assunto!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><em><a href=\"http:\/\/www.mylivesignature.com\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img decoding=\"async\" style=\"border: 0 !important;background: transparent\" src=\"http:\/\/signatures.mylivesignature.com\/54491\/45\/EFB9864329F8DE170A020E5C11DB9261.png\" alt=\"\" \/><\/a><\/em>&#8211;<br \/>\nNos siga no <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/danilo_gesualdo\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Instagram<\/a><br \/>\n&#8211; Acompanhe tamb\u00e9m nossa Pagina no <a title=\"Acesse nossa Pagina no Facebook\" href=\"https:\/\/www.facebook.com\/livresdetodomal\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Facebook<\/a><br \/>\n&#8211; Se inscreva em nosso canal no <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/channel\/UCtTV6_p58praRda6Thn9MGw\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Youtube<\/a><br \/>\n&#8211; Me acompanhe diariamente pelo <a title=\"Acesse meu Twitter\" href=\"https:\/\/twitter.com\/danilogesualdo\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Twitter<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><em><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><\/em><\/p>\n<p>1. <a href=\"https:\/\/danilogesualdo.wordpress.com\/2022\/03\/10\/a-tao-necessaria-solidao\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">A t\u00e3o necess\u00e1ria solid\u00e3o<\/a><\/p>\n<p>2. <a href=\"http:\/\/blog.cancaonova.com\/livresdetodomal\/deus-ouve-oracao-de-uma-pessoa-que-esta-em-pecado-mortal\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Deus ouve a ora\u00e7\u00e3o de uma pessoa em Pecado Mortal?<\/a><\/p>\n<p>3. <a href=\"http:\/\/blog.cancaonova.com\/livresdetodomal\/promessas-de-nossa-senhora-aos-que-rezarem-o-rosario\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">As promessas de Nossa Senhora aos que rezarem o Ros\u00e1rio<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Acerbo Nimis &#8211; Carta enc\u00edclica de S\u00e3o Pio X Vener\u00e1veis Irm\u00e3os, Sauda\u00e7\u00e3o e B\u00ean\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica. 1. 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