Para que a vida tenha sentido é preciso que tenhamos sempre uma meta aonde pretendemos chegar. Não são os mais jovens e saudáveis que têm vida mais longa. A longevidade depende da capacidade de atribuir um sentido a cada momento. Ter um horizonte de esperança aumenta a qualidade do quotidiano e até a duração da vida.

Assim foi com o povo de Deus que perseverou 40 anos no árido deserto na certeza de que a Terra Prometida estava “logo ali”, como dizem os mineiros. Estava longe… mas a esperança na promessa fazia o futuro estar presente. O céu é esta terra aonde queremos chegar um dia. Quem não se permite a certeza da vida eterna vive com uma qualidade menor.

Porém, esta dinâmica de esperar contra toda esperança exige que estejamos preparados para nem sempre alcançar nossas metas, nem sempre realizar nossos sonhos. Às vezes são quimeras, utopias, ilusões. Podem ser coisas de criança ou devaneios de adolescente. Podem mesmo ser ilusões de adulto. Quando passamos dos 40 anos percebemos que algumas das metas que colocamos em nossa juventude não serão realizados nos nossos próximos 30 anos de vida. Aquela mulher que não casou até os 43 começa a imaginar que o sonho da família já´não se realizará. O príncipe encantado não chegou e pode nem chegar. Isto com certeza provoca uma “pequena (ou grande) frustração”. Imagino como não deve ter sido frustrante para Judas Iscariotes seguir por três anos um Jesus que imaginava zeletomente que seria um líder político e militar que libertaria Israel dos romanos. A cruz foi para ele uma frustração insuportável que o levou ao suicídio.

Todos os dias temos que conviver com pequenas frustrações. Quem é professor de uma turma durante quatro anos e pega um trabalho de conclusão de curso copiado da Internet, convive com um gosto amargo e se pergunta: por que? Onde foi que errei? O pai que vê seu filho único afundando na droga não tem como não ficar frustrado. Não teria educado direito? Nem sempre a falta de exemplo em casa é a culpada pelos desvios dos filhos. A mãe leva a filha na igreja e depois da crisma percebe que ela não vai mais. Frustração.

Como podemos conviver com estas duchas de água fria que a vida nos dá? A Bíblia tem uma frase sem rodeios: “Melhor confiar em Deus do que colocar nas pessoas a sua confiança” (Salmo 117,8). Pense nisso!!!