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Missa de 7º dia do Sr. Manoel de Souza Lima

Homilia: o sentido cristão da morte e ressurreição do homem

( 23 de Novembro de 2011, Igreja Matriz de Taquaruçu-Palmas-TO )

Com pesar e confiança, estamos reunidos nesta querida Igreja de Taquaruçu, para oficiar o ato litúrgico da Santa Missa, em memória do senhor Manoel de Souza Lima. Com esta celebração nos unimos a ele, aos seus familiares para oferecer nossa fervorosa oração ao Deus onipotente e misericordioso, que o chamou ao seu eterno convívio.

Ao recebermos a notícia de seu falecimento, dia 16 passado, sentimos dor e vazio, que só são aliviados e preenchidos com a companhia dos familiares, amigos e sobre tudo com consolo, a força de Deus e a esperança na vida eterna. Acreditando, como nos afirma o livro da Sabedoria, que: “As almas dos justos, estão nas mãos de Deus, e nenhum tormento os atingirá” (Sb 3,1). Estas palavras da Sagrada Escritura ressoam certas e consoladores neste momento para todos nós. Rezaremos, também, pelo conforto e fortaleza da família de seu Manoel (especialmente por sua esposa Maria de Nazaré, seus filhos e netos). Que a fé no Cristo ressuscitado e a presença solidária de tantos amigos em suas vidas possam animar-vos, para que continuem esta família unidade, nos vínculos do mesmo amor que Cristo nos amou.

Sabemos que a dimensão corporal do ser humano obedece a esse percurso: nasce, cresce, amadurece, envelhece e morre. A morte não vem de fora, mas se processa dentro da vida como perda progressiva da força vital, do capital energético de cada ser humano. A morte corporal faz cair todas as barreiras para se irromper uma nova realidade incapaz de ser vivida neste mundo. É o termino de um caminho neste espaço tempo. Os olhos que viam no claro-escuro, verá em plena luz; o corpo que era comunhão-afastamento, será comunhão plena; a inteligência que compreendia parcialmente, compreenderá na completude. O homem é um ser de relações e dinamismos sem limites; chamado para uma realização plena: na situação terrestre só pode concretizar algumas das possibilidades que há no seu ser. assim, na morte se dá então o verdadeiro nascimento do homem, sua plena realização. Ao passarmos dessa vida, cairemos nos braços do Pai eterno, numa comunhão infinita, em um abraço de amor sem fim. Nesta perspectiva cristã: não vivemos para morrer, mas morremos para viver mais, para ressuscitar.

Mas a morte também é dolorosa e terrível: rompe nossa relação corporal com o mundo, tira os entes que amamos; os afetos que estimamos; nos traz lagrimas e tormentos, como o derradeiro aceno de um encontro. Mas neste sentido o que nos faz continuar a vida com esperança e perseverança é a certeza da Palavra de Deus, que é muito clara: “Quem vê o Filho e nele crê tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia” (Jo 6,40). É em Cristo Jesus que renascemos para essa nova condição, seu reino de amor, que a Sagrada Escritura chama de “novos céus e nova terra” (Ap 21,1), onde os justos viverão para sempre, onde “nenhum tormento os atingirá”. Como ouvimos no evangelho de hoje, após Jesus falar das perseguições, dificuldades, das tempestades que os apóstolos iriam passar, afirmou: “É permanecendo firmes que ireis ganhar a vida!” (Lc 21,19). Isso seu Manoel fez, permaneceu firme até aos 91 anos, conduzindo a sua vida, sua família com determinação, fé, coragem, perseverança e assim ganhou a vida.

Crer na ressurreição do seu Manoel, do querido pai de vocês, é também não deixar morrer os seus sonhos, suas idéias, seus ideais; seu desejo de ser bom, justo, solidário… sua atitude de bondade para com os filhos, sua coragem de assumi-los e educá-los; de formar sua família. Com seus 13 filhos, veio do Porto (S. João), para este porto tão especial que é Taquaruçu, depois para o porto maior, o porto final com Deus. Onde Deus: “Enxugará toda lágrima de seus olhos e já não haverá morte, nem luto, nem grito, nem dor, porque passou a primeira condição” (AP 21,4).

Tendes a missão de não deixar morrer, mas ressuscitar ele dentro de vocês. Permanecer com seus exemplos vivos, latentes e ressuscitados em seus corações e ações, levar em frente suas lutas, seus sonhos de uma sociedade melhor, de família solidaria, unida e acima de tudo de fé.

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