{"id":1199,"date":"2013-02-26T11:29:23","date_gmt":"2013-02-26T14:29:23","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.cancaonova.com\/lorena\/?p=1199"},"modified":"2021-07-26T13:55:26","modified_gmt":"2021-07-26T16:55:26","slug":"o-entrelacamento-indissoluvel-de-fe-e-caridade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/lorena\/o-entrelacamento-indissoluvel-de-fe-e-caridade\/","title":{"rendered":"O entrela\u00e7amento indissol\u00favel de f\u00e9 e caridade"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">\u00c0 luz de quanto foi dito, torna-se claro que nunca podemos separar e menos ainda contrapor f\u00e9 e caridade. Estas duas virtudes teologais est\u00e3o intimamente unidas, e seria errado ver entre elas um contraste ou uma \u00abdial\u00e9tica\u00bb. Na realidade, se, por um lado, \u00e9 redutiva a posi\u00e7\u00e3o de quem acentua de tal maneira o car\u00e1cter priorit\u00e1rio e decisivo da f\u00e9 que acaba por subestimar ou quase desprezar as obras concretas da caridade reduzindo-a a um gen\u00e9rico humanitarismo, por outro \u00e9 igualmente redutivo defender uma exagerada supremacia da caridade e sua operatividade, pensando que as obras substituem a f\u00e9. Para uma vida espiritual s\u00e3, \u00e9 necess\u00e1rio evitar tanto o fide\u00edsmo como o ativismo moralista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A exist\u00eancia crist\u00e3 consiste num cont\u00ednuo subir ao monte do encontro com Deus e depois voltar a descer, trazendo o amor e a for\u00e7a que da\u00ed derivam, para servir os nossos irm\u00e3os e irm\u00e3s com o pr\u00f3prio amor de Deus. Na Sagrada Escritura, vemos como o zelo dos Ap\u00f3stolos pelo an\u00fancio do Evangelho, que suscita a f\u00e9, est\u00e1 estreitamente ligado com a amorosa solicitude pelo servi\u00e7o dos pobres (cf. At 6, 1-4). Na Igreja, devem coexistir e integrar-se contempla\u00e7\u00e3o e a\u00e7\u00e3o, de certa forma simbolizadas nas figuras evang\u00e9licas das irm\u00e3s Maria e Marta (cf. Lc 10, 38-42). A prioridade cabe sempre \u00e0 rela\u00e7\u00e3o com Deus, e a verdadeira partilha evang\u00e9lica deve radicar-se na f\u00e9 (cf. Catequese na Audi\u00eancia geral de 25 de Abril de 2012). De fato, por vezes tende-se a circunscrever a palavra \u00abcaridade\u00bb \u00e0 solidariedade ou \u00e0 mera ajuda humanit\u00e1ria; \u00e9 importante recordar, ao inv\u00e9s, que a maior obra de caridade \u00e9 precisamente a evangeliza\u00e7\u00e3o, ou seja, o \u00abservi\u00e7o da Palavra\u00bb. N\u00e3o h\u00e1 a\u00e7\u00e3o mais ben\u00e9fica e, por conseguinte, caritativa com o pr\u00f3ximo do que repartir-lhe o p\u00e3o da Palavra de Deus, faz\u00ea-lo participante da Boa Nova do Evangelho, introduzi-lo no relacionamento com Deus: a evangeliza\u00e7\u00e3o \u00e9 a promo\u00e7\u00e3o mais alta e integral da pessoa humana. Como escreveu o Servo de Deus Papa Paulo VI, na Enc\u00edclica Populorum Progressio, o an\u00fancio de Cristo \u00e9 o primeiro e principal fator de desenvolvimento (cf. n. 16). A verdade primordial do amor de Deus por n\u00f3s, vivida e anunciada, \u00e9 que abre a nossa exist\u00eancia ao acolhimento deste amor e torna poss\u00edvel o desenvolvimento integral da humanidade e de cada homem (cf. Enc. Caritas in Veritate, 8).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Essencialmente, tudo parte do Amor e tende para o Amor. O amor gratuito de Deus \u00e9-nos dado a conhecer por meio do an\u00fancio do Evangelho. Se o acolhermos com f\u00e9, recebemos aquele primeiro e indispens\u00e1vel contato com o divino que \u00e9 capaz de nos fazer \u00abenamorar do Amor\u00bb, para depois habitar e crescer neste Amor e comunic\u00e1-lo com alegria aos outros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A prop\u00f3sito da rela\u00e7\u00e3o entre f\u00e9 e obras de caridade, h\u00e1 um texto na Carta de S\u00e3o Paulo aos Ef\u00e9sios que a resume talvez do melhor modo: \u00ab\u00c9 pela gra\u00e7a que estais salvos, por meio da f\u00e9. E isto n\u00e3o vem de v\u00f3s; \u00e9 dom de Deus; n\u00e3o vem das obras, para que ningu\u00e9m se glorie. Porque n\u00f3s fomos feitos por Ele, criados em Cristo Jesus, para vivermos na pr\u00e1tica das boas a\u00e7\u00f5es que Deus de antem\u00e3o preparou para nelas caminharmos\u00bb (2, 8-10). Daqui se deduz que toda a iniciativa salv\u00edfica vem de Deus, da sua gra\u00e7a, do seu perd\u00e3o acolhido na f\u00e9; mas tal iniciativa, longe de limitar a nossa liberdade e responsabilidade, torna-as mais aut\u00eanticas e orienta-as para as obras da caridade. Estas n\u00e3o s\u00e3o fruto principalmente do esfor\u00e7o humano, de que vangloriar-se, mas nascem da pr\u00f3pria f\u00e9, brotam da gra\u00e7a que Deus oferece em abund\u00e2ncia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Trecho da mensagem do Papa para a Quaresma de 2013.<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c0 luz de quanto foi dito, torna-se claro que nunca podemos separar e menos ainda contrapor f\u00e9 e caridade. Estas duas virtudes teologais est\u00e3o intimamente unidas, e seria errado ver entre elas um contraste ou uma \u00abdial\u00e9tica\u00bb. 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