Inspirado no grande lema da vida do francês João Leão Dehon fundador da Congregação Sagrado Coração de Jesus, Padre Joãozinho, quinze anos de sacerdócio, lança o 11º CD por Paulinas-Comep: Ecce Venio – Sacerdote para sempre. Mais uma vez, deixa explícito o lema que permanece inspirando todos os que, como ele, Pe. Anísio José e Pe Zezinho, participam da Família Dehoniana: Ecce Venio (em latim, ‘eis-me aqui’).

 

“Se você prestar bem atenção, nossos livros e canções têm esta marca registrada: somos padres do coração”, avisa. “Faz algum tempo que este fogo queimava novas canções em meu interior”, diz, apresentando o trabalho, também um resgate dos quinze anos dedicados à vida sacerdotal e à comunicação.

 

As canções são permeadas por citações bíblicas, com um pouco da história de dedicação, obediência, entrega e dilemas, que começou a ser escrita no despertar da vocação. Um bom exemplo entre as dez canções e dois mantras (em latim) deste CD, é “Prece do amor”, composta quando tinha 15 anos e estudava em um seminário em Curitiba. “Foi meu jeito adolescente de fazer uma declaração de amor a Deus”.

 

As inspirações continuaram aflorando ao longo da sua vida – em retiros, palestras, aulas, encontros… “Sacerdote para sempre”, por exemplo, “é um resumo musical de minhas palestras. Nasceu em dezembro de 2006 durante um retiro de preparação para ordenação sacerdotal de alguns jovens, hoje espalhados pelo mundo afora.”

 

Outro destaque, “Amigos mil”, composição do Pe. Zezinho, é uma homenagem ao grande amigo que sempre o acompanhou. “Cada palavra dessa canção esconde um tesouro de verdade. Escute em silêncio… com o coração no colo de Deus, nosso maior amigo”, sugere Pe. Joãozinho.

 

O CD começa e termina com a mesma melodia dos mantras, Ecce Venio, e, para finalizar, “Ecce Ancilia”, o ‘eis-me aqui’ de Maria, ambos dos padres Joãozinho e Anísio José.  “É muito mais do que o ‘Eis-me aqui’, é a marcante disponibilidade de Cristo que em tudo cumpriu a vontade do Pai. Para o Pe. Joãozinho os mantras trazem uma proposta de harmonia e paz interior para quem os escuta. “Hoje, existe tanta música que nos desintegra, gera um caos dentro de nós. Espero que minhas canções tragam paz e harmonia interior.”

 

Destaques, ainda, para “Eis-me aqui”, tradução de “Eccomi”, uma das músicas mais populares nas missas da Itália, escrita pelo jovem sacerdote Marco Frisina, maestro, músico e cantor, regente do coral do Vaticano.

  O cantor

João Carlos de Almeida, ou Pe. Joãozinho, nasceu em Brusque, SC. Começou a tocar violão aos 11 anos, demonstrando a inclinação desde muito cedo para a música, a literatura e vocação sacerdotal. Enquanto se aprofundava nos mistérios da fé, e da vocação sacerdotal e religiosa, deu continuidade aos estudos musicais, levando suas canções a missas e festas religiosas. Foi ordenado padre em 1992, e hoje dirige a Faculdade Dehoniana, no interior de São Paulo.

    

CD: Ecce Venio – Sacerdote para sempre

Pe. Joãozinho

Editora Musical: Paulinas-COMEP

Código: 119717

Preço: R$ 19,80

   

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Léo Guimarães

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Já nem me lembro bem a ocasião em que Deus me deu a graça de compor esta canção. Só sei que de todas as músicas que fiz esta, com certeza, ficará! Está guardada no coração do povo. A letra, para ser sincero, não é completamente de minha autoria. Na verdade fiz um arranjo poético de alguns textos da Bíblia, principalmente o capítulo 36 do livro de Ezequiel, e o capítulo 11 do Evangelho de Mateus. Estes dois textos são como duas colunas que sustentam a espiritualidade do Sagrado Coração de Jesus. Ezequiel profetiza que Deus arrancará o nosso coração de pedra e, no lugar, colocará um coração de carne. Este “novo coração” da profecia é revelado no texto de Mateus
em que Jesus diz: “Aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração” (Mt 11,28).

Esta é a mais importande das “lições de reparação”. Na escola do Cristo Mestre precisamos aprender a “conhecer o seu manso e humilde coração”. Ele mesmo diz: “aprendei de mim”. Somos alunos, discípulos. Ele é o professor. Escreverei uma seqüência de artigos baseados na letra de “Conheço um Coração”. Você pode até colecionar cada artigo.

            Deus enviou seu Filho ao mundo para nos salvar. Seu amor quer nos resgatar do pecado e de toda espécie de mal. Assim como libertou seu povo da opressão do Egito e o conduziu por meio de Moisés, para a Terra Prometida, ele quer nos libertar e conduzir para o céu por meio de Jesus, o novo Moisés. Quer renovar a nosa vida. Quer curar nossas feridas e restaurar as nossas forças. Você percebeu quantas palavras parecidas? Salvar, resgatar, libertar, renovar, curar, restaurar. Cada uma delas revela um pouco o plano de amor que Deus tem para conosco. Pois bem, reparação é mais uma palavra que poderia ser incluída nesta lista. Jesus veio ao mundo para consertar o que estava fora do lugar. Este é um dos primeiros significados da “reparação”. Um carpiteiro devia conhecer bem esta arte de reparar cadeiras, mesas e corações. Ele entendia bem deste ofício que aprendeu com São José.

No fundo, quando falamos de reparação estamos falando de salvação. Jesus é o grande reparador. Nós apenas completamos em nossa carne o que falta à sua obra redentora. Mas falta alguma coisa? Falta o nosso sim. Mas mesmo que sua obra redentora tenha sido perfeita e definitiva, Deus nos convida para colaborar com a salvação, do mesmo modo que conidou nossos primeiros pais a continuarem a obra da criação.

Infelizmente Adão e Eva pecaram. O pecado entrou no mundo e passou a ser patrimônio da humanidade. Nascemos com esta cicatriz. Está em nosso código genético a memória do pecado.  A Igreja chama isso, desde Santo Agostinho, de “pecado original”. É uma espécie de solidariedade no mal. Mas o contrário também é verdade. Se alguém de nós faz algo bom, isto acaba fazendo bem para toda a humanidade. De alguma maneira existe entre nós uma intensa comunhão espiritual. Por exemplo, se eu faço uma hora de Adoração Eucarística, ou realizo minha confissão, rezo o Rosário, pratico a caridade, denuncio injustiças, faço penitência e até mesmo vivo meus sofrimentos em espírito de “reparação”, isto é um patrimônio benéfico para toda a humanidade. É a “santidade original”; é o antídoto do “pecado original”. Este mistério de solidariedade é o que podemos chamar de “reparação”.

Ao longo da história da Igreja santos e santas viveram a reparação, cada qual ao seu modo. Alguns imaginaram que fariam bem se ficassem junto ao Coração do Mestre consolando-o das injúrias que ele teria sofrido com o pecado. Neste caso a reparação foi vivida como “consolação”. Santa Margarida Maria insistia neste tipo de devoção. Muitas pessoas conhecem, por exemplo, os atos de desagravo ao Coração de Jesus. Isto é importante, mas a espiritualidade do Sagrado Coração amadureceu nos últimos séculos e descobrimos que as lágrimas de Cristo estão no rosto dos menores abandonados. Seu coração é transpasado novamente na morte dos indígenas e moradores de rua. Ele passa fome em nossas crianças desnutridas. Está sendo morto pelo narcotráfico. É prostituído e marginalizado. Jesus é crucificado todos os dias em nossas ruas. Ele mesmo revelou este segredo no capítulo 25 de Mateus: “… todas as vezes que vocês fizeram isso a um dos menores de meus irmãos, foi a mim que o fizeram” (Mt 25,40). Esta é a nova forma de reparação que o Coração de Jesus deseja: a solidariedade com os pobres!

Para viver este tipo de solidariedade reparadora precisamos conhecer mais e mais o coração do mestre. Mas este conhecimento não se adquire pela leitura de livros e artigos de revista. Quando eu proclamo que “conheço um coração”, significa que posso dizer com o Apóstolo Paulo: Esta vida presente na carne eu a vivo pela fé no filho de Deus que me amou e se entregou a si mesmo por mim. Por isso, já não ou eu que vivo, é Cristo que vive em mim (Cf. Gal 2,20). Outro trecho da carta aos Filipenses é também muito forte: “Tenham no coração as mesmas atitudes do Coração de Jesus” (Fl 2,5). Mas que atitudes seriam estas? Basta ler as páginas do Novo Testamento para perceber que atitudes eram características do coração do Mestre. Mateus resumiu: era manso e humilde. Na verdade isso significa que ele foi alguém que se aproximava das pessoas que precisavam de conserto, misericórdia, reparação. Comece perguntando para você mesmo: “quem são os meus amigos?” No caso de Jesus era fácil identificar um grupo de pescadores e outro de pecadores. Ele era o Rei dos reis. Poderia ter nascido em palácios, com belas roupas e tesouros. Mas nasceu na periferia da periferia. Foi pobre com os pobres, para nos enriquecer com sua pobreza (2Cor 8,9). Foi ele quem primeiro fez a “opção preferencial pelos pobres”, que recentemente foi reafirmada na 5º Conferência do Epicopado Latino-americano, em Aparecida.

Precisamos conhecer cada vez melhor o Coração de Jesus e contemplar sua face desfigurada. Somos convidados a transfigurar o rosto e a vida de alguém. Se você encontra uma pessoa triste e faz companhia, ouve, consola e, no final, vê aquele rosto triste sorrir, pode ter certeza que praticou um ato de reparação. Se sua empregada doméstica ganha neném evocê vai visitar, já começou a ter uma atitude reparadora. Se reza por aquela família, sua reparação é maior. Se você percebe que a criança não tem fraldas, isso precisa ser consertado, não é mesmo?! Precisa ser reparado. A campanha que você faz entre familiares e amigos para conseguir as fraldas do neném, o leite e o bercinho, é uma campanha de reparação.

Nosso mundo tem conserto. Precisamos uma legião de reparadores dispostos a consertar a política, a cultura, a sociedade. Precisamos consertar acamada de ozônio ferida pelo excesso de emissões de gás carbônico. Se praticamos a coleta seletiva do lixo, isso é uma atitude reparadora. Veja que reparação é muito mais do que viver uma devoção. O Coração de Jesus nos convida a implantar o Reino da Vida nas pessoas e na sociedade. Em outras palavras, viver a reparação é começar a construir a Civilização do Amor.

Se vivermos esta mística, ficaremos indignados ao ver as coisas desajustadas. Esta santa indignação alimentará nosa mística de fazer o céu acontecer na terra. O reparador é assim. Não consegue ver nada fora do lugar. Busca sempre as coisas do alto. Procura conhecer o coração manso, humilde e sereno e, ao encontrá-lo, repousa em paz, mas sempre inquieto!