{"id":6654,"date":"2016-10-21T17:10:57","date_gmt":"2016-10-21T19:10:57","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.cancaonova.com\/metanoia\/?p=6654"},"modified":"2018-07-06T10:33:12","modified_gmt":"2018-07-06T13:33:12","slug":"o-ser-humano-nao-e-feito-para-a-solidao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/metanoia\/o-ser-humano-nao-e-feito-para-a-solidao\/","title":{"rendered":"O ser humano n\u00e3o \u00e9 feito para a solid\u00e3o"},"content":{"rendered":"<h2>Para o ser humano n\u00e3o s\u00e3o suficientes rela\u00e7\u00f5es meramente funcionais.<\/h2>\n<p>O ser humano&nbsp;precisa de rela\u00e7\u00f5es interpessoais ricas de interioridade, gratuidade e oblatividade. Entre estas, \u00e9 fundamental a que se realiza na fam\u00edlia: nas rela\u00e7\u00f5es entre os c\u00f4njuges, e na deles com os seus filhos. Toda a grande rede das rela\u00e7\u00f5es humanas brota e regenera-se continuamente a partir daquela rela\u00e7\u00e3o com a qual um homem e uma mulher se reconhecem feitos um para o outro, e decidem unir as pr\u00f3prias exist\u00eancias num s\u00f3 projeto de vida: <em>&#8220;Por isso, um homem deixa seu pai e sua m\u00e3e, e une-se \u00e0 sua mulher, e os dois tornam-se uma s\u00f3 carne&#8221;<\/em> (Gn 2, 24).<\/p>\n<div id=\"attachment_6657\" style=\"width: 760px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-6657\" class=\"size-full wp-image-6657\" src=\"http:\/\/blog.cancaonova.com\/metanoia\/files\/2016\/10\/O-ser-humano-n\u00e3o-\u00e9-feito-para-a-solid\u00e3o.jpg\" alt=\"imagem ilustrativa - foto: arquivo cancaonova.com\" width=\"750\" height=\"430\" srcset=\"https:\/\/blog.cancaonova.com\/metanoia\/files\/2016\/10\/O-ser-humano-n\u00e3o-\u00e9-feito-para-a-solid\u00e3o.jpg 750w, https:\/\/blog.cancaonova.com\/metanoia\/files\/2016\/10\/O-ser-humano-n\u00e3o-\u00e9-feito-para-a-solid\u00e3o-300x172.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><p id=\"caption-attachment-6657\" class=\"wp-caption-text\">imagem ilustrativa &#8211; foto: arquivo cancaonova.com<\/p><\/div>\n<h3><strong>Uma s\u00f3 carne<\/strong><\/h3>\n<p>Como n\u00e3o captar o vigor desta express\u00e3o? A palavra b\u00edblica &#8220;carne&#8221; n\u00e3o recorda apenas o aspecto f\u00edsico do homem, mas a sua identidade global de esp\u00edrito e de corpo. O que os esposos realizam n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 um encontro corp\u00f3reo, mas uma verdadeira uni\u00e3o das suas pessoas. Uma uni\u00e3o t\u00e3o profunda, que os torna de certa forma um reflexo do &#8220;N\u00f3s&#8221; das Tr\u00eas Pessoas divinas na hist\u00f3ria (cf. Carta \u00e0s fam\u00edlias, 8).<\/p>\n<p>Compreende-se ent\u00e3o a grande aposta que emerge do debate de Jesus com os fariseus no Evangelho de Marcos, h\u00e1 pouco proclamado. Para os interlocutores de Jesus, tratava-se de um problema de interpreta\u00e7\u00e3o da lei moisaica, que permitia o rep\u00fadio, provocando debates sobre as raz\u00f5es que o podiam legitimar. Jesus ultrapassa totalmente esta vis\u00e3o legalista, indo ao \u00e2mago do des\u00edgnio de Deus. Na norma moisaica ele v\u00ea uma concess\u00e3o \u00e0 &#8220;esclerocardia&#8221;, aos &#8220;cora\u00e7\u00f5es duros&#8221;. Mas \u00e9 sobretudo com estes cora\u00e7\u00f5es duros que Jesus n\u00e3o se resigna. E como poderia, Ele que veio precisamente para os dissolver e oferecer ao homem, com a reden\u00e7\u00e3o, a for\u00e7a de vencer as oposi\u00e7\u00f5es devidas ao pecado? Ele n\u00e3o receia indicar de novo o des\u00edgnio origin\u00e1rio: &#8220;Desde o in\u00edcio da cria\u00e7\u00e3o, Deus f\u00ea-los homem e mulher&#8221; (Mc 10, 6).<!--more--><\/p>\n<h3><strong>&nbsp;No in\u00edcio!<\/strong><\/h3>\n<p>S\u00f3 Ele, Jesus, conhece o Pai &#8220;desde o in\u00edcio&#8221;, e conhece tamb\u00e9m o homem &#8220;desde o in\u00edcio&#8221;. Ele \u00e9 ao mesmo tempo o revelador do Pai e o revelador do homem ao homem (cf. Gaudium et spes, 22). Por isso, seguindo as suas pegadas, a Igreja tem a tarefa de testemunhar na hist\u00f3ria este des\u00edgnio origin\u00e1rio, manifestando a sua verdade e praticabilidade.<\/p>\n<p>Ao fazer isto, a Igreja n\u00e3o fecha os olhos \u00e0s dificuldades e aos dramas, que a experi\u00eancia hist\u00f3rica concreta regista na vida das fam\u00edlias. Mas ela tamb\u00e9m sabe que a vontade de Deus, aceite e realizada com todo o cora\u00e7\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 uma cadeia que torna escravos, mas a condi\u00e7\u00e3o de uma liberdade verdadeira que tem a sua plenitude no amor. A Igreja tamb\u00e9m sabe e a experi\u00eancia quotidiana ensina-lho que quando este des\u00edgnio origin\u00e1rio se obscurece nas consci\u00eancias, a sociedade \u00e9 danificada de modo incalcul\u00e1vel.<\/p>\n<p>Sem d\u00favida, existem dificuldades. Mas Jesus n\u00e3o deixou de fornecer aos esposos os meios da gra\u00e7a adequados para as vencer. Por vontade sua, o matrim\u00f4nio adquiriu, nos baptizados, o valor e a for\u00e7a de um sinal sacramental, que consolida a sua \u00edndole e as prerrogativas. Com efeito, no matrim\u00f4nio sacramental os c\u00f4njuges como far\u00e3o daqui a pouco os jovens casais dos quais aben\u00e7oarei o casamento empenham-se a exprimir-se reciprocamente e a testemunhar ao mundo o amor grande e indissol\u00favel com que Cristo ama a Igreja. \u00c9 o &#8220;grande mist\u00e9rio&#8221;, como lhe chama o ap\u00f3stolo Paulo (cf. Ef 5, 32).<\/p>\n<h3><strong>A b\u00ean\u00e7\u00e3o de Deus<\/strong><\/h3>\n<p>&#8220;Que o Senhor, fonte de vida, vos aben\u00e7oe!&#8221;. A b\u00ean\u00e7\u00e3o de Deus est\u00e1 na origem n\u00e3o s\u00f3 da comunh\u00e3o conjugal, mas tamb\u00e9m da respons\u00e1vel e generosa abertura \u00e0 vida. Os filhos s\u00e3o verdadeiramente a &#8220;primavera da fam\u00edlia e da sociedade&#8221;, como recita o mote do vosso Jubileu.<\/p>\n<p>Nos filhos o matrim\u00f4nio encontra o seu florescimento: neles realiza-se o coroamento daquela partilha total de vida (&#8220;totius vitae consortium&#8221;: C.I.C., c\u00e2n. 1055 1), que faz com que os esposos sejam &#8220;uma s\u00f3 carne&#8221;; e isto tanto nos filhos que nascem da rela\u00e7\u00e3o natural entre os esposos, como nos que s\u00e3o adotivos. Os filhos n\u00e3o s\u00e3o um &#8220;acess\u00f3rio&#8221; no projeto de uma vida conjugal. N\u00e3o s\u00e3o um &#8220;acess\u00f3rio&#8221;, mas um &#8220;dom precios\u00edssimo&#8221; (Gaudium et spes, 50), inscrito na pr\u00f3pria estrutura da uni\u00e3o conjugal.<\/p>\n<p>Fonte: <a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/john-paul-ii\/pt\/homilies\/2000\/documents\/hf_jp-ii_hom_20001015_families.html\">Homilia do Papa S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II &#8211; d<em>omingo, 15 de Outubro de 2000<\/em><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para o ser humano n\u00e3o s\u00e3o suficientes rela\u00e7\u00f5es meramente funcionais. O ser humano&nbsp;precisa de rela\u00e7\u00f5es interpessoais ricas de interioridade, gratuidade e oblatividade. 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