{"id":11390,"date":"2014-11-04T15:42:17","date_gmt":"2014-11-04T18:42:17","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.cancaonova.com\/natal\/?p=11390"},"modified":"2014-11-04T15:42:17","modified_gmt":"2014-11-04T18:42:17","slug":"que-significa-rezar-pelos-mortos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/natal\/2014\/11\/04\/que-significa-rezar-pelos-mortos\/","title":{"rendered":"Que significa rezar pelos mortos?"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/blog.cancaonova.com\/natal\/files\/2014\/11\/vela-acesa-velas-objetos-fogo_350492.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/blog.cancaonova.com\/natal\/files\/2014\/11\/vela-acesa-velas-objetos-fogo_350492.jpg\" alt=\"vela-acesa-velas-objetos-fogo_350492\" width=\"626\" height=\"417\" class=\"alignleft size-full wp-image-11391\" srcset=\"https:\/\/blog.cancaonova.com\/natal\/files\/2014\/11\/vela-acesa-velas-objetos-fogo_350492.jpg 626w, https:\/\/blog.cancaonova.com\/natal\/files\/2014\/11\/vela-acesa-velas-objetos-fogo_350492-280x186.jpg 280w\" sizes=\"(max-width: 626px) 100vw, 626px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Categoria: Artigos<\/p>\n<p>Publicado em 31 de outubro de 2014<\/p>\n<p>Em s\u00edntese: Rezar pelos mortos e, especialmente, celebrar a S. Missa pelos mortos n\u00e3o \u00e9 celebrar a f\u00e9 das pessoas falecidas nem \u00e9 celebrar a f\u00e9 dos que ficaram neste mundo. \u00c9 celebrar o mist\u00e9rio da f\u00e9, ou seja, o sacrif\u00edcio de Cristo perpetuado sobre os nossos altares e oferecido ao Pai em favor de tal ou tal irm\u00e3o ou irm\u00e3 falecido(a) seja corroborado para que extinga qualquer amor desregrado ou qualquer resqu\u00edcio de pecado que tenha ficado na alma do defunto. Este se encontra em estado de purifica\u00e7\u00e3o, preparando-se para ver Deus face-a-face mediante o rep\u00fadio radical de qualquer esc\u00f3ria de infidelidade.<\/p>\n<p>Um jornal paroquial publicou em novembro pp.  um artigo intitulado \u201cO que significa rezar pelos falecidos\u201d. O conte\u00fado da explana\u00e7\u00e3o \u00e9 amb\u00edguo e suscitou hesita\u00e7\u00e3o em v\u00e1rios leitores.  Da\u00ed a conveni\u00eancia de algumas reflex\u00f5es sobre o assunto.<\/p>\n<p>Eis os trechos mais significativos do artigo:<\/p>\n<p>\u201cA festa de todos os Santos e o dia dos Finados nos oferecem uma \u00f3tima oportunidade para refletirmos sobre nossas atitudes para com nossos falecidos.  Mais concretamente, sobre o sentido das Missas de s\u00e9timo dia, trig\u00e9simo dia e primeiro ano\u2026<\/p>\n<p>Redescubramos o sentido da Eucaristia oferecida pelos defuntos: toda Missa \u00e9 renova\u00e7\u00e3o do Dom total de Jesus Cristo, que morreu por n\u00f3s e ressuscitou para a nossa salva\u00e7\u00e3o.  Oferecer a Missa por um irm\u00e3o que faleceu \u00e9 um ato com duplo sentido: celebra\u00e7\u00e3o da f\u00e9 que ele tinha e da f\u00e9 que n\u00f3s temos.  O fundamento do Cristianismo \u00e9 a f\u00e9 em Jesus Cristo ressuscitado. \u201cSe Cristo n\u00e3o ressuscitou, v\u00e3 \u00e9 nossa f\u00e9\u2026\u201d<\/p>\n<p>A Missa \u00e9 um ato de f\u00e9 na comunh\u00e3o dos santos, isto \u00e9: quer vivamos peregrinos nesta terra, quer j\u00e1 estejamos com Deus, formamos uma s\u00f3 Comunidade de Batizados\u201d.<\/p>\n<p>Passemos a um coment\u00e1rio.<\/p>\n<p>Que \u00e9 a Missa?<\/p>\n<p>O autor do artigo afirma que a Missa \u00e9 \u201crenova\u00e7\u00e3o do Dom total de Jesus Cristo, que morreu por n\u00f3s e ressuscitou para nossa salva\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Ora aqui j\u00e1 se imp\u00f5e uma observa\u00e7\u00e3o: a Missa n\u00e3o \u00e9 propriamente a renova\u00e7\u00e3o da entrega de Cristo ao Pai; a palavra \u201crenova\u00e7\u00e3o\u201d pode sugerir a id\u00e9ia de repeti\u00e7\u00e3o \u2013 o que seria falso, visto que o sacrif\u00edcio de Cristo foi cabal e infinitamente merit\u00f3rio; \u00e9 irrepet\u00edvel, de modo que mais adequado \u00e9 falar de \u201cperpetua\u00e7\u00e3o\u201d ou \u201cre-apresenta\u00e7\u00e3o\u201d do sacrif\u00edcio de Cristo sobre os nossos altares.<\/p>\n<p>Outra observa\u00e7\u00e3o &#8211; e esta mais grave \u2013 refere-se \u00e0 afirma\u00e7\u00e3o de que \u201ca Missa \u00e9 a celebra\u00e7\u00e3o da f\u00e9 que a pessoa falecida tinha  e a celebra\u00e7\u00e3o da f\u00e9 que n\u00f3s temos\u201d. \u2013 Ora isto \u00e9 falho ou falso. Na verdade, a Missa n\u00e3o \u00e9 a celebra\u00e7\u00e3o da f\u00e9 das criaturas: a Missa \u00e9 a re-apresenta\u00e7\u00e3o do sacrif\u00edcio do Calv\u00e1rio, com a diferen\u00e7a de que na Cruz Jesus se ofereceu a s\u00f3s ao Pai, ao passo que sobre os nossos altares Ele se oferece conosco ou com a sua Igreja ao Pai. Com outras palavras: a Missa n\u00e3o \u00e9 a celebra\u00e7\u00e3o da f\u00e9, mas \u00e9 a celebra\u00e7\u00e3o do mist\u00e9rio da f\u00e9 por excel\u00eancia. Jesus torna presente sobre os nossos altares a sua entrega ao Pai para que nos entreguemos com Ele na qualidade de cooferentes e na qualidade de cooferidos, participando do sacerd\u00f3cio de Cristo e da condi\u00e7\u00e3o de Cristo como v\u00edtima ou h\u00f3stia.<\/p>\n<p>Perguntamos ent\u00e3o:<\/p>\n<p>Por que celebrar a missa pelos defuntos?<\/p>\n<p>A resposta est\u00e1 associada \u00e0 doutrina do purgat\u00f3rio, que vai aqui brevemente recordada.<\/p>\n<p>1) O amor a Deus, num crist\u00e3o, pode coexistir com tend\u00eancias desregradas e pecados leves (ao menos, semideliberados). H\u00e1, sim, em todo indiv\u00edduo humano um lastro inato de desordem: ego\u00edsmo, vaidade, amor pr\u00f3prio, covardia, neglig\u00eancia, moleza, infidelidade\u2026 acham-se t\u00e3o intimamente arraigados no interior do homem que chegam por vezes a acompanhar as suas mais s\u00e9rias tentativas de se elevar a Deus e dar a Deus o lugar primacial que lhe toca. A psicologia das profundidades ensina que essas tend\u00eancias nem sempre s\u00e3o conscientes, mas muitas vezes atuam no nosso subconsciente ou inconsciente.<\/p>\n<p>2) Mais: todo pecado (principalmente quando grave, mas tamb\u00e9m a falta leve) deixa na alma um resqu\u00edcio de si ou uma inclina\u00e7\u00e3o m\u00e1 (metaforicamente\u2026 deixa uma cicatriz, deixa um pouco de ferrugem na alma, dificultando-lhe a pr\u00e1tica do bem). Com efeito; o pecado implica sempre uma desordem. Quando, ap\u00f3s o pecado (grave ou leve), a pessoa se arrepende e pede perd\u00e3o a Deus, o Pai do c\u00e9u perdoa (o Senhor nunca rejeita a contri\u00e7\u00e3o sincera). Mas o amor do pecador arrependido, por mais genu\u00edno e leal que seja, pode n\u00e3o ser suficiente para extinguir todo resqu\u00edcio de amor desregrado, ego\u00edsta, existente na alma.  Em consequ\u00eancia, o pecado arrependido recebe o perd\u00e3o do seu pecado, mas ainda deve libertar-se da desordem deixada pelo pecado em sua alma; quantas vezes se verifica que, mesmo ap\u00f3s uma confiss\u00e3o sincera e contrita, o crist\u00e3o recai nas faltas de que se arrependeu!  Isto se deve ao fato de que ficou no seu \u00edntimo a raiz ou o princ\u00edpio do pecado. Figuradamente, pode-se dizer que o crist\u00e3o arranca a folha e o caule da trinca, mas dificilmente arranca tamb\u00e9m o caro\u00e7o ou a raiz da tiririca; esta se manifesta dentro em pouco, atrav\u00e9s de novos pecados. Para extirpar o princ\u00edpio do pecado remanescente, o crist\u00e3o deve excitar e exercitar mais intensamente o amor a Deus.  Ora este est\u00edmulo do amor a Deus se realiza mediante a satisfa\u00e7\u00e3o ou atos de penit\u00eancia que despertem e fortale\u00e7am o amor a Deus no \u00edntimo do crist\u00e3o.<\/p>\n<p>Notemos bem: a satisfa\u00e7\u00e3o assim entendida n\u00e3o deve ser comparada a uma multa mais ou menos arbitr\u00e1ria imposta por Deus ou a um castigo vingativo; \u00e9, antes, um aux\u00edlio medicinal; \u00e9 tamb\u00e9m uma exig\u00eancia do amor do crist\u00e3o a Deus, amor que, estando debilitado, pode se corroborado e purificado.<\/p>\n<p>3) Digamos agora que um crist\u00e3o morre com o seu amor voltado para Deus, mas ainda portador de contradi\u00e7\u00f5es ou incoer\u00eancias: ama a Deus, mas cai em impaci\u00eancia, maledic\u00eancia, omiss\u00f5es\u2026 O Senhor Deus n\u00e3o h\u00e1 de o rejeitar, porque ele n\u00e3o op\u00f5e um obst\u00e1culo decisivo ao amor de Deus, mas tamb\u00e9m \u00e9 de notar que esse crist\u00e3o n\u00e3o poder\u00e1 ver Deus face-a-face como acontece aos crist\u00e3os purificados de todo resqu\u00edcio de pecado. Deus \u00e9 tr\u00eas vezes santo: por isto n\u00e3o pode subsistir diante dele nenhuma sombra de pecado.  Por conseguinte, a miseric\u00f3rdia divina concede a essa alma a gra\u00e7a de se purificar depois da morte; n\u00e3o se trata de convers\u00e3o do pecado mortal para a vida da gra\u00e7a, mas trata-se de eliminar o apego ao \u201cpecadinho\u201d, que \u00e9 sempre pecado ou defici\u00eancia. Essa purifica\u00e7\u00e3o n\u00e3o se faz pelo fogo, mas faz-se pela intensifica\u00e7\u00e3o do amor a Deus; este, tornando-se mais intenso ou mais forte, apaga os resqu\u00edcios do pecado existentes na alma. Tal \u00e9 o processo que se realiza no purgat\u00f3rio p\u00f3stumo.<\/p>\n<p>Os crist\u00e3os peregrinos na terra podem ajudar seus irm\u00e3os falecidos que estejam no purgat\u00f3rio, mediante ora\u00e7\u00f5es ou sufr\u00e1gios: pedem a Deus que fortale\u00e7a o amor das almas do purgat\u00f3rio para que apague toda sombra de tend\u00eancias desregradas e lhes permita entrar quanto antes na vis\u00e3o de Deus face a face.<\/p>\n<p>Ora a S. Missa \u00e9 o melhor meio de sufragar as almas do purgat\u00f3rio. Oferecemos a Deus o sacrif\u00edcio de Cristo perpetuado sobre os nossos altares para que o Pai conceda a essas almas a gra\u00e7a necess\u00e1ria para vencerem as resist\u00eancias do pecado ou do \u201cpecadinho\u201d\u2026 Sabemos por experi\u00eancia como \u00e9 dif\u00edcil a cada um de n\u00f3s vencer certos impulsos desordenados que nos humilham, que nos repudiamos, mas que se acham t\u00e3o arraigados em nosso \u00edntimo que dificilmente os eliminamos.  Tenhamos em vista os movimentos de impaci\u00eancia que n\u00e3o queremos alimentar, mas que se antecipam \u00e0 nossa delibera\u00e7\u00e3o e nos fazem sofrer porque nos desfiguram\u2026 Pois bem: essas coisas desregradas t\u00eam que desaparecer por completo para que possamos ver Deus face a face.<\/p>\n<p>A purifica\u00e7\u00e3o da alma ou a extirpa\u00e7\u00e3o dos resqu\u00edcios do pecado h\u00e1 de ser normalmente realizada na vida presente, de modo que, terminada a caminhada terrestre, a alma do crist\u00e3o possa imediatamente gozar da vis\u00e3o de Deus face-a-face.  Caso, por\u00e9m, n\u00e3o ocorra nesta vida a elimina\u00e7\u00e3o dos resqu\u00edcios do pecado, a miseric\u00f3rdia divina concede ao crist\u00e3o a gra\u00e7a do purgat\u00f3rio p\u00f3stumo.  Este n\u00e3o \u00e9 um lugar, mas um estado no qual o amor a Deus existente na alma do falecido toma posse, por completo, dessa alma livrando-a de qualquer apego ao pecado.<\/p>\n<p>No\u00e7\u00f5es complementares<\/p>\n<p>1.  Notemos a prop\u00f3sito que a comunica\u00e7\u00e3o de bens espirituais entre os fi\u00e9is n\u00e3o conhece classes nem privil\u00e9gios; todos os bens espirituais da Igreja circulam entre todos os membros desta.  Por isto n\u00e3o \u00e9 adequada a express\u00e3o \u201cas almas mais abandonadas no purgat\u00f3rio\u201d, n\u00e3o h\u00e1 alma abandonada.<\/p>\n<p>Mais explicitamente: n\u00e3o se deve imaginar o purgat\u00f3rio como se fosse um c\u00e1rcere onde se encontrem prisioneiros de origens diversas; os que t\u00eam fam\u00edlia numerosa e rica, a\u00ed recebem mais visitas e presentes, ou seja, passam melhor do que aqueles que pertencem a fam\u00edlias pobres ou negligentes; poder\u00e3o sair da pris\u00e3o mais cedo do que os seus companheiros indigentes.  Evitemos transpor tal imagem, com suas categorias e classes, para o al\u00e9m-t\u00famulo.  O purgat\u00f3rio, de certo modo, transcende os conceitos que adquirimos neste mundo; pertence aos s\u00e1bios e misteriosos des\u00edgnios salv\u00edficos de Deus, a respeito dos quais a Revela\u00e7\u00e3o Divina \u00e9 s\u00f3bria.  Por isto n\u00e3o devemos crer que uma alma do purgat\u00f3rio pela qual ningu\u00e9m reza \u2013 ou porque n\u00e3o tem familiares na terra  ou porque s\u00f3 tem familiares incr\u00e9dulos ou pobres -, \u00e9 \u201cuma alma abandonada\u201d, na verdade, ela est\u00e1 envolvida pela infinita miseric\u00f3rdia de Deus, \u00e0 qual a Igreja sempre eleva suas preces em favor de todos os que carecem (doentes, moribundos, viajantes, crian\u00e7as que morrem sem o Batismo, almas do purgat\u00f3rio\u2026).<\/p>\n<p>Assim vemos como \u00e9 infundada a alega\u00e7\u00e3o seguinte: \u201cAs almas de fam\u00edlias pobres que n\u00e3o t\u00eam dinheiro para mandar celebrar Missas, sofrem mais,  e mais tempo, no purgat\u00f3rio, do que as almas dos ricos!  O dinheiro \u00e9 decisivo at\u00e9 no purgat\u00f3rio!\u201d<\/p>\n<p>N\u00e3o creiamos que essas regras de l\u00f3gica terrestre e comercial sejam observadas tamb\u00e9m por deus. O Senhor seria mesquinho se atendesse menos solicitamente aos interesses daqueles que menos dinheiro t\u00eam; heran\u00e7a monet\u00e1ria n\u00e3o significa primazia para algu\u00e9m diante de Deus. Jamais poderemos esquecer que a gra\u00e7a e a miseric\u00f3rdia de Deus t\u00eam o primado sobre as obras dos homens.<\/p>\n<p>As almas dos pobres, por conseguinte, s\u00e3o amadas por Deus como todas as demais.<\/p>\n<p>Acontece, por\u00e9m, que entre n\u00f3s e as almas do purgat\u00f3rio h\u00e1 o dever de sufragar\u2026 e de sufragar segundo determinado ordem: imp\u00f5em-se \u00e0 nossa caridade primeiramente aqueles que nos est\u00e3o mais pr\u00f3ximos (parentes, amigos, colaboradores, benfeitores\u2026). A uma fam\u00edlia crist\u00e3 toca o dever de sufragar as almas, a come\u00e7ar pelos membros defuntos dessa fam\u00edlia.<\/p>\n<p>2.  \u00c9 oportuno observar que n\u00e3o se pode oferecer a Comunh\u00e3o Eucar\u00edstica como tal nem pelos vivos nem pelos defuntos, a Comunh\u00e3o, enquanto sacramento, age apenas sobre o crist\u00e3o a quem \u00e9 dada; ningu\u00e9m pode receber os sacramentos pelos outros.  Todavia, na medida em que \u00e9 obra e merit\u00f3ria, a S. Comunh\u00e3o pode ser oferecida por vivos e defuntos (o m\u00e9rito que adquiro ao comungar fervorosamente, posso oferec\u00ea-lo em favor  de meu irm\u00e3os).<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m t\u00eam valor de sufr\u00e1gio as ora\u00e7\u00f5es particulares e comunit\u00e1rias dos fi\u00e9is, a paci\u00eancia nas prova\u00e7\u00f5es de cada dia, os sacrif\u00edcios generosamente empreendidos por amor a Deus e ao pr\u00f3ximo. \u00c0s obras boas, principalmente \u00e0s que s\u00e3o praticadas com fervor, correspondem m\u00e9ritos preciosos, que podem ser aplicados em prol dos defuntos.<\/p>\n<p>3.  Notemos ainda que n\u00e3o nos \u00e9 poss\u00edvel avaliar a dura\u00e7\u00e3o do purgat\u00f3rio, pois este n\u00e3o est\u00e1 submetido ao sistema de anos e dias que na terra observamos, considerando os movimentos dos astros.  No purgat\u00f3rio a dura\u00e7\u00e3o \u00e9 representada pelos atos espirituais (atos de conhecimento e amor) que as almas praticam. Cada um destes atos \u00e9 uma unidade de dura\u00e7\u00e3o ou um instante espiritual, e cada qual desses instantes pode corresponder a vinte, trinta ou sessenta horas do nosso tempo (como uma pessoa pode permanecer horas cont\u00ednuas absorvida por um \u00fanico pensamento); os atos sucessivos dos esp\u00edritos constituem a s\u00e9rie de instantes espirituais chamada \u201cevo\u201d ou \u201ceviternidade\u201d. Ora, j\u00e1 que n\u00e3o se v\u00ea qual a propor\u00e7\u00e3o vigente entre o tempo solar e o evo dos esp\u00edritos, torna-se imposs\u00edvel avaliar a dura\u00e7\u00e3o do purgat\u00f3rio par alguma alma. Cada qual traz em si afetos desregrados, que est\u00e3o arraigados com amor ou menos profundidade, e assim op\u00f5em resist\u00eancia ao amor de Deus, que quer penetrar at\u00e9 o \u00edntimo da alma.<\/p>\n<p>Os sufr\u00e1gios podem ter efeito retroativo: aplicam-se aos fi\u00e9is na medida em que deles necessitem. Se algu\u00e9m reza por uma alma que j\u00e1 se acha na gl\u00f3ria do c\u00e9u, as suas preces beneficiar\u00e3o quem ainda precise delas.<\/p>\n<p>Revista : \u201cPERGUNTE E RESPONDEREMOS\u201d<br \/>\nD. Estev\u00e3o Bettencourt, osb<br \/>\nN\u00ba 419 \u2013 Ano: 1997 \u2013 p\u00e1g. 171<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Categoria: Artigos Publicado em 31 de outubro de 2014 Em s\u00edntese: Rezar pelos mortos e, especialmente, celebrar a S. 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