Meu irmão, Luiz Fernando

Entendo que esteja inconformado em ter se colocado contra o magistério do nosso querido papa Bento XVI. Mas não piore as coisas. Admita o erro e vamos em frente. A frase que você insiste em criticar é de Santo Agostinho e citada por Bento XVI. Vou documentar bem desta vez para que você tenha toda a condição de aprofundar sua reflexão. Caso não concordar, sugiro que daqui para frente se dirija diretamente à Roma.

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No dia 10.08 postei o seguinte:

SACRAMENTUM CARITATIS nº 36

 

36. A beleza intrínseca da liturgia tem, como sujeito próprio, Cristo ressuscitado e glorificado no Espírito Santo, que inclui a Igreja na sua acção.(109) Nesta perspectiva, é muito sugestivo recordar as palavras de Santo Agostinho que descrevem, de modo eficaz, esta dinâmica de fé própria da Eucaristia; referindo-se precisamente ao mistério eucarístico, o grande santo de Hipona põe em evidência como o próprio Cristo nos assimila a Si mesmo: « O pão que vedes sobre o altar, santificado com a palavra de Deus, é o corpo de Cristo. O cálice, ou melhor, aquilo que o cálice contém, santificado com as palavras de Deus, é sangue de Cristo. Com estes [sinais], Cristo Senhor quis confiar-nos o seu corpo e o seu sangue, que derramou por nós para a remissão dos pecados. Se os recebestes bem, vós mesmos sois Aquele que recebestes ».(110) Assim, « tornamo-nos não apenas cristãos, mas o próprio Cristo ».(111) Nisto podemos contemplar a acção misteriosa de Deus, que inclui a unidade profunda entre nós e o Senhor Jesus: « De facto, não se pode crer que Cristo esteja na cabeça sem estar também no corpo, pois Ele está todo inteiro na cabeça e no corpo (Christus totus in capite et in corpore) ».(112)

 

108. Cf. Conc. Ecum. Vat. II, Const. dogm. sobre a divina revelação Dei Verbum, 2.4.

 

109. Propositio 33.

 

110. Sermo 227, 1: PL 38, 1099.

 

111. Santo Agostinho, In Iohannis Evangelium Tractatus, 21, 8: PL 35, 1568.

 

112. Ibid., 28, 1: o.c., 35, 1622.

 

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Leia agora a reclamação do Fernando:

Olá, Padre Joãozinho!

Comentário do Bruno: “Integrar o Corpo Místico significa passar a ser “por Cristo, com Cristo e em Cristo”, jamais em “ser Cristo”, ou em ser parte substancial do próprio Cristo… Afinal, o Cristão é chamado a ser um “outro cristo”, por imitação ao modelo que é Cristo, e não o “próprio Cristo”, verbo de Deus feito carne! (…) A Igreja é “Corpo de Cristo” em sentido místico e moral, por analogia, pois Cristo está para a Igreja como a cabeça está para o corpo, mas o Verbo nela não encarnou-se nem “habita substancialmente”, como ocorre com o corpo e a alma de Jesus.”

Creio que ele se expressou corretamente, mesmo porque o Papa fala que: “a fé da Igreja é essencialmente fé eucarística e alimenta-se, de modo particular, à mesa da Eucaristia.” (Sacramentum Caritatis, 6)

Repare que suas palavras Padre Joãozinho: “se nós os recebemos bem, somos Aquele que recebemos”, estavam em consonância com o que dissera santo Agostinho, diferentemente da primeira vez que você citou no singular, sem dar a dimensão da unidade da Igreja. Como lembrara o Papa João Paulo II: “encontramos um válido eco desta exigência em S. Agostinho quando, depois de recordar a afirmação do Apóstolo « vós sois corpo de Cristo e seus membros » (1 Cor 12, 27), observava: « Se sois o corpo de Cristo e seus membros, é o vosso sacramento que está colocado sobre a mesa do Senhor; é o vosso sacramento que recebeis ».” (Ecclesia de Eucharistia, 40)

No entanto essa afirmação sua: “assim, nos tornamos não apenas cristãos, mas o próprio Cristo!!!” precisa ser melhor explicada. Nos tornamos Cristo como? Por analogia? Por univocidade? De forma unívoca é impossível, pois realmente seria panteísmo – gnosticismo se elevada a afirmação às últimas consequências – e partircularmente acredito que o Papa não referiu-se em nenhum momento de forma panteísta em sua Exortação Apostólica, pois ele demonstra condenar isso em sua nova encíclica: “mas é preciso sublinhar também que é contrário ao verdadeiro desenvolvimento considerar a natureza mais importante do que a própria pessoa humana. Esta posição induz a comportamentos neopagãos ou a um novo panteísmo: só da natureza, entendida em sentido puramente naturalista, não pode derivar a salvação para o homem.” (Caritas in Veritate, 48)

Padre, o sr. está mudando o foco de suas afirmações para provocar o pessoal… coisas daquele que gosta de dividir, rs.

Sua benção Pe.,
Att!

10 Comentários

  1. Pingback: RCC Brasil

  2. Michelli Brainer

    “Caso não concordar, sugiro que daqui para frente se dirija diretamente à Roma”

    kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

    Sua bênção PADRE Joãozinho!!!!!!

  3. Padre João, mais uma vez a sua benção !
    Como o senhor começou a postar cartas antes boicotadas, pediria que o senhor publicasse a minha que segue como cópia logo abaixo desta …
    O senhor diz “Roma locuta, causa finita est!” gostaria de pedir ao senhor que tem prestigio e três diplomas de doutorado, que escrevesse ao nosso Bispo Diocesano Dom Vilson Dias de Oliveira, (e-mail: domvilson@diocesedelimeira.org.br) e a ele ensinasse que quando Roma manda devemos obedecer.
    Ele que é um pastor capaz de negar o Pão do Céu, e nós dar a serpente de um processo judicial, deveria receber seus conselhos. Limeira precisa de um bom conselho …
    Diga-lhe, por favor, para permitir a Missa de Sempre, a Missa que nunca foi ab-rogada, a Missa que mesmo depois de 40 anos o “super” Concilio Vaticano II não conseguiu enterrar, diga-lhe para obedecer ao Motu Próprio Summorum Pontificum, diga-lhe, enfim, para respeitar “a suprema autoridade eclesiástica, a quem por instituição divina, somos ligados por amor, respeito e obediência”, conforme afirmou o Mons. Guido Pozzo.
    Quem sabe o senhor mesmo, não venha para Limeira, elevar Cristo ‘versus Deum’.
    Esperando sua ajuda padre, agradeço nos corações de Jesus e Maria sua sinceridade !
    Eli De Marchi Junior
    Leme / SP.
    http://www.catolicoslimeira.com.br
    …………………………………………………………………………..
    Pe. João
    Sua benção
    Que Nossa Senhora ajude nosso clero brasileiro, pois logo o nosso Papa estará corrigindo oficialmente muitas interpretações equivocadas com relação ao Concilio Vaticano 2, e será preciso muita humildade para aceitar a correção de nosso Pai espiritual.
    Deus queira que os sacerdotes não utilizem alguns leigos como trincheira para não obedecer a Roma Eterna.
    Veja aqui em Limeira, como nosso bispo não quer obedecer ao Papa, isso causa em nós profunda tristeza, pedimos apenas a missa, a oportunidade de unirmos nossas pequenas cruzes com a Cruz de Nosso Senhor, na forma extraordinária, na forma que nunca foi ab-rogada e nunca deveria ter sido mudada como afirmou São Pio V, mas a resposta foi um não, NÃO ao Papa, NÃO a São Pedro e São Paulo, NÃO para Missa assistida por todos os Santos e Santas da Igreja.
    Não adiantou termos dois documentos de Roma, pois aqui apenas a missa com elementos macumbiferos tem vez … e com a presença do Sr. Bispo.
    Nossa Senhora das Dores rogai pelos seus filhos e filhas !
    Eli De Marchi Junior
    Leme / SP.
    http://www.catolicoslimeira.com.br

  4. Fernando Firmino

    Rev. Pe Joãozinho,

    Pelo visto seu hábito de Copiar e Colar não acabou.

    V. Rev. está destinando para mim um post sem sentido. Não me coloquei contra seu Post de 10-08. Apenas o alertei que faltava as citações.

    Acredito que o V. Rev. esteja me confundindo com outra pessoa.

    Gentileza rever seus posts e comments, quem V. escreve o comment que neste Post V. Rev copia não é o Fernando Firmino.

    PAX!

    Fernando Firmino

  5. Fernando Firmino

    Rev. Pe Joãozinho,

    Quem V. escreveu o comment que neste post é copiado fora o Luiz Fernando, e não o Fernando Firmino.

    PAX

    Fernando Firmino

  6. Seria bom responder Pe. Joãozinho, para que as coisas fiquem claras.

    1. O homem que comunga se torna Deus?

  7. Olá, Padre!

    Acho que esta situação toda está merecendo uma postagem no meu blog, pois meus comentários já renderam no mínimo três posts por aqui. Você é astuto, se corrigiu quando falou de santo Agostinho depois de meus comentários e conduziu meu raciocínio de forma maliciosa para ir contra o Papa Bento XVI, quando na realidade eu nunca fiz isso, e continuo afirmando, que ‘tornar-se Cristo’, isto é, ‘tornar-se Deus’ de forma UNÍVOCA é puro gnosticismo. E você conhece bem isso Padre, mas aproveita-se que a maioria das leitores que te admiram não conhecem o assunto suficientemente bem.

    Sapientiam autem non vincit malitia!

    Sua benção Pe.,
    Att!

    Ps: não sou o Fernando Firmino… entendo que existam muitos ‘Fernandos’ por aqui, mas, sou o Luiz Fernando – Lúdico Medieval – simplesmente.

  8. Bruno Oliveira

    Minha principal crítica ao “post” do Pe. Joãozinho – perdão se não deixei isso claro – pode ser resumida pela seguinte frase do Luiz Fernando:
    <>
    Era tudo uma questão de saber qual o sentido de tais palavras – sem dúvida perigosamente ambíguas (como bem demonstra a disposição exibida por alguns, nos comentários, em crer que a Eucaristia nos “transformaria” – literal e substancialmente – em Cristo)!
    Até agora não sei em que sentido o padre usou essas palavras, mas agora descubro – com certa surpresa inicial – que elas foram tomadas da formidável Exortação Apostólica Sacramentum Caritatis, do nosso Santo Padre Bento XVI.
    Em se tratando do Papa, quem conhece minimamente sua obra e pensamento sabe que tais palavras poderiam ser, no máximo, uma infeliz imprecisão de termos, e jamais uma tentativa de afirmar que, ao comungar, o cristão torna-se, literal e substancialmente, Cristo.
    No entanto, lendo a passagem em seu contexto, vemos que o Papa nem deste mal padeceu, pois (não bastasse o que o Santo Padre já havia dito antes) após escrever os trechos copiados no polêmico post, diz o Vigário de Cristo:
    <>
    E assim, explicando o que o padre até agora não explicou, o Santo Padre dá mais uma mostra de ortodoxia e de clareza na exposição da Doutrina!
    Á luz deste resumo explicativo – e do restante do escrito, interpretado segundo a “hermenêutica da continuidade” (apoiada na Sagrada Tradição) que o Papa explicitamente advoga – podemos tecer os seguintes comentários ao longo da leitura:
    <>

    Resumindo, como disse o Fernando Firmino:
    “Em nenhum momento houve desejo, seja de S. Agostinho, seja do Papa em sua encíclica de divinizar o homem, ou nos tornar iguais a Deus. Com efeito, em V. Post as citações dão a entender que o homem se divinivizava pela Eucaristia: se tornava Deus.”

    Dito isto eu pergunto: E o senhor, padre, concorda com minha interpretação do que disseram Bento XVI e Santo Agostinho? E seu “post”, por sua vez, quis dizer que o cristão torna-se “o próprio Cristo” em que sentido? No sentido da unidade, de íntima e inefável comunhão entre o cristão e Cristo, cada um conservando sua identidade de criatura e de Criador Encarnado respectivamente? Ou no sentido de uma literal “transubstanciação” operada não apenas no pão e no vinho, mas no próprio fiel? Gostaria muito que o senhor me respondesse padre… E que me corrigisse no que for necessário, caso for necessário… Sempre apontando para o que diz a Madre Igreja!

    Que Deus ilumine nossas inteligências e nossos corações padre, e que todo este debate favoreça nosso crescimento na Fé e na Caridade!

    Bruno

    PS: Quanto à citação de Santo Agostinho, é fato que ela está adaptada, sendo muito mais clara quando lida numa transcrição “ao pé da letra” (embora conservando seu significado original no contexto em que foi utilizada na Sacramentum Caritatis), pelo que pode-se dizer do Doutor de Hipona o mesmo que foi dito do Santo Padre.

  9. Bruno Oliveira

    Como o comentário anterior saiu com alguns problemas de formatação, estou o reenviando:
    Minha principal crítica ao seu “post”, padre – e perdão se não deixei isso claro – pode ser resumida pela seguinte frase do Luiz Fernando:
    “No entanto essa afirmação [ou citação] sua : “assim, nos tornamos não apenas cristãos, mas o próprio Cristo!!!” precisa ser melhor explicada. Nos tornamos Cristo como? Por analogia? Por univocidade? De forma unívoca é impossível”.
    Era tudo uma questão de saber qual o sentido de tais palavras – sem dúvida perigosamente ambíguas (como bem demonstra a disposição exibida por alguns, nos comentários, em crer que a Eucaristia nos “transformaria” – literal e substancialmente – em Cristo)!
    Até agora não sei em que sentido o padre usou essas palavras, mas agora descubro – com certa surpresa inicial – que elas foram tomadas da formidável Exortação Apostólica Sacramentum Caritatis, do nosso Santo Padre Bento XVI.
    Em se tratando do Papa, quem conhece minimamente sua obra e pensamento sabe que tais palavras poderiam ser, no máximo, uma infeliz imprecisão de termos, e jamais uma tentativa de afirmar que, ao comungar, o cristão torna-se, literal e substancialmente, Cristo.
    No entanto, lendo a passagem em seu contexto, vemos que o Papa nem deste mal padeceu, pois (não bastasse o que o Santo Padre já havia dito antes) após escrever os trechos copiados no polêmico post, diz o Vigário de Cristo:
    “ *Nisto*[ explicando o que foi dito anteriormente,] podemos contemplar a acção misteriosa de Deus, que inclui a * unidade*[e não identidade], profunda entre nós e o Senhor Jesus [ tudo o que foi dito refere-se portanto a “ser” como sinônimo de unidade – “ser junto, ser em”]: « De facto, não se pode crer que Cristo esteja na cabeça sem estar também no corpo, pois Ele está todo inteiro na cabeça e no corpo. [ Ou seja, esta unidade se dá através da presença de Cristo no Corpo Místico, tanto enquanto cabeça – mestre, modelo, exemplo – quanto no “corpo”(místico), isto é, enquanto Graça que habita em seus membros, inclusive através da Eucaristia].”
    E assim, explicando o que o padre até agora não explicou, o Santo Padre dá mais uma mostra de ortodoxia e de clareza na exposição da Doutrina!
    Á luz desta conclusão – e do restante do escrito, interpretado segundo a “hermenêutica da continuidade” (apoiada na Sagrada Tradição) que o Papa explicitamente advoga – podemos tecer os seguintes comentários ao longo da leitura:
    “A beleza intrínseca da liturgia tem, como sujeito próprio, Cristo ressuscitado e glorificado no Espírito Santo, que inclui a Igreja [ Corpo Místico de Cristo] na sua acção.(109) Nesta perspectiva, é muito sugestivo recordar as palavras de Santo Agostinho que descrevem, de modo eficaz, esta dinâmica de fé própria da Eucaristia; referindo-se precisamente ao mistério eucarístico, o grande santo de Hipona põe em evidência como o próprio Cristo nos assimila [ no sentido da unidade, como deve o fiel inferir e como é dito adiante] a Si mesmo [ ou seja, em seu Corpo Místico, que é a “Igreja incluída na ação de Cristo]: « O pão que vedes sobre o altar, santificado com a palavra de Deus, é o corpo de Cristo. O cálice, ou melhor, aquilo que o cálice contém, santificado com as palavras de Deus, é sangue de Cristo. Com estes [sinais], Cristo Senhor quis confiar-nos o seu corpo e o seu sangue, que derramou por nós para a remissão dos pecados. Se os recebestes bem, vós mesmos sois [ no sentido de unidade, e não de identidade; como vimos] Aquele que recebestes [ ou seja, através da Eucaristia nós mesmos estamos em profunda unidade, comunhão, com o Corpo Místico de Cristo e com o próprio Cristo. Somos, em Cristo, “Alther Christus”]».(110) Assim, « tornamo-nos não apenas cristãos, mas o próprio Cristo [enquanto em profunda unidade – e não identidade substancial – com Ele, enquanto parte do Corpo Místico e enquanto Seus imitadores] ».(111) Nisto podemos contemplar a acção misteriosa de Deus, que inclui a unidade profunda entre nós e o Senhor Jesus: « De facto, não se pode crer que Cristo esteja na cabeça sem estar também no corpo, pois Ele está todo inteiro na cabeça e no corpo (Christus totus in capite et in corpore) ».(112)”

    Resumindo, como disse o Fernando Firmino:
    “Em nenhum momento houve desejo, seja de S. Agostinho, seja do Papa em sua encíclica de divinizar o homem, ou nos tornar iguais a Deus. Com efeito, em V. Post as citações dão a entender que o homem se divinizava pela Eucaristia: se tornava Deus.”

    Dito isto eu pergunto: E o senhor, padre, concorda com minha interpretação do que disseram Bento XVI e Santo Agostinho? E seu “post”, por sua vez, quis dizer que o cristão torna-se “o próprio Cristo” em que sentido? No sentido da unidade, de íntima e inefável comunhão entre o cristão e Cristo, cada um conservando sua identidade de criatura e de Criador Encarnado, respectivamente? Ou no sentido de uma literal “transubstanciação” operada não apenas no pão e no vinho, mas no próprio fiel? Gostaria muito que o senhor me respondesse padre… E que me corrigisse no que for necessário, caso for necessário… sem grandes “manobras didáticas” ou “viradas espetaculares”… Apenas “sim ou não”… Apenas a simplicidade evangélica… Apenas apontando para o que diz a Madre Igreja!
    Ah, e por favor, não me tome por um “adversário” padre… Debato aqui com o senhor como debateria – e como já debati, várias vezes até – com amigos… Se doravante não quiser publicar os meus comentários, até o apoio, pois não gosto de criar polêmica e temo que o que deve ser uma busca por esclarecimento acabe se tornando disputa pública e pessoal entre um católico e um sacerdote (temo inclusive ter contribuído para isso ao escrever movido por um zelo por vezes “exaltado”… ).

    Que Deus ilumine nossas inteligências e nossos corações padre, e que todo este debate favoreça nosso crescimento na Fé e na Caridade!

    Bruno

    PS: Quanto à citação de Santo Agostinho, é fato que ela está adaptada, sendo muito mais clara quando lida numa transcrição “ao pé da letra” (embora conservando seu significado original no contexto em que foi utilizada na Sacramentum Caritatis), pelo que pode-se dizer do Doutor de Hipona o mesmo que foi dito do Santo Padre.
    PS2: Só para constar, não sou “tradicionalista”, nem “montfortiano”, nem “anti-RCC”, nem “anti- Concílio Vaticano II”. Sou “apenas” católico, procuro me informar e cumprir com meus deveres de cristão… É só.

  10. Pode um cristão tornar-se Deus?

    Caro Pe Joãozinho, lhe asseguro que não haverá tréplica sobre seus comentários. Minha posição sobre este assunto é o que se segue:

    Pe Joãozinho em defesa de Pe Fábio havia afirmado no Programa Direção Espiritual que santo Agostinho dissera da Eucaristia: “Cristão receba aquilo que Você é”.

    No entanto colocado no contexto, o santo falava da unidade da Igreja: “se VÓS sois o corpo de Cristo e seus membros, é o Sacramento (Mysterium) do que Vós sois que está colocado na Mesa do SENHOR; é o sacramento do que VÓS sois que VÓS recebeis. E ao que VÓS sois que respondeis AMÉM, e esta resposta é a vossa assinatura. Torna-te num membro do Corpo de CRISTO, para que este AMÉM seja verdadeiro”, sendo este comentário relacionado com I Cor X, 16-17: “o cálice de benção, que benzemos, não é a comunhão do sangue de CRISTO? E o pão que partimos, não é a comunhão do corpo de CRISTO? Uma vez que há um único pão, nós, embora sendo muitos, formamos um só corpo, porque todos nós comungamos do mesmo pão.” (Sermão 272)

    Pe Joãozinho mudou a citação do plural para o singular afirmando que se recebo a Eucaristia SOU a Eucaristia, sou o próprio DEUS, isto é, o sacramento é só um instrumento revelador daquilo que sou e não sei, gnosticismo puro.

    Depois Pe Joãozinho corrigiu-se afirmando: “se nós os recebemos bem, somos Aquele que recebemos”, pensamento em consonância com o que dissera santo Agostinho, diferentemente da primeira vez que citou no singular, sem dar a verdadeira dimensão da unidade da Igreja, corpo místico de Cristo. Nesse mesmo sentido dissera o Papa João Paulo II que ao escrever aos fiéis de Corinto, são Paulo convidava-os a refletir sobre a realidade da Eucaristia para fazê-los voltar ao espírito fraterno de comunhão: “encontramos um válido eco desta exigência em S. Agostinho quando, depois de recordar a afirmação do Apóstolo « vós sois corpo de Cristo e seus membros » (1 Cor 12, 27), observava: « Se sois o corpo de Cristo e seus membros, é o vosso sacramento que está colocado sobre a mesa do Senhor; é o vosso sacramento que recebeis ».” (Ecclesia de Eucharistia, 40)

    Retirando do contexto da Exortação Apostólica Sacramentum Veritatis e inserindo-o em suas afirmações para parecer Ortodoxo e assim seus leitores esquecerem de suas afirmações anteriores, Pe Joãozinho voltou a citar santo Agostinho: “assim, nos tornamos não apenas cristãos, mas o próprio Cristo!”, porém, sem explicar de que forma aplica esse raciocínio, causando assim, confusão entre os leitores do blog, pelo menos entre aqueles que procuram compreender suas palavras sinceramente! De que forma nos tornamos Cristo? Por analogia? Por univocidade? De forma unívoca é impossível, pois realmente seria panteísmo — gnosticismo se levada esta afirmação às últimas consequências. E partircularmente acredito que o Papa não referiu-se em nenhum momento de forma panteísta — diferente do contexto em que Pe Joãozinho proferiu suas palavras — em sua Exortação Apostólica, pois ele demonstra condenar isso em sua nova encíclica: “mas é preciso sublinhar também que é contrário ao verdadeiro desenvolvimento considerar a natureza mais importante do que a própria pessoa humana. Esta posição induz a comportamentos neopagãos ou a um novo panteísmo: só da natureza, entendida em sentido puramente naturalista, não pode derivar a salvação para o homem.” (Caritas in Veritate, 48)

    Pe Joãozinho não especificou em que sentido aplicara a frase: “assim, nos tornamos não apenas cristãos, mas o próprio Cristo!”. Por isso, vamos procurar organizar as possíveis respostas a tal indagação.

    A primeira é a resposta UNÍVOCA que considera que Deus e o mundo (e o ‘eu’) são a mesma coisa, possuindo o mesmo grau de perfeição, sem existir real distinção entre Deus e o mundo — por isso mesmo é uma solução “unívoca” —, pois dá um único e mesmo significado para instâncias diferentes. Neste caso, caímos no PANTEÍSMO, que é a total identificação de todas as coisas com Deus. A natureza seria divina, e tudo o que existe seria Deus. Logo, a natureza seria absoluta. Não há nenhuma realidade superior à natureza — o sobrenatural —, pois ela própria seria absoluta, completa, total. Em sua primeira afirmação o Pe falava: “Cristão receba aquilo que Você é”. Se o cristão recebe DEUS, e É DEUS, logo, isso só pode ser PANTEÍSMO. E mais: no sistema gnóstico, o homem deve buscar no seu íntimo o verdadeiro conhecimento. E ‘Gnose’, do grego, quer dizer ‘Conhecimento’: o verdadeiro conhecimento liberta o homem e o redime. É preciso que o homem se descubra Deus, que ele se conheça e liberte o Deus que está preso na limitação de sua matéria. Se o cristão não se reconhece DEUS, mas recebe DEUS para tornar-se aquilo que ele É e somente não sabe, isso é puro gnosticismo.

    Pe Joãozinho em vez de se retratar afirmou que eu estava me colocando contra as afirmações do Papa, chegando mesmo a dizer: “admita o erro e vamos em frente”.

    Pe Joãozinho admitiu ter citado — consciente ou inconscientemente — de forma equivocada as palavras de santo Agostinho mais de uma vez?
    Pe Joãozinho admitiu que não explicou devidamente se falava que o cristão se tornava DEUS de forma unívoca ou análoga?

    Consideramos que Deus está presente no mundo por ANALOGIA. Deus é o ser absoluto, mas ao criar as coisas, deu a elas participação no seu Ser. Cada criatura recebe de Deus participação no ser de Deus, possuindo certas perfeições. Por isso, no mundo, tudo é relativamente perfeito, se aproximando da perfeição divina, sem alcançá-la jamais, pois Deus é infinito. O ser das criaturas é relativo, mas nem por isso é mau, porque está intimamente relacionado com o Ser de Deus, que as criou. Se as criaturas participam do Ser Divino, então não podem ser más, apenas possuem um grau menor de perfeição que Deus. Cada criatura possui uma essência, que é a sua própria natureza. As essências das coisas são o grau de recepção das perfeições infinitas de Deus. O homem recebeu determinadas perfeições, pois tem a essência de um ser racional. O seu ser é mais perfeito que o de um vegetal ou o de um mineral; mas nenhum é DIVINO: todos são criaturas da Divindade.

    Em momento algum eu afirmei o contrário de que o Cristão pode ser chamado a “ser um outro Cristo”, enquanto que isso signifique somente “ser presença de Cristo” no mundo, principalmente sendo virtuoso, no mesmo sentido que escrevera São João Crisóstomo: “Cristo deixou-nos na terra para que sejamos faróis que iluminam, doutores que ensinam; para que cumpramos o nosso dever como o fermento […]. Nem sequer seria necessário expor a doutrina se a nossa vida fosse tão radiante, nem seria necessário recorrer às palavras se as nossas obras dessem tal testemunho. Já não haveria nenhum pagão, se nos comportássemos como verdadeiros cristãos.” (Homilias sobre a primeira Epístola a Timóteo, 10). Creio que através da Graça Cristo está realmente presente no Cristão e de forma especial durante a comunhão, quando aquele que recebe Cristo torna-se “um” com Ele em uma unidade por comunhão espiritual. Porém, de forma alguma acredito que esta “unidade com Cristo” se dá SUBSTANCIALMENTE, por identificação total com Ele, com o cristão literalmente tornando-se “o próprio Cristo”, como que “divinizando-se” que é o que sugerem as palavras de Pe Joãozinho. Uma coisa é dizer que o cristão torna-se “um” com Cristo mediante uma profunda e inefável união com seu Senhor, sem deixar, contudo, de ser o que é, CRIATURA! Outra, diametralmente oposta, é insinuar que, mediante essa comunhão, o cristão já não seja “apenas” cristão, mas o “próprio Cristo”, que o cristão seja DEUS, como que sofrendo uma “transubstanciação” semelhante à que ocorre com o pão e o vinho consagrados.

    A distinção da presença de Cristo de forma análoga e unívoca foi muito bem explicada pela Associação Cultural Montfort, algo que Pe Joãozinho não fez. E ainda afirmou: “agora, o irmão é presença EUCARÍSTICA, muitas vezes não se quer reconhecer… O irmão é presença EUCARÍSTICA”. Tiremos a conclusão lógica de que o outro não é somente PRESENÇA e sim presença EUCARÍSTICA, ainda que Pe Joãozinho tenha escrito: “quando falamos de “presença eucarística no irmão” o fizemos de modo analógico”, não é possível empregar a expressão “presença eucarística” de modo analógico, somente em sentido UNÍVOCO, pois que eu saiba essa presença eucarística quer dizer ‘presença substancial do Corpo e Sangue, Alma e Divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo sob as aparências de pão e vinho’. E para apoiar sua frase, Pe Joãozinho cita o Concílio Vaticano II, na Constituição Apostólica Sacrossantum Concilium, 7. Porém, ao ler o documento nota-se que ele se refere às presenças de Jesus – ‘presença de Cristo na Liturgia’ -, não encontrei na passagem supracitada menções à ‘presenças eucarísticas no irmão’, e sim unicamente em presenças, isto é, nas diferentes presenças de Cristo. Não encontrei a palavra “eucarística” no número 7, ao qual se referiu o padre, em outro sentido que não o de designar as espécies eucarísticas: hóstia e vinho consagrados.

    Portanto Pe Joãozinho tem duas possíveis escolhas: panteísmo ou gnosticismo.

    Para que ficar procurando maliciosamente inserir a verdade onde ela não estava?
    Não seria mais fácil explicar tudo de forma clara e citando corretamente santo Agostinho sem ficar criando ‘armadilhas’, unindo afirmações do Papa em contextos diversos daquele em que ele as usou?

    Pe Joãozinho diz que “a constituição da Igreja é essencialmente Eucarística”, e logo em seguida, cita as Palavras do Papa: “a Eucaristia é constitutiva do ser e do agir da Igreja”, dando a entender que elas confirmam a primeira tese. O que o Papa Bento XVI afirma é que “a fé da Igreja é essencialmente fé eucarística e alimenta-se, de modo particular, à mesa da Eucaristia.” (Sacramentum Caritatis, 6)

    Pe Joãozinho, seria muito pedir que o senhor explicasse com clareza, sem malabarismos e citações fora do lugar, o que quer afirmar ao falar que “a constituição da Igreja é essencialmente Eucarística”?

    Se eu estiver errado aceito correções de bom grado. Diferentemente de Pe Fábio de Melo que afirma uma coisa em uma linha e nega em outra, confirmando o modos operandi modernista, eu assumo a responsabilidade de minhas afirmações, e se houver algo a ser corrigido nelas eu ficarei satisfeito que isso aconteça, pois tudo o que faço, inclusive meus textos solitários que escrevo sobre história em meu blog é para defender a verdade, e apenas isso.

    Sua benção Pe.,
    Att!

    Ps: mesmo sendo tarde, como você pode observar pelo horário do comentário, eu fiquei estudando sobre o assunto até agora, procurando entender suas afirmações Pe, e concomitantemente conhecer melhor minha religião, não escrevi de modo precipitado; espero ter sido claro em minha postagem.

  11. Salve Maria padre,
    E aí pelo menos dessa vez o senhor vai responder, ou vai continuar fugindo jogando os seus fiéis escudeiros à defender o senhor com seu sentimentalismo exacerbado sem fidelidade à sã doutrina.
    Coragem padre responda!!!!!Não tenha medo de se contradizer.

    Pode o cristão tornar-se Deus?

    Pode o cristão tornar-se Deus?

    Pode o cristão tornar-se Deus?

    Pode o cristão tornar-se Deus?

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