Nesta segunda carta de Timóteo nós encontramos esta exortação que se apresenta profundamente pessoal e vivaz. Paulo oferece o seu exemplo, recordando o seu ministério e preparando-se para o martírio. É um verdadeiro alerta perante a realidade dos falsos mestres que aumentaram e se fortaleceram nos últimos dias. Onde o responsável da comunidade, como também, aqueles que dela fazem parte, devem agir como um soldado, lavrador, operário, servo fiel, ou seja, como uma testemunha corajosa. Não devem temer o fortalecimento dos maus, pois, sua derrota será inevitável. Esta carta é para nós, atual e significativa, pois, também nós vivemos situações onde o cerco se fecha e as perseguições se acentuam. Vivemos num tempo de hostilidades e perseguições, onde a fé sofre ataques. Portanto, diante desse contexto surge a pergunta: nossa vida de fé nos prepara para a provação ou para a derrota? Creio que devamos nos rever com sinceridade e verdade, em vista do arrependimento e da conversão.

O soldado de Cristo mesmo no sofrimento, e na prisão, não deixa de ser um evangelizador e anunciador, pois, o evangelho de Cristo não se deixa acorrentar, se difunde, se espalha, pela força da graça divina. Este constitui o testemunho da própria vida do apóstolo Paulo. Vida que aqui encoraja Timóteo com o seu testemunho, deixando-lhe um verdadeiro testamento de fidelidade e perseverança perante as provações. E Paulo o motiva não com uma teoria vazia, mas com seu testemunho de vida. Testemunho de quem sofre com Cristo como prisioneiro, por isso, tal testamento possui para nós uma atualidade tremenda, é ponto de referência segura. É preciso, sem dúvida, permanecer fiel a sã doutrina apostólica resistindo às provações, como soldado de Cristo.

Este texto nos exorta a REAVIVAR O DOM DE DEUS, QUE É UM ESPÍRITO DE FORÇA, AMOR E SABEDORIA, para enfrentar com coragem o testemunho e os sofrimentos por causa de Cristo e do evangelho. Pois, é o Espírito Santo que forja esta têmpera em nós para que sejamos capazes de uma caminhada cristã fiel na doutrina e na prática, ou seja, fé e vida em íntima comunhão. A ordem é para não se acovardar. A fé precisa ser constantemente alimentada para que se torne certeza e esperança e não fraqueza e covardia. Pois, se nossa existência tornar-se covarde, sem dúvida, a ousadia dos maus vencerá a covardia dos bons”. Estamos em um tempo em que um cristianismo de aparência não suportará a dura luta. Portanto, que tipo de cristão você é?

O ESPÍRITO DE FORÇA revela-se como o oposto do medo e da preguiça, e aponta para a necessidade de um testemunho corajoso e perseverante. Eis a fonte inesgotável que sustenta e motiva a fé e o testemunho cristão: a graça eficaz, gratuita e salvífica de Deus, revelada em Jesus Cristo e contida na Boa Nova do Evangelho. Se a Palavra de Redenção não é assimilada no profundo da alma, ela não se torna anúncio de vivência, o ouvinte distraído e superficial não evangeliza, fala de algo que está fora da sua vida!

Somente pelos méritos de Cristo que salva a humanidade, torna-se possível a fidelidade e a perseverança nesse vale de lágrimas. Paulo quer mostrar a Timóteo que será o Espírito Santo que agirá dando tal testemunho. Também em nós este mesmo Espírito age para que o anúncio seja autêntico, e firmado no depósito da fé. Paulo foi constituído, portanto, como pregador, apóstolo e mestre, que sofre sim, contudo, com uma coragem inabalável, confiante na força de Deus que o sustenta. Por isso, Paulo não se apresenta como modelo somente para Timóteo, mas também para cada um de nós. Modelo de fidelidade e perseverança cristã, garantida pela força do Espírito Santo, que atua constantemente na humanidade. Deixemos que o Espírito Santo seja o mestre que forma em nós a têmpera necessária para enfrentarmos as provações da vida. Que o Senhor nos conceda a fé dos mártires, a Têmpera dos Mártires nesse tempo onde o testemunho é tão urgente e necessário!

Com minha bênção sacerdotal,

Padre Eliano Luiz Gonçalves.

Vice Reitor do Seminário Diocesano Nossa Senhora Mãe dos Sacerdotes.

O cego Bartimeu questiona os que tendo olhos não vêem, pois, muitos são os que rejeitam a Jesus! Este cego apresenta-se para nós como modelo de fé firme e viva: “Filho de Davi tem piedade de mim, tende compaixão”! Modelo de verdadeiro discípulo, que curado, toma o caminho do seguimento, segue a Jesus. Pois, o milagre resume a experiência de quem muda radicalmente, manifestação de uma disposição autêntica de seguir verdadeiramente a Jesus.

Ao invocar a Jesus, o cego experimenta a repreensão dos presentes que o querem calado, mas Bartimeu sabe o que quer, como também, tem a percepção que o mestre e Senhor, o Filho de Davi, passa por ali. É preciso ter esta liberdade diante do Senhor, nenhuma voz, comodidade, repreensão, enfim, nada pode nos calar, ou impedir de viver este encontro pessoal com profundidade. Talvez hoje muitas vozes estejam te repreendendo, oprimindo e te forçando a calar diante de Jesus. Por isso, deixe de lado as vozes que te confundem, que produzem dúvidas, desânimo e derrotismo, e volte-se para a voz do Senhor. Que a voz do Senhor o Bom Pastor, possa fazer arder o seu coração, possa iluminar sua alma, sua vida, libertando-te de toda cegueira, que a luz de Cristo brilhe em ti. Eu devo estar convencido dessa necessidade que tenho de contemplar a vida, preciso de Jesus, e diante Dele devo expor minhas mais urgentes necessidades, sem medo Daquele que me ama incondicionalmente. Devo seguir o exemplo de Bartimeu, ou seja, pedir e rezar como Bartimeu, indo além de todas as barreiras que me são impostas pelas circunstâncias e até por pessoas.

A atitude de Bartimeu nos forma como discípulos. Pois, Jesus mandou chamá-lo, e diante desta graça do chamado, disseram ao cego: coragem, levanta-te, ele te chama. O v. 50 nos diz que aquele homem deitando fora a capa, levantou-se de um salto e foi ter com Jesus. Joga a capa, para ir livre encontrar-se com Jesus, pois, não precisaria mais estar no caminho a mendigar, não voltaria cego. Vai até Jesus para tornar-se um seguidor, um discípulo. O encontro com Jesus exige esta atitude de lançar fora tudo àquilo que produz escravidão, e que nos faz viver a margem da vida cristã. Deixar de lado tudo o que nos paralisa no caminho, e nos impede de estar a caminho, como seguidores de Jesus. É preciso assumir a dignidade de filho. Não posso viver como um mendigo cego e sem direção, parado no caminho, estático perante a vida. Estar de prontidão, é uma necessidade de vida, pois, sem prontidão e insistência diante do importante e fundamental, o Salvador passa por nós, e permanecemos na mesma condição. Pois, no comodismo não acontece transformação de vida e muito menos, dinamismo na graça do Espírito Santo, que tudo renova.

O discípulo verdadeiro de Cristo não deve estar na cegueira, precisa ver e contemplar o mistério, para que através do seguimento torne-se verdadeiro e profundo anunciador da Pessoa de Jesus. É preciso ser ativo, saber o que quer, pois, o sentido da busca define nossa salvação. Já que tudo aquilo que eu celebro na vida, define minha história, determina o que eu sou, sejamos daqueles que sempre escolhem a melhor parte: celebrar a vida e não a morte! Filhos da Ressurreição, servos do Eterno Amor, chamados a Eternidade! Tenha hoje em sua vida a atitude de Bartimeu que não se acostumou com a mendicância, já que parar nos restos, significa justamente deixar de viver, e parar no espírito de morte. O Autor da Vida sempre está proximo a nós para transmitir vida em abundância, não se cale, não desista da vida! Grite como Bartimeu: “Filho de Davi tende piedade, tende compaixão de mim”. Já que esse grito é de fé e de amor! Amém!

Pe. Eliano Luiz Gonçalves.

Vice Reitor do Seminário Diocesano Nossa Senhora Mãe dos Sacerdotes.