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Ao longo do nosso caminhar nessa vida, sempre iremos contemplar situações que querem ferir a nossa identidade de filhos de Deus. Sustentar a esperança, ter paciência sabendo esperar, garante sem dúvida a nossa salvação. Inseridos estamos num mundo que é um vale de lágrimas, as contradições existem, e estão ao nosso derredor. O Profeta não pode deixar de ser profeta, por causa do pecado e da infidelidade que está a sua volta.

A convivência com a impiedade, o pecado, a contrariedade e o sofrimento, não podem obscurecer a verdade do que somos. Mesmo imerso numa desolação total, o profeta revela a firmeza da sua vocação, e do seu profetismo de origem divina. O joio e o trigo crescem juntos, por isso, é necessário aceitar a convivência com o joio, que revela-se inevitável. Conviver com o joio, sem se deixar influenciar, ou seja, permanecer trigo de Deus, sempre será o nosso desafio. Minha identidade, não pode ser maculada por essa convivência difícil. Nossa certeza é de que somente o trigo tem lugar no celeiro de Deus (os justos brilharão como o sol no Reino de Deus). E tal certeza deve então nortear e sustentar a nossa vivência cristã.

O evangelista quer uma comunidade que vive essa contínua tensão de conversão, o trigo bom é definido pela perseverança e paciência. Ele deseja sacudir a sua comunidade, tendo em vista tirá-la da acomodação, e de uma falsa segurança, exortando-a a vigilância permanente. Que Deus nos dê a graça, de que nesse entendimento maduro, tenhamos a nossa identidade firmada e fortalecida para a provação. Semeamos a melhor semente, mas o inimigo também trabalha, semeando o joio. Nunca devemos parar de semear o melhor, mesmo que o ruim seja semeado. Pois, quem perseverar até o fim será salvo, seja perseverante, na sua caminhada rumo a eternidade em Deus.

Com a minha benção sacerdotal, abençõe-vos o Deus todo poderoso!

Pe. Eliano Luiz Gonçalves.

Vice Reitor do Seminário Diocesano Nossa Senhora Mãe dos Sacerdotes.

Nesta segunda carta de Timóteo nós encontramos esta exortação que se apresenta profundamente pessoal e vivaz. Paulo oferece o seu exemplo, recordando o seu ministério e preparando-se para o martírio. É um verdadeiro alerta perante a realidade dos falsos mestres que aumentaram e se fortaleceram nos últimos dias. Onde o responsável da comunidade, como também, aqueles que dela fazem parte, devem agir como um soldado, lavrador, operário, servo fiel, ou seja, como uma testemunha corajosa. Não devem temer o fortalecimento dos maus, pois, sua derrota será inevitável. Esta carta é para nós, atual e significativa, pois, também nós vivemos situações onde o cerco se fecha e as perseguições se acentuam. Vivemos num tempo de hostilidades e perseguições, onde a fé sofre ataques. Portanto, diante desse contexto surge a pergunta: nossa vida de fé nos prepara para a provação ou para a derrota? Creio que devamos nos rever com sinceridade e verdade, em vista do arrependimento e da conversão.

O soldado de Cristo mesmo no sofrimento, e na prisão, não deixa de ser um evangelizador e anunciador, pois, o evangelho de Cristo não se deixa acorrentar, se difunde, se espalha, pela força da graça divina. Este constitui o testemunho da própria vida do apóstolo Paulo. Vida que aqui encoraja Timóteo com o seu testemunho, deixando-lhe um verdadeiro testamento de fidelidade e perseverança perante as provações. E Paulo o motiva não com uma teoria vazia, mas com seu testemunho de vida. Testemunho de quem sofre com Cristo como prisioneiro, por isso, tal testamento possui para nós uma atualidade tremenda, é ponto de referência segura. É preciso, sem dúvida, permanecer fiel a sã doutrina apostólica resistindo às provações, como soldado de Cristo.

Este texto nos exorta a REAVIVAR O DOM DE DEUS, QUE É UM ESPÍRITO DE FORÇA, AMOR E SABEDORIA, para enfrentar com coragem o testemunho e os sofrimentos por causa de Cristo e do evangelho. Pois, é o Espírito Santo que forja esta têmpera em nós para que sejamos capazes de uma caminhada cristã fiel na doutrina e na prática, ou seja, fé e vida em íntima comunhão. A ordem é para não se acovardar. A fé precisa ser constantemente alimentada para que se torne certeza e esperança e não fraqueza e covardia. Pois, se nossa existência tornar-se covarde, sem dúvida, a ousadia dos maus vencerá a covardia dos bons”. Estamos em um tempo em que um cristianismo de aparência não suportará a dura luta. Portanto, que tipo de cristão você é?

O ESPÍRITO DE FORÇA revela-se como o oposto do medo e da preguiça, e aponta para a necessidade de um testemunho corajoso e perseverante. Eis a fonte inesgotável que sustenta e motiva a fé e o testemunho cristão: a graça eficaz, gratuita e salvífica de Deus, revelada em Jesus Cristo e contida na Boa Nova do Evangelho. Se a Palavra de Redenção não é assimilada no profundo da alma, ela não se torna anúncio de vivência, o ouvinte distraído e superficial não evangeliza, fala de algo que está fora da sua vida!

Somente pelos méritos de Cristo que salva a humanidade, torna-se possível a fidelidade e a perseverança nesse vale de lágrimas. Paulo quer mostrar a Timóteo que será o Espírito Santo que agirá dando tal testemunho. Também em nós este mesmo Espírito age para que o anúncio seja autêntico, e firmado no depósito da fé. Paulo foi constituído, portanto, como pregador, apóstolo e mestre, que sofre sim, contudo, com uma coragem inabalável, confiante na força de Deus que o sustenta. Por isso, Paulo não se apresenta como modelo somente para Timóteo, mas também para cada um de nós. Modelo de fidelidade e perseverança cristã, garantida pela força do Espírito Santo, que atua constantemente na humanidade. Deixemos que o Espírito Santo seja o mestre que forma em nós a têmpera necessária para enfrentarmos as provações da vida. Que o Senhor nos conceda a fé dos mártires, a Têmpera dos Mártires nesse tempo onde o testemunho é tão urgente e necessário!

Com minha bênção sacerdotal,

Padre Eliano Luiz Gonçalves.

Vice Reitor do Seminário Diocesano Nossa Senhora Mãe dos Sacerdotes.