{"id":6946,"date":"2018-09-19T10:58:39","date_gmt":"2018-09-19T13:58:39","guid":{"rendered":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/metanoia\/?p=6946"},"modified":"2018-09-19T13:25:36","modified_gmt":"2018-09-19T16:25:36","slug":"solidao-original-homem-e-sua-consciencia-de-ser-pessoa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/metanoia\/solidao-original-homem-e-sua-consciencia-de-ser-pessoa\/","title":{"rendered":"A solid\u00e3o original do homem e a sua consci\u00eancia de ser pessoa"},"content":{"rendered":"<h2>Sexta Catequese da Teologia do Corpo | A solid\u00e3o original do homem<br \/>\ne a sua consci\u00eancia de ser pessoa<\/h2>\n<p align=\"left\">1. Na reflex\u00e3o precedente, come\u00e7amos a analisar o significado da solid\u00e3o original do homem. A sugest\u00e3o foi-nos dada pelo texto javista, e em particular pelas seguintes palavras:&nbsp;<i>N\u00e3o \u00e9 conveniente que o homem esteja s\u00f3: vou dar-lhe uma auxiliar semelhante a ele<\/i>&nbsp;(<i>Gn<\/i>. 2, 18. 2). A an\u00e1lise das relativas passagens do Livro do G\u00eanesis (cap. 2) levou-nos j\u00e1 a conclus\u00f5es surpreendentes que dizem respeito \u00e0 antropologia, isto \u00e9 \u00e0 ci\u00eancia fundamental acerca do homem, contida neste Livro. De facto, relativamente em poucas frases, o antigo texto delineia o homem como&nbsp;<i>pessoa com a subjectividade que a caracteriza.<\/i><\/p>\n<p align=\"left\">Quando Deus-Jav\u00e9 d\u00e1 a este primeiro homem, assim formado, a ordem que diz respeito a todas as \u00e1rvores que crescem no \u00abjardim do \u00c9den\u00bb, sobretudo a do conhecimento do bem e do mal, aos delineamentos do homem, acima descritos, junta-se o momento da op\u00e7\u00e3o e da autodetermina\u00e7\u00e3o, isto \u00e9 da vontade livre. Deste modo, a imagem do homem, como pessoa dotada de urna subjectividade pr\u00f3pria, aparece diante de n\u00f3s como acabada no seu primeiro esbo\u00e7o.<\/p>\n<p align=\"left\">No conceito de solid\u00e3o original est\u00e1 inclu\u00edda quer a auto-consci\u00eancia, quer a autodetermina\u00e7\u00e3o. O facto de o homem estar \u00abs\u00f3\u00bb encerra em si tal estrutura ontol\u00f3gica e ao mesmo tempo \u00e9 um \u00edndice de aut\u00eantica compreens\u00e3o. Sem isto, n\u00e3o podemos compreender corretamente as palavras seguintes, que constituem o prel\u00fadio da cria\u00e7\u00e3o da primeira mulher: \u00abvou dar-lhe uma auxiliar\u00bb. Mas, sobretudo, sem aquele significado t\u00e3o profundo da solid\u00e3o original do homem, n\u00e3o pode ser compreendida nem corretamente interpretada a situa\u00e7\u00e3o completa do homem criado \u00ab\u00e0 imagem de Deus\u00bb, que \u00e9 a situa\u00e7\u00e3o da primeira, ou melhor da primitiva Alian\u00e7a com Deus.<\/p>\n<p align=\"left\">2. Este homem, de quem a narra\u00e7\u00e3o do cap\u00edtulo primeiro diz que foi criado \u00ab\u00e0 imagem de Deus\u00bb, manifesta-se, na segunda narra\u00e7\u00e3o, como&nbsp;<i>sujeito da Alian\u00e7a<\/i>, isto \u00e9, sujeito constitu\u00eddo como pessoa, constitu\u00eddo \u00e0 altura de \u00ab<i>companheiro do Absoluto<\/i>\u00bb, dado dever discernir e escolher conscientemente entre o bem e o mal, entre a vida e a morte. As palavras da primeira ordem de Deus-Jav\u00e9 (<i>Gn<\/i>. 2, 16-17) que se referem diretamente \u00e0 submiss\u00e3o e \u00e0 depend\u00eancia do homem-criatura do seu Criador, revelam de modo indireto precisamente tal n\u00edvel de humanidade, como sujeito da Alian\u00e7a e \u00abcompanheiro do Absoluto\u00bb.&nbsp;<i>O homem est\u00e1 \u00abs\u00f3\u00bb: isto quer dizer que ele, atrav\u00e9s da pr\u00f3pria humanidade<\/i>, atrav\u00e9s daquilo que ele \u00e9, \u00e9 ao mesmo tempo constitu\u00eddo&nbsp;<i>numa \u00fanica, exclusiva e irrepet\u00edvel rela\u00e7\u00e3o com o pr\u00f3prio Deus<\/i>. A defini\u00e7\u00e3o antropol\u00f3gica contida no texto javista aproxima-se, por seu lado, daquilo que exprime a defini\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica do homem, que encontramos na primeira narra\u00e7\u00e3o da cria\u00e7\u00e3o (\u00abFa\u00e7amos o homem \u00e0 Nossa imagem, \u00e0 Nossa semelhan\u00e7a\u00bb (<i>Gn<\/i>. 1, 26).<\/p>\n<p align=\"left\">3. O homem, assim formado, pertence ao mundo vis\u00edvel, \u00e9 corpo entre os corpos. Retomando e, de certo modo, reconstruindo o significado da solid\u00e3o original, aplicamo-lo ao homem na sua totalidade. O corpo, mediante o qual o homem participa no mundo criado vis\u00edvel, torna-o ao mesmo tempo consciente de estar \u00abs\u00f3\u00bb. De outro modo n\u00e3o teria sido capaz de chegar \u00e0quela convic\u00e7\u00e3o, a que, efetivamente, como lemos, chegou (Cfr.&nbsp;<i>Gn<\/i>. 2, 20), se o seu corpo o n\u00e3o tivesse ajudado a compreend\u00ea-lo, tornando o facto evidente. A consci\u00eancia da solid\u00e3o poderia ter enfraquecido, precisamente por causa do seu pr\u00f3prio corpo. O homem, &#8216;<i>adam<\/i>, teria podido, baseando-se na experi\u00eancia do pr\u00f3prio corpo, chegar \u00e0 conclus\u00e3o de ser substancialmente semelhante aos outros seres vivos (anim\u00e1lia). E afinal, como lemos, n\u00e3o chegou a esta conclus\u00e3o, pelo contr\u00e1rio chegou \u00e0 persuas\u00e3o de estar \u00abs\u00f3\u00bb. O texto javista n\u00e3o fala nunca diretamente do corpo; at\u00e9 mesmo quando diz que \u00abo Senhor Deus formou o homem do p\u00f3 da terra\u00bb, fala do homem e n\u00e3o do corpo. Apesar disto, a narra\u00e7\u00e3o tomada no seu conjunto oferece-nos bases suficientes para perceber este homem, criado no mundo vis\u00edvel, exactamente como corpo entre os corpos.<\/p>\n<p align=\"left\">A an\u00e1lise do texto javista permite-nos tamb\u00e9m&nbsp;<i>relacionar a solid\u00e3o original do homem com a consci\u00eancia do corpo<\/i>, mediante o qual o homem se distingue de todos os anim\u00e1lia e \u00abse separa\u00bb deles, e tamb\u00e9m mediante o qual ele \u00e9 pessoa. Pode-se afirmar com certeza que aquele homem assim formado tem contemporaneamente o conhecimento e a consci\u00eancia do sentido do pr\u00f3prio corpo. E isto baseado na experi\u00eancia da solid\u00e3o original.<\/p>\n<p align=\"left\">4. Tudo isto pode ser considerado como implica\u00e7\u00e3o da segunda narra\u00e7\u00e3o da cria\u00e7\u00e3o do homem, e a an\u00e1lise do texto permite-nos um amplo desenvolvimento.<\/p>\n<p align=\"left\">Quando no in\u00edcio do texto javista, ainda antes de se falar da cria\u00e7\u00e3o do homem do \u00abp\u00f3 da terra\u00bb, lemos que \u00abningu\u00e9m cultivava a terra e fazia jorrar da terra a \u00e1gua dos canais para regar o solo\u00bb (<i>Gn<\/i>. 2, 5-6. 6) , associamos justamente este trecho ao da primeira narra\u00e7\u00e3o, em que est\u00e1 expressa a ordem divina:&nbsp;<i>enchei e dominai a terra<\/i>&nbsp;(<i>Gn<\/i>. 1, 28). A segunda narra\u00e7\u00e3o alude de modo expl\u00edcito&nbsp;<i>ao trabalho que o homem<\/i>&nbsp;realiza para cultivar a terra. O primeiro meio fundamental para dominar a terra encontra-se no pr\u00f3prio homem.<\/p>\n<p align=\"left\">O homem pode dominar a terra porque s\u00f3 ele \u2014 e nenhum outro ser vivo \u2014 \u00e9 capaz de \u00abcultiv\u00e1-la\u00bb e transform\u00e1-la segundo as pr\u00f3prias necessidades (\u00abfazia jorrar da terra a \u00e1gua dos canais para regar o solo\u00bb). E ent\u00e3o, este primeiro esbo\u00e7o de uma actividade especificamente humana parece fazer parte da defini\u00e7\u00e3o do homem, tal como emerge da an\u00e1lise do texto javista. Por conseguinte, pode-se afirmar que tal esbo\u00e7o \u00e9 intr\u00ednseco ao significado da solid\u00e3o original e pertence&nbsp;<strong><i>\u00e0quela dimens\u00e3o de solid\u00e3o atrav\u00e9s da qual o homem, que desde o in\u00edcio, est\u00e1 no mundo vis\u00edvel como corpo entre os corpos, descobre o sentido da pr\u00f3pria corporalidade<\/i>.<\/strong><\/p>\n<p align=\"left\">Sobre este assunto voltaremos na pr\u00f3xima reflex\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Jo\u00e3o Paulo II &#8211; Audi\u00eancia Geral &#8211;&nbsp; Quarta-feira, 24 de Outubro de 1979<\/p>\n<p>Fonte: <a href=\"https:\/\/w2.vatican.va\/content\/john-paul-ii\/pt\/audiences\/1979\/documents\/hf_jp-ii_aud_19791024.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">vatican.va<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sexta Catequese da Teologia do Corpo | A solid\u00e3o original do homem e a sua consci\u00eancia de ser pessoa 1. 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