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04

Depoimento de um padre

Minha experiência vocacional

A tarde era bela, os raios do sol cobriam a cidade. O coração ansioso, confiante e agradecido. Oito de Dezembro de 2005, dia em que fiquei padre, me vem a mente como se fosse hoje. Algumas horas antes da minha ordenação, a experiência foi marcante: procurava uma definição simples e concreta da palavra padre, me veio ao coração, como um raio de luz, o verso bíblico que diz: “Cristo passou a sua vida fazendo o bem” (At 10,38). A definição que emergia no meu interior naquele momento era: ser padre é alguém que a exemplo de Cristo, passa a vida fazendo o bem.

Vejo no concreto, que a oportunidade que tenho de fazer o bem é constante: ao saudar as pessoas, ao sorrir e no olhar em seus olhos. No abraço amigo, ao atendê-las em confissão, nas visitas às famílias; ao estar com os mais pobres, com os enfermos e ao celebrar com devoção a Santa Missa. Percebemos que a partir do momento que o padre não vive somente para si mesmo, não retém a sua vida e seu ministério, mas os entrega para Deus, para a Igreja e a cada pessoa encontrada, ele se torna esse benfeitor e promotor da paz e do bem para a humanidade.

Andando um pouco pelo território das minhas recordações, lembro-me do saudoso Dom Aloísio Lorscheider (in memoriam 2007), um grande mestre na arte do ensino teológico, nos ensinava de maneira exemplar em suas aulas de Teologia, que o sacerdote “é um grande benfeitor da humanidade”. Com suas aulas inesquecíveis e sua presença marcante, conseguiu esculpir em nós, as marcas do amor aos estudos e à vocação, e essas, em nós se tornaram memoráveis, eternas.

A nossa Igreja, em seu rico acervo teológico, nos diz que o padre é um “sacrifício de um homem”, um homem imolado, que se entrega livremente por uma causa: a fascinante causa do Reino de Deus, que é o maior bem que o próprio Deus coloca no coração e nas mãos de cada um de nós. Sou um ser humano mais feliz como padre, por vários motivos, um deles: é que Deus me ama e me chama a evangelizar, algo que eu sempre gostei. Desde adolescente eu já evangelizava nas escolas, nos grupos de jovens e nas famílias. E como padre, posso evangelizar ainda mais, ou melhor, minha vida se tornou uma experiência constante de evangelização. A evangelização está em mim e ou não me vejo mais sem ela. Como diz Dom Bosco: “Por eles eu rezo, eu estudo, e por eles me santifico”. Os desafios são grandes, e as lutas são constantes, por isso devemos nos ancorar sempre na certeza que a graça de Deus é maior e nos fortalece a cada dia.

Outro motivo, é que ser padre me faz ser mais de Deus e mais dos outros, pois a vida do padre é pertença de ambos. Ser mais de Deus me conduz a ser mais dos outros e vice versa; aprendemos com Dom Alberto que “a vida se torna mais bela quando se torna um dom para os outros”. É nessa certeza, nesse belo desafio que caminhamos e seguimos sem parar, porque para nós, parar é voltar atrás.

Louvado seja Deus pelo dom de todos os sacerdotes.

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