{"id":6984,"date":"2018-09-15T10:57:15","date_gmt":"2018-09-15T13:57:15","guid":{"rendered":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/metanoia\/?p=6984"},"modified":"2018-09-15T11:04:35","modified_gmt":"2018-09-15T14:04:35","slug":"humanae-vitae-editorial-do-jornal-losservatore-romano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/metanoia\/humanae-vitae-editorial-do-jornal-losservatore-romano\/","title":{"rendered":"Humanae Vitae: Editorial do Jornal L\u2019Osservatore Romano"},"content":{"rendered":"<h2>\u00c9 muito importante conseguir ver a Humanae vitae com olhos novos<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/blog.cancaonova.com\/metanoia\/files\/2018\/09\/44cd8e85-ab05-4f0b-ba53-b4ad60dd989c-35012-0000099dfa98416c-1.jpg\" class=\"size-full wp-image-6988\" height=\"287\" width=\"512\" srcset=\"https:\/\/blog.cancaonova.com\/metanoia\/files\/2018\/09\/44cd8e85-ab05-4f0b-ba53-b4ad60dd989c-35012-0000099dfa98416c-1.jpg 512w, https:\/\/blog.cancaonova.com\/metanoia\/files\/2018\/09\/44cd8e85-ab05-4f0b-ba53-b4ad60dd989c-35012-0000099dfa98416c-1-300x168.jpg 300w, https:\/\/blog.cancaonova.com\/metanoia\/files\/2018\/09\/44cd8e85-ab05-4f0b-ba53-b4ad60dd989c-35012-0000099dfa98416c-1-384x216.jpg 384w\" sizes=\"(max-width: 512px) 100vw, 512px\" \/><\/h2>\n<p>Depois de cinquenta anos da publica\u00e7\u00e3o, a enc\u00edclica Humanae vitae de Paulo VI apresenta-se aos olhos dos homens de hoje de maneira completamente diferente: em 1968 era um documento corajoso \u2013 e por conseguinte controverso \u2013 que ia contra o pensar da \u00e9poca, o da revolu\u00e7\u00e3o sexual, a qual para se realizar eram fundamentais um anticoncepcional seguro e tamb\u00e9m a possibilidade de aborto. Era o tempo no qual os economistas falavam de \u00abbomba humana\u00bb, isto \u00e9, do perigo de superpopula\u00e7\u00e3o que amea\u00e7ava os pa\u00edses ricos e podia diminuir a sua prosperidade.<\/p>\n<p>Portanto, duas for\u00e7as poderosas uniram-se contra a enc\u00edclica: a utopia da felicidade, que a revolu\u00e7\u00e3o sexual prometia a cada ser humano, e a riqueza, que teria sido a consequ\u00eancia l\u00f3gica de uma diminui\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o em vasta escala.<\/p>\n<p>Hoje, depois de cinquenta anos, vemos tudo de outro modo. Estas duas vis\u00f5es ut\u00f3picas concretizaram-se, mas n\u00e3o deram os resultados esperados: nem a felicidade nem a riqueza, mas ao contr\u00e1rio novos e dram\u00e1ticos problemas. Se a diminui\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o nos pa\u00edses avan\u00e7ados se est\u00e1 a confrontar com dificuldade com a chegada em massa de imigrantes necess\u00e1rias mas ao mesmo tempo inaceit\u00e1veis para muitos, a partir do controle m\u00e9dico dos nascimentos teve in\u00edcio a invas\u00e3o da procria\u00e7\u00e3o por parte da ci\u00eancia, com resultados amb\u00edguos, com frequ\u00eancia preocupantes e perigosos.<\/p>\n<p>Hoje, que estamos a pagar todos os custos de uma brusca e grande diminui\u00e7\u00e3o da taxa de natalidade, que tantas mulheres depois de anos de anticoncepcionais qu\u00edmicos j\u00e1 n\u00e3o conseguem conceber um filho, damo-nos conta de que a Igreja tinha raz\u00e3o, que Paulo VI fora prof\u00e9tico quando prop\u00f4s uma regulamenta\u00e7\u00e3o natural dos nascimentos que teria preservado a sa\u00fade das mulheres, a rela\u00e7\u00e3o dos casais e a naturalidade da procria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Hoje, que <strong>as jovens apaixonadas pela ecologia optam por m\u00e9todos naturais de regulamenta\u00e7\u00e3o da fertilidade<\/strong>, sem nem sequer saberem que existe a Humanae vitae, hoje, que os <strong>governos tentam realizar pol\u00edticas que favore\u00e7am a natalidade, devemos reler a enc\u00edclica com outros olhos<\/strong>. E em vez de a ver como a grande derrotada da Igreja diante da modernidade dominante, podemos reivindicar a sua lucidez prof\u00e9tica ao compreender os perigos \u00ednsitos nestas mudan\u00e7as e felicitar-nos, <strong>n\u00f3s cat\u00f3licos, que mais uma vez a Igreja n\u00e3o tenha ca\u00eddo na cilada aliciante das utopias do s\u00e9culo XX,<\/strong> mas tenha sabido compreender imediatamente os seus limites e perigos.<\/p>\n<p>Mas poucos conseguem: para muitos \u00e9 ainda dif\u00edcil afastar-se da velha contraposi\u00e7\u00e3o entre <strong>progressistas e conservadores,<\/strong> no \u00e2mbito da qual a enc\u00edclica foi destru\u00edda, sem que se compreendesse o seu esp\u00edrito cr\u00edtico e for\u00e7a inovadora. Ainda agora, parece que ningu\u00e9m se recorda que, pela primeira vez, um Papa aceitou a regulamenta\u00e7\u00e3o dos nascimentos e exortou os m\u00e9dicos a pesquisarem m\u00e9todos naturais eficazes.<\/p>\n<p>Portanto, \u00e9 muito importante conseguir ver a Humanae vitae com olhos novos, olhos de seres humanos que vivem no s\u00e9culo XXI, j\u00e1 cientes da fal\u00eancia de tantas utopias e teorias econ\u00f3micas que foram propostas como infal\u00edveis. S\u00f3 assim podemos enfrentar os problemas da fam\u00edlia de hoje, o novo papel das mulheres e as dif\u00edceis rela\u00e7\u00f5es entre \u00e9tica e ci\u00eancia, cujas ra\u00edzes est\u00e3o \u2013 mesmo se em alguns aspetos inconscientemente \u2013 naquele texto do long\u00ednquo ano de 1968.<\/p>\n<p><strong>* Lucetta Scaraffia <\/strong>\u00e9 historiadora e jornalista<\/p>\n<p><em>Fonte: <\/em>http:\/\/www.osservatoreromano.va\/pt\/news\/enciclica-humanae-vitae-cinquenta-anos-depois<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 muito importante conseguir ver a Humanae vitae com olhos novos Depois de cinquenta anos da publica\u00e7\u00e3o, a enc\u00edclica Humanae vitae de Paulo VI apresenta-se aos olhos dos homens de hoje de maneira completamente diferente: em 1968 era um documento&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":4719,"featured_media":6986,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_mi_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[33867],"tags":[16170,165357,14931,15791,23440],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/metanoia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6984"}],"collection":[{"href":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/metanoia\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/metanoia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/metanoia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4719"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/metanoia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6984"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/metanoia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6984\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6989,"href":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/metanoia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6984\/revisions\/6989"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/metanoia\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6986"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/metanoia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6984"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/metanoia\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6984"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/metanoia\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6984"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}