Um seminarista postou hoje a seguinte questão:

Pe. Joãozinho , Visitando Seu blog Aqui vi um trecho sobre a Teologia da Libertação, E gostaria de Saber do Senhor Oque achas da Censura , do Então Papa Bento XVI ” Card. Ratzinger ” a Esta Teologia ?? ( Sou Seminarista Faço o 1º Ano de Teologia ) E vejo na teologia da Libertação , uma Certa Negação do Céu , Mas Tambem do Magisterio da Igreja , e De toda uma Mistica !! .. com Todo respeito gostaria de Saber sobre sua Opinião !!

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Meu irmão, de fato a década de sessenta assistiu à uma corrente chamada Teologia da Revolução, que dava respaldo teológico à guerrilheiros que lutavam contra as ditaduras que tomavam conta de quase toda a América Latina. A partir do Chile começou um movimento chamado “Cristãos pelo socialismo”. Neste contexto era utilizada a análise marxista como forma de compreender o que estava acontecendo na sociedade. A história seria longa, mas resumindo, é neste humus cultural que nasce a reflexão teológica de Gustavo Gutiérrez, pai da Teologia da Libertação, peruano de nascimento, mas que na ocasião estudava medicina no Chile. Ele fez psicologia na Bélgica, já como seminarista. Depois fez teologia em Lyon, na França. Iniciou o mestrado na Gregoriana, mas jamais terminou. Tornou-se assessor da conferência dos bispos do Peru e dava algumas palestras na PUC-Lima. Assessorou os bispos llatino-americanos durante o Concílio e esteve muito atuante em 1968 na Conferência de Medellín. Foi quem escreveu a o documento sobre a “Pobreza”, que depois, em Puebla (1979) seria expresso sob a forma de “Opção preferencial pelos pobres”. É o autor do clássico, TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO – PERSPECTIVAS. Na década de 1980 ele esteve muito atento aos limites da Teologia da Libertação, apontados pela Congregação para a Doutrina da Fé. Corrigiu alguns detalhes e reescreveu o livro TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO. Poucos (mesmo entre teológos da libertação) conhecem esta segunda edição revista. Esta públicada por Loyola. Jamais recebeu qualquer punição da Santa Sé. É preciso que se diga que os pontos questionados da teologia de Leonardo Boff não se referem diretamente à Teologia da Libertação, mas ao seu ensaio de antropocentrismo mariológico e à sua eclesiogênese em que chama a hierarquia de subordinacionismo prático, ou seja, heresia.

Gustavo Gutiérrez focou sua atenção na solidariedade para com os pobres e jamais cedeu à tentação marxista. Soube reler a sua teologia e reinventar-se, sempre em comunhão de Igreja. Aviso aos navegantes: não existe UMA teologia da libertação. Existem diversas leituras da teologia que nasceram na América Latina e que têm traços semelhantes entre si.

16 Comentários

  1. Boa noite Pe.!!!
    Hummm bom saber tudo isso!
    Pena que acabou minha tinta…algumas coisas eu imprimo, acabo fazendo um material de estudo…kkkkk leitura!
    Embora algumas coisas nível alto p/ minha pessoa…heheheheeh mas o tempo vai me esclarecendo isso tenho certeza!
    um abraço fraterno!
    Ana Valeska – Fortaleza

  2. Pingback: RCC Brasil

  3. Olá padre,paz!

    Vejo que a Teologia da Libertação, salvaguardando alguns excessos, algumas leituras marxistas, produziram excelentes frutos para a Igreja, como por exemplo, as comunidades eclesiais de base e mártires. Feliz é quem consegue enxergar qualidades em um movimento da Igreja na qual não faça parte, pois isso é sinal que vive a sua catolicidade, o seu batismo em plenitude.

    Abraços e siga firme em seus ensinamentos fundamentados à luz da Igreja e à luz do carisma dehoniano!

  4. Michelli Brainer

    Padre, meu novo arcebispo (Dom Fernando Saburido – Arquidiocese de Olinda e Recife) declarou em sua 1ª entrevista ser simpatizante da linha de Dom Hélder Câmara.
    Um arcebispado em “colocar a palavra de Deus em prática”.
    (entrevista completa: http://www.diariodepernambuco.com.br/vidaurbana/especiais/dom_fernando/nota.asp?materia=20090816134657&assunto=118&onde=VidaUrbana )

    Essa seria a “parte boa” da TL?
    Uma igreja mais missionária e social? (sem eskecer, claro, o lado espiritual?)

  5. Padre, encontrei esse texto, na qual o cardeal Ratzinger, atual Papa Bento XVI comenta sobre essas diversas vertentes da Teologia da Libertação. É um texto chamado “Eu vos explico a Teologia da Libertação”, traduzido pelo saudoso Dom Estêvão Bettencourt, que tem como fonte a revista Pergunte e Responderemos de 1984. Esse texto comenta as diversas hermenêuticas da Teologia da Libertação e a precaução que se deve ter com as correntes marxistas. Acho que poderá enriquecer a reflexão.

    Força, coragem em sua caminhada!

    EU VOS EXPLICO A TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO”

    Por Card. Joseph Ratzinger
    Tradução: d. Estêvão Bettencourt
    Fonte: Rev. Pergunte e Responderemos (1984)

    Para esclarecer a minha tarefa e a minha intenção, com relação ao tema, parecem-me necessárias algumas observações preliminares:

    1. A teologia da libertação é fenômeno extraordinariamente complexo. É possível formar-se um conceito da teologia da libertação segundo o qual ela vai das posições mais radicalmente marxistas até aquelas que propõem o lugar apropriado da necessária responsabilidade do cristão para com os pobres e os oprimidos no contexto de uma correta teologia eclesial, como fizeram os documentos do CELAM, de Medellin a Puebla. Neste nosso texto, usaremos o conceito “teologia da libertação” em sentido mais restrito: sentido que compreende apenas aqueles teólogos que, de algum modo, fizeram própria a opção fundamental marxista. Mesmo aqui existem, nos particulares, muitas diferenças que é impossível aprofundar nesta reflexão geral. Neste contexto posso apenas tentar pôr em evidência algumas linhas fundamentais que, sem desconhecer as diversas matrizes, são muito difundidas e exercem certa influência mesmo onde não existe teologia da libertação em sentido estrito.

    2. Com a análise do fenômeno da teologia da libertação torna-se manifesto um perigo fundamental para a fé da Igreja. Sem dúvida, é preciso ter presente que um erro não pode existir se não contém um núcleo de verdade. De fato, um erro é tanto mais perigoso quanto maior for a proporção do núcleo de verdade assumida. Além disso, o erro não se poderia apropriar daquela parte de verdade, se essa verdade fosse suficientemente vivida e testemunhada ali onde é o seu lugar, isto é, na fé da Igreja. Por isso, ao lado da demonstração do erro e do perigo da teologia da libertação, é preciso sempre acrescentar a pergunta: que verdade se esconde no erro e como recupera-la plenamente?

    3. A teologia da libertação é um fenômeno universal sob três pontos de vista:

    a) Essa teologia não pretende constituir-se como um novo tratado teológico ao lado dos outros já existentes; não pretende, por exemplo, elaborar novos aspectos da ética social da Igreja. Ela se concebe, antes, como uma nova hermenêutica da fé cristã, quer dizer, como nova forma de compreensão e de realização do cristianismo na sua totalidade. Por isto mesmo, muda todas as formas da vida eclesial: a constituição eclesiástica, a liturgia, a catequese, as opções morais;

    b) A teologia da libertação tem certamente o seu centro de gravidade na América Latina, mas não é, de modo algum, fenômeno exclusivamente latino-americano. Não se pode pensá-la sem a influência determinante de teólogos europeus e também norte-americanos. Além do mais, existe também na Índia, no Sri Lanka, nas Filipinas, em Taiwan, na África – embora nesta última esteja em primeiro plano a busca de uma “teologia africana”. A união dos teólogos do Terceiro Mundo é fortemente caracterizada pela atenção prestada aos temas da teologia da libertação;

    c) A teologia da libertação supera os limites confessionais. Um dos mais conhecidos representantes da teologia da libertação, Hugo Assman, era sacerdote católico e ensina hoje como professor em uma Faculdade protestante, mas continua a se apresentar com o pretensão de estar acima das fronteiras confessionais. A teologia da libertação procura criar, já desde as suas premissas, uma nova universalidade em virtude da qual as separações clássicas da Igreja devem perder a sua Importância.

    I. O Conceito de Teologia da Libertação e os Pressupostos de sua Gênese

    Essas observações preliminares, entretanto, já nos introduziram no núcleo do tema. Deixam aberta, porém, a questão principal: o que é propriamente o teologia da libertação? Em uma primeira tentativa de resposta, podemos dizer: a teologia da libertação pretende dar nova interpretação global do Cristianismo; explica o Cristianismo como uma práxis de libertação e pretende constituir-se, ela mesma, um guia para tal práxis. Mas assim como, segundo essa teologia, toda realidade é política, também a libertação é um conceito político e o guia rumo à libertação deve ser um guia para a ação política. “Nada resta fora do empenho político. Tudo existe com uma colocação política” (Gutierrez). Uma teologia que não seja “prática (o que significa dizer “essencialmente política”) é considerada “idealista” e condenada como irreal ou como veículo de conservação dos opressores no poder.
    Para um teólogo que tenha aprendido a sua teologia na tradição clássica e que tenha aceitado a sua vocação espiritual, é difícil imaginar que seriamente se possa esvaziar a realidade global do Cristianismo em um esquema de práxis sócio-político de libertação. A coisa é, entretanto, mais difícil, já que os teólogos da libertação continuam a usar grande parte da linguagem ascética e dogmática da Igreja em clave nova, de tal modo que aqueles que lêem e que escutam partindo de outra visão, podem ter a impressão de reencontrar o patrimônio antigo com o acréscimo apenas de algumas afirmações um pouco estranhas mas que, unidos a tanta religiosidade, não poderiam ser tão perigosas.
    Exatamente a radicalidade da teologia da libertação faz com que a sua gravidade não seja avaliada de modo suficiente; não entra em nenhum esquema de heresia até hoje existente. A sua colocação, já de partida, situa-se fora daquilo que pode ser colhido pelos tradicionais sistemas de discussão. Por isto tentarei abordar a orientação fundamental da teologia da libertação em duas etapas:
    Primeiramente é necessário dizer algo acerca dos pressupostos que a tornaram possível; a seguir, desejo aprofundar alguns dos conceitos base que permitem conhecer algo da estrutura da teologia da libertação.
    Como se chegou a esta orientação completamente nova do pensamento teológico, que se exprime na teologia da libertação? Vejo principalmente três fatores que a tornaram possível:

    1. Após o Concílio [Vaticano II], produziu-se uma situação teológica nova:

    a) Surgiu a opinião de que a tradição teológica existente até então não era mais aceitável e, por conseguinte, se deviam procurar, a partir da Escritura e dos sinais dos tempos, orientações teológicas e espirituais totalmente novas;

    b) A idéia de abertura ao mundo e de compromisso no mundo transformou-se freqüentemente em uma fé ingênua nas ciências; uma fé que acolheu as ciências humanas como um novo evangelho, sem querer reconhecer os seus limites e problemas próprios. A psicologia, a sociologia e a interpretação marxista da história foram considerados como cientificamente seguras e, a seguir, como instâncias não mais contestáveis do pensamento cristão;

    c) A critica da tradição por parte da exegese evangélica moderna, especialmente a de Bultmann e da sua escola, tornou-se uma instância teológica inamovível que barrou a estrada às formas até então válidas da teologia, encorajando assim também novas construções.

    2. A situação teológica assim transformada coincidiu com uma situação da historia espiritual também ela modificada. Ao final da fase de reconstrução após a segunda guerra mundial, fase que coincidiu pouco mais ou menos com o término do Concilio, produziu-se no mundo ocidental um sensível vazio de significado, ao qual a filosofia existencialista ainda em voga não estava em condições de dar alguma resposta. Nesta situação, as diferentes formas do neo-marxismo transformaram-se em um impulso moral e, ao mesmo tempo, em uma promessa de significado que parecia quase irresistível à juventude universal. O marxismo, com as acentuações religiosas de Bloch e as filosofias dotadas de rigor científico de Adorno, Horkheimer, Habernas e Marcuse, ofereceram modelos de ação com os quais alguns pensadores acreditavam poder responder ao desafio da miséria no mundo e, ao mesmo tempo, poder atualizar o sentido correto da mensagem bíblica.

    3. O desafio moral da pobreza e da opressão não se podia mais ignorar, no momento em que a Europa e a América do Norte atingiam uma opulência até então desconhecida. Este desafio exigia evidentemente nova respostas, que não se podiam encontrar na tradição existente até aquele momento. A situação teológica e filosófica mudada convidava expressamente a buscar o resposta em um cristianismo que se deixasse regular pelos modelos da esperança, aparentemente fundados cientificamente, das filosofias marxistas.

    II. A Estrutura Gnoseológica Fundamental do Teologia do Libertação

    Esta resposta se apresenta totalmente diversa nas formas particulares de teologia da libertação: teologia da evolução, teologia política, etc. Não pode, pois, ser apresentada globalmente.
    Existem, no entanto, alguns conceitos fundamentais que se repetem continuamente nas diferentes variações e exprimem comuns intenções de fundo. Antes de passar aos conceitos fundamentais do conteúdo, é necessário fazer uma observação acerca dos elementos estruturais da teologia da libertação.
    Para tal, podemos retomar o que já afirmamos acerca da situação teológica mudada após o Concilio. Como já disse, leu-se a exegese de Bultmann e da sua escola como um enunciado da “ciência” sobre Jesus, ciência que devia obviamente ser considerado como válida. O “Jesus histórico” de Bultmann, entretanto, apresentava-se separado por um abismo (o próprio Bultmann fala de Graben, fosso) do Cristo da fé. Segundo Bultmann, Jesus pertence aos pressupostos do Novo Testamento, permanecendo, porém, encerrado no mundo do judaísmo. O resultado final dessa exegese consistiu em abalar a credibilidade histórica dos Evangelhos: o Cristo da tradição eclesial e o Jesus histórico apresentado pela ciência pertencem evidentemente a dois mundos diferentes. A figura de Jesus foi erradicada da sua colocação na tradição por ação da ciência, considerada como instância suprema; deste modo, por um lado, a tradição pairava como algo de irreal no vazio, e, por outro, devia-se procurar para a figura de Jesus uma nova interpretação e um novo significado.
    Bultmann, portanto, adquiriu importância não tanto pelas suas afirmações positivas quanto pelo resultado negativo da sua crítica: o núcleo da fé, a cristologia, permaneceu aberto a novas interpretações porque os seus enunciados originais tinham desaparecido, na medida em que eram considerados historicamente insustentáveis. Ao mesmo tempo desautorizava-se o magistério da Igreja, na medida em que o consideravam preso a uma teoria cientificamente insustentável e, portanto, sem valor como instância cognoscitiva sobre Jesus. Os seus anunciados podiam ser considerados somente como definições frustadas de uma posição cientificamente superada.
    Além disso, Bultmann foi importante para o desenvolvimento posterior de uma segunda palavra-chave. Ele trouxe à moda o antigo conceito de hermenêutica, conferindo-lhe uma dinâmica nova. Na palavra “hermenêutica” encontra expressão a idéia de que uma compreensão real dos textos históricos não acontece através de uma mera interpretação histórica; mas toda interpretação histórica inclui certas decisões preliminares. A hermenêutica tem a função de “atualizar”, em conexão com a determinação de dado histórico. Nela, segundo o terminologia clássica, se trata de um “fusão dos horizontes” entre “então” [“naquele tempo”] e o “hoje”. Por conseguinte, ela suscita a pergunta: o que significa o então (“naquele tempo”) nos dias de hoje?
    O próprio Bultmann respondeu a esta pergunta servindo-se da filosofia de Heidegger e interpretou, deste modo, a Bíblia em sentido existencialista. Tal resposta, hoje, não apresenta mais algum interesse; neste sentido Bultmann foi superado pela exegese atual. Mas permaneceu a separação entre a figura de Jesus da tradição clássica e a idéia de que se pode e se deve transferir essa figura ao presente, através de uma nova hermenêutica.
    A este ponto, surge o segundo elemento, já mencionado, da nossa situação: o novo clima filosófico dos anos sessenta. A análise marxista do história e da sociedade foi considerada, nesse ínterim, como a única dotada de caráter “cientifico”, isto significa que o mundo é interpretado à luz do esquema da luta de classes e que a única escolha possível é entre capitalismo e marxismo. Significa, além disso, que toda a realidade é política e que deve ser justificada politicamente.
    O conceito bíblico do “pobre” oferece o ponto de partida para a confusão entre a imagem bíblica da história e a dialética marxista; esse conceito é interpretado com a idéia de proletariado em sentido marxista e justifica também o marxismo como hermenêutica legitima para a compreensão da Bíblia. Ora, Segundo essa compreensão, existem, e só podem existir, duas opções; por isso, contradizer essa interpretação da Bíblia não é senão expressão do esforço da classe dominante para conservar o próprio poder. Gutierrez afirma: “A luta de classes é um dado de fato e a neutralidade acerca desse ponto é absolutamente impossível”. A partir dai, torna-se impossível até a intervenção do magistério eclesiástico: no caso em que este se opusesse a tal interpretação do Cristianismo demonstraria apenas estar ao lado dos ricos e dos dominadores e contra os pobres e os sofredores, isto é, contra o próprio Jesus, e, na dialética da história, aliar-se-ia à parte negativa.
    Essa decisão, aparentemente “científica” e “hermeneuticamente” indiscutível, determina por si o rumo da ulterior interpretação do Cristianismo, seja quanto às instancias interpretativas, seja quanto aos conteúdos interpretados.
    No que diz respeito as instâncias interpretativas, os conceitos decisivos são: povo, comunidade, experiência, história. Se até então a Igreja, isto é, a Igreja Católica na Sua totalidade, que, transcendendo tempo e espaço, abrange os leigos (sensus fidei) e a hierarquia (magistério), fora a instância hermenêutica fundamental, hoje tornou-se a “comunidade” tal instância. A vivência e as experiências da comunidade determinam agora a compreensão e a interpretação da Escritura.
    De novo pode-se dizer, aparentemente de maneira muito científica, que a figura de Jesus, apresentada nos Evangelhos, constitui uma síntese de acontecimentos e interpretações da experiência de comunidades particulares, onde no entanto a interpretação é muito mais importante do que o acontecimento, que, em si, não é mais determinável.
    Essa síntese original de acontecimento e interpretação pode ser dissolvida e reconstruída sempre de novo: a comunidade “interpreta” com a sua “experiência” os acontecimentos e encontra assim sua “práxis”. Esta idéia, podemos encontra-la em modo um tanto diverso do conceito de povo, com o qual se transformou a acentuação conciliar da idéia de “povo de Deus” em mito marxista. As experiências do “povo” explicam a Escritura. “Povo” torna-se assim um conceito oposto ao de “hierarquia” e em antítese a todas as instituições indicadas como forças da opressão.
    Afinal, é “povo” quem participa da “luta de classes”; a “igreja popular” acontece em oposição à Igreja hierárquica. Por fim, o conceito de “história” torna-se instância hermenêutica decisiva. A opinião, considerada cientificamente segura e irrefutável, de que a Bíblia raciocine em termos exclusivamente de história da salvação, e portanto de maneira anti-metafísica, permite a fusão do horizonte bíblico com a idéia marxista da história que procede dialeticamente como autêntica portadora de salvação; a história é a autêntica revelação e, portanto, a verdadeira instância hermenêutica da interpretação bíblica.
    Tal dialética é apoiada, algumas vezes, pela pneumatologia. Em todo caso, também esta última, no magistério que insiste em verdades permanentes, vê uma instância inimiga do progresso, dado que pensa “metafisicamente” e assim contradiz a “história”. Pode-se dizer que o conceito de história absorve o conceito de Deus e de revelação. A “historicidade” da Bíblia deve justificar o seu papel absolutamente predominante e, portanto, deve legitimar, ao mesmo tempo, a passagem para a filosofia materialista-marxista, na qual a história assumiu a função de Deus.

    III. Conceitos Fundamentais da Teologia da Libertação
    Com isto, chegamos aos conceitos fundamentais do conteúdo da nova interpretação do Cristianismo. Uma vez que os contextos nos quais aparecem os diversos conceitos são diferentes, gostaria de citar alguns deles, sem a pretensão de esquematiza-los.
    Comecemos pela nova interpretação da fé, da esperança e da caridade. Com relação a fé, por exemplo, J. Sobrinho afirma: a experiência que Jesus tem de Deus é radicalmente histórica. “A sua fé converte-se em fidelidade”. Por isso Sobrinho substitui fundamentalmente a fé pela “fidelidade à história” (fidelidad a la historia, 143-144). Jesus é fiel à profunda convicção de que o mistério da vida do homem … é realmente o último … (144). Aqui produz-se aquela fusão entre Deus e história que dá a Sobrinho a possibilidade de conservar para Jesus a fórmula de Calcedônia, ainda que com um sentido completamente mudado; pode-se ver como os critérios clássicos da ortodoxia não são aplicáveis à análise dessa teologia, Ignacio Ellacuria, na capa do livro sobre este assunto, afirma: Sobrinho “diz de novo … que Jesus é Deus, acrescentando, porém, imediatamente, que o Deus verdadeiro é somente aquele que se revela historicamente em Jesus e nos pobres, que continuam a sua presença. Somente quem mantém unidas essas duas afirmações, é ortodoxo …“.
    A esperança é interpretada como “confiança no futuro” e como trabalho pelo futuro; com isso ela é subordinada novamente ao predomínio da história das classes.
    “Amor” consiste na “opção pelos pobres”, isto é, coincide com a opção pela luta de classes.
    Os teólogos da libertação sublinham com força, diante do “falso universalismo”, a parcialidade e o caráter partidário da opção cristã; tomar partido é, segundo eles, requisito fundamental de uma correta hermenêutica dos testemunhos bíblicos. Na minha opinião, aqui se pode reconhecer muito claramente a mistura entre uma verdade fundamental do Cristianismo e uma opção fundamental não cristã, que torna o conjunto tão sedutor: o sermão da montanha é, na verdade, a escolha por parte de Deus a favor dos pobres. Mas a interpretação dos pobres no sentido da dialética marxista da história e a interpretação da escolha partidária no sentido da luta de classes é um salto “eis allo genos” (grego: para outro gênero), no qual as coisas contrarias se apresentam como idênticas.
    O conceito fundamental da pregação de Jesus é o de “reino de Deus”. Este conceito encontra-se também no centro das teologia da libertação, lido porém no contexto da hermenêutica marxista. Segundo J. Sobrinho, o reino não deve ser compreendido espiritualmente, nem universalmente, no sentido de uma reserva escatologicamente abstrata. Deve ser compreendido em forma partidária e voltado para a práxis. Somente a partir da práxis de Jesus, e não teoricamente, é possível definir o que seria o reino: trabalhar na realidade histórica que nos circunda para transformá-la no reino (166).
    Aqui ocorre mencionar também uma idéia fundamental de certa teologia pós-conciliar que impulsionou nessa direção. Muitos apregoaram que, segundo o Concílio, se deveriam superar todas as formas de dualismo: o dualismo de corpo e alma, de natural e sobrenatural, de imanência e transcendência, de presente e futuro. Após o desmantelamento desses dualismos, resta apenas a possibilidade de trabalhar por um reino que se realize nesta história e em sua realidade político-econômica.
    Mas justamente dessa forma deixou-se de trabalhar pelo homem de hoje e se começou a destruir o presente, a favor de um futuro hipotético: assim produziu-se imediatamente o verdadeiro dualismo.
    Neste contexto gostaria de mencionar também a interpretação, impressionante e definitivamente espantosa, que Sobrinho dá da morte e da ressurreição. Antes do mais, ele estabelece, contra as concepções universalistas, que a ressurreição é, em primeiro lugar, uma esperança para aqueles que são crucificados; estes constituem a maioria dos homens: todos aqueles milhões aos quais a injustiça estrutural se impõe como uma lenta crucifixão (176 e seguintes).
    O crente, no entanto, participa também do senhorio de Jesus sobre a história, através da edificação do reino, isto é, na luta pela justiça e pela libertação integral, na transformação das estruturas injustas em estruturas mais humanas. Esse senhorio sobre a história é exercitado ao se repetir o gesto de Deus que ressuscita Jesus, isto é, dando novamente vida aos crucificados da história (181). O homem assumiu o gesto de Deus e aqui a transformação total da mensagem bíblica se manifesta de maneira quase trágica, se se pensa em como essa tentativa de imitação de Deus se desenvolveu e se desenvolve ainda.
    Gostaria de citar apenas alguns outros conceitos: o êxodo se transforma em uma imagem central da história da salvação; o mistério pascal é entendido como um símbolo revolucionário e, portanto, a Eucaristia é interpretada como uma festa de libertação no sentido de uma esperança político-messiânica e da sua práxis.
    A palavra redenção é substituída geralmente por libertação, a qual, por sua vez, é compreendida, no contexto da história e da luta de classes, como processo de libertação que avança, por fim, é fundamental também a acentuação da práxis: a verdade não deve ser compreendido em sentido metafísico; trata-se de “idealismo”. A verdade realiza-se na história e na práxis. A ação é a verdade.
    Por conseguinte, também as idéias que se usam para ação, em última instância são intercambiáveis. A única coisa decisiva é a práxis. A práxis torna-se, assim, o única e verdadeira ortodoxia. Desta forma justifica-se um enorme afastamento dos textos bíblicos: a crítica histórica liberta da interpretação tradicional, que aparece como não-científica.
    Com relação à tradição, atribui-se importância ao máximo rigor cientifico na linha de Bultmann. Mas os conteúdos da Bíblia, determinados historicamente, não podem, por sua vez, ser vinculantes de modo absoluto. O instrumento para a interpretação não é, em última análise, a pesquisa histórica, mas, sim, a hermenêutica da história, experimentada na comunidade, isto é, nos grupos políticos, sobretudo dado que a maior parte dos próprios conteúdos bíblicos deve ser considerada como produto de tal hermenêutica comunitária.
    Quando se tenta fazer um julgamento geral, deve-se dizer que, quando alguém procura compreender as opções fundamentais da teologia da libertação não pode negar que o conjunto contém uma lógica quase incontestável. Com as premissas da critica bíblica e da hermenêutica fundada na experiência, de um lado, e da análise marxista da história, de outro, conseguiu-se criar uma visão de conjunto do cristianismo que parece responder plenamente tanto às exigências da ciência, quanto aos desafios morais dos nossos tempos. E, portanto, impõe-se aos homens de modo imediato o tarefa de fazer do Cristianismo um instrumento da transformação concreta do mundo, o que pareceria uni-lo a todas as forças progressistas da nossa época.
    Pode-se, pois, compreender como esta nova interpretação do Cristianismo atraia sempre mais teólogos, sacerdotes e religiosos, especialmente no contexto dos problemas do terceiro mundo. Subtrair-se a ela deve necessariamente aparecer aos olhos deles como uma evasão da realidade, como uma renúncia à razão e à moral.
    Porém, de outra parte, quando se pensa o quanto seja radical a interpretação do Cristianismo que dela deriva, torna-se ainda mais urgente o problema do que se possa e se deva fazer frente a ela.
    * * * * *

    Comentários de D. Estevão Bettencourt:
    À guisa de comentário, parece oportuno salientar os seguintes pontos:
    1) A Teologia da Libertação não é um novo tratado teológico ao lado de outros já existentes, mas é uma nova interpretação do Cristianismo, que revira radicalmente as verdades da fé, a constituição da Igreja, a Liturgia, a catequética e as opções morais.
    2) Todos os valores e toda a realidade são considerados do ponto de vista político. Uma teologia que não seja essencialmente política, é encarada como fator de conservação dos apressares no poder.
    3) A dificuldade de se perceber esse caráter subversiva da Teologia da Libertação está, em grande parte, no fato de que os seus arautos continuam a usar a linguagem ascética e dogmática da Igreja, embora em chave nova. Isto dá aos observadores a impressão de que estão diante do patrimônio da fé acrescido de algumas afirmações religiosas que não podem ser perigosas.
    4) A gravidade da Teologia da Libertação não é suficientemente avaliada; não entra em nenhum esquema de heresia até hoje existente.
    5) O cristão não pode ser, de forma alguma, insensível à miséria dos povos do Terceiro Mundo. Todavia, para acudir cristãmente a tal situação, não lhe é necessário adotar um sistema de pensamento que é anticristão como a Teologia da Libertação; existe a doutrina social da Igreja, desenvolvida pelos Papas desde Leão XIII até João Paulo II de maneira cada vez mais incisiva e penetrante. Se fosse posta em prática, eliminaria graves males de que sofrem os homens, sem disseminar o ódio e a luta de classes.

    Todos os artigos disponíveis neste sítio são de livre cópia e difusão deste que sempre sejam citados a fonte e o(s) autor(es).
    Para citar este artigo:
    CARD., Joseph Ratzinger. Apostolado Veritatis Splendor: “EU VOS EXPLICO A TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO”. Disponível em http://www.veritatis.com.br/article/4734. Desde 05/05/2008.

  6. Elaine Mendes

    Pe. Joãozinho, obrigada pelo texto.
    A teologia da libertação me interessa muito, pois conclui um mestrado em engenharia de produção pela universidade federal do Rio de Janeiro cujo objeto de estudo foram projetos agrícolas financiados por órgãos católicos. Estes projetos resolveram o problema da fome em comunidades rurais do interior do Ceará. Essas comunidades eram organizadas em CEBs.

    Ao fazer a tese, uma das bases teóricas que utilizei foi a Doutrina Social da Igreja. Achei por bem não tocar na Teologia da Libertação devido à rejeição que ela sofreu por parte do Papa João Paulo II.

    Mas, gostei de saber que a Teologia da Libertação não foi totalmente rejeitada, ela só precisou ser reformulada. No entanto, eu poderia entender que a nova Teologia da Libertação seria um desdobramento da Doutrina Social da Igreja na América Latina? Após ler seu artigo irei comprar essa versão reformulada.

    Aliás, há realmente uma rivalidade entre as CEBs e os grupos de Renovação Carismática? Aparentemente os primeiros buscam a solução dos problemas de forma coletiva, comunitária, enquanto que o segundo grupo de forma individualista, parecendo-se e muito com a forma com que os pentecostais tratam problemas como desemprego, dívidas etc. Se bem que a Igreja nunca proibiu que os católicos pedissem através da intercessão dos santos alívio nos momentos de aflição financeira. Eu mesma pedia muito a Nossa Senhora que intercedesse por mim quando estava desempregada.

    Sua benção.

  7. lunna stelle

    Padre João,

    Se o Padre Gustavo Gutiérrez releu a Teologia da Libertação, porque ela não é seguida na America Latina, e sim, a sua versão primeira?

    O Boff está com sérios problemas de salvação e o senhor sabe muito bem disso. Ele é um herege completo. E o pior que a louca CNBB segue a ele.

    Sabe-se dentro de toda a filosofia que a teoria Maxista além de comunista é uma separação total a Deus e a Sua Verdadeira Caridade. O próprio Max preferiu ir para o inferno, do que se redimir de tudo o que ele fez na vida. Ele mesmo disso que sabia muito bem para onde ele estava indo.

    Todos temos conciência plena que a CNBB está bem mais preocupada em se alistar com o governo comunista do lulua, do que trazer realmente as pessoas a uma boa fé. Percebe-se isso diretamente na Catequese das Crianças, na Crisma…

    Eles estão formando católicos mornos, frios, que só querem ter os Santos Sacramentos para poder, futuramente, entrar no seminário e utilizar dinheiro e sair do seminário formado, ou persistir numa vocação religiosa, que não possui, a fim de assegurar um futuro melhor a custa dos parcos rendimentos da Santa Mãe Igreja. E o senhor sabe que é assim.

    Sabe, que a Catequese que a grande CNBB administra é mais para o mundo do que para as coisas santas. Tem crianças que saiem da Catequese que nem sabem direito os 10 Mandamentos e os 3 da Santa Mãe Igreja, mas conhecem tudo como preservar o meio ambiente. O que é mais importante conhecer as coisas de Deus, ou do mundo?

    Qd eu era criança aprendi um Deus do Terror, da Justiça, um Deus Desamor! Tanto que eu fiz a minha Crisma nas coxas, só para eu poder casar, pois era necessário ter compravodado que recebi esse Santo Sacramento, sem entender o motivo. Há crianças que saem da Catequese e não compreende verdadeiramente que Cristo está lá na Santa Hóstia Consagrada. Não sabe vida de santo algum, mas entende muito de horóscopo, quiromancia, etc.

    Entendem que a vida está numa injustiça muito grande, e que é necessário ser revolucionário e mudar o mundo, a sociedade, a situação dos pobres, não pela Caridade e Oração, mas sim com atos políticos de assistencialismo que é bom.

    Isso é o que o Boff prega, isso é a verdade da Teologia da Libertação. Quem a segue é um herege, e se é herege é um apóstada.

    Hoje, ao contrário de “Deus do Terror” se fala muito em “Deus do Amor”, que por mais que você pegue você se confessa e vai direto para o Céu. Aff… Sinceramente, não sei o que é pior!

    Deviam ensinar sim o Deus de Amor que é ao Mesmo tempo Justiça e Misericórdia. E frisar realmente que existe inferno, e lá estão os demônios, os acusadores, os perseguidores da nossa alma. E que todos pecamos, e todos devemos ir a Confissão, por mais venial que seja o meu pecado. E isso não quer dizer somente uma vez ao ano como Manda a Santa Igreja.

    Toda a América Latina vai mal. Muitos defendem a porcaria da Teologia da Libertação, como salvaguarda dos direito humanos. E, aliás, não existe direitos humanos, existe diretrizes para se humanizar!

    A CNBB ao invés de envolver o povo com campanhas da fraternidade voltadas para o Céu, envolve o povo cada vez mais no lodaçal do mundo. A Paz só será alcançada novamente quando toda a Igreja se voltar à Adoração Eucarística de Jesus, e o inferno só será vencido quando todos voltarem ao Colo da Mãe, Nossa Senhora, e respeitá-La como Mãe de Deus.

    Os padres seguem o modismo demôniaco em fazer shows, em dizer que prefere aos shows a celebrar missas. Assim, tão trabalhando para o mundo de satanás e desvalorizando a Santa Eucarístia e o Santo Sacríficio Perpétuo. E, com isso, os demônios cada vez mais agem nas pessoas, aumenta a violência e sua banalidade, incentivam mais o aborto e a corrupção das almas para fazer festa.

    Ao invés de ensentivarem o uso do Santo Rosário ou fazer Campanhas da Fraternidade no sentido de recuperar o que é ser Cristão, não, professam mais o paganismo como forma de contuda e ideologia cristãs.

    É por isso, que o assistencialismo do demônio nas seitas protestaners evangélicas só cresce, uma vez que as pessoas valorizam bem melhor os ganhos materiais do que a própria salvação eterna.

    E claro, que a CNBB não dará ouvidos à salvação eterna do povo, mas sim ao conforto e o maldito assistencialismo de um governo corrupto que aprova nas entrelinhas.

    Um exemplo da corrupção dos bispos da América Latina, é elaborarem um Documento de Aparecida, em 2007, no qual o homem fica no centro das preocupações da Igreja, e elaborarem uma segunda versão para que o Santo Padre, Papa Bento XVI, aprovasse com algumas ressalvas e críticas.

    Sim, a teologia da libertação está longe de ser Cristocêntrica, mas sim de puro antropocentrismo racional de de cunho ideológico humanista.

    Quando o Bff era um frei sério, até produzia coisas boas, mas a sua obra se perdeu quando começou a defender piedosamente a Teologia da Libertação tanto aprovada pela seita denominada Igreja Universal do Reino de Deus e estudada para a formação de qualquer um, tanto teólogos, professores, catecistas, seminaristas e pastores.

    Sim, assim, a mente humana é corropida e Jesus é mais tratado como um Revolucionário, e o comparam com o Che Quevara do que o que Ele é Realmente: Deus Filho, o Verdo, a Eucarístia, a Paz, a Vida.

    Não sei, como os padre de hoje tem coragem de professar o Credo (Credo Apostólico e Credo Niceno-Constantinoplano). Deviam é ter vergonha de ousar ensinar tal blasfêmia aos jovens.

  8. Por que precisamos de Teologia da Libertação para lembrar do nosso compromisso com os mais pobres? Já não basta o exemplo de Jesus Cristo e de vários santos?
    Eu particularmente nunca vi uma TL sem influência do marxismo, o próprio Gustavo Gutierrez diz que é impossível compreender a história sem a luta de classes.
    Para mim a TL de influência marxista é um câncer e como todo câncer tem que ser eliminado para não se espalhar, assim como toda heresia, mas essa é muito grave, é fruto de uma perturbação do espírito humano, como não ser tentado a sentir ódio do irmão mais rico se a história deve ser compreendida através da exploração dos pobres pelos opressores poderosos? Perdoe-me mas não foi isso que Cristo nos ensinou.

  9. Simone Teixeira

    Pe. Joãozinho,

    Gostei muito de seu texto. É claro e enriqueceddor! Você sabe o quanto o admiro por sua capacidade de não ver antagonismos sérios entre a Teologia de Gustavo Gutiérrez e espiritualidade da RCC. Aliás, esse foi sempre meu modo de enxergar e viver minha fé. Obrigada por dividir conosco seus conhecimentos e sua riqueza intelectual e espiritual. Já adquiri seu livro “Teologia da Solidariedade” e vou saboreando devagar…
    Grande abraço,

    Simone.

  10. Michelli Brainer

    Meu Pai!
    O povo é contra a CNBB??????????????

  11. mas e a CNBB é a favor do povo ???
    e principalmente é a favor da igreja???

  12. Graças a Deus fiquei 35 anos longe da Igreja e nao participei desta bagunça! Hj a “missa das crianças” foi um terror, ate dava pra sambar e tinha um padre fazendo animaçao logo apos a consagraçao imagine! Por isso aqui as igrejolas pentencostais estao crescendo ja que Deus é igual para todos, melhor ficar num lugar onde o pecado nao precisa confissão, comunhao é apenas uva com o pao e todos ficam alegres com suas cantorias e podem trocar de mulher ou homem tendo ate cerimonia religiosa !
    Este país acabara sendo pentencostal protestante pois desde Dom Helder Camara, eu menina ja via a diferença da Igreja de Cristo com o pequeno em estatura Dom Helder ,no meio das poderosas sociality cariocas e que Deus me perdoe, mas com a Deputada Sandra Cavalcanti os comentarios eram para a epoca bem constrangedores!!! e so falavam em politica assistenciais e a fé foi indo aos poucos pelos ralos!caridade o termo ja estava sendo usado bem pouco!
    Todos depois de mortos ou velhos viram santos e isso é normal para nosso povo que nao tem memoria, cultura e nascemos na miseria só pensando mesmo viver a vida neste mundo como se fosse o paraiso eterno.
    Tempo bem breve este sera um pais protestante e tantos padres, zinhos, galas e cantadores ja estao se preparando para mudarem de religiao, ja que tem ate protestantes aceitando Nossa Senhora aos pouquinhos e isso ja é um começo mas com a cabeça desses modernistas vai ter marianos pentencostais protestantes pois a grande maioria querem formar familia e ter seu emprego com uma igreja na mao!
    Muito triste esta minha volta e me faz chorar com saudades dos meus franciscanos que hoje aqui nao existe pelo menos não os vejo aqui na rua andando mas nas Missas sim e muitas vezes celebram so com o habito mesmo pois so na IGreja usam e continuando assim deixarei de contribuir com tudo e voltarei a rezar meu terço em casa, pedindo perdao a Deus , mas ando cansada de ver como esta bagunçada a Santa Missa aqui!
    Saudade do meu frei que proibia entrarmos em um templo que nao fosse Catolico Apostolico Romano! E nesta época ja estava infiltrada a TL mas ainda os bispos ouviam e obedeciam o Santo Padre, hj os bispos se fazem de surdos! Rezo pedindo a Deus por intercessao da sempre Virgem Maria que separe o joio do trigo mesmo que percamos muitos INfieis mas saberemos quais os verdadeiros catolicos e com certeza a Santa IGreja deixada por Jesus nas mãos de São Pedro voltara a trazer ovelhas para o rebanho do Senhor!

  13. Bom saber disso.Pois o que eu vejo são somente acusações referentes a teologia da libertação.Sem o minimo de acolhimento “do que é bom”, no movimento.
    Sei que a preocupação com a parte espiritual de muitos que são da teologia da libertação é bem pequena.Sei também que muitos transferem interpretações espirituais da Biblia, para carnais e nesse ponto não concordo com eles.Mas a reflexão social que a teologia da libertação faz sobre nossa realidade social é muito importante e é um exemplo para muitos movimentos da Igreja.Por isso acho importante não desprezá -la por completo, até mesmo porque a teologia da libertação surgiu para defender os filhos de Deus, que enquanto pobres sofrem constantemente por causa da opressão capitalista.Se somos cristãos não devemos ser coniventes com tamanha crueldade.
    Um grande abraço!

  14. a teologa da libertação constitui para mim o maior erro teologico da igreja. sou cristão e participo da rcc mas nem por isso sou modernista e nem a favor da tl, pois a tl tem raiz no marxismo , que evidencia luta de classes e odio entre elas (ricos e pobres), ser a favor da tl é colocar chegevara no lugar de jesus, pois onde ouver lutas e odio o amor de deus não está,o amor de jesus deve reinar livremente e sem barreiras, e a luta do cristão é derrubar as barreiras de odio e divisão que nosso mundo conteporanio cria.outra coisa, o cristão deve se preocupar primeiramente em levar o evangelho e a salvação as pessoas, salvar almas para cristo isso é a função da igreja, se a função da igrefa for apenas social e ajudar os necessitados com cestas basicas e etc, então não somos melhores que qualquer ong! \ Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça e todas estas coisas vos serão dadas em acréscimo\ Mt 6,33

  15. A Lunna Stelle inspirou-se para escrever verdades iluminadas. Deus a abençõe muito e Nossa Senhora a guarde por seu grande zelo com a doutrina incorruptível do Senhor. De fato, a teologia da libertação é um câncer maligno dentro da Igreja Católica. S. S Bento XVI é contra essa maldita teologia. Sempre foi. E quem quer estar sobre a Rocha, tem que estar com Pedro (Bento XVI) e o que ele diz e escreve. Somente será salvo aquele que estiver com ele até o fim. Ai dos apóstatas, dos cismáticos, dos seguidores de Boff, de küng… O fogo do inferno os aguarda. Ou por acaso não viram em Fátima milhares de almas indo pro inferno, segundo a visão aprovada pela Igreja. Tem muita gente que não crê, na dá ouvidos a isso. Por que não lêem a mensagem de La Sallette? Lá diz que muitos padres e religiosos eram falsos e instrumentos do demonio para destruir a Igreja. Se naquela época (1830) já era assim, imagina hoje. Por isso disse S.S Paulo VI em certa ocasião: a fumaça de satanás entrou na Igreja por alguma fresta. E nesta fumaça de satanás está a TL com certeza absoluta. Viva o papa! Viva quem está com ele! Viva a Igreja Católica Apostólica Romana, única verdadeira e única Santa, e somente Santa — não vem com este papo de pecadora, que isso é heresia!

  16. Eugênio DelChristi

    Estimado Pe. Joazinho!
    Excelente texto. Tem coisas boas na TL, mas o que estraga mesmo é a metodologia e critérios marxistas. Mas uma ressalva: não existe Teologia da Libertação? Estranho um Prof. de Teologia dizer isto. Quando passar por Brusque visitando sua Mãe D. Glória, se quiser podemos conversar sobre isto. Agora quanto ao comentário de “lunna stelle”, só posso lamentar. Quanta falta de Amor! Você não segue o mesmo Deus de Nosso Senhor Jesus Cristo!

    Eugênio
    A minha afirmação é de “não existe UMA teologia da libertação”; existem várias, com diversos matizes diferentes.
    P. João Carlos Almeida

  17. Hélio de Souza

    Padre Joãozinho,

    Desculpe a franqueza, mas o Senhor não respondeu corretamente a pergunta, ficou em cima do muro.
    A TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO,ou melhor, TEOLOGIA SACRÍLEGA DA SEPARAÇÃO, É CONDENADA PELA IGREJA SIM, basta verificar o texto do Papa Bento XVI, quando ainda era Cardeal, “EU VOS EXPLICO A TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO”. Disponível no site Veritatis Splendor, no endereço: http://www.veritatis.com.br/article/4734. Desde 05/05/2008.

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