{"id":5676,"date":"2015-03-30T17:42:42","date_gmt":"2015-03-30T20:42:42","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.cancaonova.com\/metanoia\/o-dicionario-da-familia\/"},"modified":"2015-03-30T17:42:42","modified_gmt":"2015-03-30T20:42:42","slug":"o-dicionario-da-familia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/metanoia\/o-dicionario-da-familia\/","title":{"rendered":"O dicion\u00e1rio da fam\u00edlia"},"content":{"rendered":"<p>O dicion\u00e1rio da fam\u00edlia \u00e9 o que definimos a entrevista do\u00a0presidente do Pontif\u00edcio Instituto Jo\u00e3o Paulo II para os Estudos sobre Matrim\u00f4nio e Fam\u00edlia,\u00a0monsenhor\u00a0Livio Melina para a revista Tempi.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/blog.cancaonova.com\/metanoia\/files\/2015\/03\/O-dicion\u00e1rio-da-fam\u00edlia.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-5678\" src=\"http:\/\/blog.cancaonova.com\/metanoia\/files\/2015\/03\/O-dicion\u00e1rio-da-fam\u00edlia.jpg\" alt=\"O dicion\u00e1rio da fam\u00edlia\" width=\"600\" height=\"350\" srcset=\"https:\/\/blog.cancaonova.com\/metanoia\/files\/2015\/03\/O-dicion\u00e1rio-da-fam\u00edlia.jpg 600w, https:\/\/blog.cancaonova.com\/metanoia\/files\/2015\/03\/O-dicion\u00e1rio-da-fam\u00edlia-300x175.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><\/p>\n<blockquote>\n<h1>\u00a0&#8220;Sem as rela\u00e7\u00f5es constitutivas que nos d\u00e3o identidade, o homem \u00e9 um indiv\u00edduo fr\u00e1gil&#8221;<\/h1>\n<p>&nbsp;<\/p><\/blockquote>\n<p>Uma coisa \u00e9 o respeito devido a todas as pessoas, independentemente da sua orienta\u00e7\u00e3o sexual, uma conta os direitos da fam\u00edlia aut\u00eantica, base do bem comum da sociedade. Como voc\u00ea pode n\u00e3o compreender que \u00e9 a fam\u00edlia composta por homem e mulher, enraizada firmemente no matrim\u00f4nio e comprometidos com o educa\u00e7\u00e3o dos filhos que cria a &#8216;capita social&#8217; de atitudes, de cultura e de virtudes sobre os quais se baseia o viver juntos? Como n\u00e3o entender que, se isso est\u00e1 faltando quebra o v\u00ednculo social? &#8220;.<!--more--><\/p>\n<div>Ent\u00e3o monsenhor Livio Melina, declara em entrevista \u00e0 &#8220;Tempi&#8221;.<\/div>\n<div>\n<p><em>&#8220;Se deveria meditar &#8211; sugere &#8211; as palavras do<strong><a title=\"Leia tudo sobre Bento XVI\" href=\"http:\/\/papa.cancaonova.com\/bento-xvi\/\" target=\"_blank\"> Papa Ratzinger<\/a> <\/strong>em um de seus \u00faltimos discursos: de 22 de Dezembro de 2012 para as felicita\u00e7\u00f5es natalinas \u00e0 C\u00faria Romana. Ele disse que nas muta\u00e7\u00f5es e deforma\u00e7\u00f5es que amea\u00e7am a fam\u00edlia, sob o pretexto dos chamados supostos &#8220;novos direitos&#8221;, com a redefini\u00e7\u00e3o do matrim\u00f4nio, com a revoga\u00e7\u00e3o da paternidade e da maternidade, est\u00e1 em jogo nada menos que a identidade humana: sem as rela\u00e7\u00f5es constitutivas que nos d\u00e3o identidade \u2013 <a title=\"Fam\u00edlia: projeto original de Deus\" href=\"http:\/\/blog.cancaonova.com\/metanoia\/familia-projeto-original-de-deus\/#.VRml4dLF-So\" target=\"_blank\">filho, pai, m\u00e3e, marido e mulher, irm\u00e3o e irm\u00e3<\/a> &#8211; o homem s\u00f3 \u00e9 um indiv\u00edduo fr\u00e1gil e manipulado pelo poder. Mas a quest\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 radicalmente teol\u00f3gica: ou seja, o jogo est\u00e1 na linguagem origin\u00e1ria do homem, da qual se serviu Deus na Revela\u00e7\u00e3o para falar-nos. Que palavras nos bastar\u00e1 para falar de Deus sem o dicion\u00e1rio dessas rela\u00e7\u00f5es familiares?&#8221;<\/em><\/p>\n<h2>Leia a entrevista na \u00edntegra:<\/h2>\n<h2><\/h2>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><span style=\"color: #00000a\"><span style=\"font-size: large\"><span lang=\"pt-BR\"><b>&#8220;Jesus n\u00e3o fez sondagem, quando ele prop\u00f4s o perd\u00e3o dos inimigos, o matrim\u00f4nio indissol\u00favel, a Eucaristia e a cruz&#8221;<\/b><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><span style=\"color: #00000a\"><span lang=\"pt-BR\">Monsenhor Livio Melina \u00e9 o diretor de um dos mais influentes grupo de reflex\u00e3o do Vaticano. O &#8220;Pontif\u00edcio Instituto Jo\u00e3o Paulo II para Estudos sobre Matrim\u00f4nio e Fam\u00edlia&#8221;. Instituto que tem a &#8220;casa m\u00e3e&#8221; em Roma e onze escrit\u00f3rios em todo o mundo. Fundada em 1981 por S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II &#8211; &#8220;o Papa da fam\u00edlia&#8221;, como definiu o seu sucessor Francisco &#8211; antes de Melina (no cargo desde 2006) na parte superior do que \u00e9 certamente o mais t\u00edpico das criaturas wojtylianas, alternaram Carlo Caffara, atual arcebispo e cardeal de Bolonha, e Angelo Scola, arcebispo e cardeal de Mil\u00e3o. Sessenta anos Padre origin\u00e1rio da Adria, al\u00e9m de dirigir o &#8220;Jo\u00e3o Paulo II&#8221;, Melina ensina teologia moral e \u00e9 professor visitante em Washington DC e Melbourne. Diretor cient\u00edfico da revista Anthropotes, autor prol\u00edfico, consultor e membro de v\u00e1rias academias Vaticanas (Pontif\u00edcia Academia de Teologia, Pontif\u00edcio Conselho para a Fam\u00edlia e pelo Pontif\u00edcio Conselho para a Pastoral da Sa\u00fade), colaborador de revistas hist\u00f3ricas teol\u00f3gicas (Revue Th\u00e9ologique des Bernardins e Communio), Melina tamb\u00e9m \u00e9 correspondente de Acad\u00e9mie d&#8217;Education et d&#8217;Etudes Sociales, em Paris.<\/span><\/span><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><span style=\"color: #00000a\"><span lang=\"pt-BR\"><b>De acordo com o cardeal de Mil\u00e3o, Angelo Scola, o contexto hist\u00f3rico, atual \u00e9 caracterizado por um &#8220;erotismo penetrante&#8221;. \u00c9 a consequ\u00eancia da chamada &#8220;revolu\u00e7\u00e3o sexual&#8221;?<\/b><\/span><\/span><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><span style=\"color: #00000a\"><span lang=\"pt-BR\">A revolu\u00e7\u00e3o sexual pode ser definida como uma s\u00e9rie de rupturas do contexto natural e cultural em que a experi\u00eancia do amor humano era vivida na tradi\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica: romper a rela\u00e7\u00e3o entre sexualidade e matrim\u00f4nio (com uma sexualidade extraconjugal); quebrar a rela\u00e7\u00e3o entre sexualidade e procria\u00e7\u00e3o (mediante a contracep\u00e7\u00e3o e \u00e0 reprodu\u00e7\u00e3o artificial), quebrando a liga\u00e7\u00e3o entre sexualidade e amor (com uma sexualidade &#8220;l\u00edquida&#8221;). Desta forma, o sexo se tornou uma mina solta e onipresente, invadindo o cen\u00e1rio da exist\u00eancia atual com a for\u00e7a de uma auto evid\u00eancia que se imp\u00f5e. Eu me lembro que padre Giussani disse uma vez que para destruir a mentalidade crist\u00e3 do povo, no per\u00edodo do imediato p\u00f3s-guerra, os comunistas tinham come\u00e7ado a difundir a pornografia, chantageando assim o homem em seu ponto mais fraco. Na d\u00e9cada de sessenta Marcuse sinalizou o mesmo fen\u00f4meno da instrumentaliza\u00e7\u00e3o do eros na sociedade de consumo avan\u00e7ado, o que quer &#8220;o homem unidimensional&#8221;&#8230;<\/span><\/span><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><span style=\"color: #00000a\"><span lang=\"pt-BR\">Na verdade carrega um forte preconceito puritano sobre o cristianismo: identifica o cristianismo com a moral, a moralidade com um sistema de proibi\u00e7\u00f5es, e pensa-se que estas proibi\u00e7\u00f5es se d\u00e3o sobretudo no \u00e2mbito sexual, de modo que no final desta s\u00e9rie de falsas equa\u00e7\u00f5es o cristianismo \u00e9 equiparado a repress\u00e3o sexual. Como intensamente observou o Papa Bento XVI na enc\u00edclica Deus Caritas Est: assenta sobre o cristianismo a acusa\u00e7\u00e3o nietzschiana de ter envenenado a experi\u00eancia mais bonita e atraente da vida. <span style=\"color: #0000ff\">Entra aqui, ent\u00e3o, uma esp\u00e9cie de complexo de culpa dos cl\u00e9rigos, mais acentuada pelos deplor\u00e1veis esc\u00e2ndalos de pedofilia . Ent\u00e3o, no final n\u00e3o s\u00f3 a Igreja \u00e9 intimada ao sil\u00eancio sobre este tema, mas tamb\u00e9m na Igreja acaba pensando que \u00e9 melhor ficar calado para n\u00e3o prejudicar a evangeliza\u00e7\u00e3o. E assim o tema culturalmente mais impressionante, educacionalmente mais decisivo, vem abandonada \u00e0 mentalidade mundana que permeia at\u00e9 mesmo os fi\u00e9is que, quando pensam destas coisas j\u00e1 n\u00e3o expressam um sensus fidelium teologicamente significativo, mas a mentalidade mundana da qual todos n\u00f3s devemos converter-nos para aderir a novidade de Cristo, o \u00fanico que nos liberta.<\/span> Jesus n\u00e3o fez sondagens quando prop\u00f4s o perd\u00e3o aos inimigos, a indissolubilidade do matrim\u00f4nio, a Eucaristia e a palavra da cruz: sabia como eles pensavam at\u00e9 mesmo os disc\u00edpulos. Ao inv\u00e9s disse: &#8220;Quereis ir embora tamb\u00e9m v\u00f3s?&#8221;.<\/span><\/span><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><span style=\"color: #00000a\"><span lang=\"pt-BR\"><b>Ent\u00e3o? O que est\u00e1 em jogo hoje?<\/b><\/span><\/span><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><span style=\"color: #00000a\"><span lang=\"pt-BR\">Se deveria refletir sobre as palavras do Papa Ratzinger num dos seus \u00faltimos discursos: de 22 de Dezembro de 2012 para os cumprimentos do Natal \u00e0 C\u00faria Romana. Ele disse que nas muta\u00e7\u00f5es e deforma\u00e7\u00f5es que amea\u00e7am a fam\u00edlia, sob o pretexto dos chamados supostos &#8220;novos direitos&#8221;, com a redefini\u00e7\u00e3o do matrim\u00f4nio, com a redefini\u00e7\u00e3o da paternidade e da maternidade, <strong>est\u00e1 em jogo nada menos que a identidade humana: sem as rela\u00e7\u00f5es constitutivas que nos d\u00e3o identidade &#8211; filho, pai, m\u00e3e, marido e mulher, irm\u00e3o e irm\u00e3 &#8211; o homem s\u00f3 \u00e9 um fr\u00e1gil indiv\u00edduo manipulado pelo poder.<\/strong> Mas a quest\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 radicalmente teol\u00f3gica: ou seja, o jogo, isto \u00e9, na linguagem original do humano, da qual se serviu a Deus na Revela\u00e7\u00e3o para falar-nos. Que palavras a\u00ed permanecer\u00e1 para falar de Deus sem o l\u00e9xico dessas rela\u00e7\u00f5es familiares?<\/span><\/span><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><span style=\"color: #00000a\"><span lang=\"pt-BR\">Entre as quest\u00f5es p\u00fablicas mais debatidas \u00e9, certamente, o tema da diferen\u00e7a \/ indiferen\u00e7a sexual. Tanto \u00e9 assim que, tentado por uma certa educa\u00e7\u00e3o sentimental, muitas vezes os cat\u00f3licos que lutam para apoiar com seguran\u00e7a que o matrim\u00f4nio \u00e9 entre um homem e uma mulher.<\/span><\/span><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><a href=\"http:\/\/eventos.cancaonova.com\/edicao\/aprofundamento-nucleo-familiar\/\" target=\"_blank\">* Can\u00e7\u00e3o Nova promove aprofundamento sobre: Ideologia de g\u00eanero e identidade sexual<\/a><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><span style=\"color: #00000a\"><span lang=\"pt-BR\">A diferen\u00e7a sexual, que marca o corpo, uma vez que nas fibras mais intimas e orienta a uma forma espec\u00edfica de rela\u00e7\u00e3o, representa uma refer\u00eancia antropol\u00f3gico fundamental, com um car\u00e1ter profissional forte. \u00c9 um apelo: isto \u00e9, n\u00e3o \u00e9 apenas dado biol\u00f3gico e nem um fator aleat\u00f3rio completamente estabelecida na biologia. \u00c9 convite a uma resposta e um caminho que pede educa\u00e7\u00e3o para assumir a forma de uma liga\u00e7\u00e3o em que se realize o dom de si no amor, com o car\u00e1ter de exclusividade, totalidade e irrevogabilidade de uma promessa e com uma redund\u00e2ncia inerente de abertura a vida na procria\u00e7\u00e3o. A perda da ideia de que existe uma natureza humana comum n\u00e3o manipul\u00e1vel, que existam t\u00edtulos originais que d\u00e3o a identidade e miss\u00e3o \u00e0 vida (como na <strong><a href=\"http:\/\/destrave.cancaonova.com\/ideologia-de-genero-seus-perigos-e-alcances\/\" target=\"_blank\">ideologia do g\u00eanero<\/a><\/strong>), faz com que seja imposs\u00edvel pensar em um bem comum da sociedade. Uma conta \u00e9 o respeito devido a todas as pessoas, independentemente da sua orienta\u00e7\u00e3o sexual, uma conta s\u00e3o os direitos da fam\u00edlia aut\u00eantica, de acordo com o bem comum da sociedade. <span style=\"color: #0000ff\">Como se pode n\u00e3o entender que \u00e9 a fam\u00edlia composta do homem e da mulher, enraizada firmemente no matrim\u00f4nio e comprometidos com a educa\u00e7\u00e3o dos filhos que cria essa &#8220;capital social&#8221; de atitudes, cultura e de virtudes sobre a qual se baseia o viver juntos? Como n\u00e3o entender que, se isso falta quebra o v\u00ednculo social?<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><span style=\"color: #00000a\"><span lang=\"pt-BR\">Como comprovado por muitas respostas ao question\u00e1rio, em prepara\u00e7\u00e3o para o S\u00ednodo dos Bispos sobre a fam\u00edlia, sobre a concep\u00e7\u00e3o e a moral do homem e existe uma grande confus\u00e3o entre os fi\u00e9is. A confus\u00e3o exacerbada do bombardeio medi\u00e1tico tecnol\u00f3gico cada vez mais penetrante. A moral de hoje goza de uma reputa\u00e7\u00e3o ruim na sociedade e na pr\u00f3pria Igreja. O discurso corrente facilmente tem como objetivo de assumir o &#8220;moralismo&#8221;. E n\u00e3o sem raz\u00e3o: quando se pensa a moral como uma s\u00e9rie de proibi\u00e7\u00f5es que limitam a liberdade e pretendem violar a consci\u00eancia, s\u00f3 pode ser justificada uma avers\u00e3o instintiva. Mas esta \u00e9 realmente a moral? Por outro lado, quando voc\u00ea \u00e9 incapaz de distinguir entre o moralismo e a aut\u00eantica experi\u00eancia moral, se acaba na arbitrariedade do subjetivismo, na subordina\u00e7\u00e3o para estabelecer o que as estat\u00edsticas sobre a opini\u00e3o prevalente ou em uma nova e mais opressivo legalismo das regras (&#8220;n\u00e3o fumar nos parques p\u00fablicos&#8221;, &#8220;n\u00e3o se tornem obesos&#8221;, &#8220;n\u00e3o comer a carne de animais&#8221;, &#8220;n\u00e3o jogue lixo nas lixeiras erradas&#8221;&#8230;). A raiz desta reputa\u00e7\u00e3o negativa da moral est\u00e1 a fratura entre a pessoa e as suas a\u00e7\u00f5es. As nossas a\u00e7\u00f5es, como escreveu Karol Wojtyla em <\/span><\/span><span style=\"color: #00000a\"><span lang=\"pt-BR\"><i>Pessoa e alto<\/i><\/span><\/span><span style=\"color: #00000a\"><span lang=\"pt-BR\">, s\u00e3o express\u00f5es da nossa pessoa e ao mesmo tempo nos constr\u00f3i, s\u00e3o os nossos pais, segunda a sugestiva observa\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Greg\u00f3rio de Nissa: de fato agindo n\u00e3o somente provocamos mudan\u00e7as no mundo exterior, mas nos tornamos aquilo que fazemos, mudando antes de tudo, n\u00f3s mesmos com as nossas escolhas. Quem rouba se torna um ladr\u00e3o e quem mente se torna um mentiroso. N\u00f3s n\u00e3o somos um sujeito abstrato constru\u00eddo independentemente do nosso agir: somos um eu-em-a\u00e7\u00e3o, que realiza livremente o dom origin\u00e1rio do seu ser atrav\u00e9s das suas a\u00e7\u00f5es nas rela\u00e7\u00f5es com os outros e em um contexto cultural que ele contribui a configurar . Por isso as nossas a\u00e7\u00f5es tem sempre uma dimens\u00e3o moral.<\/span><\/span><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><span style=\"color: #00000a\"><span lang=\"pt-BR\"><b>Mas a sociedade plural contempor\u00e2nea \u00e9 assinalada pela coexist\u00eancia de diferentes vis\u00f5es do mundo. Como conceber a rela\u00e7\u00e3o entre moral e lei?<\/b><\/span><\/span><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><span style=\"color: #00000a\"><span lang=\"pt-BR\">\u00c9 uma pergunta crucial. De fato a moral fundar-se em uma revis\u00e3o global da vida, numa antropologia, em uma concess\u00e3o do homem e de Deus, enquanto as leis da nossa sociedade plural\u00edstica necessitam , precisam gozar do empenho de todos. Por outro lado, a moral tem como perspectiva aquela do bem da pessoa, o direito civil visa como seu ideal a justi\u00e7a na conviv\u00eancia entre os homens, o que \u00e9 um prop\u00f3sito mais limitado. O apelo \u00e0 partilha de um conjunto de princ\u00edpios universais de justi\u00e7a baseada na raz\u00e3o comum, embora ainda teoricamente justific\u00e1vel, \u00e9 pragmaticamente intranspon\u00edveis, dado o pluralismo e as preocupa\u00e7\u00f5es p\u00f3s-modernas sobre a universalidade da racionalidade humana. O que fazer ent\u00e3o? Eu acho que n\u00f3s podemos concordar com o cardeal Scola em duas condi\u00e7\u00f5es de conviv\u00eancia p\u00fablica. Em primeiro lugar, precisamos reconhecer que, al\u00e9m do pluralismo de opini\u00f5es, o fato de viver com os outros \u00e9 um bem a ser preservado e cultivado, e isso requer o respeito \u00e0 liberdade e os direitos das pessoas. A liberdade n\u00e3o \u00e9 o que ele acha que pode rir de tudo, at\u00e9 mesmo o que \u00e9 sagrado para os outros. Em segundo lugar, sobre muitas quest\u00f5es controversas, deve ser pragmaticamente percorrida o caminho do di\u00e1logo aberto entre diferentes identidades: a clareza de propor a sua pr\u00f3pria vis\u00e3o das coisas, sem presun\u00e7\u00e3o de impor sua vis\u00e3o aos outros, mas mesmo sem a censura de uma laicidade suspeitosa e hostil \u00e0 religi\u00e3o, permite uma discuss\u00e3o aberta no qual democraticamente poder\u00e1 ent\u00e3o afirmar a solu\u00e7\u00e3o concreta que conseguir\u00e1 convencer mais \u00e0 sua bondade.<\/span><\/span><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><span style=\"color: #00000a\"><span lang=\"pt-BR\"><b>Diante da dissemina\u00e7\u00e3o da mentalidade secular, que tende a expulsar Deus da vida concreta do homem, com qual crit\u00e9rios os crist\u00e3os devem ter um pensamento e uma a\u00e7\u00e3o p\u00fablica para oferecer \u00e0 reflex\u00e3o comum? <\/b><\/span><\/span><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><span style=\"color: #00000a\"><span lang=\"pt-BR\">A declara\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II que &#8220;a f\u00e9 deve se tornar cultura&#8221; n\u00e3o \u00e9 uma escolha estrat\u00e9gica v\u00e1lida apenas em certos momentos hist\u00f3ricos. \u00c9 a descri\u00e7\u00e3o de uma exig\u00eancia intr\u00ednseca e irrenunci\u00e1vel da identidade crist\u00e3, que deve ser expressa em a\u00e7\u00e3o e, em seguida, precisa lidar com as grandes quest\u00f5es culturais que est\u00e3o na sociedade. Se n\u00e3o o fizer, o crist\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 falha em sua tarefa espec\u00edfica de miss\u00e3o no mundo e torna-se sal ins\u00edpido, que mais cedo ou mais tarde acabar\u00e1 pisado pelos transeuntes, mas ele mesmo n\u00e3o ser\u00e1 capaz de compreender o significado daquela f\u00e9 que professa mas que relegou no intimismo. Ele, sem perceber, em quest\u00f5es antropologicamente e socialmente decisiva acabar\u00e1 com a submiss\u00e3o aos &#8220;esquemas do mundo&#8221;, como diz S\u00e3o Paulo e com que frequ\u00eancia repetiu Giussani na base da famosa Carta aos crist\u00e3os do Ocidente escrita na d\u00e9cada de setenta pelo te\u00f3logo tcheco Josef Zverina.<\/span><\/span><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><span style=\"color: #00000a\"><span lang=\"pt-BR\"><b>Para os crist\u00e3os, a raz\u00e3o \u00faltima da defesa dos valores \u00e9 o pr\u00f3prio Cristo. Porque podem oferec\u00ea-los aos descrentes?<\/b><\/span><\/span><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><span style=\"color: #00000a\"><span lang=\"pt-BR\">Em vez de &#8220;valores&#8221;, eu prefiro falar de &#8220;bens&#8221;. O discurso dos valores refere-se \u00e0 percep\u00e7\u00e3o subjetiva da consci\u00eancia enquanto o bem \u00e9 algo que objetivamente se d\u00e1 na realidade e \u00e9 acess\u00edvel \u00e0 raz\u00e3o segundo uma ordem e uma hierarquia. A quest\u00e3o que ele levanta interessa recentemente a liga\u00e7\u00e3o entre o encontro com Cristo e experi\u00eancia do humano. O encontro com Cristo acontece em sua capacidade de transformar a vida e torn\u00e1-lo mais de acordo com o que o cora\u00e7\u00e3o de cada homem espera. E s\u00f3 assim se pode convencer de sua conveni\u00eancia e at\u00e9 mesmo de sua verdade. Voc\u00ea verifica que cada pessoa deve fazer continuamente no centro dos desafios de sua pr\u00f3pria exist\u00eancia e que a mesma comunidade de disc\u00edpulos de Jesus com orgulho humilde, pode propor \u00e0 comunidade dos homens. E os homens, mesmo os n\u00e3o-crist\u00e3os, de modo que eles possam reconhecer alguns bens, provaram historicamente num contexto crist\u00e3o, realmente correspondem ao que tamb\u00e9m eles possam apreciar como v\u00e1lidos e, em seguida, adot\u00e1-las, sem chegar a aderir \u00e0 f\u00e9, que \u00e9 a fonte de sua emerg\u00eancia hist\u00f3rica. Ent\u00e3o, historicamente aconteceu com o valor \u00fanico e o primado do indiv\u00edduo sobre o Estado, mesmo a partir do testemunho dos m\u00e1rtires crist\u00e3os (&#8220;Temos de obedecer a Deus do que aos homens&#8221;); assim aconteceu com o matrim\u00f4nio monog\u00e2mico no mundo da Roma antiga, que foi capaz de transformar a cultura permissiva, que conhecia, legitimava e j\u00e1 praticava o div\u00f3rcio, o aborto e a homossexualidade, da \u00e9poca. A Carta a Diogneto, antigo texto patr\u00edstico, fala precisamente desta &#8220;diferen\u00e7a&#8221; crist\u00e3, mas tamb\u00e9m de sua capacidade atrativa e transformadora. \u00c9 um desafio fascinante que surge em cada \u00e9poca da hist\u00f3ria e em formas sempre singulares.<\/span><\/span><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">TRADU\u00c7\u00c3O: <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/edilmacn\" target=\"_blank\">Edilma de Oliveira<\/a>\u00a0\/\u00a0FONTE:\u00a0<a href=\"http:\/\/www.familiam.org\/famiglia_ita\/chiesa\/00010221_Il_lessico_della_famiglia.html\" target=\"_blank\">www.familiam.org<\/a><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O dicion\u00e1rio da fam\u00edlia \u00e9 o que definimos a entrevista do\u00a0presidente do Pontif\u00edcio Instituto Jo\u00e3o Paulo II para os Estudos sobre Matrim\u00f4nio e Fam\u00edlia,\u00a0monsenhor\u00a0Livio Melina para a revista Tempi. \u00a0&#8220;Sem as rela\u00e7\u00f5es constitutivas que nos d\u00e3o identidade, o homem \u00e9&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":4719,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_mi_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[3181],"tags":[40,721,26287,18649,17101,19413],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/metanoia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5676"}],"collection":[{"href":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/metanoia\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/metanoia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/metanoia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4719"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/metanoia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5676"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/metanoia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5676\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5682,"href":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/metanoia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5676\/revisions\/5682"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/metanoia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5676"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/metanoia\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5676"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/metanoia\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5676"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}