Hoje meu coração ficou triste por perceber o quanto o poder corrompe. São três as tentações de raiz: ter, poder e prazer; mas acho que o poder é a mais radical e a que mais corrompe. Vi cinco policiais sendo sumariamente executados no Rio de Janeiro. O poder do narcotrático se considera onipotente e não perdoa. É o poder do dinheiro e das armas. Vi poderes sendo negociados vergonhosamente no Congresso Nacional. O que menos importa é a ética. Quem pode, pode… quem não pode se sacode…

E vi poderes na Igreja… podres poderes!!! E pensar que Jesus um dia esteve às voltas com esta situação e disse: “Vejam os chefes das nações as subjugam… entre vós não será assim” (Mt 20,25-28). O poder na Igreja é exercido no serviço. O mais poderoso deveria ser o servo de todos. Mas nem sempre é assim. Há entre nós muitos que ganham poder pelo dinheiro e até pela audiência e acabam utilizando este poder de maneira presunçosa e truculenta. Perdão, Senhor!

6 Comentários

  1. Maria Inês

    PALAVRA DE VIDA – novembro/2007

    “E qual a grande nação que tenha leis e decretos tão justos quanto toda esta Lei que hoje vos proponho?” (Dt 4,8)

    Para o povo de Israel, o caminho de quarenta anos no deserto foi um tempo de provação e de graça. Deus purificou o seu coração e lhe mostrou o Seu imenso amor.
    Como o povo estava para entrar na terra prometida, Moisés relembrou a experiência vivida. De modo particular, ele mencionou o maior dom recebido: a lei de Deus – sintetizada nos Dez Mandamentos – e convidou o povo inteiro a colocá-la em prática.
    À medida que Moisés apresentava os ensinamentos de Deus, ficava tão encantado com o modo pelo qual Deus se aproximou do seu povo, cuidou dele, ensinou-lhe normas de vida tão sábias, que exclamou:

    “E qual a grande nação que tenha leis e decretos tão justos quanto toda esta Lei que hoje vos proponho?”

    Deus gravou a sua lei no coração de cada ser humano e falou a todos os povos em modos e tempos diferentes. Todos os homens podem se alegrar com o amor que Deus tem por eles. Mas nem sempre é fácil entender o desígnio de Deus para a humanidade. Por isso, Ele escolheu um pequeno povo, o de Israel, para comunicar mais claramente o seu plano. Finalmente enviou o seu Filho, Jesus, que revelou em plenitude o rosto de Deus, manifestando-o como Amor e condensando a Sua lei em um único mandamento: amar a Deus e o próximo.
    A grandeza de um povo e de cada ser humano é demonstrada pela adesão à lei de Deus com um sim pessoal.
    Essa adesão não é uma superestrutura artificial, muito menos uma alienação; não é resignação a uma sorte mais ou menos boa, nem mesmo aceitar passivamente uma fatalidade, como quase se pensasse: isso já foi estabelecido, este é o destino, tem que acontecer.
    Não. Essa adesão é tudo o que de melhor se possa pensar para o ser humano. É cooperar para fazer emergir o grande desígnio que Deus tem para cada pessoa e para a humanidade inteira: fazer dela uma única família, unida pelo amor, e levá-la a viver a Sua mesma vida divina.
    Então, também nós podemos exclamar, como Moisés:

    “E qual a grande nação que tenha leis e decretos tão justos quanto toda esta Lei que hoje vos proponho?”

    Como viver, durante o mês, essa Palavra de Vida?
    Penetrando no coração da lei divina que Jesus sintetizou no único preceito do amor.
    E se verificarmos os Dez Mandamentos, que Deus nos doou no Antigo Testamento, poderemos constatar que, amando realmente a Deus e o próximo, vivemos todos perfeitamente.
    Não é verdade que quem ama a Deus não pode admitir outros deuses no seu coração?
    Que quem ama a Deus considera o Seu nome sagrado e não o pronuncia em vão?
    Que quem ama é feliz em poder dedicar ao menos um dia da semana Àquele a quem mais ama?
    Não é verdade que quem ama cada próximo não pode deixar de amar os próprios pais? E não é evidente que quem ama os outros não é capaz de roubá-los, de matá-los, de explorá-los para os próprios prazeres egoístas, de levantar falso testemunho contra eles?
    E ainda, não é verdade que o seu coração já está pleno e satisfeito e, por isso, não sente o desejo de possuir os bens e as pessoas ligadas aos demais?
    É assim mesmo: quem ama não comete pecado, observa toda a lei de Deus.

    Várias vezes eu mesma experimentei isso nas minhas viagens, encontrando os mais diferentes povos e etnias. Em 2000, quando visitei o povo Bangwa, em Fontem, na República dos Camarões, fiquei muito impressionada pelo modo com o qual esse povo acolheu, com uma nova disposição, o meu convite para amar.
    Durante o dia, de vez em quando, perguntemo-nos se as nossas ações são imbuídas de amor. Se for assim, a nossa vida não será inútil, mas será uma contribuição para a realização do desígnio de Deus para a humanidade.

    Chiara Lubich

    Pe Joãozinho, diante do seu texto…. são essas as palavras de Jesus que me veem a mente…
    Inês

  2. Simone Teixeira

    Pe. Joãozinho, eu senti o abuso de poder ao ver um menor, sem antecedentes, que estava indo a um show, ser algemado e apanhar de policiais. Não pude falar nada e nem pedir exame de corpo delito porque isso levaria à revanche e a uma perseguição com a qual não poderíamos lutar. Meu coração de Mãe doeu.
    Vejo também a corrupção que começa no município, atinge o estado e o país. E o pior´é que quem critica, confessa que, se estivesse no lugar deles, agiria da mesma forma. Se todos se corrompem o que adianta eu querer ser bom? Este argumento acaba com o país… Se eu não usar um padrinho, outro vai usar e eu vou sair perdendo… A corrupção já está institucionalizada em nosso país. Na Igreja então, dá uma tristeza maior, o exemplo do mestre foi lavar os pés dos apóstolos e há padres que “se acham” como diz a moçada… Se colocam acima da maioria ignorante e acabam pensando que estudaram muito para “só ouvirem confissões e celebrarem missa”. Eles merecem uma posição de mais destaque…
    Perdoe minha sinceridade, estou muito amarga hoje!
    Se puder, me responda. Vou lhe mandar um artigo de Arnaldo Jabor, gostaria que ele estivesse errado, mas tive que dar o braço a torcer…
    Um abraço,

    Simone.

  3. ALTIVA HELENA

    Sua bençao !

    Ah! Padre , o poder destroi.
    O sr, comentou do poder na igreja, e isso me tocou muito,pois muitas vezes nós leigos queremos fazer uma adoraçao, ter uma celebração diferente, com musicas a parte do folheto ,e nosso paroco nao permite.
    Alem de nao permitir, diz palavras que muitas vezes afastam pessoas da igreja.
    Vejo o poder na igreja justamente como o senhor escreveu :poder de servi-lo, o mais poderoso deveria ser o servo de todos . Mas infelizmente muitas vezes isso nao acontece.
    Mas fazemos tudo por amor a Jesus que deu a vida por nós, e passamos uma borracha e continuamos a servir na pastoral que Deus nos colocou.

    Fique com Deus.

    Com carinho ALTIVA HELENA

  4. Padre Joãozinho, gosto de seus escritos e inteligência rara. Contudo, não sei se é muito proveitoso seu modo de criticar pessoas e situações de modo a levantar interpretações diversas, às vezes sem fundamento.

    Quando o senhor diz que na Igreja pessoas se tornam autoritárias pelo dinheiro e audiência que têm, o senhor logo nos leva a pensar nos meios de comunicação católicos. Logo, se estas pessoas têm audiência é porque estão muito no gosto do povo. E quão feio estes estarem no gosto do povo e darem tão grande contra-testemunho. Não digo que isso tenha acontecido, mas é uma interpretação que se pode tirar do que o senhor escreve.

    Cuidado com as interpretações que seus escritos podem instigar. Sei que as interpretações não estão no domínio do emissor, mas este pode colaborar, e muito, para direcioná-las para onde desejar.

    Continue realizando o belo trabalho de blogueiro, mas sendo talvez mais cuidadoso em suas palavras. Já que não acha correto citar nomes, cuidado com o mal maior que é colocar suspeitas sobre tantos outros nomes que nada tenham a ver com o que o senhor citou como exemplo.

    É só uma dica.
    Graça e paz!

  5. Gustavo Paulo

    Sem os três pecados: o ser, ter e poder, estão mais do que nunca presentes em nossa sociedade, resta a nós como cristãos com o nosso testemunho demonstrar como entendemos a questão da autoridade, servindo. Os legisladores católicos devem ser esse exemplo, de humildade e entrega, exercendo seus cargos no serviço ao próximo.

  6. Os erros dentro da Igreja doem ainda mais que a corrupção dos que não são religiosos consagrados, padres, freiras etc. Em colégios católicos, é comum ouvir relatos de pessoas que sofreram castigos de freiras e padres. Uma colega minha, por exemplo, tinha um pai muito autoritário e violento, que chegava a bater nas filhas e na esposa. As freiras do colégio sabiam dessa situação, mas davam a entender que ele estava no direio dele. Absurdo, sem dúvida. Além de não se envolverem, apoiavam esse pai tão bruto. Também acontece de padres celebrarem missa de maneira tão fria, mas tão fria, simplesmente lendo a homilia, que somente a fé do povo explica o comparecimento à Igreja, de tão modorrenta que foi a celebração. Sem falar nos padres que se envolvem em política e também em politicagem… A presença na mídia também pode ser nefasta, porque a ignorância religiosa dos apresentadores é tão grande, que acabam por deturbar a mensagem que se queria passar. Entrevistam ou recebem o padre e logo depois passam a tratar de numerologia, horóscopo e fofocas, como se tudo tivesse o mesmo valor. Que fazer? Pedir a misericórdia de Deus e a reta orientação do Espírito Santo. A igreja deve rezar por todos os outros seus membros…

Deixe uma resposta para Gustavo Paulo Cancelar resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.