{"id":12111,"date":"2016-01-26T13:12:39","date_gmt":"2016-01-26T16:12:39","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.cancaonova.com\/natal\/?p=12111"},"modified":"2016-01-26T13:12:39","modified_gmt":"2016-01-26T16:12:39","slug":"mensagem-do-papa-francisco-para-a-quaresma-2016","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/natal\/2016\/01\/26\/mensagem-do-papa-francisco-para-a-quaresma-2016\/","title":{"rendered":"Mensagem do Papa Francisco para a Quaresma 2016"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center\"><strong><a href=\"http:\/\/blog.cancaonova.com\/natal\/files\/2016\/01\/bras\u00e3o-papa_-modifica\u00e7\u00f5es1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-12112\" src=\"http:\/\/blog.cancaonova.com\/natal\/files\/2016\/01\/bras\u00e3o-papa_-modifica\u00e7\u00f5es1.jpg\" alt=\"bras\u00e3o-papa_-modifica\u00e7\u00f5es1\" width=\"134\" height=\"170\" \/><\/a>Mensagem do Papa Francisco para a Quaresma 2016<\/strong><br \/>\n<strong>Ter\u00e7a-feira, 26 de janeiro de 2016<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><em>Boletim da Santa S\u00e9<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><strong>\u201cPrefiro a miseric\u00f3rdia ao sacrif\u00edcio\u201d (Mt 9, 13).<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><strong>As obras de miseric\u00f3rdia no caminho jubilar<\/strong><\/p>\n<p>1. Maria, \u00edcone duma Igreja que evangeliza porque evangelizada<\/p>\n<p>Na Bula de proclama\u00e7\u00e3o do Jubileu, fiz o convite para que \u00aba Quaresma deste Ano Jubilar seja vivida mais intensamente como tempo forte para celebrar e experimentar a miseric\u00f3rdia de Deus\u00bb (Misericordi\u04d5 Vultus, 17). Com o apelo \u00e0 escuta da Palavra de Deus e \u00e0 iniciativa \u00ab24 horas para o Senhor\u00bb, quis sublinhar a primazia da escuta orante da Palavra, especialmente a palavra prof\u00e9tica. Com efeito, a miseric\u00f3rdia de Deus \u00e9 um an\u00fancio ao mundo; mas cada crist\u00e3o \u00e9 chamado a fazer pessoalmente experi\u00eancia de tal an\u00fancio. Por isso, no tempo da Quaresma, enviarei os Mission\u00e1rios da Miseric\u00f3rdia a fim de serem, para todos, um sinal concreto da proximidade e do perd\u00e3o de Deus.<\/p>\n<p>Maria, por ter acolhido a Boa Not\u00edcia que Lhe fora dada pelo arcanjo Gabriel, canta profeticamente, no Magnificat, a miseric\u00f3rdia com que Deus A predestinou. Deste modo a Virgem de Nazar\u00e9, prometida esposa de Jos\u00e9, torna-se o \u00edcone perfeito da Igreja que evangeliza porque foi e continua a ser evangelizada por obra do Esp\u00edrito Santo, que fecundou o seu ventre virginal. Com efeito, na tradi\u00e7\u00e3o prof\u00e9tica, a miseric\u00f3rdia aparece estreitamente ligada \u2013 mesmo etimologicamente \u2013 com as v\u00edsceras maternas (rahamim) e com uma bondade generosa, fiel e compassiva (hesed) que se vive no \u00e2mbito das rela\u00e7\u00f5es conjugais e parentais.<\/p>\n<p>2. A alian\u00e7a de Deus com os homens: uma hist\u00f3ria de miseric\u00f3rdia<\/p>\n<p>O mist\u00e9rio da miseric\u00f3rdia divina desvenda-se no decurso da hist\u00f3ria da alian\u00e7a entre Deus e o seu povo Israel. Na realidade, Deus mostra-Se sempre rico de miseric\u00f3rdia, pronto em qualquer circunst\u00e2ncia a derramar sobre o seu povo uma ternura e uma compaix\u00e3o viscerais, sobretudo nos momentos mais dram\u00e1ticos quando a infidelidade quebra o v\u00ednculo do Pacto e se requer que a alian\u00e7a seja ratificada de maneira mais est\u00e1vel na justi\u00e7a e na verdade. Encontramo-nos aqui perante um verdadeiro e pr\u00f3prio drama de amor, no qual Deus desempenha o papel de pai e marido tra\u00eddo, enquanto Israel desempenha o de filho\/filha e esposa infi\u00e9is. S\u00e3o precisamente as imagens familiares \u2013 como no caso de Oseias (cf. Os 1-2) \u2013 que melhor exprimem at\u00e9 que ponto Deus quer ligar-Se ao seu povo.<\/p>\n<p>Este drama de amor alcan\u00e7a o seu \u00e1pice no Filho feito homem. N\u2019Ele, Deus derrama a sua miseric\u00f3rdia sem limites at\u00e9 ao ponto de fazer d\u2019Ele a Miseric\u00f3rdia encarnada (cf. Misericordi\u04d5 Vultus, 8). Na realidade, Jesus de Nazar\u00e9 enquanto homem \u00e9, para todos os efeitos, filho de Israel. E \u00e9-o ao ponto de encarnar aquela escuta perfeita de Deus que se exige a cada judeu pelo Shem\u00e0, fulcro ainda hoje da alian\u00e7a de Deus com Israel: \u00abEscuta, Israel! O Senhor \u00e9 nosso Deus; o Senhor \u00e9 \u00fanico! Amar\u00e1s o Senhor, teu Deus, com todo o teu cora\u00e7\u00e3o, com toda a tua alma e com todas as tuas for\u00e7as\u00bb (Dt 6, 4-5). O Filho de Deus \u00e9 o Esposo que tudo faz para ganhar o amor da sua Esposa, \u00e0 qual O liga o seu amor incondicional que se torna vis\u00edvel nas n\u00fapcias eternas com ela.<\/p>\n<p>Este \u00e9 o cora\u00e7\u00e3o pulsante do querigma apost\u00f3lico, no qual ocupa um lugar central e fundamental a miseric\u00f3rdia divina. Nele sobressai \u00aba beleza do amor salv\u00edfico de Deus manifestado em Jesus Cristo morto e ressuscitado\u00bb (Evangelii gaudium, 36), aquele primeiro an\u00fancio que \u00absempre se tem de voltar a ouvir de diferentes maneiras e aquele que sempre se tem de voltar a anunciar, duma forma ou doutra, durante a catequese\u00bb (Ibid., 164). Ent\u00e3o a Miseric\u00f3rdia \u00abexprime o comportamento de Deus para com o pecador, oferecendo-lhe uma nova possibilidade de se arrepender, converter e acreditar\u00bb (Misericordi\u04d5 Vultus, 21), restabelecendo precisamente assim a rela\u00e7\u00e3o com Ele. E, em Jesus crucificado, Deus chega ao ponto de querer alcan\u00e7ar o pecador no seu afastamento mais extremo, precisamente l\u00e1 onde ele se perdeu e afastou d\u2019Ele. E faz isto na esperan\u00e7a de assim poder finalmente comover o cora\u00e7\u00e3o endurecido da sua Esposa.<\/p>\n<p>3. As obras de miseric\u00f3rdia<\/p>\n<p>A miseric\u00f3rdia de Deus transforma o cora\u00e7\u00e3o do homem e faz-lhe experimentar um amor fiel, tornando-o assim, por sua vez, capaz de miseric\u00f3rdia. \u00c9 um milagre sempre novo que a miseric\u00f3rdia divina possa irradiar-se na vida de cada um de n\u00f3s, estimulando-nos ao amor do pr\u00f3ximo e animando aquilo que a tradi\u00e7\u00e3o da Igreja chama as obras de miseric\u00f3rdia corporal e espiritual. Estas recordam-nos que a nossa f\u00e9 se traduz em actos concretos e quotidianos, destinados a ajudar o nosso pr\u00f3ximo no corpo e no esp\u00edrito e sobre os quais havemos de ser julgados: aliment\u00e1-lo, visit\u00e1-lo, confort\u00e1-lo, educ\u00e1-lo. Por isso, expressei o desejo de que \u00abo povo crist\u00e3o reflicta, durante o Jubileu, sobre as obras de miseric\u00f3rdia corporal e espiritual. Ser\u00e1 uma maneira de acordar a nossa consci\u00eancia, muitas vezes adormecida perante o drama da pobreza, e de entrar cada vez mais no cora\u00e7\u00e3o do Evangelho, onde os pobres s\u00e3o os privilegiados da miseric\u00f3rdia divina\u00bb (Ibid., 15). Realmente, no pobre, a carne de Cristo \u00abtorna-se de novo vis\u00edvel como corpo martirizado, chagado, flagelado, desnutrido, em fuga\u2026 a fim de ser reconhecido, tocado e assistido cuidadosamente por n\u00f3s\u00bb (Ibid., 15). \u00c9 o mist\u00e9rio inaudito e escandaloso do prolongamento na hist\u00f3ria do sofrimento do Cordeiro Inocente, sar\u00e7a ardente de amor gratuito na presen\u00e7a da qual podemos apenas, como Mois\u00e9s, tirar as sand\u00e1lias (cf. Ex 3, 5); e mais ainda, quando o pobre \u00e9 o irm\u00e3o ou a irm\u00e3 em Cristo que sofre por causa da sua f\u00e9.<\/p>\n<p>Diante deste amor forte como a morte (cf. Ct 8, 6), fica patente como o pobre mais miser\u00e1vel seja aquele que n\u00e3o aceita reconhecer-se como tal. Pensa que \u00e9 rico, mas na realidade \u00e9 o mais pobre dos pobres. E isto porque \u00e9 escravo do pecado, que o leva a utilizar riqueza e poder, n\u00e3o para servir a Deus e aos outros, mas para sufocar em si mesmo a consci\u00eancia profunda de ser, ele tamb\u00e9m, nada mais que um pobre mendigo. E quanto maior for o poder e a riqueza \u00e0 sua disposi\u00e7\u00e3o, tanto maior pode tornar-se esta cegueira mentirosa. Chega ao ponto de n\u00e3o querer ver sequer o pobre L\u00e1zaro que mendiga \u00e0 porta da sua casa (cf. Lc 16, 20-21), sendo este figura de Cristo que, nos pobres, mendiga a nossa convers\u00e3o. L\u00e1zaro \u00e9 a possibilidade de convers\u00e3o que Deus nos oferece e talvez n\u00e3o vejamos. E esta cegueira est\u00e1 acompanhada por um soberbo del\u00edrio de omnipot\u00eancia, no qual ressoa sinistramente aquele demon\u00edaco \u00absereis como Deus\u00bb (Gn 3, 5) que \u00e9 a raiz de qualquer pecado. Tal del\u00edrio pode assumir tamb\u00e9m formas sociais e pol\u00edticas, como mostraram os totalitarismos do s\u00e9culo XX e mostram hoje as ideologias do pensamento \u00fanico e da tecnoci\u00eancia que pretendem tornar Deus irrelevante e reduzir o homem a massa poss\u00edvel de instrumentalizar. E podem actualmente mostr\u00e1-lo tamb\u00e9m as estruturas de pecado ligadas a um modelo de falso desenvolvimento fundado na idolatria do dinheiro, que torna indiferentes ao destino dos pobres as pessoas e as sociedades mais ricas, que lhes fecham as portas recusando-se at\u00e9 mesmo a v\u00ea-los.<\/p>\n<p>Portanto a Quaresma deste Ano Jubilar \u00e9 um tempo favor\u00e1vel para todos poderem, finalmente, sair da pr\u00f3pria aliena\u00e7\u00e3o existencial, gra\u00e7as \u00e0 escuta da Palavra e \u00e0s obras de miseric\u00f3rdia. Se, por meio das obras corporais, tocamos a carne de Cristo nos irm\u00e3os e irm\u00e3s necessitados de ser nutridos, vestidos, alojados, visitados, as obras espirituais tocam mais directamente o nosso ser de pecadores: aconselhar, ensinar, perdoar, admoestar, rezar. Por isso, as obras corporais e as espirituais nunca devem ser separadas. Com efeito, \u00e9 precisamente tocando, no miser\u00e1vel, a carne de Jesus crucificado que o pecador pode receber, em dom, a consci\u00eancia de ser ele pr\u00f3prio um pobre mendigo. Por esta estrada, tamb\u00e9m os \u00absoberbos\u00bb, os \u00abpoderosos\u00bb e os \u00abricos\u00bb, de que fala o Magnificat, t\u00eam a possibilidade de aperceber-se que s\u00e3o, imerecidamente, amados pelo Crucificado, morto e ressuscitado tamb\u00e9m por eles. Somente neste amor temos a resposta \u00e0quela sede de felicidade e amor infinitos que o homem se ilude de poder colmar mediante os \u00eddolos do saber, do poder e do possuir. Mas permanece sempre o perigo de que os soberbos, os ricos e os poderosos \u2013 por causa de um fechamento cada vez mais herm\u00e9tico a Cristo, que, no pobre, continua a bater \u00e0 porta do seu cora\u00e7\u00e3o \u2013 acabem por se condenar precipitando-se eles mesmos naquele abismo eterno de solid\u00e3o que \u00e9 o inferno. Por isso, eis que ressoam de novo para eles, como para todos n\u00f3s, as palavras veementes de Abra\u00e3o: \u00abT\u00eam Mois\u00e9s e o Profetas; que os oi\u00e7am!\u00bb (Lc 16, 29). Esta escuta activa preparar-nos-\u00e1 da melhor maneira para festejar a vit\u00f3ria definitiva sobre o pecado e a morte conquistada pelo Esposo j\u00e1 ressuscitado, que deseja purificar a sua prometida Esposa, na expectativa da sua vinda.<\/p>\n<p>N\u00e3o percamos este tempo de Quaresma favor\u00e1vel \u00e0 convers\u00e3o! Pedimo-lo pela intercess\u00e3o materna da Virgem Maria, a primeira que, diante da grandeza da miseric\u00f3rdia divina que Lhe foi concedida gratuitamente, reconheceu a sua pequenez (cf. Lc 1, 48), confessando-Se a humilde serva do Senhor (cf. Lc 1, 38).<\/p>\n<p>Vaticano, 4 de Outubro de 2015<\/p>\n<p>Festa de S. Francisco de Assis<\/p>\n<p>FRANCISCUS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mensagem do Papa Francisco para a Quaresma 2016 Ter\u00e7a-feira, 26 de janeiro de 2016 Boletim da Santa S\u00e9 \u201cPrefiro a miseric\u00f3rdia ao sacrif\u00edcio\u201d (Mt 9, 13). As obras de miseric\u00f3rdia no caminho jubilar 1. 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