{"id":7043,"date":"2018-06-22T15:47:58","date_gmt":"2018-06-22T18:47:58","guid":{"rendered":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/metanoia\/?p=7043"},"modified":"2018-09-22T16:03:00","modified_gmt":"2018-09-22T19:03:00","slug":"redencao-corpo-e-sacramentalidade-matrimonio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/metanoia\/redencao-corpo-e-sacramentalidade-matrimonio\/","title":{"rendered":"A reden\u00e7\u00e3o do corpo e a sacramentalidade do matrim\u00f4nio"},"content":{"rendered":"<h2>(129\u00aa) Cent\u00e9sima vig\u00e9sima nona Catequese da Teologia do Corpo | A reden\u00e7\u00e3o do corpo e a sacramentalidade do matrim\u00f4nio<\/h2>\n<p>1. O conjunto das catequeses que iniciei h\u00e1 quatro anos e que hoje concluo pode ser compreendido sob o t\u00edtulo \u201cO amor humano no plano divino\u201d ou, com mais precis\u00e3o: \u201cA reden\u00e7\u00e3o do corpo e a sacramentalidade do matrim\u00f4nio\u201d. Elas dividem-se em duas partes.<\/p>\n<p>A primeira parte \u00e9 dedicada \u00e0 an\u00e1lise das palavras de Cristo, que se mostram adequadas para abrir o tema presente. Estas palavras foram analisadas a fundo na globalidade do texto evang\u00e9lico: e, em seguimento da plurianual reflex\u00e3o, estabeleceu-se p\u00f4r em relevo os tr\u00eas textos, que s\u00e3o submetidos \u00e0 an\u00e1lise precisamente na primeira parte das catequeses.<\/p>\n<p>Temos, antes de tudo, o texto em que se refere Cristo \u201cao princ\u00edpio\u201d no col\u00f3quio com os fariseus sobre a unidade e indissolubilidade do matrim\u00f4nioi. Prosseguindo, temos as palavras pronunciadas por Cristo no Serm\u00e3o da Montanha sobre a \u201cconcupisc\u00eancia\u201d como \u201cadult\u00e9rio cometido no cora\u00e7\u00e3o\u201dii. Por fim, temos as palavras transmitidas por todos os sin\u00f3ticos, em que Cristo faz refer\u00eancia \u00e0 ressurrei\u00e7\u00e3o dos corpos no \u201coutro mundo\u201diii.<\/p>\n<p>A segunda parte da catequese foi dedicada \u00e0 an\u00e1lise do sacramento com base na Ep\u00edstola aos Ef\u00e9siosiv, que se refere ao \u201cprinc\u00edpio\u201d b\u00edblico do matrim\u00f4nio expresso nas palavras do Livro do G\u00eanesis: \u201c\u2026 o homem deixar\u00e1 o pai e a m\u00e3e para se unir \u00e0 sua mulher; e os dois ser\u00e3o uma s\u00f3 carne\u201dv.<\/p>\n<p>As catequeses da primeira e da segunda parte servem-se repetidamente do termo \u201cteologia do corpo\u201c. Este, em certo sentido, \u00e9 um termo \u201cde trabalho\u201d. A introdu\u00e7\u00e3o do termo e do conceito de \u201cteologia do corpo\u201d era necess\u00e1ria para fundar o tema: \u201cA reden\u00e7\u00e3o do corpo e a sacramentalidade do matrim\u00f4nio\u201d numa base mais ampla. \u00c9 preciso, de fato, observar j\u00e1 que o termo \u201cteologia do corpo\u201d ultrapassa amplamente o conte\u00fado das reflex\u00f5es feitas. Estas reflex\u00f5es n\u00e3o compreendem mult\u00edplices problemas que, em refer\u00eancia ao seu objeto, pertencem \u00e0 teologia do corpo (como, por exemplo, o problema do sofrimento e da morte, t\u00e3o relevante na mensagem b\u00edblica). \u00c9 preciso diz\u00ea-lo claramente. Todavia, \u00e9 preciso tamb\u00e9m reconhecer de modo expl\u00edcito que as reflex\u00f5es sobre o tema: \u201cA reden\u00e7\u00e3o do corpo e a sacramentalidade do matrim\u00f4nio\u201d podem ser desenvolvidas corretamente, partindo do momento em que a luz da Revela\u00e7\u00e3o toca a realidade do corpo humano (ou seja, na base da \u201cteologia do corpo\u201d). Isto \u00e9 confirmado, al\u00e9m do mais, pelas palavras do Livro do G\u00eanesis: \u201cos dois ser\u00e3o uma s\u00f3 carne\u201d, palavras que origin\u00e1ria e tematicamente est\u00e3o na base do nosso assunto.<\/p>\n<p>2. As reflex\u00f5es sobre o sacramento do matrim\u00f4nio foram conduzidas na considera\u00e7\u00e3o das duas dimens\u00f5es essenciais deste sacramento (como de todo os outros), isto \u00e9, a dimens\u00e3o da Alian\u00e7a e a dimens\u00e3o do sinal.<br \/>\nAtrav\u00e9s destas duas dimens\u00f5es, chegamos continuamente \u00e0s reflex\u00f5es sobre a teologia do corpo, unidas \u00e0s palavras de contin\u00eancia. A estas reflex\u00f5es chegamos tamb\u00e9m empreendendo, no fim de todo este ciclo de catequeses, a an\u00e1lise da Enc\u00edclica Humanae vitae.<\/p>\n<p>A doutrina contida neste documento do ensinamento contempor\u00e2neo da Igreja mant\u00e9m-se em rela\u00e7\u00e3o org\u00e2nica quer com a sacramentalidade do matrim\u00f4nio quer com toda a problem\u00e1tica b\u00edblica da teologia do corpo, centralizada nas \u201cpalavras-chaves\u201d de Cristo. Em certo sentido, pode-se at\u00e9 dizer que todas as reflex\u00f5es que tratam da \u201creden\u00e7\u00e3o do corpo e da sacramentalidade do matrim\u00f4nio\u201d, parecem constituir um amplo coment\u00e1rio \u00e0 doutrina contida precisamente na <a href=\"https:\/\/w2.vatican.va\/content\/paul-vi\/pt\/encyclicals\/documents\/hf_p-vi_enc_25071968_humanae-vitae.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Enc\u00edclica Humanae vitae<\/a>.<\/p>\n<p>Tal coment\u00e1rio parece bastante necess\u00e1rio. A Enc\u00edclica, de fato, ao dar a resposta a alguns interrogativos de hoje no \u00e2mbito da moral conjugal e familiar, ao mesmo tempo suscitou tamb\u00e9m outros interrogativos, como sabemos, de natureza biom\u00e9dica. Mas, tamb\u00e9m (e antes de tudo), eles s\u00e3o de natureza teol\u00f3gica; pertencem \u00e0quele \u00e2mbito da antropologia e da teologia, que denominamos \u201cteologia do corpo\u201d.<br \/>\nAs reflex\u00f5es feitas consistem em enfrentar os interrogativos nascidos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Enc\u00edclica Humanae vitae. A rea\u00e7\u00e3o que a Enc\u00edclica suscitou confirma a import\u00e2ncia e a dificuldade destes interrogativos. Eles s\u00e3o reafirmados, tamb\u00e9m, pelos ulteriores enunciados de Paulo VI, onde ele salientava a possibilidade de aprofundar a exposi\u00e7\u00e3o da verdade crist\u00e3 neste setor.<\/p>\n<p>Reafirmou-o, al\u00e9m disso, a exorta\u00e7\u00e3o Familiaris consortio, fruto do S\u00ednodo dos Bispos de 1980: De muneribus familiae christianae. O documento cont\u00e9m um apelo, dirigido particularmente aos te\u00f3logos, a elaborar de modo mais completo os aspectos b\u00edblicos e personal\u00edsticos da doutrina contida na Humanae vitae.<\/p>\n<p>Colher os interrogativos suscitados pela Enc\u00edclica significa formul\u00e1-los e, ao mesmo tempo, procurar-lhes a resposta. A doutrina contida na Familiaris consortio requer que, seja a formula\u00e7\u00e3o dos interrogativos, seja a busca de uma adequada resposta, se concentrem nos aspectos b\u00edblicos e personal\u00edsticos. Tal doutrina indica tamb\u00e9m a orienta\u00e7\u00e3o de desenvolvimento da teologia do corpo, a dire\u00e7\u00e3o do desenvolvimento e, portanto, tamb\u00e9m a dire\u00e7\u00e3o do seu progressivo completar-se e aprofundar-se.<br \/>\n3. A an\u00e1lise dos aspectos b\u00edblicos fala do modo de radicar a doutrina proclamada pela Igreja contempor\u00e2nea na Revela\u00e7\u00e3o. Isto \u00e9 importante para o desenvolvimento da teologia. O desenvolvimento, ou seja, o progresso na teologia realiza-se, de fato, atrav\u00e9s de um cont\u00ednuo retomar o estudo daquele dep\u00f3sito revelado.<\/p>\n<p>A radica\u00e7\u00e3o da doutrina proclamada pela Igreja em toda a Tradi\u00e7\u00e3o e na mesma Revela\u00e7\u00e3o divina est\u00e1 sempre aberta aos interrogativos postos pelo homem e serve-se tamb\u00e9m dos instrumentos mais conformes \u00e0 ci\u00eancia moderna e \u00e0 cultura de hoje. Parece que neste setor o intenso desenvolvimento da antropologia filos\u00f3fica (em particular, da antropologia que est\u00e1 na base da \u00e9tica) se encontra muito de perto com os interrogativos suscitados pela Enc\u00edclica Humanae vitae em refer\u00eancia \u00e0 teologia e, de modo especial, \u00e0 \u00e9tica teol\u00f3gica.<\/p>\n<p>A an\u00e1lise dos aspectos personal\u00edsticos da doutrina contida neste documento tem um significado existencial para estabelecer em que consiste o verdadeiro progresso, isto \u00e9, o desenvolvimento do homem. Existe, de fato, em toda a civiliza\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea \u2014especialmente na civiliza\u00e7\u00e3o ocidental\u2014 uma oculta e, ao mesmo tempo, bastante expl\u00edcita tend\u00eancia a medir este progresso com a medida das \u201ccoisas\u201d, isto \u00e9, dos bens materiais.<\/p>\n<p>A an\u00e1lise dos aspectos personal\u00edsticos da doutrina da Igreja, contida na Enc\u00edclica de Paulo VI, p\u00f5e em evid\u00eancia um apelo resoluto a medir o progresso do homem com a medida da \u201cpessoa\u201d, ou seja, daquilo que \u00e9 um bem do homem como homem \u2014que corresponde \u00e0 sua essencial dignidade.<\/p>\n<p>A an\u00e1lise dos aspectos personal\u00edsticos leva \u00e0 convic\u00e7\u00e3o de que a Enc\u00edclica apresenta como problema fundamental o ponto de vista do aut\u00eantico desenvolvimento do homem; tal desenvolvimento mede-se, de fato, em linha de m\u00e1xima, com a medida \u00e9tica e n\u00e3o s\u00f3 da \u201ct\u00e9cnica\u201d.<\/p>\n<p>4. As catequeses dedicadas \u00e0 Enc\u00edclica Humanae vitae constituem apenas uma parte, a parte final, das que trataram da reden\u00e7\u00e3o do corpo e da sacramentalidade do matrim\u00f4nio.<\/p>\n<p>Se chamo de modo particular a aten\u00e7\u00e3o precisamente para estas \u00faltimas catequeses, fa\u00e7o-o n\u00e3o s\u00f3 porque o tema por elas tratado est\u00e1 mais estreitamente ligado \u00e0 nossa contemporaneidade, mas sobretudo pelo fato de que dele prov\u00eam os interrogativos, que permeiam, em certo sentido, o conjunto das nossas reflex\u00f5es. Resulta, assim, que esta parte final n\u00e3o \u00e9 artificialmente acrescentada ao conjunto, mas est\u00e1 unida a ele de modo org\u00e2nico e homog\u00eaneo. Em certo sentido, aquela parte, que na disposi\u00e7\u00e3o global est\u00e1 colocada no fim, encontra-se, ao mesmo tempo, no in\u00edcio deste conjunto. Isto \u00e9 importante sob o ponto de vista da estrutura e do m\u00e9todo.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m o momento hist\u00f3rico parece ter o seu significado: de fato, as presentes catequeses foram iniciadas no per\u00edodo dos preparativos para o S\u00ednodo dos Bispos de 1980 sobre o tema do matrim\u00f4nio e da fam\u00edlia (\u201cDe muneribus familiae christianae\u201c), e terminam depois da publica\u00e7\u00e3o da exorta\u00e7\u00e3o Familiaris consortio, que \u00e9 fruto dos trabalhos deste S\u00ednodo. \u00c9 por todos sabido que o S\u00ednodo de 1980 fez refer\u00eancia tamb\u00e9m \u00e0 Enc\u00edclica Humanae vitae e confirmou plenamente a sua doutrina.<\/p>\n<p>Todavia, o momento mais importante parece o essencial que, no conjunto das reflex\u00f5es efetuadas, se pode precisar do modo seguinte: para enfrentar os interrogativos que suscita a Enc\u00edclica Humanae vitae, sobretudo em teologia, para formular tais interrogativos e lhes procurar a resposta, \u00e9 preciso encontrar aquele \u00e2mbito b\u00edblico-teol\u00f3gico a que se alude quando falamos de \u201creden\u00e7\u00e3o do corpo e de sacramentalidade do matrim\u00f4nio\u201d. Neste \u00e2mbito, encontram-se as respostas aos perenes interrogativos da consci\u00eancia dos homens e das mulheres, e tamb\u00e9m aos dif\u00edceis interrogativos do nosso mundo contempor\u00e2neo a respeito do matrim\u00f4nio e da procria\u00e7\u00e3o.<br \/>\n_________________________<br \/>\ni Cf. Mt 19, 8; Mc 10, 6-9.<br \/>\nii Cf. Mt 5, 28.<br \/>\niii Cf. Mt 22, 30; Mc 12, 25; Linguagem do corpo 20, 35.<br \/>\niv Ef 5, 22-33.<br \/>\nv Gn 2, 24.<\/p>\n<p>_________________________<\/p>\n<h2>Assista tamb\u00e9m a palestra: Contexto da Humane Vitae<\/h2>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Contexto da Humanae Vitae - Padre Rafael Solano (14\/04\/18)\" width=\"600\" height=\"338\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/JP41TVLLS1k?feature=oembed&amp;rel=0\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(129\u00aa) Cent\u00e9sima vig\u00e9sima nona Catequese da Teologia do Corpo | A reden\u00e7\u00e3o do corpo e a sacramentalidade do matrim\u00f4nio 1. 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