O problema do celular é o exagero que nos torna desconectados nos relacionamentos

– Amor, você ouviu o que eu disse?
– Anh?
– O que você acha sobre isso?
– Uhun…
– Uhun o quê, amor? Você entendeu?
– Peraí amor, só preciso responder umas mensagens aqui…

Como o celular pode desconectar o seu relacionamento
Foto: Daniel Mafra/cancaonova.com

WhatsApp, Facebook, Twitter, Instagram, Snapchat são parte das inúmeras ferramentas que possibilitam encontros virtuais entre as pessoas por meio do celular. Elas facilitam muito a vida, são usadas até no trabalho, atualizam-nos sobre o cotidiano de quem não vemos todo dia, reaproxima quem passou pela nossa infância, quem tem as mesmas necessidades que nós, enfim, muitas possibilidades de relação aparecem nessa vida conectada. Contudo, em que medida temos nos refugiado nessas conexões virtuais e nos desligado das pessoas que convivem conosco?

A realidade sem wi-fi nem sempre é tão maravilhosa e deslumbrante como as pessoas postam freneticamente nessas mídias sociais virtuais, mas é a realidade na qual se vive e é onde Deus nos plantou para que florescêssemos. E não é justo que nós negligenciemos nossos relacionamentos com quem está ao nosso lado, à espera da resposta no “zapzap”, do comentário naquela foto ou forjando um cenário para o próximo selfie.

Quer estragar um momento romântico, divertido e espontâneo? Pare tudo o que está fazendo e prepare a cena para a foto, montada para que apareçam no melhor ângulo. E repita isso várias vezes, a cada paisagem. Lá se foram minutos preciosos da viagem, do almoço e do passeio. Do que a gente estava falando mesmo? Nem importa, afinal, a foto já teve dezenas de curtidas! Ou ignore completamente quem está a sua volta, porque, afinal, você precisa se manifestar, agora, na internet, sobre esse tema que está todo mundo comentando, e comentar também, nem que seja um KKKKK, mesmo que discorde da situação, só para se mostrar engajado.

Eu não sou contra tecnologia, de jeito nenhum, sou casada com um esposo que trabalha nessa área, e lá em casa a gente está em todas essas redes e muito mais, mas me preocupa a dose diária de virtualidade que a vida vem adquirindo. Quando se percebe, é muito natural deixar as pessoas falando sozinhas enquanto você fita a tela do celular. “Desculpa, pode repetir? Eu não estava prestando atenção…”

Será que não estamos preterindo quem está ao nosso lado em busca de um ativismo virtual? Há famílias na qual todos os membros se comunicam pelo WhatsApp. Bacana, desde que isso não substitua a convivência fraterna dessas pessoas, o carinho mútuo, o amor, o afeto, o cuidado e também o compartilhamento ao vivo de tristezas, dores e dificuldades. Para provocar uma guerra, basta esquecer o carregador do celular.

Minha gente, vivemos bem sem isso, não é? Não precisamos nos fazer escravos do mundo conectado!

Eu já fiz um teste e recomendo: passe um dia completamente desconectado. Inicialmente, parecerá uma tortura, mas, ao fim do dia, você perceberá o quanto pôde cuidar das pessoas e das situações que estavam ao seu lado no dia a dia. Depois, teste ficar dois ou três dias, talvez até uma semana longe das redes virtuais. Você verá como seu tempo foi empregado em observar e agir na realidade mais próxima a você.

Ao dar um tempo nesse ambiente conectado, você voltará a ele com mais senso crítico, menos afetado pelas opiniões extremadas, e poderá dosar mais o seu tempo on-line, para que tenha também tempo de qualidade desconectado. Já percebeu como os nossos sentimentos ficam mais aflorados e acalorados na internet? Nós nos sentimos até mais corajosos para nos manifestar, dizer o que bem queremos e entender os demais à nossa maneira, levando tudo ao pé da letra e a ferro e fogo, combatendo as opiniões contrárias como se estivéssemos em guerra, como se não houvesse amanhã e, muitas vezes, magoando quem está dentro e fora do mundo virtual.

Estar on-line não é problema, o problema é o exagero que nos faz escravos da conexão virtual, negligenciando nossos relacionamentos.

Se estiver difícil vencer essa escravidão em casa, desligue a internet e pratique a frase que um restaurante divulgou bastante nas redes sociais: “Não temos wi-fi. Conversem entre vocês”.

Mariella Silva de Oliveira Costa

Mineira , esposa, católica, feliz e amante de uma boa prosa. Jornalista, professora universitária, cientista em formação e servidora pública, Mariella é graduada na Universidade Federal de Viçosa e especialista em jornalismo científico (Unicamp), mestre em ciências médicas (Unicamp) e doutoranda em saúde coletiva na Universidade de Brasília. Participa da Renovação Carismática Católica, desde 1998, onde serviu especialmente no Ministério Universidades Renovadas e no Ministério de Comunicação Social. Contato: mariellajornalista@gmail.com Twitter: @_mari_ella_

É quando o tempo passa e não percebemos…


Estado de alma, período em que se conhece e faz conhecer, momento em que muitos se perdem nos sentimentos e desejos, mas acertam quando se deixam ir além do movimentar dos hormônios e ultrapassam o que é fisiológico e não param no que os olhos conseguem ver. Permitem sentir com a alma encontrando a sacralidade velada pelo corpo de um homem e de uma mulher. É quando se apaixonam pelo que o outro tem de mais puro e intocável o que muitas vezes nem a própria pessoa conhece. É momento de dar o que temos de melhor, de deixarmos envolver na atmosfera do amor, onde não existe leviandade, mas a franqueza que o coração da pessoa enamorada merece. continue lendo

Oieeee!

Trago para vocês trechos dos textos do Renan Félix (membro da Comunidade Canção Nova), série afetividade, relacionamentos, amizades. Tudo que faz parte de nossa juventude! Muitas vezes vivemos situações que nem sabemos, e conhecimento e formação nos ajudam a refletir como andam estas áreas que geralmente são as mais afetadas em nossa juventude: com decepções, co-dependência, ciúmes… Tudo, de alguma forma, está ligado a nossa história de vida.

Então, os textos deste jovem seminarista da Comunidade Canção Nova são bem interessantes para pararmos e refletirmos à luz da verdade: Como andam os meus relacionamentos de amizade? Tudo deve concorrer para a sadia convivência! Não tenha medo de tocar na sua verdade, ela vai te ajudar a amadurecer na fé e na intimidade com Deus.

Tamu juntos,

Maria Monique

Comunidade Canção Nova

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Amigo fiel é bálsamo de vida

O que é amizade? O que significa ter um amigo? Muitas vezes, essas perguntas já vieram aos nossos corações e aos corações de tantos homens e mulheres na história. São questionamentos que sempre inquietaram a humanidade, ansiosa por obter definições para essa experiência tão fundamental na vida de todo homem. A amizade também é tema recorrente em muitos versículos da Palavra de Deus, a qual, muito mais do que apresentar respostas humanas, quer revelar os segredos mais íntimos do coração do Senhor quanto à experiência de se ter um amigo.

“Amigo fiel é bálsamo de vida; os que temem o Senhor vão encontrá-lo” (Eclo 6,16).

Esta é uma das muitas imagens apresentadas pela Bíblia para um amigo: bálsamo de vida. Mas o que é isso? Trata-se de uma resina aromática utilizada como perfume e também como remédio para ferimentos. Antigamente, era artigo raro e caro, chegando a valer duas vezes seu peso em ouro. Diante dessas características, quando o autor sagrado se refere a um amigo como “bálsamo de vida” ele está afirmando que uma amizade tem a capacidade de perfumar e curar a vida daqueles se permitem vivê-la.

Um amigo fiel traz em si o suave aroma do amor, capaz de transformar qualquer ambiente e situação hostil em lugar de tranquilidade. Quem já fez a experiência de ter um amigo ao seu lado em momentos de sofrimento sabe que, somente por aquela pessoa estar ali, o nosso coração se enche de segurança.

O amor que há em uma amizade verdadeira é sempre uma manifestação limitada, mas, ao mesmo tempo, concreta do Amor do Senhor por nós. Amor que sofre junto com o outro, que se faz presente, que se compadece dele e o fortalece. Diante da dor daquele a quem amamos, um amigo é como uma folha de eucalipto amassada nas mãos: exala e impregna o ar com um cheiro inconfundível, capaz de permanecer por muito tempo e atingir a todos os que estão à sua volta.

Vivemos em um mundo de pessoas feridas e machucadas por incontáveis decepções, as quais cada vez mais as lançam na solidão de suas dores. Bálsamo também é remédio; um amigo é fonte de cura. Uma amizade, quando é vivida de forma sadia, não somente é capaz de curar as feridas do nosso coração como também de nos lançar para os outros, fazendo-nos ir além de nossas chagas e não nos deixando parar em nossas dores.

Infelizmente, muitos não experimentam o poder curativo de uma amizade, pois – assim como a criança faz com o remédio lançado sobre o machucado – não aguentam o incômodo inicial que o amor puro de um amigo pode causar sobre as feridas de seu coração e preferem fugir. Por covardia descartam logo o “curativo” que Deus enviou, esquecendo-se da sabedoria de nossas mães que sempre afirmaram: “O que arde cura”. Quem não enfrenta o “arder” do amor no coração, nunca poderá ver as suas feridas saradas.

Como o bálsamo, um amigo de verdade é artigo raro e muito caro. Não é encontrado em qualquer esquina nem deve ser procurado em qualquer lugar. Amizade é iniciativa de Deus, por isso, deve ser recebida como dom de amor, como presente inesperado, mas sempre desejado. Por esse motivo só quem teme o Senhor, só quem experimentou e é experimentado no Seu Amor é capaz de encontrar um amigo fiel. Só quem conhece a verdadeira essência de um perfume é capaz de perceber seu rastro nas formas mais sutis.

Jesus teve amigos que foram bálsamos de vida. Amigos que transformaram o perfume de seu amor em unção, preparando-O para o Seu supremo momento de dor (cf. Jo 12,3). Amigos que foram, com a sua presença, cura para o Seu coração dilacerado pelo abandono na cruz (cf. Jo 19,25-26). Amigos que Lhe custaram Seu maior e mais caro ato de amor: dar a própria vida (cf. Jo 15,13).

O maior desejo de alguém que ama é ter o seu amor reconhecido pela pessoa amada. Por essa razão, não sejamos ingratos a ponto de, ao receber um presente, esquecer-nos de quem nos presenteou. Deus nos dá amigos para que estes possam nos revelar o quanto Ele nos ama. Ato de amor concreto para com o Senhor é não nos esquecermos disso e ter um coração profundamente grato Àquele que é fonte e origem de todo amor.

Que ao deparar com essas palavras seu coração se encha de alegria por ver que elas traduziram experiências da sua vida. Que sejam receitas simples para as chagas que permanecem abertas em sua alma. Que essas palavras exalem um perfume antes esquecido, e, ao alcançarem seus sentidos, devolvam-lhe o desejo e a esperança de encontrar um amigo de verdade.

Que Deus lhe dê a graça de ter um amigo capaz de, com sua simples presença, devolver o perfume à sua vida e de curar as feridas do seu coração.

Seu irmão,

Renan Félix (renan@geracaophn.com)

Visita: http://blog.cancaonova.com/renanfelix/ e você vai conferir vários outros textos bem interessante sobre Amizade!


Canção Nova, 10 anos em Natal – Um tempo de Graça!

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Afetividade Sadia!

Olá, queridos internautas, a paz de Jesus!

Um dos princípios de vida da Canção Nova, e posso dizer, um grande presente para a Igreja, é este: “homens e mulheres em sadia convivência”. Para ter uma convivência sadia, temos que ter uma “afetividade sadia”.

Para explicar melhor este assunto, trouxe pra você um texto do Pe. Edmilson, da Comunidade Canção Nova.

Afetuosamente,
Heitor Galúcio – Comunidade Canção Nova

.:Transcrição do artigo “Afetividade sadia“:

O que é sadia convivência?

É viver com naturalidade e sinceridade os nossos relacionamentos. O termo “sadia” é antônimo de doente.

Hoje vivemos numa sociedade doente, marcada pela pornografia, pela malícia nos relacionamentos, pelas brincadeiras inconvenientes, e tudo conduz para o sensual. A Palavra de Deus nos diz: “Não vos conformeis com este mundo” (cf. Romanos 12,2)

No viver de forma sadia, tudo isso precisa ser eliminado.

“A imoralidade sexual e qualquer espécie de impureza ou cobiça sequer sejam mencionadas entre vós, como convém a santos. Nada de palavrões ou conversas tolas, nem de piadas de mau gosto: são coisas inconvenientes; entregai-vos, antes, à ação de graças. Pois, ficai bem certos: nenhum libertino ou impuro ou ganancioso – que é um idólatra – tem herança no reino de Cristo e de Deus” (Efésios 5,3-5).

Tenho a graça de relacionar-me bem com minhas irmãs e irmãos de comunidade. Tem sido para mim um motivo de realização pessoal, pois eu era uma pessoa tímida, introvertida, mas a nossa sadia convivência me curou também no meu temperamento e na minha forma de lidar com as pessoas.

A comunidade nos ajuda a buscar a santidade, ela nos impulsiona a sermos santos. Se você busca esses propósitos, ressurge no coração o desejo de corresponder, buscando uma vida íntegra e equilibrada.

O Senhor quer ajudar você, mas ajude o Senhor.

“Filho, pecaste? Não tornes a fazê-lo; e suplica pelas faltas passadas para que te sejam perdoadas. Foge dos pecados de uma cobra: se deles te aproximares, te morderão” (Eclesiástico 21,1-2).

Há pessoas que, com boa intenção de ajudar o outro, começam a se aproximar sem conhecer as suas fragilidades; o resultado, no entanto, pode ser desastroso, porque em vez de ajudar acabam provocando sentimentos que prejudicam a vida do outro.

Dom Bosco dizia que para salvar os jovens ele iria até as últimas conseqüências, mas era preciso ser prudente.

Há confusão quando não há maturidade.

Temos um modelo na nossa comunidade: Padre Jonas Abib, que atingiu a maturidade na sexualidade. Assim como Paulo diz às comunidades: “Sede meus imitadores”, o meu fundador também diz: “Sejam meus imitadores, meus filhos”.

Mas é preciso construir um caminho de luta, de sacrifício, de esforço, dedicação e zelo.

Porém, se você busca a castidade, mas não consegue se desvencilhar dos filmes pornográficos e das seções de piadas, como ser curado?

A Igreja ensina que o diabo não entra na nossa vontade, ele apenas age de acordo com as sensações, os impulsos; ele percebe que houve uma brecha naquele determinado lugar e entra. Dentro de você precisa haver uma disposição interior para que possa fechar todas as brechas.

Somente conseguiremos ser homens profundamente curados na nossa afetividade e sexualidade pelo poder do Espírito Santo.

A cada dia peçamos esta graça para que sejamos homens curados e plenos do amor de Deus.

Padre Edmilson Lopes

(extraído do livro: “A cura da nossa afetividade e sexualidade“, Ed. Canção Nova)