{"id":7041,"date":"2018-10-15T15:18:32","date_gmt":"2018-10-15T18:18:32","guid":{"rendered":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/metanoia\/?p=7041"},"modified":"2018-09-22T16:15:23","modified_gmt":"2018-09-22T19:15:23","slug":"valor-matrimonio-uno-e-indissoluvel-luz-dos-primeiros-capitulos-genesis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/metanoia\/valor-matrimonio-uno-e-indissoluvel-luz-dos-primeiros-capitulos-genesis\/","title":{"rendered":"Valor do matrim\u00f4nio uno e indissol\u00favel \u00e0 luz dos primeiros cap\u00edtulos do G\u00eanesis"},"content":{"rendered":"<h2>D\u00e9cima Catequese da Teologia do Corpo | Valor do matrim\u00f4nio uno e indissol\u00favel \u00e0 luz dos primeiros cap\u00edtulos do G\u00eanesis<\/h2>\n<p align=\"left\"><span lang=\"pt\">1. Recordemo-nos ter Cristo apelado para o que era \u00abno princ\u00edpio\u00bb, quando foi interrogado sobre a unidade e a indissolubilidade do matrim\u00f4nio. Citou as palavras escritas nos primeiros cap\u00edtulos do G\u00eanesis. Procuramos por isso, no decurso das presentes reflex\u00f5es, penetrar no sentido pr\u00f3prio destas palavras e destes cap\u00edtulos.<\/span><\/p>\n<p align=\"left\"><span lang=\"pt\">O significado da unidade original do homem, Que Deus criou \u00abvar\u00e3o e mulher\u00bb, obt\u00e9m-se (particularmente \u00e0 luz do G\u00eanesis 2, 23) conhecendo o homem na completa dota\u00e7\u00e3o do seu ser, isto \u00e9, em toda a riqueza daquele mist\u00e9rio da cria\u00e7\u00e3o, que est\u00e1 na base da antropologia teol\u00f3gica. Este conhecimento, quer dizer, a busca da identidade humana daquele que no princ\u00edpio est\u00e1 \u00abs\u00f3\u00bb, deve passar sempre atrav\u00e9s da dualidade, da \u00abcomunh\u00e3o\u00bb.<\/span><\/p>\n<p align=\"left\"><span lang=\"pt\">Recordemo-nos da passagem de G\u00eanesis 2, 23: \u00abAo v\u00ea-la, o homem exclamou: &#8216;Esta \u00e9 realmente o osso dos meus ossos e a carne da minha carne. Chamar-se-\u00e1 mulher, visto ter sido tirada do homem&#8217;\u00bb. \u00c0 luz deste texto, compreendemos que o conhecimento do homem passe atrav\u00e9s da masculinidade e da feminilidade, que s\u00e3o como duas \u00abencarna\u00e7\u00f5es\u00bb da mesma solid\u00e3o metaf\u00edsica, diante de Deus e do mundo \u2014&nbsp;<i>como dois modos de \u00abser corpo\u00bb e ao mesmo tempo homem, que se completam reciprocamente<\/i>&nbsp;\u2014 como duas dimens\u00f5es complementares da autoconsci\u00eancia e da autodetermina\u00e7\u00e3o e, ao mesmo tempo, como&nbsp;<i>duas consci\u00eancias complementares do significado do corp<\/i>o. Como j\u00e1 mostra G\u00eanesis 2, 23, a feminilidade encontra-se, em certo sentido, a si mesma, diante da masculinidade, ao passo que a masculinidade se confirma atrav\u00e9s da feminilidade. Precisamente a fun\u00e7\u00e3o do sexo, que \u00e9, em certo sentido, \u00abconstitutivo da pessoa\u00bb (n\u00e3o apenas \u00abatributo da pessoa\u00bb), mostra qu\u00e3o profundamente o ser humano, com toda a sua solid\u00e3o espiritual, com a unicidade e irrepetibilidade pr\u00f3pria da pessoa, \u00e9 constitu\u00eddo pelo corpo corno \u00abele\u00bb e como \u00abela\u00bb. A presen\u00e7a do elemento feminino, ao lado do masculino e juntamente com ele, tem o significado dum enriquecimento para o homem em toda a perspectiva da sua hist\u00f3ria, incluindo a hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o. Todo este ensinamento sobre a unidade foi j\u00e1 expresso originalmente em G\u00eanesis 2, 23.<\/span><\/p>\n<p align=\"left\"><span lang=\"pt\">2. A unidade, de que fala G\u00eanesis 2, 24 (\u00abos dois ser\u00e3o uma s\u00f3 carne\u00bb), \u00e9 sem d\u00favida aquela que se exprime e realiza no <span style=\"color: #ff0000;\"><a href=\"https:\/\/formacao.cancaonova.com\/afetividade-e-sexualidade\/vida-sexual\/as-cinco-fases-do-ato-conjugal\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">ato conjugal<\/a>.<\/span> A formula\u00e7\u00e3o b\u00edblica, extremamente concisa e simples, indica o sexo, feminilidade e masculinidade, como a caracter\u00edstica do homem \u2014 var\u00e3o e mulher \u2014 que permite aos dois, quando se tornam \u00abuma s\u00f3 carne\u00bb, submeter contemporaneamente toda a sua humanidade \u00e0 b\u00ean\u00e7\u00e3o da fecundidade. Todavia, o contexto completo da formula\u00e7\u00e3o lapidar n\u00e3o permite determo-nos na superf\u00edcie da sexualidade humana, n\u00e3o nos consente tratarmos do corpo e do sexo fora da plena dimens\u00e3o do homem e da \u00abcomunh\u00e3o das pessoas\u00bb, mas obriga-nos desde o \u00abprinc\u00edpio\u00bb a descobrir a plenitude e a profundidade pr\u00f3prias desta unidade, que o homem e a mulher devem constituir \u00e0 luz da revela\u00e7\u00e3o do corpo.<\/span><\/p>\n<p align=\"left\"><span lang=\"pt\">Portanto, antes de tudo, a express\u00e3o, que anuncia que \u00abo homem&#8230; se unir\u00e1 \u00e0 sua mulher\u00bb t\u00e3o intimamente que \u00abos dois ser\u00e3o uma s\u00f3 carne\u00bb, leva-nos sempre a dirigirmo-nos ao que o texto b\u00edblico exprime anteriormente a respeito da uni\u00e3o na humanidade, que liga a mulher e o homem no mist\u00e9rio mesmo da cria\u00e7\u00e3o. As palavras de G\u00eanesis 2, 23, que acabamos de analisar, explicam este conceito de modo especial. O homem e a mulher, unindo-se entre si (no acto conjugal) t\u00e3o intimamente, que se tornam \u00abuma s\u00f3 carne\u00bb, redescobrem, por assim dizer, cada vez e de modo especial, o mist\u00e9rio da cria\u00e7\u00e3o, voltam assim \u00e0quela uni\u00e3o na humanidade (\u00abosso dos meus ossos e carne da minha carne\u00bb), que lhes permite reconhecerem-se reciprocamente e, como da primeira vez, chamarem-se pelo nome. Isto significa reviver, em certo sentido, o original valor virginal do homem, que deriva do mist\u00e9rio da sua solid\u00e3o diante de Deus e no meio do mundo. O facto de se tornarem \u00abuma s\u00f3 carne\u00bb \u00e9 forte la\u00e7o estabelecido pelo Criador, por meio do qual eles descobrem a pr\u00f3pria humanidade, quer na sua unidade original quer na dualidade dum misterioso atractivo rec\u00edproco. O sexo, por\u00e9m, \u00e9 alguma coisa mais que a for\u00e7a misteriosa da corporeidade humana, que age quase em virtude do instinto. Ao n\u00edvel do homem e na rela\u00e7\u00e3o rec\u00edproca das pessoas, o sexo exprime uma sempre nova supera\u00e7\u00e3o do limite da solid\u00e3o do homem, ing\u00e9nita na constitui\u00e7\u00e3o do seu corpo, e determina-lhe o significado original. Esta supera\u00e7\u00e3o sempre em si cont\u00e9m certo assumir a solid\u00e3o do corpo do segundo \u00abeu\u00bb, como pr\u00f3pria.<\/span><\/p>\n<p align=\"left\"><span lang=\"pt\">3. Por isso, anda esta ligada \u00e0 escolha. A formula\u00e7\u00e3o mesma de G\u00eanesis 2, 24 indica n\u00e3o s\u00f3 que os seres humanos, criados como homem e mulher, foram criados para a unidade, mas tamb\u00e9m que precisamente esta&nbsp;<i>unidade, atrav\u00e9s da qual se tornam \u00abuma s\u00f3 carne\u00bb<\/i>, tem&nbsp;<i>desde o in\u00edcio car\u00e1cter de uni\u00e3o que deriva duma escolha<\/i>. Lemos de facto: \u00abo homem deixar\u00e1 o pai e a m\u00e3e para se unir \u00e0 sua mulher\u00bb. Se o ser humano pertence \u00abpor natureza\u00bb ao pai e \u00e0 m\u00e3e em virtude da gera\u00e7\u00e3o, \u00abune-se\u00bb pelo contr\u00e1rio \u00e0 mulher (ou ao marido) por escolha. O texto de G\u00eanesis 2, 24 define esse car\u00e1cter do la\u00e7o conjugal em refer\u00eancia ao primeiro homem e \u00e0 primeira mulher, mas simultaneamente f\u00e1-lo na perspectiva de todo o futuro do homem na terra. Por isso, na devida altura, vir\u00e1 Cristo a apelar para este texto, como ainda atual na Sua \u00e9poca. Criados \u00e0 imagem de Deus, ainda quando formam aut\u00eantica comunh\u00e3o de pessoas, o primeiro homem e a primeira mulher devem constituir o in\u00edcio e o modelo dessa comunh\u00e3o para todos os homens e mulheres, que em qualquer tempo sucessivo se vir\u00e3o a unir entre si t\u00e3o intimamente que sejam \u00abuma s\u00f3 carne\u00bb. O corpo que, atrav\u00e9s da pr\u00f3pria masculinidade ou feminilidade, auxiliar ambos (\u00abum auxiliar que lhe seja semelhante\u00bb) a encontrarem-se em comunh\u00e3o de pessoas, torna-se, de modo particular, o elemento constitutivo da uni\u00e3o deles, quando se tornam marido e mulher. Isto realiza-se, por\u00e9m, atrav\u00e9s duma escolha rec\u00edproca. \u00c9 a escolha que estabelece o pacto conjugal entre as pessoas (1), que s\u00f3 baseadas nele se tornam \u00abuma s\u00f3 carne\u00bb.<\/span><\/p>\n<p align=\"left\"><span lang=\"pt\">4. Isto corresponde \u00e0 estrutura da solid\u00e3o do homem, e em concreto \u00e0 \u00abdupla solid\u00e3o\u00bb. A escolha, expressando autodetermina\u00e7\u00e3o, apoia-se no fundamento daquela estrutura, isto \u00e9, no fundamento da sua autoconsci\u00eancia. S\u00f3 com base na estrutura pr\u00f3pria do homem, \u00e9 ele \u00abcorpo\u00bb e, atrav\u00e9s do corpo, \u00e9 tamb\u00e9m macho ou f\u00eamea. Quando ambos se unem entre si t\u00e3o intimamente que se tornam \u00abuma s\u00f3 carne\u00bb, essa uni\u00e3o conjugal pressup\u00f5e madura consci\u00eancia do corpo. Mais, esta&nbsp;<i>traz consigo uma particular consci\u00eancia do significado daquele corpo na entrega rec\u00edproca das pessoas<\/i>. Tamb\u00e9m neste sentido, G\u00eanesis 2, 24 \u00e9 texto anunciador. Mostra, de facto, que, em cada uni\u00e3o conjugal do homem e da mulher, \u00e9 de novo descoberta a mesma original consci\u00eancia do significado unitivo do corpo na sua masculinidade e feminilidade: com isto indica o texto b\u00edblico, ao mesmo tempo, que em cada uma de tais uni\u00f5es se renova, em certo modo, o mist\u00e9rio da cria\u00e7\u00e3o em toda a sua profundidade original e for\u00e7a vital. \u00abTirada do homem\u00bb como \u00abcarne da sua carne\u00bb, a mulher torna-se em seguida, como \u00abmulher\u00bb e atrav\u00e9s da sua maternidade, m\u00e3e de todos os vivos (Cfr.&nbsp;<i>G\u00ean<\/i>. 3, 20), tendo tamb\u00e9m no homem a sua maternidade a pr\u00f3pria origem. A procria\u00e7\u00e3o est\u00e1 radicada na cria\u00e7\u00e3o e cada vez, em certo sentido, reproduz o mist\u00e9rio criativo.<\/span><\/p>\n<p align=\"left\"><span lang=\"pt\">5. A este assunto ser\u00e1 dedicada uma reflex\u00e3o especial: \u00abO conhecimento e a procria\u00e7\u00e3o\u00bb. Nela ser\u00e1 necess\u00e1rio apelar ainda para outros elementos do texto b\u00edblico. A an\u00e1lise feita at\u00e9 agora, do <span style=\"color: #ff0000;\"><a href=\"https:\/\/blog.cancaonova.com\/metanoia\/unidade-original-homem-e-da-mulher-na-humanidade\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">significado da unidade original<\/a>,<\/span> mostra de que modo \u00abdesde o princ\u00edpio\u00bb aquela unidade do homem e da mulher, inerente ao mist\u00e9rio da Cria\u00e7\u00e3o, \u00e9 tamb\u00e9m dada como exig\u00eancia na perspectiva de todos os tempos sucessivos.<\/span><\/p>\n<hr \/>\n<p align=\"left\"><span lang=\"pt\"><b>Notas<\/b><\/span><\/p>\n<p align=\"left\"><span lang=\"pt\">1. \u00abA \u00edntima comunidade conjugal de vida e amor foi fundada e dotada de leis pr\u00f3prias pelo Criador; baseia-se na alian\u00e7a dos c\u00f4njuges, ou seja, no seu irrevog\u00e1vel consentimento pessoal\u00bb (<i>GS<\/i>&nbsp;48).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Jo\u00e3o Paulo II &#8211; Audi\u00eancia Geral &#8211;&nbsp; Quarta-feira, 14 de novembro de 1979<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fonte: <a href=\"https:\/\/w2.vatican.va\/content\/john-paul-ii\/pt\/audiences\/1979\/documents\/hf_jp-ii_aud_19791121.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">vatican.va<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>D\u00e9cima Catequese da Teologia do Corpo | Valor do matrim\u00f4nio uno e indissol\u00favel \u00e0 luz dos primeiros cap\u00edtulos do G\u00eanesis 1. 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